Lista de Poemas

Depois da hora marcada



Depois da hora marcada o poente estendeu-se
Subtilmente sobre cada onda efémera e apaziguada
Ao longe escuto aquele imarcescível eco fundir-se
Com a solidão persuadida, delirante e sobrepujada

Depois da hora marcada a noite reentra subtil e maleável
Atropela aquele breve instante de tempo que fenece interminável
Deixa sem abrigo a escuridão, impulsiva, atrevida…inacabável
É hora de adormecer cada silêncio fruto de uma caricia tão insaciável

Frederico de Castro
211

Derradeira luz



Estendida nos lençóis celestiais a noite ruge
Engolida por esta escuridão que fenece sublimada
Só uma exímia caricia ainda sobrevive tão mimada

Fluidificante a derradeira luz expande-se desaçaimada
Digita tantas ensurdecedoras orações conformadas
Entorpece aquele brisa amarinhando por ali inflamada

Sobre o xaile do silêncio choraminga a vida difamada
Aconchega esta solidão furtiva, comovida…reanimada
Prefácio perfeito para qualquer rima ou ladainha indomada

Frederico de Castro
126

Hoje choro eu...e velha Xica



- para Waldemar...

De Cabinda ao Cunene choram todos os
Poentes ígneos, flamejantes e apaixonados
Embebedam-se do silêncio que esperneia magoado

Perdeu-se no tempo uma hora delirando dramática
À beira do Cuanza afogou-se um sonho tão cromático
Na passada colorimos um semba emocionante e galático

Resta a saudade e a memória da nossa Velha Xica
Terra rica Angola és livre, sempre foste minha namorada
Da Muxima colorida colho pra ti uma pitanga apetitosa e revigorada

Das acácias floridas chegará uma brisa elegante e fanática
Depositará no Cuanza as cinzas do teu ser poético…tão aromático
Cantará alegremente zumbindo qual marimbondo feliz e selvático

Frederico de Castro
209

Imenso mar revolto



De cá pra lá num vai-vem constante o mar balouça
Empoleirado na imponderabilidade de cada onda arrogante
Gratifica a odisseia desta pacifica emoção tão esfuziante

No imenso mar revolto vadiam brisas maviosas e rebeldes
Sem escolta e inextricáveis, diluem-se a bombordo de cada
Apaziguante silêncio submisso, resignado…quase extenuante

A noite improfanável acolhe um breu intuitivo e flutuante
Gesta uma caricia que ali se precipita vertiginosamente
Saca-me toda adrenalina contida na alma…assim selvaticamente

Frederico de Castro
224

Esfumou-se o tempo...



O tempo sereno, ausente e tão solitário
Suspira na alameda dos sonhos deslumbrados
Descansará à sombra de tantos lamentos prioritários

Esfumou-se a última hora rigorosamente apaziguada
Sitiou as margens onde desagua uma caricia totalitária
Trespassou cada inconsumível palavra tão precária

Frederico de Castro
119

Pluma esvoaçante



Flutuando espalhafatosamente pela manhã elegante
Chega uma indomável e altruísta pluma esvoaçante
Imprevisível aconchega-se a cada afecto mais poçante

Desperta ousada esta luminescência quase indisciplinada
Adoça o silêncio que se transfigura feliz e tão arrojado
Ali chilreia o tempo esplêndido e definitivamente resignado

Frederico de Castro
161

Cem silêncios



Tantos milimétricos ecos escondem-se ao redor
Das palavras cúmplices platónicas e simétricas
São cem silêncios acudindo rimas tão periféricas

A um quilómetro da solidão estagna a vida
Ante ontem tão radiante, hoje inconsumível e viciante
No presente, tão vibrante, no futuro absurdamente excitante

Vestida de breus emergentes, frementes e ofegantes
Chega a esperança trajada de caricias quase latejantes
Deixam tantos eruptivos sentidos a gracejar tão pujantes

Cem silêncios abarrotaram a memória em polvorosa
Subtraíram da saudade uma prece incondicional e airosa
Dividiram a tristeza que agora se dissipa muito mais generosa

Frederico de Castro
117

Correntes de liberdade



Fluidificante e substancialmente lubrificante
O dia liberta cada fluorescência provocante
Aluna na verticalidade do tempo traficante

Permitindo e deglutindo uma delicada fé marcante
Viça crepitando numa centelha de ilusões unificantes
Traga todas as inquietudes lânguidas, híbridas…tonificantes

A liberdade religiosamente universal e reivindicante
Desacorrenta o silêncio disperso, abalado quase claudicante
Como se em mim se ateasse o fogo desta esperança vivificante

Frederico de Castro
149

Escapulindo



Serenamente escapulindo por uma fresta de luz
Chega esta fluorescência sensual e estilística
Atropela com avidez cada emoção mais realística

No doce gingar do silêncio sobressai à vista desarmada
O felino bailado de um desejo frenético…quase consumado
Cada eco arrepiado flameja a bordo deste sonho sublimado

Todas as brisas perfumadas, altruístas e regenerantes
Escondem uma caricia penetrante, esplendorosa e delirante
Degrau a degrau o silêncio fossiliza subtil e tão hidratante

Frederico de Castro
129

Orgânico



Um silêncio orgânico germina ao longo
Da maresia esbelta fecunda…quase epifânica
A seu bel-prazer adormece aconchegada e catatónica

Na clarabóia do tempo brilha a esperança sedutora
Aplaina a noite e esculpe todo este poente mais sensitivo
Deixa semi-nu qualquer silêncio enclausurado e definitivo

A escuridão sem rasto afaga cada breu explodindo intrusivo
Pavimenta a viela onde jaz o tempo ignorado, esquecido…relativo
Embrenha-se no horizonte apaziguado por este sonho ali cativo

O céu perfumado por um aguaceiro juvenil e contido
Recita ao vento meus versos desertores e combalidos
Até serenar tantos ais soberanos, hidratados…bem remidos

Frederico de Castro
157

Comentários (3)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!