Lista de Poemas
Visto da janela

Em pleno estertor a escuridão pousa de mansinho
Nos beirados da minha solidão tão acolhedora
Burila esta imensa ilusão desaguando ali consoladora
Um silêncio bronzeado ampliado e desbravador
Alimenta o zumbido de cada eco vivificante e abrasador
Esmerilha o crepúsculo do intenso e Divino poente conspirador
Visto da janela o tempo quase parou e feliz destilou um
Sonho trajado de gotículas enluaradas e sempre dissidentes
Peregrina pela cachoeira das minhas emoções tão urgentes
Frederico de Castro
153
Silêncio quebrantado

No interior de muitos devaneios delira o tempo
Esmagado por um intrínseco silêncio convincente
Desertificou uma hora tão sedenta…tão dissidente
Quebrantada a alma aluna as margens desta solidão
Estupidamente concludente, avidamente comovente
Assim se alimenta um trágico lamento tão contundente
Agora cada emoção sequiosa, atraente e sofisticada
Abalroa minha memória encaixotada na saudade intensificada
Ali se soltam líricas palavras algemadas a uma rima amplificada
Frederico de Castro
113
Poente esquecido

Estatela-se além este poente quase esquecido
Num parágrafo deixo este verso diluir-se na
Maresia de palavras e sonhos tão apetecidos
Escondida na couraça do tempo uma hora
Revela-se generosa e eternamente aborrecida
Desfralda a solidão instantaneamente envaidecida
O silêncio proibido mas bem suprido costura uma
Panóplia de emoções ferozmente enlouquecidas
Degusta um exército de ilusões brilhando engrandecidas
Frederico de Castro
161
Ascensão da solidão

Ascende a solidão deificada por uma oração
Sempre mais enaltecida e tão lisonjeada
Requinta a esperança com uma palavra esfomeada
Ao longe o silêncio repercute um risonho eco
Embeiça-se deste imenso lamento sublime e generoso
Fecunda o tempo nobilitado por um sonho impetuoso
Cada hora aguçada e absolutamente ritualista recria
A memória, fonte de tamanha saudade portentosa
Comovida e curativa, vela tanta emoção angustiosa
Frederico de Castro
103
Por outros caminhos

Existem outros caminhos, novos horizontes
Tantos destinos felizes em pleno burburinho
Do presente ao futuro cada sonho ali esquadrinho
Existem outros caminhos moldando a memória imperativa
Intuitiva, mais cativa toda ela muito, muito construtiva
Tudo em mim vadia a bordo da mesma fé superlativa
Outros caminhos trajados de esperança tão combativa
Ali cada oração repercute a vida colorida e infinitiva
Degrau a degrau até alcançar a plenitude da alegria apelativa
Outros caminhos outras manhãs flamejando gustativas
Adocicam cada luminescência brilhando intempestiva
Além navega o rumor da maresia marulhando contemplativa
Frederico de Castro
194
Corpos celestes

À noite a escuridão solidifica todo breu
Estático, glorioso…quase infeccioso
Rasga o tempo que se curva vincado
A um lamento tão feliz e sigiloso
No domínio etéreo da nossa imensa existência
Musculosas emoções fervilham tão assediadas
Uivam alegres a cada cântico fecundo e anestesiado
Escorrem abandonadas neste verso quase saciado
Religiosa e mais prodigiosa a esperança além
Brilha ávida, subtilmente casta e habilidosa
Com seu apetite quase impiedoso alimenta a fé
E todas as luminescências de uma oração sumptuosa
Frederico de Castro
126
Emoções proeminentes

Sempre proeminente o silêncio consola uma
Imensa vastidão de emoções quase gratuitas
A manhã soluçando efusiva espreguiça-se ao redor
De tantas esbeltas ilusões sempre tão fortuitas
Em cada verso escrito, inspirado e restrito
Deambulam líricas memórias infinitas
Refém de um destino longínquo o tempo
Sucumbe entre exorbitantes caricias explosivas
Frederico de Castro
126
Tempo perfeito

A noite inculpe e trajada de breus elegantes
Imerge além embebedada de luares divagantes
Sobra um retalho de emoções fluindo tão vociferantes
Neste tempo que marcha feliz e mais possante
Esconde-se uma hora eterna, sublime e calmante
Alaga a planície dos meus versos quase asfixiantes
Ali se bebericam e refrescam solidões sempre revitalizantes
Ouvem-se ecos e estilhaços do silêncio tão lamuriante
Nutrem a esperança escoltada por uma brisa entusiasmante
Frederico de Castro
155
Acordes na escuridão

Na hora marcada toda esta imensa escuridão
Pousa subtilmente num acorde musical tão abrangente
É um intercâmbio de emoções matreiras e atraentes
Um breu decisivo e brutal ornamenta a noite pacificada
Coliga-se com aquela intensa caricia tão persistente
Alimenta cada retalho de solidão amuada e prepotente
Ao longe esteticamente bem orquestrado, cada eco flui
Ameno, mais sereno…tão avido e subtilmente irreverente
Descodifica a esperança contida numa oração tão eloquente
Frederico de Castro
104
Além no horizonte

Além no horizonte brilha a escuridão bizarra e
Tão grácil que quase esventrou este silêncio aprimorado
Tão desenvencilhada que quase se embebedava revigorada
Além no horizonte, consumida e hidratada cada hora
Esbanja tantos milhões de segundos assanhados
Alimenta este terramoto de prazeres tão corroborados
Além no horizonte a vida reverbera entre espasmos
E caricias absurdamente cronometradas e de lá se
Rega cada brisa fluindo incandescente e apaixonada
Frederico de Castro
160
Comentários (3)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.