Lista de Poemas
Nos pátios da solidão

Célere o tempo esdrúxulo e extravagante jaz
Adormecido num inóspito lamento quase blasfemo
Absorve do silêncio cada desejo ou carinho supremo
A espaços sinto a fé apascentar o pátio das minhas
Emoções impenetráveis e abruptamente inflexíveis
Perfumando com incensos todos os sonhos ainda previsíveis
Ansiosa e nua a noite escorrega pelo corrimão das trevas vadias
A Solidão indómita e indiscreta sucumbe intacta e indizível
Até o desabrochar de um excêntrico silêncio suspirando imperecível
Frederico de Castro
132
Brisas de cetim

Quanta melancolia existe ao sabor de uma brisa
Quanta emoção embala um gomo de luz delicioso
Nunca o infinito se tornou tão perto e mais rigoroso
Em retalhos de cetim o tempo espaneja toda a
Solidão que exuberante agrilhoa tanta ilusão curiosa
Ali saúdam a vida cintilando ao rubro, eufórica e tão saborosa
Despenteando a manhã que acorda bradando imperiosa
Espreguiça-se uma caricia suplicante e pegajosa
Aceita navegar ao sabor de cada maré altiva e portentosa
Frederico de Castro
138
Decifra(n)do...

Um crepuscular silêncio estremece sem macular
A luz que perpendicular adormece feliz e espectacular
Ouve-se ao longe o pouso macio de um chuvisco a gesticular
A escuridão adensa-se decifrando cada sombra a reanimar
Fatia um breu mergulhado num triste eco quadrangular
Como quem camufla um verso inspirado numa rima a celebrar
Uma ténue e fugaz fluorescência projecta-se no tempo
Fluindo adestro à minha solidão encafuada numa hora inquietante
Ali agoniza cada palavra, cada desejo insaciável e mais acutilante
Frederico de Castro
181
Fonte de luz

Entrando pacificamente pelas frestas do tempo
Desagua a luz intrusiva, sensitiva e tão confidencial
Sublima o tempo que adormece mais preludial
Miríadas de caricias alinham-se no horizonte genial
Deixam o cárcere onde antes cada palavra gemia bestial
Onde a noite nascia perversa, invisível e ditatorial
Pela fonte desta luz escoa a escuridão rechaçada
Um eco monótono e indiscritível flutua além impulsivo
Rega um impávido e minúsculo silêncio arrebatado e definitivo
Frederico de Castro
164
Silêncio incontrolável

Das profundezas da manhã fantástica e vibrante
Submerge aquele avassalador silêncio incontrolável
Ao rubro fica a vida deambulando por ali inabalável
Discreta e inconstante a solidão irrompe devorante
Celebra com meiguice a malandrice desta inspiração instável
Que desampara e desfragmenta este verso tão permeável
Num derradeiro suspiro cada brisa desnuda-se apoteótica
Tem como aliada toda esta imensa emoção insofismável
Tão incólume como um breve silêncio que ali se afoga inevitável
Frederico de Castro
142
Circunvalação

O dia deambulando pela circunvalação do rio
Amara tranquilo, recluso deste silêncio profuso
Sepulta um eco que se afoga ali tão intruso
Inesgotável a solidão encastra-se num lamento
Volumoso, pujante e demasiadamente viçoso
Regala o céu que dormita exuberante e generoso
Cobre esta maresia uma copiosa emoção deliciosa
Toda ela quântica e instintivamente astuciosa, regando
A luz que se desfragmenta embebedada e tão miraculosa
Frederico de Castro
139
Pinceladas na noite

A esperança pincela a noite tão edulcorante
Separa todas as sílabas tónicas onde amara
A escuridão vaidosa, dengosa…quase chocante
Numa verborreia de palavras elegantes subsiste
Aquela conivente simbiose de emoções latentes
A poesia torna-se espontânea, criativa e penitente
E assim, cada breu utente deste silêncio dissonante
Chilreia entre tantos omissos ecos tão possantes, até
Mitigar mil e uma memórias famintas e contagiantes
Frederico de Castro
166
Cerca dos silêncios

Bordada num luar casto e aprazível a solidão
Apaparica aquela luminescência fugaz e amena
Varre pra bem longe uma sombra noctívaga e serena
No morro, cercado por esta imensa escuridão implicante
Um subtil gomo de luar exacerbado fenece fluidificante
Tempera com afabilidade o silêncio que além ondula lubrificante
Em apuros a noite estatela-se no regaço daquele breu insatisfeito
Acaricia com suavidade o tempo que se desnuda tumefeito
Domestica cada lamento, ressuscitando inusitado…quase perfeito
Frederico de Castro
182
O poente à minha janela

À minha janela e defronte pra solidão
Estagnou o tempo cheio de cócegas e emoções
Todo ele capitulado fenece prenhe de ilusões
Sob o efeito inebriante da noite que chega audaz
Um insolente eco estatela-se na escuridão falaz
Represa cada caricia, intensa, ígnea e tão voraz
Cada breu desconectado deste tempo perene
Atola-se no meio da solidão inacabável e crónica
Prefaciando cada hora que além flutua virtual e sinfónica
Frederico de Castro
159
Infinito paradoxo

Germina a escuridão no horizonte infinito
Esgatanha cada breu fútil passarinhando esquecido
Intimida este verso que suspira, suspira entorpecido
Trancado a sete chaves cada lamento transfunde-se
Num eco esdrúxulo, excêntrico e demasiadamente enaltecido
Além onde se dá a derrocada de tantos segundos enlouquecidos
As memórias ainda que sobrenaturais cogitam um
Gomo de felicidade que esbraceja teimoso e fortalecido
Infiltra-se no seio deste universo poético sempre mais elastecido
Frederico de Castro
160
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