Honoré DuCasse

Honoré DuCasse

n. 1799 FR FR

Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.

n. 1799-06-29, Paris

Perfil
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Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Poemas

4

Ermitério

Há um poema

Que me lembra

O vento das vozes cansadas

E das noites a fio

à espera das madrugadas

Na reclusão das eras

E no ermitério das idades

757

Sombras sem vida

Choro‑te,
sem que percebas
que definhei naquela sombra lânguida
que morreu para lá dos ciprestes,
oca,
sem o teu sussurro ter
599

Degelo

Bebi-te num rio numa manhã de degelo

Tacteavas a pedra polida

Como se tivesses lábios de desejo

Percorrias as entranhas nos fiordes

Num frenesim sensual

Derretias os prados fumegantes

Mitigavas-me o anseio ardente

Nos teus lábios quentes

Mordias o verde até ser rio

Morrias-me na foz até ser gente

1 010

Meia Lua

Meia lua incompleta
A noite ergue-se, profusa
Deambulo uma candeia
O corpo suporta-me
na tua ausência, meia maré
Sonho-te sem rosto
desde que és,
Arrasto o passo, beijo-te a sombra
Abandono-me ao ermitério
E aos dias gastos
757

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