Jorge Augusto

Jorge Augusto

n. 1976 PT PT

n. 1976-01-29, Seixal

Perfil
8 041 Visualizações

Um Sonho Não Sonhado

Numa duna me deixei adormecer
Com esperança de conseguir sonhar
Deixei de ver, deixei de conhecer
Deixei-me voar, deixei-me escapar

Numa duna me deixei sonhar
E sonhei que nunca consegui adormecer
Perdi-me no ar, perdi-me no mar
Fugi para conhecer, fugi para te ver

Um sonho acabou
Um sonho escapado
Um sonho voou
Um sonho tirado

Do ar
Ao mar
Do vento
Ao relento


O sonho nem começou
Eu nem adormeci
Quem me imaginou
Deveras esqueci

Um sonho do ar
Um sonho do mar
Um sonho do vento
Um sonho ao relento

Acabou o sonho
Voou com o vento
Do ar escapado
E do mar foi tirado

Acabou o sonho
Voou com o vento.


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu
Ler poema completo

Poemas

21

Um Sonho Não Sonhado

Numa duna me deixei adormecer
Com esperança de conseguir sonhar
Deixei de ver, deixei de conhecer
Deixei-me voar, deixei-me escapar

Numa duna me deixei sonhar
E sonhei que nunca consegui adormecer
Perdi-me no ar, perdi-me no mar
Fugi para conhecer, fugi para te ver

Um sonho acabou
Um sonho escapado
Um sonho voou
Um sonho tirado

Do ar
Ao mar
Do vento
Ao relento


O sonho nem começou
Eu nem adormeci
Quem me imaginou
Deveras esqueci

Um sonho do ar
Um sonho do mar
Um sonho do vento
Um sonho ao relento

Acabou o sonho
Voou com o vento
Do ar escapado
E do mar foi tirado

Acabou o sonho
Voou com o vento.


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu
501

Ví(-te)cio

Vi-te sentada
À beira da praia
Na areia molhada
À beira do mar
Da praia salgada;

Vi-te molhada
Sentada na areia
Do mar salgado
À beira da praia
Sozinha a contar;

Vi-te na areia
À beira da água
Sozinha na praia
A secar a mágoa
Molhada do mar;

Vi-te sozinha
Sentada na praia
A contar baixinho
Estrelas da areia
Molhadas por ti;


Vi-te depois
Com estrelas salgadas
Tiradas da água
Contadas, molhadas
Choradas, por fim.


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu
506

A arder lentamente

Eu não sinto
Quando sinto
O que sinto cá dentro

Eu não minto
Quando assento
O que sinto, que é denso

É no vinco
Que piso
No meu pensamento

É distinto
Meu riso
Que cá dentro não tento

Será meu vício
Num fundo preso
Que acende a malícia


Foi no solstício
Da vela acesa
Que acabou a delícia

Meu vício aceso
No fundo findou
Solstício preso
No fundo mudou

É meu trauma que não terminou
Minha alma que nunca voou
Numa vénia ainda se prostrou
E a vela escura, tão linda, acabou.


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu

492

É Meu Mal

Um relâmpago tinha-me dito
Que te encontraria um dia
Que faria?
Não sabia.
Só viver não mais escondido.

Esse amor - é só paixão?
Nem sei a verdade toda
Na tua boca
Andava louca
Com o que me dissera o trovão.

Nem o tempo, nem as lágrimas de cristal
Que da minha face desceram
Escorreram
E esconderam
Tudo o que sinto - és meu mal?


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu
585

Tempo fantasma

Tenho a impressão que dois momentos já passaram e eu não vi
Foram dois momentos que voaram e que eu senti

Tenho a sensação de sentimentos já passados, que não voltarão
A existir a emoção cá de dentro, do coração.

Tenho a impressão que já não vejo e vou continuar sem ver
Tantas emoções que já não tenho e me vão ajudar a sofrer

Tenho a sensação de alguns momentos que voaram e que já não vou viver
É esta a razão dos sentimentos que não tenho e tento esquecer.


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu
510

Há Um Olhar Encantado

O teu olhar não mente
Que escondes segredos que estás já a cantar

E olhas simplesmente
Para nós, quais tencionas encantar

Olhos nos olhos já sabes que encontrarás

Meus olhos verdes teus amigos
Com que podes sempre contar

E tens mais olhos, e barriga
E mais sentidos sem sentido p’ra abraçar

E tu devoras e nem ligas: tens asas e voarás

A voz é tudo e tu és mundo
Que sem crer vais conquistar

Mas a amizade que em ti nutro
Mais nada quer do que o teu vibrante olhar.
Fútil: qué quisto quer dizer?

Percebi... Tantas coisas que eu queria nunca ver;
Percebi... Tudo. Ou nada? Vá-se lá saber;
Percebi... Ou não? Diz-me se acerto
Este aperto no meu peito
É ou... É o meu coração
Que sem guelras não consegue... E não aceito;

Que ele viva sem o sangue que lhe des-te
Porque é que o fizes-te?
Se não querias...
Hoje vivo porque entendo que não sou;
Que de nós o tempo, esse, já voou
E conheço já tuas doces fantasias;

E que não entendo... Nem percebo mesmo nada;
Uma coisa só já aprendi:
O tempo é uma questão
De saber ou não como o passar
E eu não passo sem esta lição
De novo repensar,
Matutar as letras que disso não passam;


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu
538

Nem Nada

Engulo novamente as lágrimas com os olhos,
Elas teimam em voltar a cair de novo.
Em ser choradas vezes sem conta.
Encontro a razão e não encontro nenhuma.
Sou feliz... muito feliz, mas tenho a infelicidade de ter, por outro lado, um buraco negro, parecido Com todos os outros, mas este dentro de mim.
Deveria ser um buraco muito feliz.
Eu amo... é tão bom!
Mas estando longe é tão difícil aguentar tal felicidade. Transcende-me e junta-se à saudade.
E à angústia frustrada que, ora vem, ora vai... mas nunca sai nem entra... de vez.
Hoje, como já por muitas outras vezes, penso outra vez em encontrar o caminho e acho que o mais difícil não é, nem procurar, nem encontrar.
Eu só gostava de saber exactamente o que procurar... e depois como fazê-lo,
Mas as luzes divinas - se por acaso alguma vez brilharam - não encontram razão nenhuma para me iluminar.
Iluminam mas eu não vejo.
Não vão parar as histórias inventadas, “ficcionadas”.
E eu quero-as, simplesmente, realizadas.


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu
450

A Vida, Do Céu à Terra

O sol, o dia e as águas

Num dia de Janeiro

Juntaram-se e fizeram

O seu pacto primeiro

O jogo fica, embala

E dura, longo até Junho

E em voz estridente soaram,

Gritaram: - É para vós este mundo!

Não sentem dizer:

Estou aqui, era inteiro

Até que vós me magoaram.

É pois, este, o acto III.

A estação, neste mês,

Esconde o frio, é um escudo

Como negra viuvez

Tal inverno sisudo

A chuva, então, a cantar

Cai na terra e ajuda a videira

A sua uva nascer, a brotar

Diz, já fruto, à sua parteira:

-Tão boa, tão fresca tu és

Nesta vida já vivo e bem fundo

P’ra beber só tenho a raiz

P’ra viver tu és água, és tudo.

A madrinha esconde a sorrir

A modéstia que é vez primeira.

Não a vemos pois está a fugir

Tal a chuva na tarde soalheira.

Vai embora, não diz quando vem

E as flores aguardam, contando

Às roseiras, avós de sua mãe

As histórias que haviam escutado.

494

Cada concha tem um segredo que quero partilhar

...E cada gota de um Oceano
A lágrima de uma dor
E cada choro desse Oceano
Saliva do beijo... melhor...
Dos beijos... molhados.

...E não digas nada,
Não faças, não beijes,
Não contes a ninguém
Que o segredo que eu guardo
Que a palavra que eu escondo
É tua também

...E que é húmido o mar.
Talvez seja suor
Meu amor
Transpirar,
Do trabalho de amar.


...E se forem anos?
Quantos não tens
Não os contes
Não os digas
Nem contes a ninguém.

...Que a palavra que eu guardo
Que o segredo que eu escondo
Que a concha do mar
Que o beijo molhado
Que a vida suada
É tua também.

Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu
459

Se não for

Diz-me de uma vez por todas,
Ó desgraçado que te encontras escondido.
É em ti que eu vejo a mágoa e um desejo desentendido.
É a mágoa que em ti vejo cada dia
Num olhar que já não consigo esconder
De ti, só de ti!
Mais ninguém consigo ver...
A não ser tu,
Ó meu igual tão parecido
Tão distante ao mesmo tempo,
De um tempo que não passa e nada muda
Aqui...

E lá tudo se sabe, tudo se vê e modifica.
E aqui?
O que ficou aqui?
Minhas tristezas, incertezas?
Talvez! E também o fim de uma vida que não quis continuar
Porquê? Não conseguia ver e era difícil pensar
Que seria bom um dia poder pelo menos, se puder,
Fico a sonhar.
«Mais depressa» - disse a vida ao passo

Saber que existo, aqui, agora
E não sentir-te mais, a ti, eu choro
Por falar comigo, só, demoro
A descobrir a vida, dói, demora...

Mas sentir que só existo, em ti, eu morro
Por saber que só vais ver, em mim, a mágoa
E ao dizer “adeus” eu choro, as águas
E mentir que lá não vivo, assim... Eu moro

Descobrir que a longa vida é forte, caminha
Longos passos, vai a descer, da rua à torre
Ao chegar diz-me que apresse, o passo, à toa
Sem lembrar que a trago aqui, comigo... Voa...


Mais poemas deste autor em www.jorgeaugusto.eu

451

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.