Há Um Olhar Encantado
O teu olhar não mente
Que escondes segredos que estás já a cantar
E olhas simplesmente
Para nós, quais tencionas encantar
Olhos nos olhos já sabes que encontrarás
Meus olhos verdes teus amigos
Com que podes sempre contar
E tens mais olhos, e barriga
E mais sentidos sem sentido p’ra abraçar
E tu devoras e nem ligas: tens asas e voarás
A voz é tudo e tu és mundo
Que sem crer vais conquistar
Mas a amizade que em ti nutro
Mais nada quer do que o teu vibrante olhar.
Fútil: qué quisto quer dizer?
Percebi... Tantas coisas que eu queria nunca ver;
Percebi... Tudo. Ou nada? Vá-se lá saber;
Percebi... Ou não? Diz-me se acerto
Este aperto no meu peito
É ou... É o meu coração
Que sem guelras não consegue... E não aceito;
Que ele viva sem o sangue que lhe des-te
Porque é que o fizes-te?
Se não querias...
Hoje vivo porque entendo que não sou;
Que de nós o tempo, esse, já voou
E conheço já tuas doces fantasias;
E que não entendo... Nem percebo mesmo nada;
Uma coisa só já aprendi:
O tempo é uma questão
De saber ou não como o passar
E eu não passo sem esta lição
De novo repensar,
Matutar as letras que disso não passam;
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Tempo fantasma
Tenho a impressão que dois momentos já passaram e eu não vi
Foram dois momentos que voaram e que eu senti
Tenho a sensação de sentimentos já passados, que não voltarão
A existir a emoção cá de dentro, do coração.
Tenho a impressão que já não vejo e vou continuar sem ver
Tantas emoções que já não tenho e me vão ajudar a sofrer
Tenho a sensação de alguns momentos que voaram e que já não vou viver
É esta a razão dos sentimentos que não tenho e tento esquecer.
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Ví(-te)cio
Vi-te sentada
À beira da praia
Na areia molhada
À beira do mar
Da praia salgada;
Vi-te molhada
Sentada na areia
Do mar salgado
À beira da praia
Sozinha a contar;
Vi-te na areia
À beira da água
Sozinha na praia
A secar a mágoa
Molhada do mar;
Vi-te sozinha
Sentada na praia
A contar baixinho
Estrelas da areia
Molhadas por ti;
Vi-te depois
Com estrelas salgadas
Tiradas da água
Contadas, molhadas
Choradas, por fim.
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A arder lentamente
Eu não sinto
Quando sinto
O que sinto cá dentro
Eu não minto
Quando assento
O que sinto, que é denso
É no vinco
Que piso
No meu pensamento
É distinto
Meu riso
Que cá dentro não tento
Será meu vício
Num fundo preso
Que acende a malícia
Foi no solstício
Da vela acesa
Que acabou a delícia
Meu vício aceso
No fundo findou
Solstício preso
No fundo mudou
É meu trauma que não terminou
Minha alma que nunca voou
Numa vénia ainda se prostrou
E a vela escura, tão linda, acabou.
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Um Sonho Não Sonhado
Numa duna me deixei adormecer
Com esperança de conseguir sonhar
Deixei de ver, deixei de conhecer
Deixei-me voar, deixei-me escapar
Numa duna me deixei sonhar
E sonhei que nunca consegui adormecer
Perdi-me no ar, perdi-me no mar
Fugi para conhecer, fugi para te ver
Um sonho acabou
Um sonho escapado
Um sonho voou
Um sonho tirado
Do ar
Ao mar
Do vento
Ao relento
O sonho nem começou
Eu nem adormeci
Quem me imaginou
Deveras esqueci
Um sonho do ar
Um sonho do mar
Um sonho do vento
Um sonho ao relento
Acabou o sonho
Voou com o vento
Do ar escapado
E do mar foi tirado
Acabou o sonho
Voou com o vento.
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É Meu Mal
Um relâmpago tinha-me dito
Que te encontraria um dia
Que faria?
Não sabia.
Só viver não mais escondido.
Esse amor - é só paixão?
Nem sei a verdade toda
Na tua boca
Andava louca
Com o que me dissera o trovão.
Nem o tempo, nem as lágrimas de cristal
Que da minha face desceram
Escorreram
E esconderam
Tudo o que sinto - és meu mal?
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Nem Nada
Engulo novamente as lágrimas com os olhos,
Elas teimam em voltar a cair de novo.
Em ser choradas vezes sem conta.
Encontro a razão e não encontro nenhuma.
Sou feliz... muito feliz, mas tenho a infelicidade de ter, por outro lado, um buraco negro, parecido Com todos os outros, mas este dentro de mim.
Deveria ser um buraco muito feliz.
Eu amo... é tão bom!
Mas estando longe é tão difícil aguentar tal felicidade. Transcende-me e junta-se à saudade.
E à angústia frustrada que, ora vem, ora vai... mas nunca sai nem entra... de vez.
Hoje, como já por muitas outras vezes, penso outra vez em encontrar o caminho e acho que o mais difícil não é, nem procurar, nem encontrar.
Eu só gostava de saber exactamente o que procurar... e depois como fazê-lo,
Mas as luzes divinas - se por acaso alguma vez brilharam - não encontram razão nenhuma para me iluminar.
Iluminam mas eu não vejo.
Não vão parar as histórias inventadas, “ficcionadas”.
E eu quero-as, simplesmente, realizadas.
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Estrelas Baças
Lembro o dia em que cantei
A noite que chorei
Amei
A tua canção
De noite tanta luz
Tanto dia
Sem saber
E vou dizer...
Amanheceu, é noite
Tão escuro o céu
É teu
Com as tuas estrelas
Amarelas, sentinelas
Tão brilhantes
Escondem
A voz com que hoje
Não te vou dizer: - Amo-te.
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Valsa à Gina
E Gina, que gira e torna a girar
Nas voltas que o mundo ainda tem p’ra dar
E tomba, que volta e torna a cair
Nos teus braços rolo e rolo a sorrir
E fundo mergulho e nado sem ar
Nas águas profundas, fundas do meu mar
E nado, nas voltas, giras sem sentir
Que gira é a Gina do amor a fugir.
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Cem Sentidos
Não via nada,
Não por ter fechado os olhos
Ou por ter a janela fechada.
Estava preocupada,
Não por ter perdido os sonhos
Ou por não estar preparada.
Não vejo tudo,
Não por estar adormecido
Ou por não conhecer o mundo.
Agora estou mudo,
Não por não a ter ouvido
Ou por não conseguir ver o fundo.
Não verei o mar,
Não por já não o sentir
Ou por não saber nadar.
Sinto agora o ar,
Não por não saber subir
Ou por não saber voar.
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