Lista de Poemas

Alianças de Saturno

Os anéis nada mais são
Que fragmentos de duas luas colididas
Aventuradas nos limites da metafísica
Dançando a mesma órbita em atração
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Descobrimento (com Fabio Brazza)

Nunca me esquecerei
Do dia em que descobri que as cores da nossa bandeira
São homenagens de pura governança
E que nada tenho a ver
Com Dinastia Habsburgo e Família Bragança

Do dia em que me contaram
Que “Brasil” significa “vermelho”
Brasa, carvão ardente
Que deveríamos ser brasilianos 
O “eiro” vem da labuta da gente

Do pedreiro, do banqueiro, do carpinteiro
Feitoria, extrativista, Pau-brasil
Serviço para ser visto
Êta povo pra lutar e ser bem-quisto

Minha seleção jogaria de vermelho
E até já joga, no tupi-guarani Maracanã
Mas, esse rubro-apreço é questão de gosto
O Brasil, não; é questão de povo

Lamento aos que confundem
Esse verde e amarelo coxo
Com Stars and Stripes
Que trocam suas damas por baralhos
Corações por naipes

Lamento aos que não se descobrem tão cedo
Lamento Pedro
Ao português primeiro
Pois, nunca me esquecerei
De quando me descobri
Brasileiro
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Esquina

Em qual esquina você conta alegre
Entre uma cerveja e outra
A nossa história de amor tão breve?
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Pólis

O bom dia é político 
Deus é político 
Ateus? Idem
Anárquicos e democratas nisso coincidem

É política a polícia
A granada, lágrima e gás
O governante que jura não praticar
Já o faz

Motos, mortos
Tráfego, tráfico
Obras do passado
Obras para o futuro
Política é àgora
E sempre foi tudo

Primaveras e estações inauguradas
Até o leite com café
O meu candidato é político 
O seu também é

A nota de dois reais
E a cédula de cem
Quando há mais tensão
E na abstenção também

Sufrágio universal
Ao naufrágio social
Tribulação crítica
Não há como fugir
Até porque, a fuga é política
26

14 sonhos

Você não vai acreditar
E nem espero que acredite
As últimas duas semanas sem falar
Foram repletas de sonhos ao seu lado
(Em nenhum deles você estava triste)
14

Em verso inverso (amor)

Vamos?
Nos deixar
Sem a necessidade de
Relembrar aquilo que nos uniu
Que tal, quitar
O ninho de amor está vazio
Como diria Cartola
Acontece
Pelo amor…
Vamos substituir logo
Essa indiferença
Sem rancor
Cada um pro seu lado
Não quero mais
Estar enamorado
Ou… só estar!
Agora, prometo seguir
Sem você
Não quero mais ficar

(Agora, leia de baixo para cima)
15

Imbrochável

Defloração inconstitucional
No desabrochar da flor da democracia
Da carne, do pescoço, resta osso ao povo
Imputável

O que cada metalúrgico
Conseguiu conquistar com aço forte
Faz de vosso impávido colosso
Inoxidável

Parece-me a derrocada
A cracia voltando ao demo
A queda de um tenente
Inevitável

A filosofia de Hegel
Que rege os botões, flores, plantas e frutos
Não rega nem meio do seu ambiente
Insustentável

Quantas rosas o governo já deteve
Pela lascívia em bradar o seu másculo azul
Fazendo da bíblia um inferno
Inaceitável

200 anos, independente, vulnerável
Mas, a primavera…
A que sobrevém o seu inverno
É imbrochável
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Vientos en Cartagena

Quien hizo el viento
Que golpeó esos pelos
Y te hizo la criatura más bella de América?
 

Era el ala de una mariposa
Que golpeó otro rincón del planeta
O simplemente mística esotérica?
 
Viento que desordena
Viento que lleva
Ven a tomar las dudas
Viento sin respuesta
 
La ley sublime de la equivalencia de ventanas
Conduce la entropía y la suerte
Gané un monzón
Cuando creí encontrar un norte
 
Porque, la bella creadora de la brisa encantada
Es el mismo creador del viento que te lleva en un gingo
Entre chozas y cabañas
Por la plaza de San Diego
Y el Baluarte de Santo Domingo
 
Como ciudad turística
Visitas mi corazón a veces
Te parece hermoso, impresionante
Pero no para vivir
 
Te escribo escuchando un Vallenato
Que me dice
Los vientos que van y vienen
In vain
En vano
Ayudan a secar
 
Carta, yema, clara y arepa
Cartagena, oscura letra
Si dejo caer esta carta
Con todos mis versos
La dirección de la corriente se encarga de llevarte
 
El viento que acorta mi existencia
Cambia lo bendecido por lo bien dicho
La carta va al viento
Que te sirva como un beso por escrito
16

Qu'ironia

No dia que a levei ao planetário
Foi quando ela me pediu mais espaço
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Escova de dentes lilás

Eu sei
Que os melhores elogios que você já recebeu
Ainda são os meus
A forma que tratamos os elefantes na sala
Diz muito sobre as memórias que cultivo como apogeus
 
Será que o erro partiu daqui?
Ao esquecer uma lembrança minha
Em um lugar só seu, insinuando novos problemas
As fotos nas geladeiras são detalhes
Como os títulos de poemas
 
Pudera ter me dado a oportunidade
De conversar a nossa desconversa pessoalmente
Pra calar palavras mal ditas com um beijo bem dado
Tê-la-ia mais uma vez
Se fingisse ser o que não sou?
Ou s’eu permanecesse imaculado?
 
A criatividade exige intensidade e vice-versa
Regras de uma paleta colorida
Das religiões que já passei
Não gostei dos testamentos
Juramentos eternos tiram a nossa vida
 
Eu sei
Que você ainda me ama
Em uma dessas milhares de galáxias
Que James Webb fotografou
Não tire as borboletas de seu estômago à força
O tempo já é eficiente e cruel o bastante
Para o serviço que se prestou
 
Aprecie, não apresse
Devagar, a sorte passa por nós
E não passamos pela sorte finita
O que faço? Com o baralho que embaralhei
Para fazer um truque de mágica com a sua carta favorita
 
Não desembaralho, o maço se mantém
Não deixo nosso amor acabar
E, se quiser um conselho
Não deixe também
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Comentários (1)

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Quem é Lucas menezes? o pouco que li, me deixou em frenesi, poesia branda, estou em êxtase. Abraços!

Redes Sociais: @dybaile

Talvez tenha nascido tarde demais, por não ter levado a antropofagia de seus versos à Semana de Arte Moderna, não ter vivido o folclore e a loucura de Macunaíma, não ter admirado Iracema, ou por não ter escrito um samba com Vinicius de Moraes. Talvez tenha nascido cedo demais, por ser à frente do tempo. Mas, nasceu na época certa. Trouxe a vanguarda de seus versos carregada de uma iconoclastia subversiva e, ao mesmo tempo, romântica.