Flores e rancores
Eu mal te vi e já bem-te-vi
Coisa boa de sentir
Eu mal te vi e já bem-te-vi
Canto pra você me ouvir
Um passarinho
Cuja cor eu nem me lembro mais
Me contou que eu fiquei pra trás
De asas cortadas, modo avião
Ouça, então, o despropositado desatino
Que despetala em um peteleco
Percorrendo nos seus ecos
A minha canção
Onde a encontro, encontro ritmo
Batuque e palma
O lalaia do Arlindo
O lelele do Exalta
Até Geraldo Vandré fez música a falar de ti
E eu duvido que ele te viu como eu te vi
Como eu te vejo
Enfeito as borboletas com o efeito
No Sol que raia no riso
E no canto
Cantinho esquerdo do peito
É o meu jeito
De não querer ficar plantado igual couve
Pois, no meu vaso, sempre coube flor
Se houve amor, colhe quem regou
Tipo pas-sa-ri-nhos do Emicida
O nosso amor só quer passarinhar
Mas, eu não sei o que será da minha vida
Sem o teu peito p’ra pousar
Assim como as mais belas flores
Os mais feios rancores
Também morrem um dia
Sendo sincero
Eu só espero,
Confio e esmero
Que, no seu peito, eu perfume alegria
Fly Episode
You only pass through the world once
That’s okay
But he passes you every day
The beauty of the desert
Breath and count to four
Went to the stadium to see a game
Other than the team I root for
The smell of dawn
Sabbatical spring
A magician that lets you choose any card
Except the King
A canvas needs to have something
Has to be more interesting than the wall
Mr. Nobody lost in an oasis
Stop wondering all
Two–five–one progression of Jazz
John Cage's 4'33" playing on the bus
And we only remember our memory
When it betrays us
Anime Filler
Thunder Thriller on the storm
“For sale: baby shoes. Never worn”
God and Nietzsche in an old west duel
Oh my god, Dear Friedrich
You failed and died first, that’s fuel
Seeing is different from viewing
Easy to say away from led
I'm too afraid to hit the shot in my own head
Sand Wishes
Pain Killers
Break Fast
Parnassianism stuck in the past
Don't riot for a minute
Let the fly infect your lab
Only when the stage is silent
You listen to the audience’s stab
“In order to understand the world one has to turn away from it on occasion”
Albert Camus
Limbo Severino
És Severino como todos os outros
És Mato Grosso, Joca, João Grilo e Chicó
És mão inchada, enxada nos ombros
Irmão das almas que lavra só
Porque se chamava Homem
Também se chamava “vida sofrida”
Sonhos não envelhecem
Porque morrem antes dos 30
Acostumou-se a pouca água e muita sede
Muito nome sem sobrenome
Deus dá o frio conforme o cobertor
Mas não o pão conforme a fome
E ela ainda é o melhor tempero
Não estamos famintos só de comida
Queremos diversão, arte
Menos “mortes matadas’’ e mais vida
A brasileiragem se confunde
Onde o saneamento nunca foi tão básico
Entre o verde, amarelo, azul
E o branco do marrom latifundiário
Antes “Sol” e “Dó” fossem só acordes
Assim, não tocariam juntos no sertão
Mas, o senhorio no pássaro de metal
Admira um gado novo no refrão
Nesse Brasil antropofágico
Operário desaba um por um
Entre a morte e a vida seca
O limbo diz “Abaporu”
Abaporu é um outro ângulo do Clube da Esquina
Óleo sobre tela, enxada e pinguela
Retrato da rotina
Somos Severinos… iguais em tudo na vida
Sol, cacto, pacto e uma história sofrida
Tarsila agraciou Graciliano
Vamos, Jõao Cabral
Mostrar que nossa cultura
Produz mais que trabalho braçal
Não queremos ser mais um
Atrapalhando o tráfego na contramão
Não queremos mais construir
Somos a construção
Até caixa de fósforo
Eu toco
Tantã
Reco reco
Cavaquinho
Banjo
Violão
Até caixa de fósforo
Mas, o seu coração…
Essa mistura de corda e percussão…
Instrumento tão notório
E não tenho em repertório
No meio do meu caminho
No meio do caminho tinha um Drummond
tinha um Pessoa no meio do caminho
tinha um Machado
no meio do caminho tinha um Cartola
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas poesias tão inspiradas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um Neruda
tinha um Bandeira no meio do caminho
no meio do caminho tinha um Amado
Em nome do Amor
Como eu me chamo?
Do mesmo jeito que me amo
Ontem Lucas, hoje Dybaile…
Amanhã nem sei
Amo meus caninos grandes
Meu nariz longo
E as marcas de expressão que expressei
Nasci assim
E aprendi que o amor próprio é como um nome
Que você aceita e cria apelidos
Com o intuito de se qualificar
Eu me amando
Fica mais fácil de você me amar
Ame-se também e verá!
Subtração
Se você me odiar por um segundo
Quero que me ame por 59
Se me odiar por uma hora
Me ame por 23
Se você me odiar por um dia
Me ame por 364
Se me odiar por um ano
Me ame por uma vida
O amor é questão de subtração
É o valor que completa
É a diferença
É o que nos resta
Reticentes
…
…
…
…
E assim ficaram
Um esperando o outro
Quem chama quem?
Transferiram a responsabilidade ao acaso
Transferiram o orgulho ao atraso
Morte e propósito
Minhas sinceras condolências ao
Sonâmbulo que morreu dormindo
Soldado que morreu engasgado
Careta que morreu de pneumotórax
Roqueiro que morreu de velho
Rei que morreu n'outro trono
Bombeiro que morreu afogado
Astronauta que morreu na Terra
Ao poeta que morreu de Amor
Um jeito de não sentir dor
Já não peço mais nada
Já não peco arrependido
Montado em um cedilha
Pra dar-lhe outro sentido
Um sentido que nunca foi seu
Ainda não sei o que vi em você
Na verdade, sei bem
Só finjo não ver
Você insiste em “bolacha”
E eu até fico confortável com “biscoito”
É que eu queria ser carioca
Mas, a palavra pouco me importa
Você deve ter votado errado em 2018
Nada do que vivemos estava escrito lá no céu
Quando falamos dos tempos de Barão
Você pensa em Café; eu, em Vermelho
E Cartola não é um chapéu
Carrão nunca foi um luxo
Sempre será a estação aqui perto de casa
Sei que adora vinho
Mas, imagine o que um rubro-negro pensa quando você diz “taça”
Pensando assim
É mais fácil de superar o que você deixou
Talvez essa seja só a minha maneira
De sonhar acordado
Um jeito de não sentir dor