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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Contemplação


Velo cuidadosamente seu sono,

me distraio em pensamentos íntimos.

Reflito!

Examino detalhadamente sua alma, cada fragmento,

és indecifrável,

és vulnerável.

Deliciosa contemplação,

estudo atentamente sua anatomia,

sua face adorável;

despertas em abundante deleite,

como-te com os olhos...

Acato, me entrego!

Sou tua!

Autora: Ive Nenflidio
237

Revolução


Turbulento celeiro que guarda as armas da revolução

daqueles homens que fogem da tirania.

És um bandoleiro, um adorável aventureiro?

A esperança está perdida?

É tarde, muitas batalhas indecorosas,

com medalhas insignificantes.

Aproxima-te da morte!

Abandona, foge!

 
O céu negrume anuncia a abundante tempestade,

são tempos sombrios.

Quero-te vivo, amor avassalador!

Sepulta essa luta de territórios conspiratórios,

são tempos inglórios!

 
Autora: Ive Nenflidio (Calendas de Março)

145

Trocas


– Mulher existente em meus pensamentos,

se neste instante eu sucumbisse,

você ainda me manteria em seus pensamentos?

Eu continuaria presente em seus sonhos?

– Sim, menino do mato,

você sobreviveria dentro de mim...

– Mulher, eu preciso conhecer novas estradas,

realizar uma grande viagem.

– Você não voltará?

Quero que você me ensine tudo,

quero aprender a observar as nuvens,

aquelas com formas de bichos e

as grandes Cumulus Nimbus.

Por que foges de mim, menino do mato?

Quero aprender contigo

a contemplar o pôr-do-sol e a compreender

todos os fenômenos naturais,

quero conhecer todas as paletas da mata,

todos os perfumes das flores.

Menino que mora dentro de mim,

Por que o cheiro da relva molhada é

diferente do perfume da terra encharcada?

– Não posso responder todas as

suas indagações, querida amiga...

há muitos lugares a serem explorados,

eu devo desbravar novos destinos,

subir a montanha,

procuro novos perfumes

com notas puras,

preciso percorrer todas as chapadas,

escalar todos os picos,

serão singelos momentos e

no alto de cumes

plantarei rosas vermelhas pra ti;

meus olhos enxergarão longe e

te sentirei junto a mim,

serei devorado por pensamentos,

terei espasmos dolorosos.

– Por que foges de mim?

Menino...

sem ti como conhecerei os perigos dos mares, rios e cachoeiras?

preciso desafiar meu corpo em longas caminhadas,

você me mostraria novas trilhas,

decifraríamos todas as cores do arco-íris,

sem pestanejar,

me olharia,

iluminaria meus questionamentos,

eu enxergaria o mundo com os seus olhos de menino.

– Mulher, se eu ficasse aqui junto a ti...

você que está presente em minhas entranhas,

com seu perfume visceral,

no mais fundo da minha busca instintiva,

sei que as coisas simplesmente

não permaneceriam iguais,

não posso ficar,

delicada mulher de largos sorrisos,

não fique triste!

não sou daqui,

sou do mato,

sou livre e estou preso,

sou como um pássaro enclausurado, não canto mais.

E esse cantador você não pode mudar!

 
Autora: Ive Nenflidio
 

149

Tempos autoritários


Rasgo o peito já tão dilacerado,

quero arrancar essa dor.

Perversa ausência,

apaga esse tempo de aflição,

não existe compaixão nas mãos do torturador. 

Estou à espreita, vigio do alto dos mirantes, busco respostas,

fico sem explicações, sem conclusões...

Você era apenas um sonhador,

buscava sua utopia nos livros de Thomas More.

Jamais encontrou!

Amado...

Não existe arrependimentos nas mãos do feroz algoz

tirano que separa meus olhos dos teus.

Será que partiu?

Será que és tu aquela estrela mais cintilante?

Autora: Ive Nenflidio
164

Veredas


Algumas estradas, as mais belas ainda me levam até você!

Estou em seus pensamentos?

Cante-me uma prece,

crie belas melodias dedilhadas...

Estou em sua mente? 

Venha me visitar, invada meus sonhos,

brinque com meus desejos...

Sente saudade?

Desenha-me uma canção,

recita-me uma sinfonia...

Sente minha falta?

Venha me ter...

Me quer? Mereça-me.

 
Autora: Ive Nenflidio

158

Lusco-fusco

Na busca por novos caminhos,

tento decifrar desatualizadas cartas,

primitivos manuscritos com raros caracteres,

não compreendo, são frases implícitas,

confusas visões... bifurcações...

Confesso segredos em breves distrações;

definitivo lusco-fusco,

singela luz do declínio,

doce crepúsculo,

chega sem pressa...

É um fugaz divisor das águas.

Estou inquieta, tento meditar, busco a paz,

não sinto o vento, estou ardendo,

você partiu levando um pedaço de mim,

penso em tuas mãos caminhando em meu corpo,

fotografo teu rosto para te esquecer,

procuro a melhor metáfora poética.

 
Autora: Ive Nenflidio
224

Paixões impossíveis


No mais violento do meu martírio,

deixo-te ir,

amor improvável,

amo-te livre!

Voa para me esquecer

e se sentir saudades;

voa para voltar,

volte para me amar.

No mais íntimo da minha volúpia,

chegue sem pressa!

Autora: Ive Nenflidio
228

Cantorias

Quando te encontrei,

logo te reconheci,

amigo de vidas passadas,

temos uma potente conexão,

manifestada em súbito entusiasmo

de tempos antigos envoltos em mistérios;

és cantador de histórias,

me contava seus amores e

falava em versos, poemas que não compreendi,

frases implícitas que jamais traduzi,

deduzi.

Provoquei você, tempo e espaço,

e aos poucos você decifrou meus sentimentos,

leu os traçados da minha mão,

leu a minha mente, pensamentos íntimos.

Alma batida, em sonhos, assisto aos vestígios de tempos distantes,

sem pactos ou promessas, apenas falas impressas.

Você tomou para ti o meu coração, amor impossível!

Não sabia que seria tão intenso, amor aniquilador!

Você perturbou meu sono, se encantou com os meus poemas, soube como me arrebatar, doces palavras, olhares remotos.

No nosso previsível recanto esquecido dos sonhos,

finalmente te encontro.

É um lugar inatingível onde brinca com minhas urgências,

Invadindo o meu corpo, me tomando para ti,

e nessas noites refuto, refuso, te evito,

desisto, me entrego! 

 
Autora: Ive Nenflidio

230

Sonho


Nasci numa cidade de nevoeiros,

bruma que faz vanescer estradas;

em algumas noites percebo você,

cravado nas nuvens de chão,

és rara visão.

Extraordinária ilusão,

estás perto da terra, perto do infinito,

homem estrangeiro,

como és terrivelmente cruel,

incendeia meu corpo!

Autora: Ive Nenflidio
183

Vírus mortal


Ouço o silêncio daquela estrada plana,

penso em Havana,

cidade que eliminou o vírus letal,

penso nas águas que conduzem a chalana,

me deito em posição fetal,

durmo um sono merecido,

lembro do edital,

desperto fortalecida,

vamos criar um recital?


Autora: Ive Nenflidio
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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR