Lista de Poemas
Sonhos nº 1
Que estranho devaneio,
sonhei que o Sol me assistia com um largo sorriso,
aquentava meu corpo despido e observava.
Seu esplendor me ofuscava,
Cegava;
levantando, experimentei uma terrível vertigem.
Ao lado da cama, espreito a fenda da janela,
enxergo em grande delírio plantas com folhas secas,
entoando uma triste melodia.
Sol calado e quente,
és calor que fascina,
estou arrebatada e continuo observando.
Vejo pássaros numa desalinhada coreografia,
asas escancaradas,
vejo partículas de orvalho na vidraça.
Imagino aquele homem desconhecido
que eroticamente traduz meus sonhos,
como um pesquisador de oceanos profundos.
Com seu escafandro, me escava, me decifra,
busca conhecer meus mistérios.
Autora: Ive Nenflidio
sonhei que o Sol me assistia com um largo sorriso,
aquentava meu corpo despido e observava.
Seu esplendor me ofuscava,
Cegava;
levantando, experimentei uma terrível vertigem.
Ao lado da cama, espreito a fenda da janela,
enxergo em grande delírio plantas com folhas secas,
entoando uma triste melodia.
Sol calado e quente,
és calor que fascina,
estou arrebatada e continuo observando.
Vejo pássaros numa desalinhada coreografia,
asas escancaradas,
vejo partículas de orvalho na vidraça.
Imagino aquele homem desconhecido
que eroticamente traduz meus sonhos,
como um pesquisador de oceanos profundos.
Com seu escafandro, me escava, me decifra,
busca conhecer meus mistérios.
Autora: Ive Nenflidio
181
Trocas
– Mulher existente em meus pensamentos,
se neste instante eu sucumbisse,
você ainda me manteria em seus pensamentos?
Eu continuaria presente em seus sonhos?
– Sim, menino do mato,
você sobreviveria dentro de mim...
– Mulher, eu preciso conhecer novas estradas,
realizar uma grande viagem.
– Você não voltará?
Quero que você me ensine tudo,
quero aprender a observar as nuvens,
aquelas com formas de bichos e
as grandes Cumulus Nimbus.
Por que foges de mim, menino do mato?
Quero aprender contigo
a contemplar o pôr-do-sol e a compreender
todos os fenômenos naturais,
quero conhecer todas as paletas da mata,
todos os perfumes das flores.
Menino que mora dentro de mim,
Por que o cheiro da relva molhada é
diferente do perfume da terra encharcada?
– Não posso responder todas as
suas indagações, querida amiga...
há muitos lugares a serem explorados,
eu devo desbravar novos destinos,
subir a montanha,
procuro novos perfumes
com notas puras,
preciso percorrer todas as chapadas,
escalar todos os picos,
serão singelos momentos e
no alto de cumes
plantarei rosas vermelhas pra ti;
meus olhos enxergarão longe e
te sentirei junto a mim,
serei devorado por pensamentos,
terei espasmos dolorosos.
– Por que foges de mim?
Menino...
sem ti como conhecerei os perigos dos mares, rios e cachoeiras?
preciso desafiar meu corpo em longas caminhadas,
você me mostraria novas trilhas,
decifraríamos todas as cores do arco-íris,
sem pestanejar,
me olharia,
iluminaria meus questionamentos,
eu enxergaria o mundo com os seus olhos de menino.
– Mulher, se eu ficasse aqui junto a ti...
você que está presente em minhas entranhas,
com seu perfume visceral,
no mais fundo da minha busca instintiva,
sei que as coisas simplesmente
não permaneceriam iguais,
não posso ficar,
delicada mulher de largos sorrisos,
não fique triste!
não sou daqui,
sou do mato,
sou livre e estou preso,
sou como um pássaro enclausurado, não canto mais.
E esse cantador você não pode mudar!
Autora: Ive Nenflidio
139
Cantorias
Quando te encontrei,
logo te reconheci,
amigo de vidas passadas,
temos uma potente conexão,
manifestada em súbito entusiasmo
de tempos antigos envoltos em mistérios;
és cantador de histórias,
me contava seus amores e
falava em versos, poemas que não compreendi,
frases implícitas que jamais traduzi,
deduzi.
Provoquei você, tempo e espaço,
e aos poucos você decifrou meus sentimentos,
leu os traçados da minha mão,
leu a minha mente, pensamentos íntimos.
Alma batida, em sonhos, assisto aos vestígios de tempos distantes,
sem pactos ou promessas, apenas falas impressas.
Você tomou para ti o meu coração, amor impossível!
Não sabia que seria tão intenso, amor aniquilador!
Você perturbou meu sono, se encantou com os meus poemas, soube como me arrebatar, doces palavras, olhares remotos.
No nosso previsível recanto esquecido dos sonhos,
finalmente te encontro.
É um lugar inatingível onde brinca com minhas urgências,
Invadindo o meu corpo, me tomando para ti,
e nessas noites refuto, refuso, te evito,
desisto, me entrego!
Autora: Ive Nenflidio
logo te reconheci,
amigo de vidas passadas,
temos uma potente conexão,
manifestada em súbito entusiasmo
de tempos antigos envoltos em mistérios;
és cantador de histórias,
me contava seus amores e
falava em versos, poemas que não compreendi,
frases implícitas que jamais traduzi,
deduzi.
Provoquei você, tempo e espaço,
e aos poucos você decifrou meus sentimentos,
leu os traçados da minha mão,
leu a minha mente, pensamentos íntimos.
Alma batida, em sonhos, assisto aos vestígios de tempos distantes,
sem pactos ou promessas, apenas falas impressas.
Você tomou para ti o meu coração, amor impossível!
Não sabia que seria tão intenso, amor aniquilador!
Você perturbou meu sono, se encantou com os meus poemas, soube como me arrebatar, doces palavras, olhares remotos.
No nosso previsível recanto esquecido dos sonhos,
finalmente te encontro.
É um lugar inatingível onde brinca com minhas urgências,
Invadindo o meu corpo, me tomando para ti,
e nessas noites refuto, refuso, te evito,
desisto, me entrego!
Autora: Ive Nenflidio
221
Viajar
Para viajar, basta existir.
Concordo com essa fala de Fernando Pessoa,
muitas vezes viajamos na nossa imaginação
ao lermos um bom livro, ao assistirmos a um filme,
a um espetáculo musical ou percorrendo céus e estradas;
seja na ficção ou no dia-a-dia da realidade frenética,
sempre estamos viajando.
Viver é caminhar para a maior de todas as viagens, a morte!
Autora: Ive Nenflidio
150
Alucinação
Sonho confuso:
como invenção de antigas memórias,
reparo carros enfileirados,
analiso o fluxo lento...
Apressados?
Só os corpos angustiados...
confinados em comboios.
Caminhos congestionados e desejos lépidos.
Em meio ao caos,
presencio inusitada beleza ofuscante,
contemplo um exuberante pôr-do-sol,
estaciono na estrada,
fotografo em pensamentos todas as cores,
que extravagante visão emocionada!
Vejo pássaros falantes e
me confundo com os motores silenciosos,
ouço melodias entoadas por anjos solitários,
como preces de eremitas
que, aprisionados na solidão,
contemplam o horizonte dos deuses.
Aprecio o entardecer, sigo...
não ouço buzinas, mas observo pelo espelho retrovisor
algo que ficou no passado,
vejo mãos gesticulando, corações agitados.
Entendo... Acelero!
Não desperto do breve devaneio,
permaneço presa ao mundo dos sonhos...
Autora: Ive Nenflidio
como invenção de antigas memórias,
reparo carros enfileirados,
analiso o fluxo lento...
Apressados?
Só os corpos angustiados...
confinados em comboios.
Caminhos congestionados e desejos lépidos.
Em meio ao caos,
presencio inusitada beleza ofuscante,
contemplo um exuberante pôr-do-sol,
estaciono na estrada,
fotografo em pensamentos todas as cores,
que extravagante visão emocionada!
Vejo pássaros falantes e
me confundo com os motores silenciosos,
ouço melodias entoadas por anjos solitários,
como preces de eremitas
que, aprisionados na solidão,
contemplam o horizonte dos deuses.
Aprecio o entardecer, sigo...
não ouço buzinas, mas observo pelo espelho retrovisor
algo que ficou no passado,
vejo mãos gesticulando, corações agitados.
Entendo... Acelero!
Não desperto do breve devaneio,
permaneço presa ao mundo dos sonhos...
Autora: Ive Nenflidio
192
Não seja breve
São pequenas intenções sutilmente afloradas,
em que vivencio sensações ocultas,
onde sinto seu corpo sorrateiro junto ao meu.
Sou berço acolhedor onde dormem os grãos,
chão incinerado para a semeadura
que, como enigmas, brota o alimento.
Encontro-me perdida, presa em sonhos onde você me domina,
invade sem consentimento e
docemente embala como o avanço e recuo das águas.
É corpo ardente, corpo abrasado, rebentação.
Em meus sonhos, você se revela secretamente,
árvore da vida, jardim pecador, és fruto proibido.
Desperto e sinto você, força que permeia,
fecho os olhos, quero voltar aos sonhos onde te percebo.
Autora: Ive Nenflidio
215
Encontro
Te espero em frente ao mar,
somos apenas eu e a lua,
estou a refletir sobre a imensidão do mundo.
Te espero!
Sou aquela de mechas douradas e costas nuas,
estou desarmada,
pele gélida, coração palpitante.
Quero tocá-lo, sentir teu pelo hirsuto de desejo,
te espero com um poema guiado pelo vento,
te espero com os lábios semicerrados,
sou silêncio, nenhum vocábulo.
Te tocarei com os olhos,
te falarei com as mãos
Examinarei cada parte,
te entregando fragmentos de todos os meus desejos.
Autora: Ive Nenflidio
somos apenas eu e a lua,
estou a refletir sobre a imensidão do mundo.
Te espero!
Sou aquela de mechas douradas e costas nuas,
estou desarmada,
pele gélida, coração palpitante.
Quero tocá-lo, sentir teu pelo hirsuto de desejo,
te espero com um poema guiado pelo vento,
te espero com os lábios semicerrados,
sou silêncio, nenhum vocábulo.
Te tocarei com os olhos,
te falarei com as mãos
Examinarei cada parte,
te entregando fragmentos de todos os meus desejos.
Autora: Ive Nenflidio
220
Por onde andas, meu amor?
Te perdi, quase o tive em meus braços!
Perco a esperança
Cadê você?
Onde está minha fé?
Também a perdi?
Agora não tenho mais nada, só dúvidas
Transformei pensamentos em fantasmas
Não creio mais na humanidade
Não conheço mais o significado de confiança
Vivo uma vida covarde, não construí nada
Sou nada sem ti
Meus desejos adormeceram num sono infinito
Não sinto mais nada
O vazio arraigado me habita
Tenho uma ferida aberta a nunca secar
Um pesadelo sem lágrimas
Meus pulmões já não trabalham
Estou sufocada, afogando na imensa tristeza
Uma busca sem fim
Por onde andas, meu amor?
Você me mostrou que é possível amar
Me emprestou a beleza
Mínimas sutilezas
Pequenos momentos
Por onde andas?
Quanta aflição! Quero te encontrar!
Quero descansar desta busca exaustiva
Não quero mais enfrentar seres bárbaros
Não existe poesia na brutalidade
Não existe poesia na perda
Na impossibilidade de tocá-lo
Troquei realidades por sonhos
E não gosto do que vivo
Uma vida plástica, artificial
Vazia de você!
Sonhei algumas noites que recebia cartas
Eram tuas as palavras. Por onde andas?
Autora: Ive Nenflidio (Traços de uma ditadura)
232
Eu sem você
Será que nunca estarei em teus braços?
(Re)desenho novas formas de viver sem ti,
admito que estava terrivelmente equivocada.
Complicado seguir sem ouvir tua voz,
sem te perceber em meus sonhos,
sem sentir mais meu corpo incendiar.
Complicado não receber tua visita no meio da noite,
reconhecer que era tudo uma adorável ilusão.
Complicado não ter mais para quem escrever.
A vida...
idealizamos caminhos que nunca percorreremos,
abraços que nunca teremos,
olhares que nunca trocaremos,
paixões que nunca concretizaremos,
beijos que nunca receberemos.
Autora: Ive Nenflidio
(Re)desenho novas formas de viver sem ti,
admito que estava terrivelmente equivocada.
Complicado seguir sem ouvir tua voz,
sem te perceber em meus sonhos,
sem sentir mais meu corpo incendiar.
Complicado não receber tua visita no meio da noite,
reconhecer que era tudo uma adorável ilusão.
Complicado não ter mais para quem escrever.
A vida...
idealizamos caminhos que nunca percorreremos,
abraços que nunca teremos,
olhares que nunca trocaremos,
paixões que nunca concretizaremos,
beijos que nunca receberemos.
Autora: Ive Nenflidio
202
Apressa-te
Procuro palavras, respostas
Mensagens nas ondas eletromagnéticas
Só encontro o silêncio
Se afasta acanhado
Te dou espaço
Quero-te inteiro
Quando desejares
Vens a mim
Desejo encoberto
Só me pertence o que abraço
E assim me guio aos seus braços
Estranho intruso de pupilas entontecidas
Não demores!
Preciso falar em seu ouvido
Direi palavras proibidas
Brincarei com os seus cinco sentidos
Te conduzirei ao Vale da Lua
Lugar de cantos e encantos
Autora: Ive Nenflidio
223
Comentários (1)
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LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR