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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Trocas


– Mulher existente em meus pensamentos,

se neste instante eu sucumbisse,

você ainda me manteria em seus pensamentos?

Eu continuaria presente em seus sonhos?

– Sim, menino do mato,

você sobreviveria dentro de mim...

– Mulher, eu preciso conhecer novas estradas,

realizar uma grande viagem.

– Você não voltará?

Quero que você me ensine tudo,

quero aprender a observar as nuvens,

aquelas com formas de bichos e

as grandes Cumulus Nimbus.

Por que foges de mim, menino do mato?

Quero aprender contigo

a contemplar o pôr-do-sol e a compreender

todos os fenômenos naturais,

quero conhecer todas as paletas da mata,

todos os perfumes das flores.

Menino que mora dentro de mim,

Por que o cheiro da relva molhada é

diferente do perfume da terra encharcada?

– Não posso responder todas as

suas indagações, querida amiga...

há muitos lugares a serem explorados,

eu devo desbravar novos destinos,

subir a montanha,

procuro novos perfumes

com notas puras,

preciso percorrer todas as chapadas,

escalar todos os picos,

serão singelos momentos e

no alto de cumes

plantarei rosas vermelhas pra ti;

meus olhos enxergarão longe e

te sentirei junto a mim,

serei devorado por pensamentos,

terei espasmos dolorosos.

– Por que foges de mim?

Menino...

sem ti como conhecerei os perigos dos mares, rios e cachoeiras?

preciso desafiar meu corpo em longas caminhadas,

você me mostraria novas trilhas,

decifraríamos todas as cores do arco-íris,

sem pestanejar,

me olharia,

iluminaria meus questionamentos,

eu enxergaria o mundo com os seus olhos de menino.

– Mulher, se eu ficasse aqui junto a ti...

você que está presente em minhas entranhas,

com seu perfume visceral,

no mais fundo da minha busca instintiva,

sei que as coisas simplesmente

não permaneceriam iguais,

não posso ficar,

delicada mulher de largos sorrisos,

não fique triste!

não sou daqui,

sou do mato,

sou livre e estou preso,

sou como um pássaro enclausurado, não canto mais.

E esse cantador você não pode mudar!

 
Autora: Ive Nenflidio
 

152

Viajar


Para viajar, basta existir.

Concordo com essa fala de Fernando Pessoa,

muitas vezes viajamos na nossa imaginação

ao lermos um bom livro, ao assistirmos a um filme,

a um espetáculo musical ou percorrendo céus e estradas;

seja na ficção ou no dia-a-dia da realidade frenética,

sempre estamos viajando.

Viver é caminhar para a maior de todas as viagens, a morte!

 

Autora: Ive Nenflidio
166

Devaneios

Distraída, pego-me pensando em ti,

amei sem que você soubesse,

sem que você percebesse.

Preciso me acostumar com a sua ausência

e buscar, na escassez de você,

respostas.

​Não espero mais o beijo,

só ficaram planos e o querer.

Tento não pensar mais em ti.

​Antes encontrava você dentro de mim,

agora tento eliminar as lembranças,

rasurar meus poemas, apagar seu nome.

Autora: Ive Nenflidio

231

Desejo infinito


Saudade da estrada

Sou barco ansiando

Som das águas chegando

Promessa lenta

Tempo ingrato

Te aguardo

Sofro por não te abraçar

Sou súbita morada

Destino escasso

Vivo além do tempo

 
Autora: Ive Nenflidio

230

Paixões impossíveis


No mais violento do meu martírio,

deixo-te ir,

amor improvável,

amo-te livre!

Voa para me esquecer

e se sentir saudades;

voa para voltar,

volte para me amar.

No mais íntimo da minha volúpia,

chegue sem pressa!

Autora: Ive Nenflidio
229

És Rio Menino


Pensas que é mar!

Desconcertante oceano azul com correntes gélidas e silêncio arrebatador,

com águas glaucas e gosto de lágrimas insalubres,

que migrando sob distintos rumos afunda naves em grandes naufrágios, em revoltos maremotos.

O Deus Netuno mostra sua força, buscando mistérios escondidos em cavernas,

por vezes mostra-se calmo e disfarça, acalentando a velha canoa ancorada na praia,

num pacato bailado de melodia dissonante.

Atinado, insidioso, mar fatalmente traiçoeiro, organismo absoluto poderoso

com ondas ferozes, abatimento mortal, faz desaparecer ínsulas, escava rochas,

revela sua fúria e exibe o interior da íngreme falésia de taludes de tons alaranjados e cor de mel.

Amado...

Não és mar!

Não és raso e nem esse fundo arrasador!

Conheço-te!

Não és espuma, nem sal!

És rio!

És doce!

E procuras navegar novos leitos,

és água que verte,

Você...

Rio menino,

rio que transborda,

rio que contorna os obstáculos,

rio que extravasa a procura de novos canais,

rio que flui, 

Água doce que preenche a cisterna,

que banha o solo,

que traz esperança,

que faz brotar o sustento,

que transborda a moringa,

És Rio doce, rio Menino!

busca a correnteza,

busca novas aventuras,

em noite banhada de luz,

seus olhos reluzem, cor de avelã.

Amado...

Você sai à procura de um lugar de cavas profundas,

lugar que encontrará o justo repouso,

rio banhando,

rio aguando,

Eu?

Sou leito árido,

Você...

Rio que mata a minha sede!

 
Autora: Ive Nenflidio

235

Segundas intenções


Lua, quero visitar sua outra face,

será que existe outro Jorge com seu dragão?
 
Quiçá conhecesse as suas crateras profundas,

seus desmedidos mistérios e,

por fim, conhecesse algo que me courace,

me guiando para um lugar alcantilado,

um refúgio inabitado,

um raro amor que me envolvesse,

amaria assistindo o infinito,

fitando estrelas ritmadas;

se esse homem forasteiro enfim surgisse e

dentro daquele vagão me provocasse,

partiríamos para uma contestável contravenção.

Autora: Ive Nenflidio
186

Por onde andas, meu amor?


Te perdi, quase o tive em meus braços!

Perco a esperança

Cadê você?

Onde está minha fé?

Também a perdi?

Agora não tenho mais nada, só dúvidas

Transformei pensamentos em fantasmas

Não creio mais na humanidade

Não conheço mais o significado de confiança

Vivo uma vida covarde, não construí nada

Sou nada sem ti

Meus desejos adormeceram num sono infinito

Não sinto mais nada

O vazio arraigado me habita

Tenho uma ferida aberta a nunca secar

Um pesadelo sem lágrimas

Meus pulmões já não trabalham

Estou sufocada, afogando na imensa tristeza

Uma busca sem fim

Por onde andas, meu amor?

Você me mostrou que é possível amar

Me emprestou a beleza

Mínimas sutilezas

Pequenos momentos

Por onde andas?

Quanta aflição! Quero te encontrar!

Quero descansar desta busca exaustiva

Não quero mais enfrentar seres bárbaros

Não existe poesia na brutalidade

Não existe poesia na perda

Na impossibilidade de tocá-lo

Troquei realidades por sonhos

E não gosto do que vivo

Uma vida plástica, artificial

Vazia de você!

Sonhei algumas noites que recebia cartas

Eram tuas as palavras. Por onde andas?


Autora: Ive Nenflidio (Traços de uma ditadura)
 


247

Lusco-fusco

Na busca por novos caminhos,

tento decifrar desatualizadas cartas,

primitivos manuscritos com raros caracteres,

não compreendo, são frases implícitas,

confusas visões... bifurcações...

Confesso segredos em breves distrações;

definitivo lusco-fusco,

singela luz do declínio,

doce crepúsculo,

chega sem pressa...

É um fugaz divisor das águas.

Estou inquieta, tento meditar, busco a paz,

não sinto o vento, estou ardendo,

você partiu levando um pedaço de mim,

penso em tuas mãos caminhando em meu corpo,

fotografo teu rosto para te esquecer,

procuro a melhor metáfora poética.

 
Autora: Ive Nenflidio
228

Dualidades

Sou como duas extremidades do apontado lápis que esculpe

Sou remanso das águas largas quando me olhas depois do amor

Sou calmaria nas noites sem vento quando existimos em noites de lua

Sou mar inquieto de águas espumejantes que bailam confusas, distantes de ti

Sou chuva delicada que refresca

Sou tormenta destruidora que rompe o silêncio

Sou assim!

Certa e perdida, às vezes encontrada, outras desaparecida

Por vezes, um livro aberto, outras um relicário de mistério encoberto!

 
Autora: Ive Nenflidio
252

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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR