manuelluiz

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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Confluência


Acolho o inevitável e tento não polemizar.

Rara solidão, terrível cerceamento, malsucedido retiro obrigatório,

já não me deixo abater.

Guardei sentimentos, parei de vitimizar.
 
Aprendi a suportar a privação; resisto, não sofro mais no exílio.

Sou como pássaros migratórios aguardando o início da viagem. 

Me conduzirei até você, irei ao seu encontro,

conto os dias e as noites.

Amado...

Não se afogue no álcool, não dramatize, pare de morrer,

aceite esse momento de conflitos internos! 

Chegasses sem avisar e me consumisses com sua voz, com sua coragem,

tome fôlego!

Acalma o coração!

Logo meus olhos encontrarão os seus e,

apesar das forças contrárias, logo estarei em seus braços.

Você vem me encontrar, percorrerá infinitos caminhos,

fugirás para os meus braços, te entregarei meu ombro,

te direi palavras exageradas,

terei ciúmes das minhas mãos que te tocarão e

preencherei todo o meu corpo com o seu excesso.


Autora: Ive Nenflidio

250

Cantigas


Por ti recito uma canção

Canto poemas

Delineio temas

Descanso olhos exauridos

Rezo uma oração

Registro novos versos

Caderno de páginas em branco

Ilustro traços

Caracteres onde encontro você

Fomos atraídos, entregues ao prazer

Agora repousamos

Adormecemos silentes

Figuramos serenos

 
Autora: Ive Nenflidio

235

Desejo infinito


Saudade da estrada

Sou barco ansiando

Som das águas chegando

Promessa lenta

Tempo ingrato

Te aguardo

Sofro por não te abraçar

Sou súbita morada

Destino escasso

Vivo além do tempo

 
Autora: Ive Nenflidio

228

Devoção



Estou acesa, clamo por ti!

Inviável mundo

Vida efêmera

Vida rasa

Corpos separados pela cólera

Estamos distantes

Intermitente privação

Distanciamento que corrói

Não fui capaz de tê-lo em meus braços

Sem seus abraços

Procuro decifrar dilemas

Abandono trincheiras

Me liberto de algemas


Autora: Ive Nenflidio (Calendas de Março)
 


219

Alucinação

Sonho confuso:

como invenção de antigas memórias,

reparo carros enfileirados, 

analiso o fluxo lento...

Apressados?

Só os corpos angustiados...

confinados em comboios.

Caminhos congestionados e desejos lépidos.

Em meio ao caos,

presencio inusitada beleza ofuscante,

contemplo um exuberante pôr-do-sol,

estaciono na estrada,

fotografo em pensamentos todas as cores,

que extravagante visão emocionada!

Vejo pássaros falantes e

me confundo com os motores silenciosos,

ouço melodias entoadas por anjos solitários,

como preces de eremitas

que, aprisionados na solidão,

contemplam o horizonte dos deuses. 

Aprecio o entardecer, sigo...

não ouço buzinas, mas observo pelo espelho retrovisor

algo que ficou no passado,

vejo mãos gesticulando, corações agitados.

Entendo... Acelero!

Não desperto do breve devaneio,

permaneço presa ao mundo dos sonhos...

Autora: Ive Nenflidio
206

Separação


Olho as vidraças, ninguém nas ruas, veredas desoladas,

luzes apagadas, vejo apenas o farolete que intercala cores, movimentos ritmados.

Em algumas casas solitárias, mulheres fatigadas vagueiam com suas angústias guardadas,

em outras,

amantes nuas passeiam nas noites sem lua.

Alguns homens esquivam-se, sentem-se pressionados,

são corpos enclausurados,

no mínimo dos seus poucos metros quadrados estão apartados.

E apesar de desejos aflorados, muitos corações estão dilacerados.


Autora: Ive Nenflidio
198

Devaneios

Distraída, pego-me pensando em ti,

amei sem que você soubesse,

sem que você percebesse.

Preciso me acostumar com a sua ausência

e buscar, na escassez de você,

respostas.

​Não espero mais o beijo,

só ficaram planos e o querer.

Tento não pensar mais em ti.

​Antes encontrava você dentro de mim,

agora tento eliminar as lembranças,

rasurar meus poemas, apagar seu nome.

Autora: Ive Nenflidio

230

Não seja breve


São pequenas intenções sutilmente afloradas,

em que vivencio sensações ocultas,

onde sinto seu corpo sorrateiro junto ao meu.

Sou berço acolhedor onde dormem os grãos,

chão incinerado para a semeadura

que, como enigmas, brota o alimento.

Encontro-me perdida, presa em sonhos onde você me domina,

invade sem consentimento e

docemente embala como o avanço e recuo das águas.

É corpo ardente, corpo abrasado, rebentação.

Em meus sonhos, você se revela secretamente,

árvore da vida, jardim pecador, és fruto proibido.
 
Desperto e sinto você, força que permeia,

fecho os olhos, quero voltar aos sonhos onde te percebo.

 
Autora: Ive Nenflidio
227

Paixões impossíveis


No mais violento do meu martírio,

deixo-te ir,

amor improvável,

amo-te livre!

Voa para me esquecer

e se sentir saudades;

voa para voltar,

volte para me amar.

No mais íntimo da minha volúpia,

chegue sem pressa!

Autora: Ive Nenflidio
228

Abortando voo


Dizia Fernando Sabino, os homens se dividem em duas espécies: os que têm medo de viajar de avião e os que fingem que não têm. Eu não finjo que não tenho, ao contrário, admito que tenho pavor, mas como é necessário voar, tento não pensar ou focar na ação, simplesmente voo.
Meu medo tem uma origem, numa decolagem. A aeronave prestes a subir abortou, foram alguns segundos de frenagem com a pista molhada, os ruídos eram intensos e os passageiros tiveram seus corpos projetados violentamente.
O mais assustador não foi o ato de frear de forma súbita ou os gritos ou, ainda, os rostos assustados da tripulação, o mais perturbador foi saber que dentro dos aviões são transportados passageiros e que alguns sinônimos da palavra são: breve, fugaz, efêmero, finito.

Autora: Ive Nenflidio




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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR