manuelluiz

manuelluiz

Editor

n. 0000-00-00, Lisboa

Perfil
6 685 Visualizações

Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
Ler poema completo

Poemas

34

Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
247

Tormenta



A tempestade anuncia um tempo sombrio,

tempo de perseguição,

tempo da indelicadeza,

ainda bem que tens a tua intuição, querida amada!

Quando enxergares as tropas dos homens da petulância,

dos braços da intolerância,

foge! corre!

Deixo para ti um tempo de sabores e amores,

você que passeia em meus pensamentos!


Autora: Ive Nenflidio
227

O Sol e a Lua


No eclipse anelar ou total,

o Sol está sempre a abraçar a Lua,

a enlaça, a envolve.

Sedutor calor,

são companheiros apartados.

Ele, o Sol, por vezes, cingi incandescente;

outras vezes, carinhosamente, meticuloso, surge anel de fogo,

resplandecente. 

Sol, força de energia vital, és terra!

Lua que estabiliza a terra e movimenta oceanos, és água!

Mar profundo x força intensa

são corpos celestes apaixonados

e frequentemente se encontram para carícias.

Às vezes vaidoso,

o Sol desenha para a Lua um surpreendente pôr,

já ela se mostra vermelha, corada de vergonha

e se revela mulher, sangrenta.


Autora: Ive Nenflidio
231

Confluência


Acolho o inevitável e tento não polemizar.

Rara solidão, terrível cerceamento, malsucedido retiro obrigatório,

já não me deixo abater.

Guardei sentimentos, parei de vitimizar.
 
Aprendi a suportar a privação; resisto, não sofro mais no exílio.

Sou como pássaros migratórios aguardando o início da viagem. 

Me conduzirei até você, irei ao seu encontro,

conto os dias e as noites.

Amado...

Não se afogue no álcool, não dramatize, pare de morrer,

aceite esse momento de conflitos internos! 

Chegasses sem avisar e me consumisses com sua voz, com sua coragem,

tome fôlego!

Acalma o coração!

Logo meus olhos encontrarão os seus e,

apesar das forças contrárias, logo estarei em seus braços.

Você vem me encontrar, percorrerá infinitos caminhos,

fugirás para os meus braços, te entregarei meu ombro,

te direi palavras exageradas,

terei ciúmes das minhas mãos que te tocarão e

preencherei todo o meu corpo com o seu excesso.


Autora: Ive Nenflidio

252

Devoção



Estou acesa, clamo por ti!

Inviável mundo

Vida efêmera

Vida rasa

Corpos separados pela cólera

Estamos distantes

Intermitente privação

Distanciamento que corrói

Não fui capaz de tê-lo em meus braços

Sem seus abraços

Procuro decifrar dilemas

Abandono trincheiras

Me liberto de algemas


Autora: Ive Nenflidio (Calendas de Março)
 


221

Sonho


Nasci numa cidade de nevoeiros,

bruma que faz vanescer estradas;

em algumas noites percebo você,

cravado nas nuvens de chão,

és rara visão.

Extraordinária ilusão,

estás perto da terra, perto do infinito,

homem estrangeiro,

como és terrivelmente cruel,

incendeia meu corpo!

Autora: Ive Nenflidio
185

És Rio Menino


Pensas que é mar!

Desconcertante oceano azul com correntes gélidas e silêncio arrebatador,

com águas glaucas e gosto de lágrimas insalubres,

que migrando sob distintos rumos afunda naves em grandes naufrágios, em revoltos maremotos.

O Deus Netuno mostra sua força, buscando mistérios escondidos em cavernas,

por vezes mostra-se calmo e disfarça, acalentando a velha canoa ancorada na praia,

num pacato bailado de melodia dissonante.

Atinado, insidioso, mar fatalmente traiçoeiro, organismo absoluto poderoso

com ondas ferozes, abatimento mortal, faz desaparecer ínsulas, escava rochas,

revela sua fúria e exibe o interior da íngreme falésia de taludes de tons alaranjados e cor de mel.

Amado...

Não és mar!

Não és raso e nem esse fundo arrasador!

Conheço-te!

Não és espuma, nem sal!

És rio!

És doce!

E procuras navegar novos leitos,

és água que verte,

Você...

Rio menino,

rio que transborda,

rio que contorna os obstáculos,

rio que extravasa a procura de novos canais,

rio que flui, 

Água doce que preenche a cisterna,

que banha o solo,

que traz esperança,

que faz brotar o sustento,

que transborda a moringa,

És Rio doce, rio Menino!

busca a correnteza,

busca novas aventuras,

em noite banhada de luz,

seus olhos reluzem, cor de avelã.

Amado...

Você sai à procura de um lugar de cavas profundas,

lugar que encontrará o justo repouso,

rio banhando,

rio aguando,

Eu?

Sou leito árido,

Você...

Rio que mata a minha sede!

 
Autora: Ive Nenflidio

235

Trocas


– Mulher existente em meus pensamentos,

se neste instante eu sucumbisse,

você ainda me manteria em seus pensamentos?

Eu continuaria presente em seus sonhos?

– Sim, menino do mato,

você sobreviveria dentro de mim...

– Mulher, eu preciso conhecer novas estradas,

realizar uma grande viagem.

– Você não voltará?

Quero que você me ensine tudo,

quero aprender a observar as nuvens,

aquelas com formas de bichos e

as grandes Cumulus Nimbus.

Por que foges de mim, menino do mato?

Quero aprender contigo

a contemplar o pôr-do-sol e a compreender

todos os fenômenos naturais,

quero conhecer todas as paletas da mata,

todos os perfumes das flores.

Menino que mora dentro de mim,

Por que o cheiro da relva molhada é

diferente do perfume da terra encharcada?

– Não posso responder todas as

suas indagações, querida amiga...

há muitos lugares a serem explorados,

eu devo desbravar novos destinos,

subir a montanha,

procuro novos perfumes

com notas puras,

preciso percorrer todas as chapadas,

escalar todos os picos,

serão singelos momentos e

no alto de cumes

plantarei rosas vermelhas pra ti;

meus olhos enxergarão longe e

te sentirei junto a mim,

serei devorado por pensamentos,

terei espasmos dolorosos.

– Por que foges de mim?

Menino...

sem ti como conhecerei os perigos dos mares, rios e cachoeiras?

preciso desafiar meu corpo em longas caminhadas,

você me mostraria novas trilhas,

decifraríamos todas as cores do arco-íris,

sem pestanejar,

me olharia,

iluminaria meus questionamentos,

eu enxergaria o mundo com os seus olhos de menino.

– Mulher, se eu ficasse aqui junto a ti...

você que está presente em minhas entranhas,

com seu perfume visceral,

no mais fundo da minha busca instintiva,

sei que as coisas simplesmente

não permaneceriam iguais,

não posso ficar,

delicada mulher de largos sorrisos,

não fique triste!

não sou daqui,

sou do mato,

sou livre e estou preso,

sou como um pássaro enclausurado, não canto mais.

E esse cantador você não pode mudar!

 
Autora: Ive Nenflidio
 

153

Veredas


Algumas estradas, as mais belas ainda me levam até você!

Estou em seus pensamentos?

Cante-me uma prece,

crie belas melodias dedilhadas...

Estou em sua mente? 

Venha me visitar, invada meus sonhos,

brinque com meus desejos...

Sente saudade?

Desenha-me uma canção,

recita-me uma sinfonia...

Sente minha falta?

Venha me ter...

Me quer? Mereça-me.

 
Autora: Ive Nenflidio

161

Eu sem você

Será que nunca estarei em teus braços?

(Re)desenho novas formas de viver sem ti,

admito que estava terrivelmente equivocada.

Complicado seguir sem ouvir tua voz,

sem te perceber em meus sonhos,

sem sentir mais meu corpo incendiar.

Complicado não receber tua visita no meio da noite,

reconhecer que era tudo uma adorável ilusão.

Complicado não ter mais para quem escrever.

A vida...

idealizamos caminhos que nunca percorreremos,

abraços que nunca teremos,

olhares que nunca trocaremos,

paixões que nunca concretizaremos,

beijos que nunca receberemos.

 
Autora: Ive Nenflidio

221

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR