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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Segundas intenções


Lua, quero visitar sua outra face,

será que existe outro Jorge com seu dragão?
 
Quiçá conhecesse as suas crateras profundas,

seus desmedidos mistérios e,

por fim, conhecesse algo que me courace,

me guiando para um lugar alcantilado,

um refúgio inabitado,

um raro amor que me envolvesse,

amaria assistindo o infinito,

fitando estrelas ritmadas;

se esse homem forasteiro enfim surgisse e

dentro daquele vagão me provocasse,

partiríamos para uma contestável contravenção.

Autora: Ive Nenflidio
186

Dualidades

Sou como duas extremidades do apontado lápis que esculpe

Sou remanso das águas largas quando me olhas depois do amor

Sou calmaria nas noites sem vento quando existimos em noites de lua

Sou mar inquieto de águas espumejantes que bailam confusas, distantes de ti

Sou chuva delicada que refresca

Sou tormenta destruidora que rompe o silêncio

Sou assim!

Certa e perdida, às vezes encontrada, outras desaparecida

Por vezes, um livro aberto, outras um relicário de mistério encoberto!

 
Autora: Ive Nenflidio
252

Vírus mortal


Ouço o silêncio daquela estrada plana,

penso em Havana,

cidade que eliminou o vírus letal,

penso nas águas que conduzem a chalana,

me deito em posição fetal,

durmo um sono merecido,

lembro do edital,

desperto fortalecida,

vamos criar um recital?


Autora: Ive Nenflidio
152

Por onde andas, meu amor?


Te perdi, quase o tive em meus braços!

Perco a esperança

Cadê você?

Onde está minha fé?

Também a perdi?

Agora não tenho mais nada, só dúvidas

Transformei pensamentos em fantasmas

Não creio mais na humanidade

Não conheço mais o significado de confiança

Vivo uma vida covarde, não construí nada

Sou nada sem ti

Meus desejos adormeceram num sono infinito

Não sinto mais nada

O vazio arraigado me habita

Tenho uma ferida aberta a nunca secar

Um pesadelo sem lágrimas

Meus pulmões já não trabalham

Estou sufocada, afogando na imensa tristeza

Uma busca sem fim

Por onde andas, meu amor?

Você me mostrou que é possível amar

Me emprestou a beleza

Mínimas sutilezas

Pequenos momentos

Por onde andas?

Quanta aflição! Quero te encontrar!

Quero descansar desta busca exaustiva

Não quero mais enfrentar seres bárbaros

Não existe poesia na brutalidade

Não existe poesia na perda

Na impossibilidade de tocá-lo

Troquei realidades por sonhos

E não gosto do que vivo

Uma vida plástica, artificial

Vazia de você!

Sonhei algumas noites que recebia cartas

Eram tuas as palavras. Por onde andas?


Autora: Ive Nenflidio (Traços de uma ditadura)
 


247

Contemplação


Velo cuidadosamente seu sono,

me distraio em pensamentos íntimos.

Reflito!

Examino detalhadamente sua alma, cada fragmento,

és indecifrável,

és vulnerável.

Deliciosa contemplação,

estudo atentamente sua anatomia,

sua face adorável;

despertas em abundante deleite,

como-te com os olhos...

Acato, me entrego!

Sou tua!

Autora: Ive Nenflidio
241

Cantigas


Por ti recito uma canção

Canto poemas

Delineio temas

Descanso olhos exauridos

Rezo uma oração

Registro novos versos

Caderno de páginas em branco

Ilustro traços

Caracteres onde encontro você

Fomos atraídos, entregues ao prazer

Agora repousamos

Adormecemos silentes

Figuramos serenos

 
Autora: Ive Nenflidio

236

Apressa-te



Procuro palavras, respostas

Mensagens nas ondas eletromagnéticas

Só encontro o silêncio

Se afasta acanhado

Te dou espaço

Quero-te inteiro

Quando desejares

Vens a mim

Desejo encoberto

Só me pertence o que abraço

E assim me guio aos seus braços

Estranho intruso de pupilas entontecidas

Não demores!

Preciso falar em seu ouvido

Direi palavras proibidas

Brincarei com os seus cinco sentidos

Te conduzirei ao Vale da Lua

Lugar de cantos e encantos

 
Autora: Ive Nenflidio

236

Não seja breve


São pequenas intenções sutilmente afloradas,

em que vivencio sensações ocultas,

onde sinto seu corpo sorrateiro junto ao meu.

Sou berço acolhedor onde dormem os grãos,

chão incinerado para a semeadura

que, como enigmas, brota o alimento.

Encontro-me perdida, presa em sonhos onde você me domina,

invade sem consentimento e

docemente embala como o avanço e recuo das águas.

É corpo ardente, corpo abrasado, rebentação.

Em meus sonhos, você se revela secretamente,

árvore da vida, jardim pecador, és fruto proibido.
 
Desperto e sinto você, força que permeia,

fecho os olhos, quero voltar aos sonhos onde te percebo.

 
Autora: Ive Nenflidio
230

Viajar


Para viajar, basta existir.

Concordo com essa fala de Fernando Pessoa,

muitas vezes viajamos na nossa imaginação

ao lermos um bom livro, ao assistirmos a um filme,

a um espetáculo musical ou percorrendo céus e estradas;

seja na ficção ou no dia-a-dia da realidade frenética,

sempre estamos viajando.

Viver é caminhar para a maior de todas as viagens, a morte!

 

Autora: Ive Nenflidio
168

Lusco-fusco

Na busca por novos caminhos,

tento decifrar desatualizadas cartas,

primitivos manuscritos com raros caracteres,

não compreendo, são frases implícitas,

confusas visões... bifurcações...

Confesso segredos em breves distrações;

definitivo lusco-fusco,

singela luz do declínio,

doce crepúsculo,

chega sem pressa...

É um fugaz divisor das águas.

Estou inquieta, tento meditar, busco a paz,

não sinto o vento, estou ardendo,

você partiu levando um pedaço de mim,

penso em tuas mãos caminhando em meu corpo,

fotografo teu rosto para te esquecer,

procuro a melhor metáfora poética.

 
Autora: Ive Nenflidio
228

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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR