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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Veredas


Algumas estradas, as mais belas ainda me levam até você!

Estou em seus pensamentos?

Cante-me uma prece,

crie belas melodias dedilhadas...

Estou em sua mente? 

Venha me visitar, invada meus sonhos,

brinque com meus desejos...

Sente saudade?

Desenha-me uma canção,

recita-me uma sinfonia...

Sente minha falta?

Venha me ter...

Me quer? Mereça-me.

 
Autora: Ive Nenflidio

161

Devoção



Estou acesa, clamo por ti!

Inviável mundo

Vida efêmera

Vida rasa

Corpos separados pela cólera

Estamos distantes

Intermitente privação

Distanciamento que corrói

Não fui capaz de tê-lo em meus braços

Sem seus abraços

Procuro decifrar dilemas

Abandono trincheiras

Me liberto de algemas


Autora: Ive Nenflidio (Calendas de Março)
 


220

Não seja breve


São pequenas intenções sutilmente afloradas,

em que vivencio sensações ocultas,

onde sinto seu corpo sorrateiro junto ao meu.

Sou berço acolhedor onde dormem os grãos,

chão incinerado para a semeadura

que, como enigmas, brota o alimento.

Encontro-me perdida, presa em sonhos onde você me domina,

invade sem consentimento e

docemente embala como o avanço e recuo das águas.

É corpo ardente, corpo abrasado, rebentação.

Em meus sonhos, você se revela secretamente,

árvore da vida, jardim pecador, és fruto proibido.
 
Desperto e sinto você, força que permeia,

fecho os olhos, quero voltar aos sonhos onde te percebo.

 
Autora: Ive Nenflidio
230

Separação


Olho as vidraças, ninguém nas ruas, veredas desoladas,

luzes apagadas, vejo apenas o farolete que intercala cores, movimentos ritmados.

Em algumas casas solitárias, mulheres fatigadas vagueiam com suas angústias guardadas,

em outras,

amantes nuas passeiam nas noites sem lua.

Alguns homens esquivam-se, sentem-se pressionados,

são corpos enclausurados,

no mínimo dos seus poucos metros quadrados estão apartados.

E apesar de desejos aflorados, muitos corações estão dilacerados.


Autora: Ive Nenflidio
201

Confluência


Acolho o inevitável e tento não polemizar.

Rara solidão, terrível cerceamento, malsucedido retiro obrigatório,

já não me deixo abater.

Guardei sentimentos, parei de vitimizar.
 
Aprendi a suportar a privação; resisto, não sofro mais no exílio.

Sou como pássaros migratórios aguardando o início da viagem. 

Me conduzirei até você, irei ao seu encontro,

conto os dias e as noites.

Amado...

Não se afogue no álcool, não dramatize, pare de morrer,

aceite esse momento de conflitos internos! 

Chegasses sem avisar e me consumisses com sua voz, com sua coragem,

tome fôlego!

Acalma o coração!

Logo meus olhos encontrarão os seus e,

apesar das forças contrárias, logo estarei em seus braços.

Você vem me encontrar, percorrerá infinitos caminhos,

fugirás para os meus braços, te entregarei meu ombro,

te direi palavras exageradas,

terei ciúmes das minhas mãos que te tocarão e

preencherei todo o meu corpo com o seu excesso.


Autora: Ive Nenflidio

252

Alucinação

Sonho confuso:

como invenção de antigas memórias,

reparo carros enfileirados, 

analiso o fluxo lento...

Apressados?

Só os corpos angustiados...

confinados em comboios.

Caminhos congestionados e desejos lépidos.

Em meio ao caos,

presencio inusitada beleza ofuscante,

contemplo um exuberante pôr-do-sol,

estaciono na estrada,

fotografo em pensamentos todas as cores,

que extravagante visão emocionada!

Vejo pássaros falantes e

me confundo com os motores silenciosos,

ouço melodias entoadas por anjos solitários,

como preces de eremitas

que, aprisionados na solidão,

contemplam o horizonte dos deuses. 

Aprecio o entardecer, sigo...

não ouço buzinas, mas observo pelo espelho retrovisor

algo que ficou no passado,

vejo mãos gesticulando, corações agitados.

Entendo... Acelero!

Não desperto do breve devaneio,

permaneço presa ao mundo dos sonhos...

Autora: Ive Nenflidio
209

Encontro

Te espero em frente ao mar,

somos apenas eu e a lua,

estou a refletir sobre a imensidão do mundo.

Te espero!

Sou aquela de mechas douradas e costas nuas,

estou desarmada,

pele gélida, coração palpitante. 

Quero tocá-lo, sentir teu pelo hirsuto de desejo,

te espero com um poema guiado pelo vento,

te espero com os lábios semicerrados,

sou silêncio, nenhum vocábulo.

Te tocarei com os olhos,

te falarei com as mãos

Examinarei cada parte,

te entregando fragmentos de todos os meus desejos.

Autora: Ive Nenflidio

232

Cantigas


Por ti recito uma canção

Canto poemas

Delineio temas

Descanso olhos exauridos

Rezo uma oração

Registro novos versos

Caderno de páginas em branco

Ilustro traços

Caracteres onde encontro você

Fomos atraídos, entregues ao prazer

Agora repousamos

Adormecemos silentes

Figuramos serenos

 
Autora: Ive Nenflidio

236

Prece


Penso nas dores do mundo

E nos algozes sem alma

Penso no Cristo torturado

No sofrimento de seres mutilados

Penso nos famintos isolados

Em campos de refugiados

Penso nas crianças com corações dilacerados

Nos homens atormentados

Penso no silêncio dos violentados

Nos seres desesperados

Penso em antigas civilizações

Nas lamentações

Em velhas reinvindicações

Penso nas mentes doentes

Nas mães impotentes

E nos heróis resistentes

Que o medo não me afaste dos meus sonhos

Que as dores não me tirem a esperança

Que a frieza dos homens não me cegue

Que a hipocrisia não me afaste do justo

Que os temores que sinto não me impeçam de ir até você

 
Autora: Ive Nenflidio
176

Somos atores


Na eterna expectativa para o início do espetáculo,

estamos apartados, concentrados, cenas complementares.

Me preparo para o grande ato,

observo as cortinas do proscênio do antigo teatro,

penso na nossa primeira troca de olhares,

idealizo belas interpretações.

Primeiro ato...

Você chega de mansinho,

extraordinária espera,

como já esteve em outros bastidores.

se aproxima calmo,

não te reconheço, face desconhecida;

observo teu corpo,

te vejo com contornos indefinidos,

visão encoberta, visão turva,

luzes apagadas.

Segundo ato...

Corações de tempos antigos,

almas atadas

finalmente se encontram,

estão unidos para dramas encenados

ao som de antigas árias,

trocam olhares silenciosos,

toques sutis,

abraços cerrados,

desejos aflorados,

súbito calor,

palavras confundidas, fictícias,

difusas, perdidas...

Finalmente te reconheço, você estava em meus pensamentos...

Guardado em instantes, eternizados.

Fim do segundo ato.

 
Autora: Ive Nenflidio

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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR