manuelluiz

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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Eu sem você

Será que nunca estarei em teus braços?

(Re)desenho novas formas de viver sem ti,

admito que estava terrivelmente equivocada.

Complicado seguir sem ouvir tua voz,

sem te perceber em meus sonhos,

sem sentir mais meu corpo incendiar.

Complicado não receber tua visita no meio da noite,

reconhecer que era tudo uma adorável ilusão.

Complicado não ter mais para quem escrever.

A vida...

idealizamos caminhos que nunca percorreremos,

abraços que nunca teremos,

olhares que nunca trocaremos,

paixões que nunca concretizaremos,

beijos que nunca receberemos.

 
Autora: Ive Nenflidio

217

Somos atores


Na eterna expectativa para o início do espetáculo,

estamos apartados, concentrados, cenas complementares.

Me preparo para o grande ato,

observo as cortinas do proscênio do antigo teatro,

penso na nossa primeira troca de olhares,

idealizo belas interpretações.

Primeiro ato...

Você chega de mansinho,

extraordinária espera,

como já esteve em outros bastidores.

se aproxima calmo,

não te reconheço, face desconhecida;

observo teu corpo,

te vejo com contornos indefinidos,

visão encoberta, visão turva,

luzes apagadas.

Segundo ato...

Corações de tempos antigos,

almas atadas

finalmente se encontram,

estão unidos para dramas encenados

ao som de antigas árias,

trocam olhares silenciosos,

toques sutis,

abraços cerrados,

desejos aflorados,

súbito calor,

palavras confundidas, fictícias,

difusas, perdidas...

Finalmente te reconheço, você estava em meus pensamentos...

Guardado em instantes, eternizados.

Fim do segundo ato.

 
Autora: Ive Nenflidio

149

Separação


Olho as vidraças, ninguém nas ruas, veredas desoladas,

luzes apagadas, vejo apenas o farolete que intercala cores, movimentos ritmados.

Em algumas casas solitárias, mulheres fatigadas vagueiam com suas angústias guardadas,

em outras,

amantes nuas passeiam nas noites sem lua.

Alguns homens esquivam-se, sentem-se pressionados,

são corpos enclausurados,

no mínimo dos seus poucos metros quadrados estão apartados.

E apesar de desejos aflorados, muitos corações estão dilacerados.


Autora: Ive Nenflidio
198

Sonhos nº 1

Que estranho devaneio,

sonhei que o Sol me assistia com um largo sorriso,

aquentava meu corpo despido e observava.

Seu esplendor me ofuscava,

Cegava;

levantando, experimentei uma terrível vertigem.

Ao lado da cama, espreito a fenda da janela,

enxergo em grande delírio plantas com folhas secas,

entoando uma triste melodia.

Sol calado e quente,

és calor que fascina,

estou arrebatada e continuo observando.

Vejo pássaros numa desalinhada coreografia,

asas escancaradas,

vejo partículas de orvalho na vidraça.

Imagino aquele homem desconhecido

que eroticamente traduz meus sonhos,

como um pesquisador de oceanos profundos.

Com seu escafandro, me escava, me decifra,

busca conhecer meus mistérios.

Autora: Ive Nenflidio
193

Apressa-te



Procuro palavras, respostas

Mensagens nas ondas eletromagnéticas

Só encontro o silêncio

Se afasta acanhado

Te dou espaço

Quero-te inteiro

Quando desejares

Vens a mim

Desejo encoberto

Só me pertence o que abraço

E assim me guio aos seus braços

Estranho intruso de pupilas entontecidas

Não demores!

Preciso falar em seu ouvido

Direi palavras proibidas

Brincarei com os seus cinco sentidos

Te conduzirei ao Vale da Lua

Lugar de cantos e encantos

 
Autora: Ive Nenflidio

234

Devaneios

Distraída, pego-me pensando em ti,

amei sem que você soubesse,

sem que você percebesse.

Preciso me acostumar com a sua ausência

e buscar, na escassez de você,

respostas.

​Não espero mais o beijo,

só ficaram planos e o querer.

Tento não pensar mais em ti.

​Antes encontrava você dentro de mim,

agora tento eliminar as lembranças,

rasurar meus poemas, apagar seu nome.

Autora: Ive Nenflidio

226

Por onde andas, meu amor?


Te perdi, quase o tive em meus braços!

Perco a esperança

Cadê você?

Onde está minha fé?

Também a perdi?

Agora não tenho mais nada, só dúvidas

Transformei pensamentos em fantasmas

Não creio mais na humanidade

Não conheço mais o significado de confiança

Vivo uma vida covarde, não construí nada

Sou nada sem ti

Meus desejos adormeceram num sono infinito

Não sinto mais nada

O vazio arraigado me habita

Tenho uma ferida aberta a nunca secar

Um pesadelo sem lágrimas

Meus pulmões já não trabalham

Estou sufocada, afogando na imensa tristeza

Uma busca sem fim

Por onde andas, meu amor?

Você me mostrou que é possível amar

Me emprestou a beleza

Mínimas sutilezas

Pequenos momentos

Por onde andas?

Quanta aflição! Quero te encontrar!

Quero descansar desta busca exaustiva

Não quero mais enfrentar seres bárbaros

Não existe poesia na brutalidade

Não existe poesia na perda

Na impossibilidade de tocá-lo

Troquei realidades por sonhos

E não gosto do que vivo

Uma vida plástica, artificial

Vazia de você!

Sonhei algumas noites que recebia cartas

Eram tuas as palavras. Por onde andas?


Autora: Ive Nenflidio (Traços de uma ditadura)
 


245

Confluência


Acolho o inevitável e tento não polemizar.

Rara solidão, terrível cerceamento, malsucedido retiro obrigatório,

já não me deixo abater.

Guardei sentimentos, parei de vitimizar.
 
Aprendi a suportar a privação; resisto, não sofro mais no exílio.

Sou como pássaros migratórios aguardando o início da viagem. 

Me conduzirei até você, irei ao seu encontro,

conto os dias e as noites.

Amado...

Não se afogue no álcool, não dramatize, pare de morrer,

aceite esse momento de conflitos internos! 

Chegasses sem avisar e me consumisses com sua voz, com sua coragem,

tome fôlego!

Acalma o coração!

Logo meus olhos encontrarão os seus e,

apesar das forças contrárias, logo estarei em seus braços.

Você vem me encontrar, percorrerá infinitos caminhos,

fugirás para os meus braços, te entregarei meu ombro,

te direi palavras exageradas,

terei ciúmes das minhas mãos que te tocarão e

preencherei todo o meu corpo com o seu excesso.


Autora: Ive Nenflidio

249

Encontro

Te espero em frente ao mar,

somos apenas eu e a lua,

estou a refletir sobre a imensidão do mundo.

Te espero!

Sou aquela de mechas douradas e costas nuas,

estou desarmada,

pele gélida, coração palpitante. 

Quero tocá-lo, sentir teu pelo hirsuto de desejo,

te espero com um poema guiado pelo vento,

te espero com os lábios semicerrados,

sou silêncio, nenhum vocábulo.

Te tocarei com os olhos,

te falarei com as mãos

Examinarei cada parte,

te entregando fragmentos de todos os meus desejos.

Autora: Ive Nenflidio

229

Segundas intenções


Lua, quero visitar sua outra face,

será que existe outro Jorge com seu dragão?
 
Quiçá conhecesse as suas crateras profundas,

seus desmedidos mistérios e,

por fim, conhecesse algo que me courace,

me guiando para um lugar alcantilado,

um refúgio inabitado,

um raro amor que me envolvesse,

amaria assistindo o infinito,

fitando estrelas ritmadas;

se esse homem forasteiro enfim surgisse e

dentro daquele vagão me provocasse,

partiríamos para uma contestável contravenção.

Autora: Ive Nenflidio
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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR