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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Não seja breve


São pequenas intenções sutilmente afloradas,

em que vivencio sensações ocultas,

onde sinto seu corpo sorrateiro junto ao meu.

Sou berço acolhedor onde dormem os grãos,

chão incinerado para a semeadura

que, como enigmas, brota o alimento.

Encontro-me perdida, presa em sonhos onde você me domina,

invade sem consentimento e

docemente embala como o avanço e recuo das águas.

É corpo ardente, corpo abrasado, rebentação.

Em meus sonhos, você se revela secretamente,

árvore da vida, jardim pecador, és fruto proibido.
 
Desperto e sinto você, força que permeia,

fecho os olhos, quero voltar aos sonhos onde te percebo.

 
Autora: Ive Nenflidio
226

Dualidades

Sou como duas extremidades do apontado lápis que esculpe

Sou remanso das águas largas quando me olhas depois do amor

Sou calmaria nas noites sem vento quando existimos em noites de lua

Sou mar inquieto de águas espumejantes que bailam confusas, distantes de ti

Sou chuva delicada que refresca

Sou tormenta destruidora que rompe o silêncio

Sou assim!

Certa e perdida, às vezes encontrada, outras desaparecida

Por vezes, um livro aberto, outras um relicário de mistério encoberto!

 
Autora: Ive Nenflidio
251

Alucinação

Sonho confuso:

como invenção de antigas memórias,

reparo carros enfileirados, 

analiso o fluxo lento...

Apressados?

Só os corpos angustiados...

confinados em comboios.

Caminhos congestionados e desejos lépidos.

Em meio ao caos,

presencio inusitada beleza ofuscante,

contemplo um exuberante pôr-do-sol,

estaciono na estrada,

fotografo em pensamentos todas as cores,

que extravagante visão emocionada!

Vejo pássaros falantes e

me confundo com os motores silenciosos,

ouço melodias entoadas por anjos solitários,

como preces de eremitas

que, aprisionados na solidão,

contemplam o horizonte dos deuses. 

Aprecio o entardecer, sigo...

não ouço buzinas, mas observo pelo espelho retrovisor

algo que ficou no passado,

vejo mãos gesticulando, corações agitados.

Entendo... Acelero!

Não desperto do breve devaneio,

permaneço presa ao mundo dos sonhos...

Autora: Ive Nenflidio
204

Abortando voo


Dizia Fernando Sabino, os homens se dividem em duas espécies: os que têm medo de viajar de avião e os que fingem que não têm. Eu não finjo que não tenho, ao contrário, admito que tenho pavor, mas como é necessário voar, tento não pensar ou focar na ação, simplesmente voo.
Meu medo tem uma origem, numa decolagem. A aeronave prestes a subir abortou, foram alguns segundos de frenagem com a pista molhada, os ruídos eram intensos e os passageiros tiveram seus corpos projetados violentamente.
O mais assustador não foi o ato de frear de forma súbita ou os gritos ou, ainda, os rostos assustados da tripulação, o mais perturbador foi saber que dentro dos aviões são transportados passageiros e que alguns sinônimos da palavra são: breve, fugaz, efêmero, finito.

Autora: Ive Nenflidio




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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR