Lista de Poemas

SOMOS ESTRANHOS

Somos estranhos na casa tão cheia,
Cada qual guarda o silêncio em capela,
E da janela, o vento nos incendeia,
Levando beijos à noite mais bela.

O riso ecoa, mas logo se rareia,
Sombra discreta em cortina singela,
E a saudade que o peito semeia
Cresce e se perde na lua amarela.

Mas, se distantes, os corpos se calam,
Nos corações ainda há centelha,
Chamas ocultas que nunca se apagam.

E nesta casa, que o tempo aconselha,
Mesmo estranhos, os sonhos se embalam:
Beijos voando de cada janela.
Maria Antonita Matos

38

PROMESSAS

Promessas são fios de vento,
que o coração ousa tecer,
palavras que brilham no tempo,
mesmo sem nunca acontecer.

São laços de fé e ternura,
que os olhos deixam escapar,
um eco suave na alma,
uma súplica a nunca calar.

Prometer é plantar esperança,
mesmo em solo a fraquejar,
pois quem promete acredita,
no amanhã que há de chegar.

E ainda que o tempo as desfaça,
como ondas que voltam ao mar,
há promessas que ficam guardadas,
sem nunca deixar de brilhar.

Maria Antonieta Matos

104

SOMOS ESTRANHOS

Somos estranhos na casa tão cheia,
Cada qual guarda o silêncio em capela,
E da janela, o vento nos incendeia,
Levando beijos à noite mais bela.

O riso ecoa, mas logo se rareia,
Sombra discreta em cortina singela,
E a saudade que o peito semeia
Cresce e se perde na lua amarela.

Mas, se distantes, os corpos se calam,
Nos corações ainda há centelha,
Chamas ocultas que nunca se apagam.

E nesta casa, que o tempo aconselha,
Mesmo estranhos, os sonhos se embalam:
Beijos voando de cada janela.

Maria Antonieta Matos

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A TRISTEZA ME INVADE

A tristeza me invade, e em ondas frias,

Espraia-se em meu peito, em noite escura;

São tantas dores, tantas nostalgias,

Que o mundo inteiro em pranto se figura.

Vejo os destinos presos às agonias,

E a luz do sol se esconde, pouco dura;

O tempo escoa em lôbregas porfias,

Sem dar alívio à dor que se segura.

Mas dentro da penumbra há resistência,

Um sopro brando insiste em me elevar,

E rompe o véu cruel da decadência.

Pois mesmo no luto se a alma ousar

É prova de esperança e de presença:

Quem sente a dor, ainda pode amar.

Maria Antonieta Matos

31

O MUNDO NUMA JANELA ABERTA

Na moldura discreta do meu olhar,
cabe o vasto oceano e a planície,
um céu que se inclina sobre o mar
e a brisa que à distância me acaricie.

O vidro é fronteira sem se fechar,
onde o longe se torna o que me viste;
nas ondas do vento posso viajar
e ser quem sonha e nunca desiste.

Cada raio de sol é um novo cais,
cada sombra um segredo que desperta;
no instante, cabem mundos e seus sinais,

pois vivo onde a alma se liberta.
Assim, sem sair, por dentro navego,
janela aberta, ao infinito me entrego.

110

TEUS OLHOS DIZEM MAIS QUE MIL PALAVRAS

Teus olhos dizem mais que mil palavras,
Quando em silêncio pousam sobre os meus,
São portos onde as ânsias mais escravas,
Se libertam, buscando os sonhos teus.

Teu riso é luz que rompe as madrugadas,
É brisa que me afasta dos breus,
Na tua pele, as horas são paradas,
E o tempo se ajoelha aos pés dos céus.

Se o mundo é vasto, em ti tudo começa,
No toque teu, meu mundo se revela,
E a vida em mim repousa e se aquieta.

Amar-te é mais que rima ou aquarela:
É ter no peito a paz que não se peça,
É ser feliz sem que o amor se impeça.

Maria Antonieta Matos - 2025

41

CÉU EM RUÍNA, TERRA EM FÚRIA

Está caindo o céu e a Trindade,
Na terra de ódio e guerra sem piedade.
As nuvens sangram chagas de aço,
Anjos se perdem no último abraço.

O Pai cerra os olhos, cansado do clamor,
O Filho chora, crucificado em nova dor.
O Espírito vagueia, em vento calado,
Sobre campos de mortos na fé, despedaçado.

Ergue-se o homem com o punho fechado,
Sua língua é espada, seu verbo, pecado.
De templos ruídos brotam espinhos,
Orações secas, sem mais caminhos.

Na terra que exala rancor e fumaça,
A esperança tropeça, quase se esgaça.
Mas no silêncio entre um grito e um pranto,
Ainda brilha uma tocha, ténue, mas tanto.

Porque mesmo quando o céu desaba,
E a Trindade se esconde na névoa brava,
Há no coração do último justo,
Um lume frágil, porém robusto.

Que clama ao alto: “Ainda não acabou!”
E talvez, só talvez… Deus escutou.

Maria Antonieta Matos, 19-06-2025

28

DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO

Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.

Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.

Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.

Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.

Maria Antonieta Matos - 2025

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DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO

Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.

Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.

Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.

Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.

Maria Antonieta Matos - 2025

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DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO

Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.

Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.

Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.

Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.

Maria Antonieta Matos - 2025

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Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra