Lista de Poemas

DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO

Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.

Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.

Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.

Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.

Maria Antonieta Matos - 2025

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DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO

Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.

Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.

Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.

Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.

Maria Antonieta Matos - 2025

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TEUS OLHOS DIZEM MAIS QUE MIL PALAVRAS

Teus olhos dizem mais que mil palavras,
Quando em silêncio pousam sobre os meus,
São portos onde as ânsias mais escravas,
Se libertam, buscando os sonhos teus.

Teu riso é luz que rompe as madrugadas,
É brisa que me afasta dos breus,
Na tua pele, as horas são paradas,
E o tempo se ajoelha aos pés dos céus.

Se o mundo é vasto, em ti tudo começa,
No toque teu, meu mundo se revela,
E a vida em mim repousa e se aquieta.

Amar-te é mais que rima ou aquarela:
É ter no peito a paz que não se peça,
É ser feliz sem que o amor se impeça.

Maria Antonieta Matos - 2025

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PERGUNTEI AO MUNDO INTEIRO

— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o poder que embriaga,
Ou a cobiça que envenena a terra?

— O mundo em seu sussurro,
Respondeu com voz de dor:
"São corações que se perdem,
No labirinto do terror."

— Mas como podem esquecer,
Que o amor é o caminho?
Que a paz é o verdadeiro
Abrigo no desatino?

— "Há quem confunda força
Com a espada que fere,
E esqueça que a verdadeira
Vem do amor que se aufere." 

— Então, o que resta ao coração,
Senão a esperança renascer?
Que o mundo se cure,
Que a guerra deixe de florescer?

— "Resta a ti ser a voz
Que planta sementes de paz,
E lembrar ao mundo inteiro
Que o amor jamais se desfaz."

— Assim, seguirei caminhando,
De mãos dadas com a fé,
Pedindo ao mundo que ouça, 
A canção que a paz é.

— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o ódio semeado,
Ou a sombra que assola a terra?

— O mundo então me disse,
Com um suspiro de pesar:
"São aqueles que se perdem, 
Sem saber o que é amar."

— Mas como podem ignorar
O clamor do sofrimento?
Por que buscam a destruição,
Em vez de um só momento?
 

— "Há quem veja na violência
Um caminho para vencer,
Esquecendo que a vitória
É o que o amor pode tecer."

— Então, como desfazer
Esse ciclo tão cruel?
Como abrir os olhos
De quem vê a guerra como um troféu?

— "Sejas tu a luz na escuridão
A voz que clama pela paz,
Mostra que a verdadeira força
É aquela que o amor traz."

— Assim, vou seguir plantando
As sementes da esperança,
Para que um dia o mundo entenda
Que a paz é nossa herança.

Maria Antonieta Matos

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RIO GUADINA - ENTRE MARGENS

Nas curvas do Guadiana, doce rio,
O sol reflete em suas águas calmas,
Entre as margens, um sonho em desafio,
Onde a natureza tece suas palmas.

Tuas águas fluem suaves e serenas,
Num eterno bailado de poesia,
E nas tuas margens, histórias amenas,
Contam segredos de pura magia.

Oh rio Guadiana, afluente amigo,
Em tuas águas, a vida se renova,
E o tempo é um verso, um doce abrigo.

Que teus mistérios sigam pela terra,
E que sempre em teu curso se comova,
A alma que em ti encontra sua serra.

Maria Antonieta Matos
 

129

POR TI GUADIANA

Por ti Guadiana,

Escrevi cartas a navegar

Nas tuas águas perdidas,

Com devoção a rezar.

Pelos perigos perseguida.
 

Confiava no teu colo,

E ia narrando a nossa história,

Tudo me servia de consolo,

Nesta vida tão inglória.
 

Com a lua a brilhar, as sombras espiava,

E no murmúrio medonho, as tuas águas,

Escondiam o tráfico que tanto pesava,

E serenava meu peito cheio de mágoas.
 

Nas noites de breu, as barcaças dançavam,

E os fantasmas no sossego a segredar,

As vidas furtivas que por ti navegavam,

Desafiando o perigo para se alimentar.
 

No vale do silêncio, os olhos atentos,

Os passos na margem, o peso do ouro,

Guardam o que podem, segredos e lamentos.

O tabaco e o café como se fosse um tesouro.
 

No contrabando há dor e há esperança,

Entre Portugal e Espanha, um elo traçado,

Um jogo de riscos, uma eterna dança,

Nas águas do rio um destino marcado.
 

Por cada curva do rio, um pacto selado,

A vida num fio, a coragem à prova,

Entre a escuridão e o sonho falhado,

Guadiana profundo, onde a lei se renova.
 

Mas o rio guarda tudo, histórias e mágoas,

As almas que cruzam, nas suas águas,

E à alvorada, quando a luz se avista,

Guadiana sorri a banhar suas margens.
 

24/05/2024, Maria Antonieta Matos
 

189

Diálogo com o Rio

Voz do Poeta:
Ó Guadiana, rio de águas a cantar,
Que histórias trazes no teu eterno movimento?
Nos teus braços, o mundo parece se encantar,
És o guardião de cada sonho e pensamento.

Voz do Rio Guadiana:
Sou eu, o Guadiana, a corrente que guia,
Minhas águas correm, levando o tempo ao mar.
Vi nascer a aurora e a noite sombria,
E em cada curva, uma nova história a revelar.

Voz do Poeta:
Teu murmúrio é um cântico de vida e amor,
Nas tuas margens, a natureza floresce sem cessar.
Conta-me, rio, sobre o teu interior,
Que segredos guardas no teu leito a brilhar?

Voz do Rio Guadiana:
Vi reis e plebeus, lado a lado a viver,
As guerras, os amores, a paz a reinar.
Guardo em meu fundo o que ninguém pode ver,
As lágrimas e risos que me vão encontrar.

Voz do Poeta:
Teu curso é um espelho do céu tão profundo,
Refletes as estrelas e o brilho do luar.
Que sonhos alimentas nesse teu mundo,
O que esperas na tua jornada sem par?

Voz do Rio Guadiana:
Espero um futuro de respeito e cuidado,
Que minhas águas sejam sempre puras e claras.
Que o homem entenda o valor do meu legado,
E que cuide de mim, como mãe que ampara.

Voz do Poeta:
Ó rio sagrado, que corres sem fim,
Teu fluxo inspira meu coração a rimar.
Em ti, encontro a paz que há em mim,
E nas tuas águas, me quero espelhar.

Voz do Rio 
Guadiana:Poeta, tua voz é música ao meu ouvido,
Nas tuas rimas, meu espírito encontra razão.
Juntos, em versos, seguimos unidos,
Eu no meu leito, e tu na tua canção.

08-05-2024 - Maria Antonieta Matos
 

180

QUE MAL É ESTE…?

Que mal é este que me arrasa 
Que remexe no meu corpo, tão dorido
Que não pára de gritar… ao meu ouvido
Que assusta o meu caminho em brasa

Que mal é este, que ditou o meu destino
Que me priva de viver, esta viagem
Que agora tinha tempo, como em menino
Mas o corpo só me diz, para ter coragem

Assim vão passando os dias 
Em protesto o pensamento
A suplicar por folia

Como a esperança nunca morre…
A alma às vezes se alegra 
E a tristeza se consome 

10-09-2023 Maria Antonieta Matos
111

MEDITANDO

Caminho penosa pela estrada
Sentido o peso da solidão
Que o sentimento me abrasa
Nas pisadas do meu chão
Já não tenho lugar algum
Onde o meu ar me sorria
Encontro tudo tão comum
Que me deixa sem magia
Às vezes sofro com isso
Tenho as mágoas à flor da pele
Mais parece ser feitiço
Sentir da alma, tão cruel

Évora, 25-05-2023 
Maria Antonieta Matos
102

QUANDO FORES AO ALENTEJO

Quando fores ao Alentejo 
Leva vagar de sobejo
Para os olhos descansar
No farol do longo beijo
Com o tempo demorado 
Caminha no horizonte
Foca-te na linda miragem 
E no sossego de cada monte
Quando fores ao Alentejo
Vai a passo descansado
Para mergulhar nesse mar
Leva o relógio atrasado
Ouve o som dessa acalmia
Não leves pressa a andar
Absorve essa alegria
Com o Alentejano a cantar
E com tempo que ainda resta
Na sombra de uma azinheira
Repousa dorme uma sesta
Que te afaga a soalheira

Leva saudade, memórias
Nessa hora de abalar
Leva calma, leva sossego
Leva o tempo para chegar
Leva liberdade e apego
E crescente o teu olhar
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Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra