Quando assalto as almas de ideias E prendo-as no papel Elas perdem tanto o seu primor.
Creio que seja o trauma sofrido por elas De deixarem de ser além da matéria E tornarem-se letras.
O trauma é, de tal modo, que envelhecem bem novas, E quando vou em suas folhas Não me parecem ideias de outrora.
Fico caçando a ideia nas vírgulas E tento-me achá-la em mim: Mas ai lembro que a sequestrei E tornei menos alma e mais gente.
Antes, uma cara vigorosa Cheia de saúde As veias que apareciam Eram rígidas com vontade Mas agora seus olhares são tão esmos Tão fracos que parecem querer desgrudar da cara; Suas pernas, antes tão vigorosas, Agora cheias de varizes irancudas Sedentas de vingaça Pela minha lesa à majestade.
A natureza faz de propósito Para que eu não as admire mais Mas eu, o que tenho a perder? Apenas um júbilo a menos em meus dias E as ideias, coitadas Para sempre idosas na idade de 5
Escuto a bala evacuando da pistola O vento é perfurado com raiva O cartucho jogado para trás Sinto a bala me perfurar Beliscar minhas têmporas e entrar.
Então eu escuto alguém carregando a arma para atirar.
168
Pequena Nina
Pequena Nina de vida pouca Nasceu e morreu chorando Choro esse menor que o meu Quanto te vi me deixando Esquecendo a vida no apogeu
Minha alma já está rouca Há anos que estou gritando Pois minha voz já pereceu Aos poucos me abandonando Não há homem moribundo como eu
Você, solidão, está louca Se acha que está me incomodando Não sabes pois nunca sofreu Perder um amor estando ainda amando Não te vejo no meio deste breu
Não me importo com paixão tampouco Que de todos eu fosse me isolando Menos de meu pequeno anjo que já morreu Não posso sentir teu corpo se aproximando Pois de amores e felicidade,já sou ateu
149
Roteiro
O roteiro, em sua quintessência É a fúria em si É a cópia da realidade Que o autor tanto odeia Pois se não por isso Não estaria fingindo o real No pedaço de papel
É a refração da vida Na água de um copo prismado
É borrar um quadro já pintado De cores que não deviam estar lá
O único erro de um roteiro são as palavras É pintar um quadro com cores que já existe Enquanto uma nova cor não nascer O pintor não deixará de ser humano Mas quando o ser humano será pintor?
175
Vertigem
Na entalpia de sua alma,me guio De rastros te sigo Por puro vertigo
Sim,vertigem tua alma me faz parir Assim não consigo te seguir Quer me fazer desistir?
Deve ser algum mecanismo de defesa Não quer que um homem de safadeza Macule sua interna beleza?
Vejo agora que não é tua intenção Ir com seu coração na minha contra-mão Pois sou uma sombra em tua escuridão
Tua indiferente alma me faz tremer Desejo voltar a me entender Cego-me para voltar a ver
161
Camarim
Te olho,mas não te vejo Me enxergando Apenas seus olhos Me olhando Oblíquo Sem verem o que há detrás da cortina Os bastidores de minh'alma
Imaginando fantasias Que não fantasio Se é que pensas que fantasio com tuas fantasias Que não são minhas [e furto-as do mesmo jeito Mas enxerga o eterno balé Rodopiante no camrim No chão de madeira do palco enxarcado de lágrimas minhas já de outrem
Tu não imaginas só me enxergas Não te enxergo mais Depois de tantas fantasias
Também não enxergo teu balé Mas eu aspiro tanto Ser seu bailarino Mesmo não sabendo dançar [ou amar Tu não me ouves Tu nunca me quiseste Como eu te quis
Quero não te querer mais, mas mostra-se uma tarefa árdua nessa madrugada de paixão.
O/v/e/r/s/e/i/r/o/i/n/a/n/i/m/a/d/o
Prosado Versado Envergado Para o céu sem ninguém Estrelas que nunca amaram alguém São paixões de outrem Olhando muito além Mais profundo do que qualquer [amém Rimas de Santárem Aqueles que as cantarem
Versos deformados e obscuros Cujos sentidos escapam do próprio autor Pois a verdadeiro obra está no leitor no espectador admirador
No fatal corte da solidão... Não a sinto. Não. não. Não há o que se doer Em míseras palavras de Adolescente.
209
Homem
Se eu fosse um homem Eu poderia sonhar e ser sonhado Chorar e ser chorado Até o fim dos meus dias à dias do fim.
Se eu fosse um homem Das montanhas perfuradas que eu construiria Todas ruiriam E todas cairiam sobre mim No meu corpo já frio.
Se eu fosse um homem Pensaria ser infinito Olhando para o infinito Na beirada de minhas fronteiras E essas, eu tentaria destruir Mas eu destruiria a mim mesmo.
Se eu fosse um homem Nasceria estrangeiro ao vazio E sentindo um calor patriota irancudo ecoando em mim Fujiria para minha terra natal.
Se eu fosse um homem Seria tudo sendo nada Apenas no querer E no querer,todo poderoso Somos tudo o mais além de nós, Pois se quiséssemos ser nós mesmos Não sonharíamos ser outrem.
Se eu fosse um homem Eu me ajoelharia rente ao nada à espera de uma sombra na qual eu me encubriria
Se eu fosse um homem Eu não sei o que eu não seria. E é esse não saber O não Que me alegro em não ser homem.
169
Doll's eye
The elder shine Upon the men Tries to figure out What happened to them.
The dark light above the skull Pierces the calcium And, among the black in the eye hole Did you see? The call of the Others?
Você conhece o sonhos de uma formiga? Você olha nos olhos de um tubarão E só há negro. Sabe que se implorar pela vida Suas preçes se afogam no escuro do olhar. Ele sabe que você é vida Mas não se importa?
153
Candle
A tinta da caneta É a sombra da alma. Rouba-lhe o contorno, Mas só sob a luz A vida se revela.
A vela no meio da mesa Majesta no escuro, Que sem sua luz, As sombras, suas servas Não estariam ali.
Vivendo nos domínios do claro Não ousam viver na fronteira da vida, Pssando do real, Se mesclando com o vazio.
Elas todas Silhuetas de outrem, Nenhum conteúdo original, Sem núcleo no próprio ser.
Se a sombra de minha caneta Soubesse quem lhe empata a luz Ela não se chamaria de mais ninguém.
Se eu apagar a vela Eu cego ou eu sumo?
195
Aplausos
Odeio de cor Os aplausos já esperados Depois de um corar de um poema Quebrando amoralmente A quietude da palavra
167
The Sound Of The Trumpets
Oh, I feel the angels singing.... I don't hear But I feel
I feel In each hair on my arm The chords upon the clouds Reciting my name Echoing for all the paradise
I hear the run of the Horseman of Death... I don't feel But I hear
The steps that it lefts Whips all the land And where it stomps nothing grows anymore But it doesn't matter, no one ever burnd there.
He becomes cloud He covers the sun His shadow is the perlude of the nightmare -Oh,but mine is over. However, I didn't wake up yet.
Why I don't woke up already? Perhaps I have died in the dream With that sickle falling like a sound The sound of the trumpets.