monteiro_damaceno

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Mendigo

Leio uns versos quaisquer
Bonitos
Bem consturidos
Mas comuns.
Li ele em uma ruela da vida
E vi como deveria ver:
Apenas uma pedra dentre demais.
São lindas as viagens de cada letras
Porém não indígenas:
Quantos bardares
Já vi tão iguais?
Terminando a valsa
Já julgo serem versos marginais
De um exímio amador tal qual meu patamar
Quando vejo o autor:

Fernando Pessoa.

Então eu vejo uma poesia.

Se Pessoa fosse apenas uma pessoa
Se o papel em que escreveu tivesse sido esquecido
Na frente da tabacaria
Só seria tinta rabiscada em uma folha vagabunda.
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Poemas

36

Perfume

Nariz irritado
Com perfume de engano
Faz meu coração parar

Mas que mulher formosa
Cheia de lágrimas para doar
E criar

Seu olhos são um verdadeiro céu
Queria poder voar neles
Até chegar às estrelas de sua alma

Seu vestido azul irônico
Contrasta com seu pai
O Rei Carmesim

Consquistar o rei
Para casar-se com tua filha
Não sei se vale a pena

Mas o seu perfume engana,não é mesmo?
Cheira a promessa
Quero me casar com tuas promessas
De dias melhores

Estou no aguardo
Para a coroação da Rainha Celeste.

O pai dela me chama:
"Quer saber como me tornei carmesim?"
Eu respondi: "Eu já sei como se moldou.
Muito,mas muitos costureiros
Remendaram sua capa rubra
uma costura para cada um
assim sua capa faz sombra à todos"

O rei sorriu para mim.
"Não quer costurar também?"
Não pude negar.
Mas descobri porque tantos homens remendaram a capa do rei carmesim
Todos atraidos pelo perfume
Daquela mulher formosa
Mas seu perfume engana, não é mesmo?
176

The Sound Of The Trumpets

Oh, I feel the angels singing....
I don't hear
But I feel

I feel
In each hair on my arm
The chords upon the clouds
Reciting my name
Echoing for all the paradise

I hear the run of the Horseman of Death...
I don't feel
But I hear

The steps that it lefts
Whips all the land
And where it stomps nothing grows anymore
But it doesn't matter, no one ever burnd there.

He becomes cloud
He covers the sun
His shadow is the perlude of the nightmare
-Oh,but mine is over.
However, I didn't wake up yet.

Why I don't woke up already?
Perhaps I have died in the dream
With that sickle falling like a sound
The sound of the trumpets.
150

Doll's eye

The elder shine
Upon the men
Tries to figure out
What happened to them.

The dark light above the skull
Pierces the calcium
And, among the black in the eye hole
Did you see?
The call of the Others?

Você conhece o sonhos de uma formiga?
Você olha nos olhos de um tubarão
E só há negro.
Sabe que se implorar pela vida
Suas preçes se afogam no escuro do olhar.
Ele sabe que você é vida
Mas não se importa?
156

Arte

O espectador é a mais suprema forma de arte:
versátil, ele a tudo se transforma e a tudo significa.
A verdadeira beleza de uma obra está em que a admira,
como se quem fosse espectador
fosse a própria obra.
A obra é apenas uma porta de entrada para o sentir,
e quem a observa
sente-a como ela nunca faria em retorno,
e muito mais além do próprio sentir.
A arte é estática, mesma as que representam cinemática,
pois as mesmas são efêmeras,assim como nós.
Talvez seja por isso que procuramos arte:
ou um espelho quebrado de nossa própria natureza,
ou então para assistir um espetáculo mais finitos que nós
Para nos sentirmos
além do fim.
185

Acordar

A tempestade
-Não sinto o chão
Debaixo de mim

Que piada de mal gosto da vida
Me fazendo acordar
E me fazer arrepender
Abrir os olhos, olhar para a curtina da janela
Ver sua ida e volta com o vento
E me fazer pensar que acordei na hora errada
E nenhuma hora está certa
Estão todas quebradas.
Me querendo fazer não acordar.
Acordar, e não ter nenhuma palavra para recitar
Nenhuma alma para costurar versos
A letra fica em toda garrancho
A mão cança mais rápido
Os olhos não leem tão rápido quanto antes, tropecando em cada vírgula e voltando para o início do parágrafo.
E ter medo de dormir de novo
Porque sei que vou acordar.
Tento agora uma nova poesia
Mas já vejo que francassei
Nenhum sentimento novo criei
Quantos entristecem, nesse mundo, quando a luz matutina lhe invade as córneas?
E nenhuma de minhas palavras impera sobre o resto do dicionário
Nada a ser mostrado na vitrine
Um único adorno sequer.
Verei se amanhã ou depois
Minha alma acorda
Se me dará bom dia
Que só saiu de casa mais cedo, sem me acordar
Que foi só um susto.
Detesto todos os aspirantes à alguma coisa
Já que nunca gostei de mim mesmo.

Existem fascículos de minha pessoa e vida que não me agradam
Fardos perpétuos os quais desprezo
Só a escrita para anestesiar a dor.
Mas o que seria de mim sem a escrita?
Ah,
Mas não existe escrita
Apenas sonho.
Não existem pinturas
Apenas sonho.
Não existe melodias
Apenas sonho.
O ser humano
É o sonho do próprio sonho
Onde o fantástico e o além é costumeiro
Ele sonha ser mais mundano.
Acorda, sonho!
Quero ver o teu mundano!

Quanto mais chamo o sonho
Mais ele se afasta de mim.
Queria o seu calor,
Está tão frio no meu quarto.
Já sinto os pingos da tempestade.
160

4th of July

When the rain falls around
I sing the anthem out loud
Don't call me whem I'm among the stripes
'cuz I'm the fool of the 4th of the July
154

The Bullet

Escuto a bala evacuando da pistola
O vento é perfurado com raiva
O cartucho jogado para trás
Sinto a bala me perfurar
Beliscar minhas têmporas e entrar.

Então eu escuto alguém carregando a arma para atirar.
173

Estação à Saudade

O dia está chegando
O dia em que as músicas estarão todas surdas
Quando os quadros todos cegos
Quando os livros mudos
E o poeta sem mãos para escrever.

Ainda se lembra
Quando sabia ler?
Quando cantava e tocava
Como se quem era gente?
Quando sonhava em ser alguém?
Quando rimava?

Os meus pensamentos estão todos moldurados
Totalmente acorrentados
A poemas de outrora
O eu lírico que me tanto amiguei
Partiu de volta para suas terras
Das quais não sei a estrada de cor
E da estação, ainda vejo, lá longe nos trilhos
O seu trem para casa

Saio da estação e compro um jornal
Os absurdos do cotidiano impressos em papel apressado;
Leio sem ler
Com aquelas palavras engolfadas
Pelo meus suspiros de saudade
Perguntando-me
Se tu ainda me lembras;
Encontro-me perdido
No rodapé da folha.

Desisto da leitura, e procuro escrever
Gritos invioláveis à alma
Tatuadas no papel.
Sem papel
Sem caneta
E sem alma
O que há de fazer um poeta sem filho para parir?
176

Homem

Se eu fosse um homem
Eu poderia sonhar e ser sonhado
Chorar e ser chorado
Até o fim dos meus dias
à dias do fim.

Se eu fosse um homem
Das montanhas perfuradas que eu construiria
Todas ruiriam
E todas cairiam sobre mim
No meu corpo já frio.

Se eu fosse um homem
Pensaria ser infinito
Olhando para o infinito
Na beirada de minhas fronteiras
E essas, eu tentaria destruir
Mas eu destruiria a mim mesmo.

Se eu fosse um homem
Nasceria estrangeiro ao vazio
E sentindo um calor patriota irancudo ecoando em mim
Fujiria para minha terra natal.

Se eu fosse um homem
Seria tudo sendo nada
Apenas no querer
E no querer,todo poderoso
Somos tudo o mais além de nós,
Pois se quiséssemos ser nós mesmos
Não sonharíamos ser outrem.

Se eu fosse um homem
Eu me ajoelharia rente ao nada
à espera de uma sombra na qual eu me encubriria

Se eu fosse um homem
Eu não sei o que eu não seria.
E é esse não saber
O não
Que me alegro em não ser homem.
172

O Último Sonhador

O último sonhador será o homem mais tolo da terra!
Menos tolos foram aqueles que não sabiam de nada!

Imundo pelos pensamentos imundos de seus antecessores.
Aquele que agregará todos os sonhos da que a raça humana já propôs:
Esse homem será o mais imbecil que há!
Preenchendo lacunas com mentiras.
A única certeza é a ignorânica: todas as nossa conclusões,
setiradas de pontos de vistas limitados,
doravante
também serão limitadas.
A ignorância é a única coisa que torna um homem são

Homens,de todas as eras,estudam,estudaram e estudarão uma parede branca
Cada um tateia uma parte da parede:
tiram conclusões precisas sobre tal parte da parede.
O último homem,esse último sonhador,
detendo o conhecimento agregado de todos os mestre:
tods que tocaram a parede e,
junto ao próprio tato,
chegará na conclusão última de que:
tratava-se de uma parede.
Mas não enxergou a porta detrás dele,pois estava de costas.
Estamos de costas,meus amigos,mas não podemos virar.
Se não podemos sentir,acurar,verificar todos os elementos do universo ao
nosso redor,relevantes ao nosso estilo de vida ou não,
como poderemos atravessar a porta se nem sabemos:
onde ela está
se ela realmente existe
e se nem nos importamos com a própria porta.
Queremos chegar ao lado de fora pela quina.
180

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