Leio uns versos quaisquer Bonitos Bem consturidos Mas comuns. Li ele em uma ruela da vida E vi como deveria ver: Apenas uma pedra dentre demais. São lindas as viagens de cada letras Porém não indígenas: Quantos bardares Já vi tão iguais? Terminando a valsa Já julgo serem versos marginais De um exímio amador tal qual meu patamar Quando vejo o autor:
Fernando Pessoa.
Então eu vejo uma poesia.
Se Pessoa fosse apenas uma pessoa Se o papel em que escreveu tivesse sido esquecido Na frente da tabacaria Só seria tinta rabiscada em uma folha vagabunda.
Nariz irritado Com perfume de engano Faz meu coração parar
Mas que mulher formosa Cheia de lágrimas para doar E criar
Seu olhos são um verdadeiro céu Queria poder voar neles Até chegar às estrelas de sua alma
Seu vestido azul irônico Contrasta com seu pai O Rei Carmesim
Consquistar o rei Para casar-se com tua filha Não sei se vale a pena
Mas o seu perfume engana,não é mesmo? Cheira a promessa Quero me casar com tuas promessas De dias melhores
Estou no aguardo Para a coroação da Rainha Celeste.
O pai dela me chama: "Quer saber como me tornei carmesim?" Eu respondi: "Eu já sei como se moldou. Muito,mas muitos costureiros Remendaram sua capa rubra uma costura para cada um assim sua capa faz sombra à todos"
O rei sorriu para mim. "Não quer costurar também?" Não pude negar. Mas descobri porque tantos homens remendaram a capa do rei carmesim Todos atraidos pelo perfume Daquela mulher formosa Mas seu perfume engana, não é mesmo?
176
The Sound Of The Trumpets
Oh, I feel the angels singing.... I don't hear But I feel
I feel In each hair on my arm The chords upon the clouds Reciting my name Echoing for all the paradise
I hear the run of the Horseman of Death... I don't feel But I hear
The steps that it lefts Whips all the land And where it stomps nothing grows anymore But it doesn't matter, no one ever burnd there.
He becomes cloud He covers the sun His shadow is the perlude of the nightmare -Oh,but mine is over. However, I didn't wake up yet.
Why I don't woke up already? Perhaps I have died in the dream With that sickle falling like a sound The sound of the trumpets.
150
Doll's eye
The elder shine Upon the men Tries to figure out What happened to them.
The dark light above the skull Pierces the calcium And, among the black in the eye hole Did you see? The call of the Others?
Você conhece o sonhos de uma formiga? Você olha nos olhos de um tubarão E só há negro. Sabe que se implorar pela vida Suas preçes se afogam no escuro do olhar. Ele sabe que você é vida Mas não se importa?
156
Arte
O espectador é a mais suprema forma de arte: versátil, ele a tudo se transforma e a tudo significa. A verdadeira beleza de uma obra está em que a admira, como se quem fosse espectador fosse a própria obra. A obra é apenas uma porta de entrada para o sentir, e quem a observa sente-a como ela nunca faria em retorno, e muito mais além do próprio sentir. A arte é estática, mesma as que representam cinemática, pois as mesmas são efêmeras,assim como nós. Talvez seja por isso que procuramos arte: ou um espelho quebrado de nossa própria natureza, ou então para assistir um espetáculo mais finitos que nós Para nos sentirmos além do fim.
185
Acordar
A tempestade -Não sinto o chão Debaixo de mim
Que piada de mal gosto da vida Me fazendo acordar E me fazer arrepender Abrir os olhos, olhar para a curtina da janela Ver sua ida e volta com o vento E me fazer pensar que acordei na hora errada E nenhuma hora está certa Estão todas quebradas. Me querendo fazer não acordar. Acordar, e não ter nenhuma palavra para recitar Nenhuma alma para costurar versos A letra fica em toda garrancho A mão cança mais rápido Os olhos não leem tão rápido quanto antes, tropecando em cada vírgula e voltando para o início do parágrafo. E ter medo de dormir de novo Porque sei que vou acordar. Tento agora uma nova poesia Mas já vejo que francassei Nenhum sentimento novo criei Quantos entristecem, nesse mundo, quando a luz matutina lhe invade as córneas? E nenhuma de minhas palavras impera sobre o resto do dicionário Nada a ser mostrado na vitrine Um único adorno sequer. Verei se amanhã ou depois Minha alma acorda Se me dará bom dia Que só saiu de casa mais cedo, sem me acordar Que foi só um susto. Detesto todos os aspirantes à alguma coisa Já que nunca gostei de mim mesmo.
Existem fascículos de minha pessoa e vida que não me agradam Fardos perpétuos os quais desprezo Só a escrita para anestesiar a dor. Mas o que seria de mim sem a escrita? Ah, Mas não existe escrita Apenas sonho. Não existem pinturas Apenas sonho. Não existe melodias Apenas sonho. O ser humano É o sonho do próprio sonho Onde o fantástico e o além é costumeiro Ele sonha ser mais mundano. Acorda, sonho! Quero ver o teu mundano!
Quanto mais chamo o sonho Mais ele se afasta de mim. Queria o seu calor, Está tão frio no meu quarto. Já sinto os pingos da tempestade.
160
4th of July
When the rain falls around I sing the anthem out loud Don't call me whem I'm among the stripes 'cuz I'm the fool of the 4th of the July
154
The Bullet
Escuto a bala evacuando da pistola O vento é perfurado com raiva O cartucho jogado para trás Sinto a bala me perfurar Beliscar minhas têmporas e entrar.
Então eu escuto alguém carregando a arma para atirar.
173
Estação à Saudade
O dia está chegando O dia em que as músicas estarão todas surdas Quando os quadros todos cegos Quando os livros mudos E o poeta sem mãos para escrever.
Ainda se lembra Quando sabia ler? Quando cantava e tocava Como se quem era gente? Quando sonhava em ser alguém? Quando rimava?
Os meus pensamentos estão todos moldurados Totalmente acorrentados A poemas de outrora O eu lírico que me tanto amiguei Partiu de volta para suas terras Das quais não sei a estrada de cor E da estação, ainda vejo, lá longe nos trilhos O seu trem para casa
Saio da estação e compro um jornal Os absurdos do cotidiano impressos em papel apressado; Leio sem ler Com aquelas palavras engolfadas Pelo meus suspiros de saudade Perguntando-me Se tu ainda me lembras; Encontro-me perdido No rodapé da folha.
Desisto da leitura, e procuro escrever Gritos invioláveis à alma Tatuadas no papel. Sem papel Sem caneta E sem alma O que há de fazer um poeta sem filho para parir?
176
Homem
Se eu fosse um homem Eu poderia sonhar e ser sonhado Chorar e ser chorado Até o fim dos meus dias à dias do fim.
Se eu fosse um homem Das montanhas perfuradas que eu construiria Todas ruiriam E todas cairiam sobre mim No meu corpo já frio.
Se eu fosse um homem Pensaria ser infinito Olhando para o infinito Na beirada de minhas fronteiras E essas, eu tentaria destruir Mas eu destruiria a mim mesmo.
Se eu fosse um homem Nasceria estrangeiro ao vazio E sentindo um calor patriota irancudo ecoando em mim Fujiria para minha terra natal.
Se eu fosse um homem Seria tudo sendo nada Apenas no querer E no querer,todo poderoso Somos tudo o mais além de nós, Pois se quiséssemos ser nós mesmos Não sonharíamos ser outrem.
Se eu fosse um homem Eu me ajoelharia rente ao nada à espera de uma sombra na qual eu me encubriria
Se eu fosse um homem Eu não sei o que eu não seria. E é esse não saber O não Que me alegro em não ser homem.
172
O Último Sonhador
O último sonhador será o homem mais tolo da terra! Menos tolos foram aqueles que não sabiam de nada!
Imundo pelos pensamentos imundos de seus antecessores. Aquele que agregará todos os sonhos da que a raça humana já propôs: Esse homem será o mais imbecil que há! Preenchendo lacunas com mentiras. A única certeza é a ignorânica: todas as nossa conclusões, setiradas de pontos de vistas limitados, doravante também serão limitadas. A ignorância é a única coisa que torna um homem são
Homens,de todas as eras,estudam,estudaram e estudarão uma parede branca Cada um tateia uma parte da parede: tiram conclusões precisas sobre tal parte da parede. O último homem,esse último sonhador, detendo o conhecimento agregado de todos os mestre: tods que tocaram a parede e, junto ao próprio tato, chegará na conclusão última de que: tratava-se de uma parede. Mas não enxergou a porta detrás dele,pois estava de costas. Estamos de costas,meus amigos,mas não podemos virar. Se não podemos sentir,acurar,verificar todos os elementos do universo ao nosso redor,relevantes ao nosso estilo de vida ou não, como poderemos atravessar a porta se nem sabemos: onde ela está se ela realmente existe e se nem nos importamos com a própria porta. Queremos chegar ao lado de fora pela quina.