monteiro_damaceno

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Velhice

Quando assalto as almas de ideias
E prendo-as no papel
Elas perdem tanto o seu primor.

Creio que seja o trauma sofrido por elas
De deixarem de ser além da matéria
E tornarem-se letras.

O trauma é, de tal modo,
que envelhecem bem novas,
E quando vou em suas folhas
Não me parecem ideias de outrora.

Fico caçando a ideia nas vírgulas
E tento-me achá-la em mim:
Mas ai lembro que a sequestrei
E tornei menos alma e mais gente.

Antes, uma cara vigorosa
Cheia de saúde
As veias que apareciam
Eram rígidas com vontade
Mas agora seus olhares são tão esmos
Tão fracos que parecem querer desgrudar da cara;
Suas pernas, antes tão vigorosas,
Agora cheias de varizes irancudas
Sedentas de vingaça
Pela minha lesa à majestade.

A natureza faz de propósito
Para que eu não as admire mais
Mas eu, o que tenho a perder?
Apenas um júbilo a menos em meus dias
E as ideias, coitadas
Para sempre idosas na idade de 5
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Poemas

36

The Bullet

Escuto a bala evacuando da pistola
O vento é perfurado com raiva
O cartucho jogado para trás
Sinto a bala me perfurar
Beliscar minhas têmporas e entrar.

Então eu escuto alguém carregando a arma para atirar.
168

Pequena Nina

Pequena Nina de vida pouca
Nasceu e morreu chorando
Choro esse menor que o meu
Quanto te vi me deixando
Esquecendo a vida no apogeu

Minha alma já está rouca
Há anos que estou gritando
Pois minha voz já pereceu
Aos poucos me abandonando
Não há homem moribundo como eu

Você, solidão, está louca
Se acha que está me incomodando
Não sabes pois nunca sofreu
Perder um amor estando ainda amando
Não te vejo no meio deste breu

Não me importo com paixão tampouco
Que de todos eu fosse me isolando
Menos de meu pequeno anjo que já morreu
Não posso sentir teu corpo se aproximando
Pois de amores e felicidade,já sou ateu
149

Roteiro

O roteiro, em sua quintessência
É a fúria em si
É a cópia da realidade
Que o autor tanto odeia
Pois se não por isso
Não estaria fingindo o real
No pedaço de papel

É a refração da vida
Na água de um copo prismado

É borrar um quadro já pintado
De cores que não deviam estar lá

O único erro de um roteiro são as palavras
É pintar um quadro com cores que já existe
Enquanto uma nova cor não nascer
O pintor não deixará de ser humano
Mas quando o ser humano será pintor?
175

Vertigem

Na entalpia de sua alma,me guio
De rastros te sigo
Por puro vertigo

Sim,vertigem tua alma me faz parir
Assim não consigo te seguir
Quer me fazer desistir?

Deve ser algum mecanismo de defesa
Não quer que um homem de safadeza
Macule sua interna beleza?

Vejo agora que não é tua intenção
Ir com seu coração na minha contra-mão
Pois sou uma sombra em tua escuridão

Tua indiferente alma me faz tremer
Desejo voltar a me entender
Cego-me para voltar a ver
161

Camarim

Te olho,mas não te vejo
Me enxergando
Apenas seus olhos
Me olhando
Oblíquo
Sem verem o que há detrás da cortina
Os bastidores de minh'alma

Imaginando fantasias
Que não fantasio
Se é que pensas
que fantasio com tuas fantasias
Que não são minhas
[e furto-as do mesmo jeito
Mas enxerga o eterno balé
Rodopiante no camrim
No chão de madeira do palco
enxarcado de lágrimas minhas
já de outrem

Tu não imaginas
só me enxergas
Não te enxergo mais
Depois de tantas fantasias

Também não enxergo teu balé
Mas eu aspiro tanto
Ser seu bailarino
Mesmo não sabendo dançar
[ou amar
Tu não me ouves
Tu nunca me quiseste
Como eu te quis

Quero não te querer mais, mas mostra-se uma tarefa árdua nessa madrugada de paixão.

O/v/e/r/s/e/i/r/o/i/n/a/n/i/m/a/d/o

Prosado
Versado
Envergado
Para o céu sem ninguém
Estrelas que nunca amaram alguém
São paixões de outrem
Olhando muito além
Mais profundo do que qualquer
[amém
Rimas de Santárem
Aqueles que as cantarem

Versos deformados e obscuros
Cujos sentidos escapam do próprio autor
Pois a verdadeiro obra está no leitor
no espectador
admirador

No fatal corte da solidão...
Não a sinto. Não. não.
Não há o que se doer
Em míseras palavras de
Adolescente.
209

Homem

Se eu fosse um homem
Eu poderia sonhar e ser sonhado
Chorar e ser chorado
Até o fim dos meus dias
à dias do fim.

Se eu fosse um homem
Das montanhas perfuradas que eu construiria
Todas ruiriam
E todas cairiam sobre mim
No meu corpo já frio.

Se eu fosse um homem
Pensaria ser infinito
Olhando para o infinito
Na beirada de minhas fronteiras
E essas, eu tentaria destruir
Mas eu destruiria a mim mesmo.

Se eu fosse um homem
Nasceria estrangeiro ao vazio
E sentindo um calor patriota irancudo ecoando em mim
Fujiria para minha terra natal.

Se eu fosse um homem
Seria tudo sendo nada
Apenas no querer
E no querer,todo poderoso
Somos tudo o mais além de nós,
Pois se quiséssemos ser nós mesmos
Não sonharíamos ser outrem.

Se eu fosse um homem
Eu me ajoelharia rente ao nada
à espera de uma sombra na qual eu me encubriria

Se eu fosse um homem
Eu não sei o que eu não seria.
E é esse não saber
O não
Que me alegro em não ser homem.
169

Doll's eye

The elder shine
Upon the men
Tries to figure out
What happened to them.

The dark light above the skull
Pierces the calcium
And, among the black in the eye hole
Did you see?
The call of the Others?

Você conhece o sonhos de uma formiga?
Você olha nos olhos de um tubarão
E só há negro.
Sabe que se implorar pela vida
Suas preçes se afogam no escuro do olhar.
Ele sabe que você é vida
Mas não se importa?
153

Candle

A tinta da caneta
É a sombra da alma.
Rouba-lhe o contorno,
Mas só sob a luz
A vida se revela.

A vela no meio da mesa
Majesta no escuro,
Que sem sua luz,
As sombras, suas servas
Não estariam ali.

Vivendo nos domínios do claro
Não ousam viver na fronteira da vida,
Pssando do real,
Se mesclando com o vazio.

Elas todas
Silhuetas de outrem,
Nenhum conteúdo original,
Sem núcleo no próprio ser.

Se a sombra de minha caneta
Soubesse quem lhe empata a luz
Ela não se chamaria de mais ninguém.

Se eu apagar a vela
Eu cego ou eu sumo?
195

Aplausos

Odeio de cor
Os aplausos já esperados
Depois de um corar de um poema
Quebrando amoralmente
A quietude da palavra
167

The Sound Of The Trumpets

Oh, I feel the angels singing....
I don't hear
But I feel

I feel
In each hair on my arm
The chords upon the clouds
Reciting my name
Echoing for all the paradise

I hear the run of the Horseman of Death...
I don't feel
But I hear

The steps that it lefts
Whips all the land
And where it stomps nothing grows anymore
But it doesn't matter, no one ever burnd there.

He becomes cloud
He covers the sun
His shadow is the perlude of the nightmare
-Oh,but mine is over.
However, I didn't wake up yet.

Why I don't woke up already?
Perhaps I have died in the dream
With that sickle falling like a sound
The sound of the trumpets.
146

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