Quando assalto as almas de ideias E prendo-as no papel Elas perdem tanto o seu primor.
Creio que seja o trauma sofrido por elas De deixarem de ser além da matéria E tornarem-se letras.
O trauma é, de tal modo, que envelhecem bem novas, E quando vou em suas folhas Não me parecem ideias de outrora.
Fico caçando a ideia nas vírgulas E tento-me achá-la em mim: Mas ai lembro que a sequestrei E tornei menos alma e mais gente.
Antes, uma cara vigorosa Cheia de saúde As veias que apareciam Eram rígidas com vontade Mas agora seus olhares são tão esmos Tão fracos que parecem querer desgrudar da cara; Suas pernas, antes tão vigorosas, Agora cheias de varizes irancudas Sedentas de vingaça Pela minha lesa à majestade.
A natureza faz de propósito Para que eu não as admire mais Mas eu, o que tenho a perder? Apenas um júbilo a menos em meus dias E as ideias, coitadas Para sempre idosas na idade de 5
Leio uns versos quaisquer Bonitos Bem consturidos Mas comuns. Li ele em uma ruela da vida E vi como deveria ver: Apenas uma pedra dentre demais. São lindas as viagens de cada letras Porém não indígenas: Quantos bardares Já vi tão iguais? Terminando a valsa Já julgo serem versos marginais De um exímio amador tal qual meu patamar Quando vejo o autor:
Fernando Pessoa.
Então eu vejo uma poesia.
Se Pessoa fosse apenas uma pessoa Se o papel em que escreveu tivesse sido esquecido Na frente da tabacaria Só seria tinta rabiscada em uma folha vagabunda.
209
Colombo
Você é o meu Novo Mundo Você é a milha Marília Teu olhar já me exila Desconheço um mais profundo
Navego para além dos sentidos Para contornar o seu amor O vazio só me causar dor Suas terras já tinham nativos
Meu nome é Colombo Descobri o amor Achando que era coisa qualquer Carrego no ombro Tremenda dor A de que você não é minha mulher
Queria ter morrido antes de saber Que você não é uma Você é "A"
161
Ruelas
Nado sem água Respiro sem ar Enxergo sem luz Sinto sem pele
Queimo-me sem fogo Falo sem boca Penso sem mente E morro sem vida
Tudo que me torno e sou São em palavras escorregadias Que me deslizam Para lá e para cá Atravessando suas ruelas E vejo nas varandas das casas, Todas as suas vidas, roubadas ou não.
Prosadas ou não, Perfeitas ou não.
169
Right In The End
As I wish for dearth Its grey eyes Avoid all my senses Am I unworthy? Am I a sinner? Why I cannot be happy Once in life? -Right in the end When no one will be disturbed? No one stay in the exit Only the smokers With black lungs And red speech
Exploing my head Without reason No poetry in death Only souless blood drops
148
Perfume
Nariz irritado Com perfume de engano Faz meu coração parar
Mas que mulher formosa Cheia de lágrimas para doar E criar
Seu olhos são um verdadeiro céu Queria poder voar neles Até chegar às estrelas de sua alma
Seu vestido azul irônico Contrasta com seu pai O Rei Carmesim
Consquistar o rei Para casar-se com tua filha Não sei se vale a pena
Mas o seu perfume engana,não é mesmo? Cheira a promessa Quero me casar com tuas promessas De dias melhores
Estou no aguardo Para a coroação da Rainha Celeste.
O pai dela me chama: "Quer saber como me tornei carmesim?" Eu respondi: "Eu já sei como se moldou. Muito,mas muitos costureiros Remendaram sua capa rubra uma costura para cada um assim sua capa faz sombra à todos"
O rei sorriu para mim. "Não quer costurar também?" Não pude negar. Mas descobri porque tantos homens remendaram a capa do rei carmesim Todos atraidos pelo perfume Daquela mulher formosa Mas seu perfume engana, não é mesmo?
173
Depois dos créditos
Em lágrimas se afogou Tornou-se Ofélia que não era só sua
Debruçado aos gritos surdos da meia-noite Gritos iguais sussuros
Já não respira no leito No chão, já tinha sua cova
Viu a beleza da moça, mas acabou; Já tirou sua pele e carne, volta a terra
Naquela barro batido, os grãos sinalizam A beleza dela, justa pois finita
Mas não seja por isso. Que quando nascer de novo, cá estará ele.
151
Imbecilidade Ornamentada A Ouro
Banho os interpérios de minha mediocridade Com palavras rebuscadas em demasia
Disfarço minha ignorância com sagacidade Com alegorias e fantasia
Comtemporâneos como eu,que possuem tal habilidade Fluem à favor da maresia
mesmo a contragosto; sinto esta tempestividade também nego, me engolfo em teimosia
Nós nos recusamos a admitir tamanha promiscuidade Equipararmo-nos com a ralé sem assepsia
Mas nós somos imbecis igual ao resto da cidade Não é justo tratar-lhes com tanta descortesia
153
Bonne nuit, Julia - O manequim
A chuva que nos coloniza Que ara a terra de nossa pele Que cai como Lúcifer em nossos pelos Cobre feito véu Nosso belo adeus.
Ela tenta, em vão Que todos os outros não vejam nosso partir Achando que suas gotas Vão tão grossas quando concreto Mas, entre todo esse universo entre elas Um intrometido qualquer pode avistar Nosso requíem de paixão Como uma criança Em uma fechadura feita de chuva.
O vento nos arranha igualmente Talvez por pura cólera Por dar fim nossa própria festa. Ou seja ele nos puxando Para perto um do outro Tão violentamente e dessesperadamente Que já começa a chorar de temor (a chuva, lágrimas suas, trovões, seus berros)
O neon do letreiro do cinema Falha e pisca Sua existência começar a falhar Ao ver o precipício do cadafalso.
A chuva para: O vento finalmente aceitou o fim de sagrado matrimônio, Como uma mãe que deixa para trás seu filho amado, Deitado no caixão. Mas o corpo apodrece, O corpo começa a feder. O miasma ali nasce. Quando o cheiro de mormaço sobe É o chão tentando nos avisar Do que será o mundo sem nosso amor.
Mas eu lhes digo que basta! Quando o cheiro sobre, já não vejo ela. Ela já virou a esquina. Já estou a caminho de casa. Mais um episódio de paixão De uma grande odisséia amorosa. Cada pessoa por quem me apaixonei Tornaram-se apenas paixão, O amor nunca veio. A única por quem eu tenho verdadeiro, genuino E inexorável amor É a própria paixão.
Eu amo a paixão: Todas as pessoas por quem me apaixono São apenas vestidos dessa bela mulher Que é só minha -Pelo menos,foi o que ela me disse.
Eu penso em como vivem esses homens e mulheres Que trocariam essa mulher pelo vestido: Jogando-a no lixo, E colocando um manequim no seu lugar Apenas para ver o vestido em alguma silhueta. O carmesim dessa seda é tão bela assim?
198
4th of July
When the rain falls around I sing the anthem out loud Don't call me whem I'm among the stripes 'cuz I'm the fool of the 4th of the July
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Maresia
Sempre procuro outros sonhos Que não sejam amor: Viajando na beirada das estrelas Deslisando os dedos nos anéis de Saturno Dormindo com nebulosas, estas chovendo em meus cabelos.
Essas icógnitas São-me tão mais belas Tão mais fáceis de namorar Do que o amor Esse matagal sem insetos ou animais Só um verde simples E eis que mora o ventre do perigo: Sem desafios,,só se ver o belo verde Onde se mergulha E não se vê fim. Se afoga no lamaçal em seus pés E se enoja. E quando escapa Fica menos crente de suas belezas Até que desiste.
Nunca beijei Nunca transei Mas nunca odiei quem o faz ou já fez; Pesadelos meus não maculam sonhos alheios Mas a alegria destes só sujam minhas vistas. Mas,respiro fundo, E limpo os meus olhos.
E,na enseada no fundo do cosmos, Vejo a maresia ir e voltar, As estrelas dançando como água, E respingarem. Eu espero,ansioso O dia em que amarei e deixarei de amar Para compartilhar com vocês Meus devaneios e companhias.