Flutuando, onde vais corpo, onde vais mente? Sinto a brisa, sinto a caricia suavemente, Liberdade, voando pelos campos, pelo ar É cheiro a flores, cheiro a arvores, cheiro a mar
Suave é esta brisa, suave é este movimento, Não peço mais, só quero este sentimento Leva-me suavidade, leva-me liberdade,
De quem é esta força de onde vem? de mim? Ao parar não sei se é o início ou o fim. Perdi-me, mas que importa saber um caminho? Não quero o certo, não quero um destino
Tu foste Um pai especial, Um pai genial, Um pai intelectual E por vezes também radical. Foste sempre, Assumidamente um ser errante, Deveras inteligente Enfim…um personagem apaixonante. Ai, pai se tenho saudade, Saudade desses jornais todos que lias Espalhados pela casa e pelo carro E até do cheiro desse maldito cigarro. Mas, sabes pai, o que é mais complicado? Que aqueles telefonemas ao sábado já não vão acontecer E a tua opinião sobre tudo o que se passa no Mundo Que eu já não vou saber. E sabes pai, o que é maravilhoso? Que quer quando olhamos para trás, quer quando olhamos para a frente Quer nos nossos sonhos ou nos nossos projetos, Estás sempre lá, estas sempre presente, Sinto-te em mim, sinto-te nos teus netos E sei que estarias mais do que orgulhoso.
799
A do meio
Doce bebé, nem por segundos te queria largar Ia trabalhar, beijava-te e tinha vontade de chorar Cinco horas sem ti, não sabia como aguentar Como é delicioso te ter, como é bom te amar.
Anos depois, pela minha mão saltitavas, todo o caminho a cantarolar Esses magníficos saltinhos que me faziam transbordar de alegria. Crescida, agora, não há no Mundo com quem eu possa melhor conversar Ninguém que me dê mais prazer em companhia.
Admiro essa tua beleza da qual nem tomas conhecimento Tuas poucas palavras cheias de sentimento Tua inocência, timidez, delicadeza e juventude Tua pela macia, teus olhos meigos e teu perfume
Adoro quando desenhas, quando sonhas e quando escreves Adoro quando confiando algo importante me pedes Adoro quando te soltas e saboreias liberdade Adoro quando me vens matar a saudade
795
Minha querida Félix
Pelos largos campos te vejo no sonho a correr ao anoitecer, Teus negros cabelos encaracolados a esvoaçar no vento Corres, choras, ofegante cansada, desesperada, sempre a sofrer Não interessa a hora, ou o dia ou o mês, que interessa o tempo?
Dona da inocência, da bondade e simplicidade Dona de delicadeza, timidez e educação Bordavas, costuravas, dominavas todas essas artes á mão, Fada doce dona da magia, dona do amor e da saudade.
Falar-te-ia, hoje, sobre os fatos para as bonecas que fizemos, Sobre as lantejoilas no lindo vestido de bailarina, Sobre as brincadeiras, canções e meus protestos, Sobre os sons da tua rua que mais nenhuma rua tinha.
Mas e os cozinhados avó? Ai que iguarias delirantes! Ainda as sei! Sei sim… o cheiro e o sabor e a beleza dessas requintadas delicias, Essa arte que nascia entre conversas, risos, lágrimas e confidencias, Com paciência, com talento, sempre fada, irmã, esposa e mãe. Tua neta Patrícia
796
Voar
Flutuando, onde vais corpo, onde vais mente? Sinto a brisa, sinto a caricia suavemente, Liberdade, voando pelos campos, pelo ar É cheiro a flores, cheiro a arvores, cheiro a mar
Suave é esta brisa, suave é este movimento, Não peço mais, só quero este sentimento Leva-me suavidade, leva-me liberdade,
De quem é esta força de onde vem? de mim? Ao parar não sei se é o início ou o fim. Perdi-me, mas que importa saber um caminho? Não quero o certo, não quero um destino
861
NUNCA
Nunca deixar de ler, nunca deixar de escrever, Nunca deixar de sonhar, de desejar, de querer, Nunca deixar a esperança, nunca deixar de amar, Nunca deixar de pensar, pesquisar e explorar, Nunca ficar quieto, nunca deixar de voar, Nunca deixar de sentir e de imaginar.
Insistindo Em falar, conversar, perguntar Observar, criar, partilhar Cantar, tocar e dançar
Memorizando O cheiro, a temperatura e a cor, O macio, o áspero e o sabor, A saudade, o amor e a fúria, A frase, o verso e a história.
802
Saudade
Esta saudade consome-me, aperta-me não sei o que lhe fazer. É este sentimento infinito que me acompanha sempre e não tem solução. Quero a tua companhia, a tua conversa, o teu olhar. Tanta coisa que fica por dizer. Preciso de ti, tu não podias partir, toda a gente podia, mas tu não!
Ai se o universo fosse feito ao contrario e se o presente se volta ao passado. Eu podia te abraçar outra vez e podia não te largar mais, eu não te deixava ir. Não te largava pai, até esse passado se transformar no presente desejado E só um dia muito mais tarde podíamos juntos partir.
786
A madrugada
A culpa é dos trovões em mim, Esses que se apoderam do meu ser, Quando vão embora Fica a briza que me abraça E me faz crescer.
Então escrevo durante esse breve momento, Entre os trovões e a briza raros momentos que acontecem sem eu mandar, assim sem eu querer.
Escaços momentos iguais á madrugada, aquela que se sente, que se cheira, que não queremos ver terminar, que não queremos esquecer.
808
Solidão
É de dentro, de dentro, como uma chama, eu expulso de mim e aguardo quem apanha. Será para longe, será para perto, será hoje que vai empurrada no vento?
Nessa dor que ninguém vê dessa lágrima que já está seca, eu me escondo de quem me lê e talvez de quem me interpreta.
E é nesse abraço que não existe, nesse olhar que não acontece, nessa estrada onde não amanhece, que mais esse vazio persiste.