Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... não tens nada com o que te preocupares, realmente;
como cão niilista, a única coisa que eu poderia fazer
é te desprover dessa sua fausta realiza e te comer como uma puta dourada!
261
ATÉ O MAIOR DOS AMORES E A MAIOR DAS DORES SÃO VAIDADE
Até na dor mentimos para nos amparar, de alguma forma, a nós mesmos;
por exemplo, se digo que me dói (dela) a saudade e a solidão que ela deixou,
não estaria eu a cometer a mais soberba das vaidades por amá-la ainda desse modo,
sem que ela, por passagem de morte e por não ter mais escolha, exercer o mesmo direito?
121
PESOS E PESADELOS
Há pesos demasiado excessivos ao ser humano.
Há ocasiões em que se dobram até os mais fortes joelhos.
E, essas horas, invocados são todos os deuses para o utópico sonho de um amanhã mais ameno.
Sim, sempre o dia seguinte: Só ele contéem tanto o contraveneno ao presente, como o alívio do apagamento!
189
QUEM SABE AINDA CONSEGUEM MINAAR MEU DESERTO?
A diferença entre os deuses e os mortais parece ser realmente a de que aqueles andam em retas,
e nós em lindas, belas, sensuais e instigantemente extáticas curvas;
ou seria vice-versa?
164
OI, ESPELHO!
... minha vara não é diferente de tua barca;
assim como ela navegou com tantas velas e mastros,
a minha caiu em tantos buracos,
que, como tu, não sei mais diferenciar, um céu, um sonho, um mar ou uma privada!
141
APRENDIZADO
Eu nada tenho
a ensinar que também não
tenha aprendido
com meus outros
semelhantíssimos irmãos
igualmente
sábios, soberbos e abnormalmente
humanos!
diante do sincero
silêncio de seus espelhos
ou dos vaidosos reflexos de suas fantásticas
imagens!
211
A NOSSA VERDADE!
Tento entender como me perguntam o óbvio do ser;
em um recanto como este, em sociedades civis, religiosas, militares, em congregações esportivas,
em reuniões por motivos quaisquer, entre familiares e amigo e sobretudo com o cônjuge e com os filhos que dizem amar,
os sapiens andam da melhor maneira possível, moral, ética e espiritualmente, tentando exercer suas escolhas da maneira que pareça mais íntegra e honestas possível,
agindo mesmo como se fossem anjos em carnes de formigas.
Mas eu já revelei que, todos, absolutamente todos, assim o fazem quando não estão sozinhos, sempre omitindo o que verdadeiramente lhes move:
sonhos, desejos secretos, fantasias ardentes e vadias e libidinosidades que temem revelar até ao próprio espelho, quando de frente e nuamente visto!
213
DESNUDEZ
Choveu o céu cristais de gelo nunca antes vistos quando a grande angústia alcançou nuvens horizontais que pairavam escondendo, em sua moldura azul, todo o infinito condenado em suas estranhas frialdades.
Desnudou-se-me a imensidade em vultos frios e mortais. E da terra umedecida pela chuva abismal percebi que minhas frágeis asas, oníricas e desvairadas, convergiam-se em um manto estranho e mortal para, depois, desaparecerem-se com a minha nudez tantas vezes escondida.
Vi-me então como jamais antes me fora visto de meus esconderijos. E grande temor se me apossou com as muralhas destruídas que tantas vezes abrigaram mundos em atuações incompreendidas.
Foi então que percebi que o céu, e o além- dele, e o tudo que há nada mais fora ou venha a ser que o nada que me habita em imagens falsificadas.
Desnudei-me enfim e, no cansaço e dor extrema da queda fatídica, vieram beber de minhas entranhas expostas todos os anjos mascarados de alvo branco, e todos os demônios assumidos em seus delírios, e todos os demais seres bizarros na multidão ainda de mim desconhecida, deixando-me espalhado macabramente, sem essência alguma, numa fina névoa de poeira, sombriamente oculta em teus semblantes.
146
A CÉZAR O QUE É DE CÉZAR
... teus olhos, teus peitos e tua vulva
muitos já viram; e eu já vi muitos olhos, peitos e vulvas como e até melhores que as tuas;
a questão, baby, é que acho que ninguém, além de mim, viu o mais fundo de teus fundos,
onde carregas, ocultamente, as zonas mais absortas e loucas de tuas sombras!
226
POR UMA NOITE
Não fales alto: depois de tanto tempo em chuvas, acabamos de fazer amor
- se olhares pela janela, verás que as estrelas ainda estão gozando,
tremeluzidamente -
e necessitamos paz, pelo menos nesta noite;
deixa, pois, todo o resto, e sussurremos somente coisas que nos alivie a dor.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*