NÃO SOBREVIVI
Semienlouquecido com tua precoce e definitiva partida, procurei sedentro outros mares para beber, do tipo que pudesse amenizar, mesmo que um pouco, meus sóis em solitários queimores sem controle: acabei me transformando num subrevivente de indulgências em leitos diversos, entre um e outro corpo, com meu corpo em brasas, com meu coração a sangrar exangue e com minha alma vazia!
ATÉ O MAIOR DOS AMORES E A MAIOR DAS DORES SÃO VAIDADE
Até na dor mentimos para nos amparar, de alguma forma, a nós mesmos; por exemplo, se digo que me dói (dela) a saudade e a solidão que ela deixou, não estaria eu a cometer a mais soberba das vaidades por amá-la ainda desse modo, sem que ela, por passagem de morte e por não ter mais escolha, exercer o mesmo direito?
O COSMO SE DOBROU EM LUTO
... se pode o amor durar uma eternidade como muitos juram por aí em seus jardins, em delírios em seus leitos carmesins, em seus céus sem fim; por que o meu luto por ela, a quem tanto amei, não pode também, durar para um infinito além do qual tocar a razão e a imaginçação possan?
QUEM SABE AINDA CONSEGUEM MINAAR MEU DESERTO?
A diferença entre os deuses e os mortais parece ser realmente a de que aqueles andam em retas, e nós em lindas, belas, sensuais e instigantemente extáticas curvas; ou seria vice-versa?
QUANDO SE FAZ DE TODO MOMENTO O INFINITO MOMENTO
Só os tolos sanjos não percebem que onde sobra a id, o desejo, a soberbia em fomes e sedes insciáveis de canibalismos, de filosofias, de conhecimentos e de avessos antropofagismos é exatamente onde mais urge a vida, devido ao insconsciente pressentimenxo da morte iminente!
O DESPERTAR DAS CRISÁLIDES
Ventos assoviam mansamente vestígios das cenas, entrelaçando coisas e destinos em labirintos confluentes de cios caudais. O sereno frio molha o silêncio da noite, enquanto beijos verborrágicos envilecem o alvorecer. Flores se vestem de sutis cores, embalando primaveris encantos, enquanto folhas secas caem no compasso dos sonhos. Pássaros voam mistérios em dorsos esplêndidos, enquanto vermes se omitem em cernes esquálidos. Lendas vivas (ou mortas?) regozijam feitos nobres, enquanto nunes incautos imergem-se em devaneios. Gêneses císmicas surgem nos giros do tempo, enquanto o momento morre em meus versos. O silêncio me abraça em cinzas. O frio exangue percorre meus veios. E adormeço em ebúrneo vácuo!
À ALVORADA, O DIA SERPENTEIA VAZIOS
Hoje sonhei-me mistério no caminho de flores a bordarem, entre espinhos, enlaces com estilhaços de luz. Na imensidão dos mares a abarcarem, entre ondas, náufragos com cacos de esperanças. No pendular dos ventos a embalarem, entre calidezes, vicejares de instantes. No carpintar das nuvens a adornarem, entre céus, pássaros flutuantes. E, como via poesia até na verborragia dos homens, desconfiei-me de mim e acordei a refletir, entre chuvas, precipícios e vazios.
MORREREI, MAS NÃO MATARÃO MINHA SOMBRA!
Anjos, anjinhos sapiens anjinhos como eu, paralisaram meus sonhos mais sublimes, detonaram minhas esperanças mais firmes, beberam de meu suor, de meu sangue e de meu sêmem derramado em estranhos êxtases nos gloriosos campos e nos brancos leitos da terra; e tais como eu foram-se morrendo entre erros, tropeços e autovenenos injetados com imagens de toda orden, como eu!
APRENDIZADO
Eu nada tenho
a ensinar que também não
tenha aprendido
com meus outros
semelhantíssimos irmãos
igualmente
sábios, soberbos e abnormalmente
humanos!
diante do sincero
silêncio de seus espelhos
ou dos vaidosos reflexos de suas fantásticas
imagens!
CIRCUNSTÂNCIAS
Queria olvidar meus devaneios perenes pelos reinos das flores e dos girassóis, onde tantas vezes queimei minha pele e adoeci minhas tênues quimeras. Por isso retornei ao naufrágio perdido das noites onde aspergíamos escombros nos enlaces encantados das palavras. Não repares este sorriso com lágrimas silentes, venho de uma longa caminhada onde lendas regozijavam seus lumes ubíquos. Não me perguntes o que fui fazer lá, pois o silêncio dos mortos ainda singra em mim, vertiginando-me em ásperas reminiscências do desalinho. Pois tu não sabes que a maior angústia não foi andar entre vultos florescentes, mas perceber neles o espelho que refletia meu cerne espúrio.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*