Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
EU NOS DECLARO: INDUBITÁVELMENTE SOMOS RATOS SURTGDOS DE UMA RETAL ABERRAÇÃO CÓSMICA!
... vejo vermes,
vejo ratos, vejo cães,
vejo baratas
desdignificados,
vestidos de branco nas igrejas
como se fossem ministros de Nosso
Senhor,
autoconsiderados
privilengiadíssimos filhoos de Deus;
sim, todos os dias
eu vejo os ratos quando saem
e quando voltam para suas cassas,
após desenorarem, mentirem, quebrarem
juramentos e tratos
para ensnarem
a seus filhos como a serem cada
vez mais, sob o escudo do que chazmam
de amor e fé,
como a serem,
ao crescerem, também igualmente
eficazes e sujos ratos, de anjos
disfarçados!
129
TUA LUZ ME CONSOME
De tudo e de todos, ouvia apenas sussurros soçobrados, incapazes de despertar-me do sono em que estava. E como as folhas envelhecidas, levadas pelo vento, de tão fracos e ensurdados, iam-se desapercebidos.
Nem percebi quando ouvi aquela voz suave e negra que foi se instalando em meu ser e penetrando minha alma. Por que permiti que ela me tocasse tão forte cortando minhas noites em sonhos desnudos?
Estou a navegar em mar bravio, entre a densa névoa que me protege da indesejada luz ao horizonte, sem saber até quando conseguirei resistir ao forte desejo que me queima e me consome em delírios.
Procuro saída, desprovido das forças de outrora. Tento esconder-me a alma da bela incensada que deixa, nas noites silenciosas, sua essência inebriante, e, nos sonhos meus, compartilha-me seu amor.
Tornei-me refém de meu pensamento fugidio que teima em voar imaginando um encontro ardente em um vôo impossível. E as cores, que antes não havia,
Agora cintilam fortes, em contornos negros. Nem percebi quando comecei pintar em melodias, no frio de papel, meus sonhos desvairados e perdidos que o mancham de tal forma que a pintura está condenada!
196
PERDÃO, ANA!
às vezes eu a achava ruim, traidora, diabólica.
Geralmente eu via nela o desejo dos putos e das vadias mascarado com brancas asas.
Eu sempre sentia dela um extremo mal cheiro, quando escondidamente lhe olhava nua diante de um fiel espelho.
Hoje, pouco mais de um ano após sua morte, eu lamento muito e sofro muito por não ter percebido a tempo
que ela era somente mais uma como tu, como eu e como todos nós condenados a sermos jogados
neste mundo de coisas, de modo fatsalmente abnômalo!
248
NA HORA, NO LUGAR E COM A COMPANHIA ERRADA
... fizemos do chão esplente infinito para nos amar,
sem percebermos que havia outros infinitos se desenhando
e nos desejando por outros lugares,
nesta insana morfologia dos movimentos e dos sentimentos,
perdemos, de nossa própria história, o sublime centro!
116
O CHÃO DAS PALAVRAS
... pássaros a voarem fragrâncias verbais já seduzira até uma negra demônia,
a nuvem que dizia me amar, correu como uma pulga durante a maior tempestade de minha vida,
embarco contigo nesta última viagem, sabendo que, de novo, posso perder-te
numa noite linda, onde passam belos barcos com fósforos acesos em seus mares de palha!
203
EU NÃO SEI POR QUÊ, ESTOU CANTANDO E NINGUÉM OUVE!
... um grupo com os pés sujos de barro querem crescer rumo aos céus,
falam, cantam, amam-se, fodem-se
e compõem algo que chamam de poesias;
lobos ficam aos chãos esperando o despencar ao lixo,
dos autopássaros que caem do terceiro, do quarto, do quinto ou de outro andar a que sobem,
sem ter asas, inspiração ou imaginação para se manterem em pleno ar!
202
ERAM UMAS VEZES
... das mulheres amadas,
das putas extaticamente jantadas,
dos sóis, dos rios e das praias passadas,
das terras com minha força aradas,
dos céus com minhas invisíveis asas povoados,
das noites de verão tão lindamente estreladas,
dos meles das anjas que carregavam luzes engarrafadas,
das mariposas que pousavam nos vidros de minha casa,
dos sonhos que não continham emboscadas,
da nuvem, da demônia, daquele coração puro que eu achava,
daquele monte de letrinhas que, à noite, brilhavam,
não me restou absolutamente nada!
232
NADA É ABSOLUTO
... nada, absolutamente nada é absoluto,
tuas palavras e tudo que disseste outrora por mim sentir,
minhas palavras e tudo que eu disse a ti outrora sentir,
as dádivas, as promessas, os atos concretos;
parecia tudo exato e certo, mas eu sempre dizia para nos cuidarmos
que nada, absolutamente nada é absoluto:
mesmo assim, insanamente insistimos, escapando-nos escondidos por escarpas de luz,
e nos findamos sozinhos, em algum canto ou aconchego onde cães vadios e anjos se misturam!
222
NA DESORDEM DOS ESPELHOS
... não há mais palavras que sirvam para dizer de algum sentimento qualquer,
sobretudo sobre o amor de um homem a uma mulher:
todas as boas palavras e promessas foram abatidas em delirantes calabouços de carnes,
por isso, vou apenas mergulhar, fazer teu som, imaginar teus brilhos, e desenhar teu corpo
e, silentemente, ainda virgem, embora não sejas, te amar!
124
A DEMÔNIA
... ela atingiu os acordes perfeitos aos meus ouvidos
e se apresentou como um lindo anjo no palco;
depois, às escondidas, quis-me servir pedaços de asas, de peles e de corpos
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*