Lista de Poemas

Efemêro

Na minha vida

Entra e sai

Quem eu deixo

Na minha vida

Não existe o eterno

O imutável

A vida morre e nasce todos os dias

 

pmariabotelho
Inpensamentosdia1
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12 De Dezembro 2018 In folhasembranco de pmariabotelho

Para aqueles que dizem, que a vida tem de continuar e seguir em frente! Sim, é certo.
Eu acrescento, tem de continuar, mesmo não sendo nunca mais a mesma vida até ali. A perda de alguém que faz parte da nossa vida no seu todo é como uma ferida incurável. É uma ferida crónica, que ora cura ora infecta e dói as entranhas, ora aquece e adormece, ora fica curada e até sorri, sei lá eu,.. Mas, todos sabem que só existe vida, porque existe morte e uma não fica distante da outra, caminham lado a lado, passo a passo.
Não existem palavras na medida certa para escrever emoções, sobre a dor da perda.
Cada um saberá da sua dor, costumo dizer eu, …
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12 De Julho de 2018 In folhasembranco

12 De Julho de 2018 In folhasembranco de pmariabotelho

Desequilíbrios.
Porque é que a vida dói? Dói! Mas, porque dói?
Porque fazemos e dizemos o que não merecemos? E porque o fazemos e porque o dizemos, se não o queremos?
O que nos move dia após dia e faz de nós seres alegres e tristes?
Completos e incompletos.
Desejados e detestados.
Amados e sofridos.
Felizes! Tristes.

A vida, parece-me um jogo de bolas lançadas ao ar aleatoriamente.
Por vezes elas voam tão alto, tornando-se inalcançáveis. Outras vezes ficam á deriva e umas outras estáticas e em silêncio, suspensas no ar, na espera de um milagre ou de um resgate.·
Fechamos todos os sentidos entre paredes não caiadas. Ver/ ouvir /falar.
Porque dói a vida?
Porque é sentida!
Sentida...




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30 de Novembro de 2020 In folhasembranco de pmariabotelho

Somos seres estranhos e por vezes mudamos o rumo das nossas vidas em uma fracção de segundos. Muitas das vezes destruímos num ápice de vaidade e raiva, tudo aquilo que levamos uma vida inteira a construir. Somos seres estranhos e muitos de nós não sabemos analisar o que reflecte o espelho. O lado errado.
Tempos estranhos e seres estranhos estes de agora.

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outubro

Outubro é o meu mês, porque nele nasci

Quando as folhas caíram, eu nasci
Quando as primeiras chuvas deram de si e o céu ficou cinza, eu nasci
Quando o cheiro da terra molhada se sente no ar que respiras, eu nasci
Quando o poente virou rubi, eu nasci
Quando os livros fizeram desfolhadas e os poemas foram uvas colhidas, eu nasci
Nasci
No mês em que algo morre e hiberna
tanto mais que nasce, renasce, cai do céu,
corre nos rios, vive no ar 
adormece
emerge no brilho do meu olhar
 
Assim é outubro e algo mais

Pmariabotelho
0181016
440

Rios

Existem rios que correm e que não  conheço
desconheço as suas águas, e os seus leitos 
Sabemos das suas águas , pelas imagens que correm 
Uma verdadeira doçura translúcida 
Mas a verdadeira essência dessas águas 
eu não canto
eu não sinto 
apenas sonho
Quem sabe um dia
apenas exista as estrelas 
e a água 
e eu

pmariabotelho 
0181008
204

Por hoje


Nas tuas mãos
Ficaram
Passeios cruzados
Os dedos
E longas conversas
Ditados, sumários e cópias
Das tuas mãos
Obras
Edifícios tão altos
Que poucos podem alcançar
Das tuas mãos
Flores e frutos
Tiveram vida
E fizeram alguém feliz
Caminho
Caminho com a sonoridade
Dos teus ensinamentos
E em cada dificuldade
Pergunto-te
E tu, meu querido pai
Que farias, que me aconselharias?
Assim, como uma voz off, um som acústico, uma nota de piano solta, livre…
Quantas vezes penso e sonho-te do meu lado
Sinto a tua presença em luz e alegria
Foi na terra que mexeste e remexes-te, que plantei, também o teu cato no meu jardim.
Não existem mais palavras
Não tenho mais palavras
Por hoje
Apenas deixo nestas páginas
A felicidade de lembrar-te
Por bem imensa a saudade…

Pmariabotelho
02.10.018

268

Quando cai a noite

Quando cai a noite

Fecha o dia,

Em criança, as noites de setembro fechavam dias de alegria e brincadeira.

A mãe fazia chã de cidreira, ou leite com bolachas, para fechar o dia e dar graças à noite que seria brindada de episódios diários dos seus filhos, ... As histórias das namoradas, que os meus irmãos contavam, davam origem a gargalhadas (...)

Uma vez por mês, a vizinha entregava lá em casa, a sagrada família e então rezávamos todos juntos...
Nunca percebi muito bem, naquela altura, porque o faziam de casa em casa, mas o certo é que havia muito respeito pela imagem da sagrada família e nós rezávamos...



Pmariabotelho

018.09.07
287

a noção exata da perda

Quando bate na minha varanda
a noção exata da perda
olho em redor
e tenho a certeza
da não presença física
quando a emoção de uma lágrima é profunda
e é verdadeiramente contida num soluço
em um trago de saliva
engolido rapidamente
de golada como um shote sem sabor
com ardor
fico meio desamparada e atordoada
sinto-me tão pequenina
tão emocionalmente entregue
que apenas
me assemelho ao nada
um nada que é tudo
e assim
de alegria e tristeza
vive a minha alma
acabo de estender a roupa
e entro em casa desfeita em lágrimas
a saudade mata silenciosamente
e transforma uma mulher
emocionalmente entregue
à noção exata da perda
tão particularmente sentida
e única em cada um de nós

018/06/08
pmariabotelho

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Estado de alma

Definir um estado de alma é muitas das vezes tentar definir o indefinido.
Definir o tempo real é um exercício, que já quase não apetece fazer.
Tempo de distâncias, de quebras e definições.
Quase um estado depressivo sem estar em depressão.
Ter consciência da realidade, mas não querer aceitar essa mesma realidade.
Nada de estranho.
Nada que a gente já não saiba!
Apenas doí a definição exacta e a noção certa.
Mas, porque doí?
Porque magoa a liberdade!
Porque magoa a ausência!
Tudo certo num tempo agora incerto.

De uma certeza reza minha alma
as definições exactas ditam a racionalidade
porque de alma
nada sabe.

pariabotelho
NOV016
295

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