O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.
Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola. Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).
No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.
A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”.
Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.
Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Luís Roberto Barroso... O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) sofreu uma carga de testosterona em pleno palanque. Como a vida lá no alto é muito mais emocionante e repleta de sentido, na presença de uma plateia militante, empunhou o microfone e bancou um líder de massas. Falhou. Barroso foi vaiado. Ele acredita que só é odiado pelos bolsonaristas; entretanto, seria vaiado pela direita, esquerda, centro, Hemisfério Norte, Ocidente, Oriente, Círculo Polar Ártico, Meridiano de Greenwich, Trópico de Capricórnio, Linha do Equador etc.
Vendo que mesmo em território familiar estava sendo apupado, Barroso sapecou o discurso antibolsonarista. No momento que vi aquilo, lembrei da tática do animador de quermesse: quando o público, desanimado, está prestes a apedrejar o locutor, este saca a pergunta infalível: Tem corintiano aí? Não falha. Automaticamente, o apresentador sem graça herda uma relativa popularidade.
Cercado da turminha da UNE (União Nacional dos Estudantes), Barroso lembrou que descer a lenha no governo militar de 64 e no Bolsonaro renderia algum prestígio. No entanto, o ministro nasceu em 1958! Tá, calculando bem, ele até aprontaria algumas das suas travessuras nos milicos. O togado supremo apelou para um discurso que está caducando, perecendo, perdendo o efeito e caindo em desuso. Depois que o governo começou a pagar a “Bolsa Ditadura”, começou a aparecer quem foi revistado pela polícia, mas diz ter sido torturado ou arroga ter lutado pela democracia. Como disse Millôr Fernandes: “Não era ideologia, era investimento” e “Desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal”.
O ministro militante, depois do discursinho, colheu alguns aplausos. Diante da reação positiva da “fauna” de esquerdistas, inflamou-se. A combustão espontânea só não se consumou porque a repercussão aqui foi muito negativa.
Por falta de carisma, o palanque foi inóspito e mostrou que o poder da caneta e da toga é restrito.
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A volta do ébrio
Lula botou a culpa no Bolsonaro. Não pela compra de deputados, não pelo aumento de impostos, não pelos “dinheiros” distribuídos aos amigos, não pela corrupção, não pela...
Já testemunhei Bolsonaro sendo criminalizado por ser um motoqueiro, pelo fracasso do submarino “de fundo de quintal” ‘SeaGate’. Entretanto, Lula revelou o que eu e mais de 33 milhões de torcedores temíamos: o ex-presidente é culpado pela má fase do Corinthians. Aí já é demais! Eu, bovinamente, segui o mestre, portanto estou disposto a replicar a informação. Agora já sei a quem reclamar pelas derrotas do meu time.
Um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) justificou medidas arbitrárias e irrevogáveis citando a irrevogabilidade da finalíssima de 1976 que o Timão perdeu para o Internacional de Porto Alegre. Eu bem que suspeitava, o Corinthians sempre foi prejudicado por políticos safardanas, desde os tempos de Nilo Peçanha. O São Paulo, pelo contrário, sempre foi beneficiado por políticos safardanas.
Coincidentemente, o “Chefe” deu a ordem, e o time começou a ganhar. Trata-se de um elenco de valor alto, diferentemente do atual presidente. Mesmo sendo o meu time, eu não concordo que o Lula estenda seus tentáculos sub-reptícios. Por outro lado, corroborando e parafraseando a pregação do Capitão, “o jogo tem que ser jogado dentro das quatro linhas”.
As vozes da minha cabeça ordenam que eu acredite no sujeito que acha que passarinhos gorjeiam para ele. No entanto, a razão captura minha consciência e sempre vence num jogo limpo.
A moral do Lula só enxerga o ganho imediato. Isso é intrínseco a quem acredita que “os fins justificam os meios”. Como sempre, os petistas, covardemente culpando a segunda e a terceira pessoa do singular e do plural.
Concluindo com ironia: eu não poderia esperar nada mais cruel de um presidente palmeirense. Não bastasse a rivalidade histórica, esse reptiliano comete ingerências governamentais. Francamente...
77
🔴 Escolas cívico-militares
Roteiros manjados de filmes retratam escolas dominadas pelo crime. Sempre num bairro pobre dos Estados Unidos, essas escolas são depósitos de gente. Reúnem latinos, negros, imigrantes e pobres em geral. Divididos em gangues e simpatizantes, o pedágio humanizador relata a origem difícil de cada um. Em comum, a falta de perspectiva. Esse ambiente degradante conta com a condescendência de um diretor corrupto.
Depois, um docente abnegado chega, inocentemente, para lecionar a uma turma completamente desinteressada. Vendo onde se meteu e, mais grave, correndo risco de morte, ele (a) quase desiste da classe. Entretanto, perseguindo um final feliz, tudo termina bem: os alunos abandonam a vida criminal, aprendem alguma coisa e revelam talentos latentes.
As escolas cívico-militares são isso na realidade: escolas degradadas e alunos “largados” transformados positivamente. Mas querem acabar com isso.
Lula, sempre estimulado pelo sentimento da vingança, quer acabar com as escolas cívico-militares. Não é difícil concluir que quem estuda nesses colégios nunca irá votar num sujeito como o petista; diferentemente dos colégios mais, digamos, permissivos.
No Brasil, a educação, em geral, é fraca. O histórico e os depoimentos do presidente prestam um serviço antimeritocrático, bem como desestimulam a formação intelectual. Desse modo, parece que Lula, num eterno recalque, insiste em nivelar a Educação brasileira igual a dele, ou seja, nivelada por baixo.
Os governantes de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Santa Catarina, Tarcísio Gomes de Freitas, Romeu Zema, Mauro Mendes e Jorginho Mello, respectivamente, vão ampliar os colégios de final feliz. Se esses exemplos forem seguidos, Lula conseguirá aumentar o “déficit” educacional, bem como contribuir com a amplitude que separa o Brasil em dois.
Lula age como o diretor corrupto que impede a escola de prosperar. Por um capricho pessoal, o sindicalista em forma de presidente condena as “minorias”, que finge defender, ao atraso. Apenas por vontade própria.
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🔵 Ele não surfa, nada
Recortando marcas de “surf wear” e criando adesivos com plástico ‘Contact” transparente eu não estava fazendo algo inútil, estava seguindo uma modinha. Além de reverenciar marcas de roupas e acessórios de surf que eu nunca iria usar, estava fazendo propaganda grátis.
Mesmo morando longe da praia e nunca ter subido nem em uma prancha de isopor, gostava de ler as revistas Fluir, Visual, Costa Sul etc. Todas estas revistas passavam por uma implacável linha de produção: ler, recortar, plastificar e colar numa pasta preta. Ainda assim, apesar do processo industrial, eu não era um surfista.
Entretanto, minha origem tropical e meu talento natural para pegar onda teriam que ser provados. E a oportunidade surgiu. Mongaguá (Litoral Sul de São Paulo) não tinha ondas muito grandes, pelo contrário, arrebentavam ondas suficientes para “pegar jacaré”. Mas, finalmente, surgiu a tão esperada ocasião para eu acordar bem cedo e “cair n’água”. Além de tudo, era fora de temporada, portanto a praia estaria vazia e a ventania levantaria volumes de água mais... havaianos.
Não tive dúvidas, larguei o emprego no supermercado e parti pra Mongaguá. Rumo ao terminal rodoviário do Jabaquara, eu e meu amigo com mochilas e pranchas debaixo do braço, foi o suficiente para posarmos de surfistas. Porém, isto ainda era muito diferente de “dropar” as ondas.
À noite em Mongaguá, a cerveja manteve os hábitos etílicos, no entanto o efeito impulsionou a expectativa de amanhecer com um mar perfeito. Para quem nunca surfou nem sequer numa “longboard”, ficar em pé na prancha já seria algo a comemorar.
No dia seguinte, a exigência de entubar a onda perfeita logo foi substituída por um ‘rodeio em alto-mar’. O que parece o nome de um filme é a desesperada tentativa de permanecer alguns segundos sobre a prancha.
Diante da dificuldade ignorada, os próximos dias limitaram-se a planejar como ‘destruir’ a onda perfeita. Durante o dia, caímos na real de que estávamos em Mongaguá, não no Havaí. Mesmo assim, como fôssemos surfistas experientes, ficamos aguardando uma ondinha decente depois da arrebentação.
Como prêmio de consolação a dois “surfistas frustrados”, sobrou o retorno com mochila nas costas e pranchas debaixo do braço. Tudo pose.
70
🔵 Movidos a álcool
Aquela fileira parecia uma horda de bárbaros pronta para o ataque. Nós bufávamos como que sedentos por sangue, ameaçávamos como cães raivosos. Dado o sinal, partimos. A poeira levantada e o barulho remetiam a memória ao que deveria ser uma batalha ou corrida sobre cavalos. No entanto, era um bando de pirralhos inofensivos que ainda iam para a escolinha pré-primário, chamavam a professora de tia, brincavam num cercadinho de areia durante o recreio e levavam uma constrangedora lancheira a tiracolo — no meu caso, com suco de laranja, pão com mortadela e, às vezes, Lanche Mirabel e Groselha Vitaminada Milani.
Do nosso ponto de vista, tudo ganhava proporções grandiosas e pretensamente importantes. Para os adultos, éramos apenas um bando de pivetes colorindo casinhas, animaizinhos etc. Contudo, não nos importando com os outros, víamos fardas camufladas em vez do tênis Conga, bonezinho com fivela e uniformezinho azul; e um alforge de guerra em vez da ridícula lancheirinha a tiracolo.
Pois bem, o mimeógrafo cuspia desenhos infantis e, principalmente, um cheiro de álcool que tomava conta da sala de aula e, talvez, da escolinha toda. A professorinha mal ameaçava avisar o início do recreio para corrermos desesperados. A interrupção do silêncio escolar parecia a evacuação de um edifício em chamas. Essa cena correspondia a uma disputa para garantir os melhores pneus. O espírito de competição era incompatível com a idade dos litigantes. Porém, a disputa correspondia ao estouro de uma boiada ou ao avanço de uma cavalaria. O súbito despertar poderia ser efeito do álcool.
O sinal avisava que o recreio havia sido encerrado, portanto a corrida de pneus teria que terminar e voltaríamos para a salinha. A realidade revelava a incipiência da nossa vida. Sem suspeitarmos, a existência seria repleta de disputas muito mais sérias. Não obstante, era o momento de pintar desenhos encharcados de álcool.
Éramos tão pequenos, entretanto já lidávamos com trapaças, bullying, derrotas e vitórias. Foi um bom “batismo de fogo” para as décadas seguintes.
Texto com imagens no blog:
Gazeta Explosiva
35
🔵 O candidato
Ora vereador, ora candidato, ele era onipresente. Embora não existisse o voto distrital, aquele político era o “dono” daquele bairro. Os sanduíches de presunto e queijo e a lata de guaraná eram o prêmio pela distribuição do jornal; a bola de futebol foi o patrocínio por ostentar o nome, número e partido do candidato; o churrasco lembraria quem pagou a carne; finalmente, a contrapartida mais valiosa, meu voto estava tacitamente comprometido com o transporte “gratuito” para “tirar o R.G.”.
Estou ciente de que se eu precisasse de cadeira de rodas ou dentadura o candidato forneceria, já que, mesmo em sentido figurado, todos aqueles benefícios serviam de muletas.
Bem de manhãzinha, estava eu aguardando a viatura. Depois de alguma espera, chegou o carro. Bovinamente, embarquei na Kombi. Parti feliz... Aquele “privilégio” seduz qualquer um, quanto mais um moleque sentindo-se adulto por adquirir um documento. Não estávamos pendurados num ônibus lotado, estávamos num... automóvel. Talvez esses fossem os sinais da ascensão social. Naquele momento, ir de perua a uma repartição pública era o máximo! Acho que a maioria daqueles contribuintes sentiam orgulho de pagar impostos.
Na verdade, o panorama era bem triste. A fisionomia da população, naquele veículo barulhento, lembrava uma reunião da Pastoral da Terra ou uma iminente invasão a uma propriedade desocupada. Contudo, eu estava ali. Então, eu lutaria com todas as forças para defender uma classe menos privilegiada.
A “Kombi da Miséria”, mais do que uma compra de votos velada, era a nossa migalha. Cansados de assistir a benefícios de classes mais favorecidas. Pois agora, enfim, chegou a nossa vez e não perderíamos aquilo por nada.
Sei que não existe almoço grátis, mas aceitei o serviço. Para mim, a obtenção do registro geral significava mais um passo em direção à cidadania; no entanto, aquela estrutura foi armada para arrecadar alguns votos de cabresto. Mesmo inconscientemente, aquele povo votaria no “coroné”, em agradecimento. E ele sabia disso.
Como em muitos lugares, aquele veículo carregava o futuro do Brasil. Não exatamente bom, mas o futuro do Brasil...
70
🔵 Comendo que nem um cavalo
Já aviso que eu não sou um fã do cantor sertanejo, embora reconheço que ele está anos-luz à frente desse sertanejo universitário de balada, ao menos em autenticidade. Por acaso, cheguei no restaurante e churrascaria ‘Tião Carreiro’. O preço era bom e a comida era bem fornida, portanto resolvi arriscar o estômago no lugar com nome de restaurante de beira de estrada.
O aspecto lembrava o que deveria ser a rodovia Cuiabá-Santarém. Então, o lugar destoava de tudo o que eu suspeitava encontrar no centro de São Paulo. Confesso que o meu visual era bem discreto, mas não tinha nada a ver com o panorama, digamos, rústico da frequência do ‘Tião Carreiro’. Pensei em dar meia-volta quando me senti um forasteiro adentrando um “saloon” no Velho Oeste. Porém, àquela altura, seria pior recuar e, afinal, eu não estava no século XIX nem no Oeste Selvagem.
Me servi, achando que seria questão de tempo até me indicarem o caminho do ‘McDonald’s’ mais próximo. Contudo, fiz pose e cara de bruto e espetei o que parecia ser carne de alce, búfalo, antílope ou algum mamífero caçado no Alasca. Como opção, algum pássaro abatido a tiros que, na churrascaria raiz ‘Tião Carreiro’ era descrito como “ave”. Na minha frente, um porco giratório parecia me encarar. O “porco no rolete” era a vedete do lugar, no entanto, enquanto eu me alimentei no restaurante, por assim dizer, rústico, o bicho nunca foi dividido.
Pois bem, como não poderia ser diferente, comi como um cavalo. Acredito que consumi proteína animal suficiente para ofender o mais tolerante dos veganos, bem como armazenei calorias para hibernar o inverno inteiro.
Já havia terminado, teria que sair dali sem arrumar confusão. O pagamento me ajudou a começar a voltar para o século XXI, na cidade de São Paulo. Contrariando a frequência do estabelecimento, não havia nenhum cavalo amarrado na entrada.
Quando alcancei a calçada, voltei de vez para aquele centro urbano. Foi quando notei que o meu ponto de vista estava alterado, ou melhor, acostumado. O ambiente urbano, com o qual eu estava acostumado, era mais perigoso que qualquer cidade dominada pelos fora-da-lei, onde valia o olho por olho, dente por dente.
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89
🔴 Mãozinha pro alto
Nesse ritmo, Chris Martin (Coldpllay) logo estará tocando ‘Trem Bala’ no ‘Teleton’ ou cantando no encerramento do ‘Criança Esperança’. Com discursos enfadonhos, Chris se iguala a Leonardo DiCaprio ou Mark Ruffalo tuitando para “salvar a Amazônia”. Não se sabe se é megalomania, tédio da vida pós-sucesso ou coisa de assessoria oportunista, mas o destino é conhecido: cacique Raoni no palco, Santo Daime e perda de relevância musical.
Musicalmente indiscutíveis, Sting, Bono Vox e Roger Waters caíram nas armadilhas do sucesso e decidiram ir até ali e mudar o mundo. Se bem que o assessor surge com uma frase de efeito a ser entoada como um mantra. Afinal, esse populismo pop sempre funciona. Ou não. Às vezes, quem grita “We don’t need no education” não aceita doutrinação.
Esses músicos consideram contar com uma massa, bestificada como zumbis, sem opinião própria e agem como líderes messiânicos, conduzindo o povo a uma terra prometida (salvação), que só eles sabem o caminho, bem como onde fica. Esse proselitismo barato significa jogo ganho, mas não pode substituir os acordes de guitarra. Quando não se sabe se está num show de rock ou numa missa, alguma coisa está errada.
Achando que entram em campo com o jogo ganho, crendo que têm a plateia pagante na mão, eles acreditam que qualquer “I love Brazil” ou o baterista vestido com uma camiseta da seleção brasileira ganhará a ovação automática. Como mentiras sinceras não interessam mais, não temos mais um comportamento sectário.
Mesmo com um carisma descartável, apesar da catarse ensaiada, o artista consegue uma conexão, embora frágil, escorada num sentimento de culpa coletiva. Nessa “vibe”, o “charlatão vendedor de um mundo melhor” domina um ambiente propício à culpa coletiva. Aí brotam pérolas como: crítica ao capitalismo, dentro dos Estádios Unidos; ou culpabilização das nações industrializadas, no coração da Europa ocidental. Isso é como a Marilena Chaui (“Eu odeio a classe média”) sendo efusivamente aplaudida num auditório da USP (Universidade de São Paulo).
75
🔴 Pindorama: o reino da Borboleta Azul
A maior contribuição da Carreta Furacão (Lula e sua turma) chama-se Flávio Dino. A criatura com nome jurássico trouxe humor involuntário ao debate político. Involuntário porque ele não quer ser engraçado, mas como se leva a sério, acaba sendo cômico.
Esta semana, um “Zé Graça” da internet publicou uma performance de um (ou uma) “drag queen” fantasiado (ou fantasiada) de Borboleta Azul. Isso viralizou na internet. A Agência Lupa correu para avisar que aquilo não era o Flávio Dino. Provavelmente, ninguém achou que a (o) “drag queen” era o ministro.
“O meme passa por baixo da porta, enquanto a notícia ainda está tocando a campainha”. Ignorando que o meme é uma piada, a Agência Lupa correu para atestar a veracidade de algo que é propositalmente uma caricatura. Assim, a Agência Lupa novamente vira piada, cai em descrédito e mostra-se militante.
Dino não precisaria se esforçar para ser ofendido. No entanto, ele parece fazer questão de se “vender” autoritário. Sua presença já é grosseira, sua voz é um desacato e sua expressão parece sempre chamar para briga. Além do “kit” de fabricação, esse é um ministro da Justiça e Segurança Pública pronto para perseguir pessoas “de bem”.
O ministro maranhense já compareceu na Câmara dos Deputados, quando convidado para depor. Numa dessas ocasiões, saiu-se com essa: comparou-se com um Vingador (super-herói). Com muita boa vontade, poderíamos associar o substantivo a “vingativo”, sabendo-se que é comparsa do Lula. Porém, não é isso. A referência revelou uma alma infantilizada, bem como a estreiteza de raciocínio. Mas também parecia revelar um funcionário público bonachão, sem aquela sisudez atribuída aos burocratas. Temos aqui um brincalhão!? Engano. O ministro não absorveu a brincadeira. Mesmo sem matar ninguém, o autor do meme foi chamado de nazifascista.
O pobre Flávio Dino pode ser uma alma boa, trancada naquela carranca que parece um cárcere impedindo que a vida seja aprazível. Mas mesmo com esforço contrário, esse sujeito é engraçado.
Obs: texto com imagem no blog:
Gazeta Explosiva
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🔴 Super pop
Provando que o que não mata, fortalece, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fortaleceu justamente aquele e aquilo que pretendia eliminar: Bolsonaro e o bolsonarismo. O esforço é infrutífero como revogar a Lei da Gravidade. Mas, como “missão dada é missão cumprida”, o serviço foi feito, como era previsto.
Não é qualquer um que aplica tapinhas carinhosos na face empoderada de um juiz. Para tomar essa atitude com desassombrada intimidade é necessário ter certeza de um “coringa no bolso do paletó”.
Como todo populista, Lula, acumulando as funções de estelionatário e psicopata, sentirá falta do Capitão para atribuir a culpa de todos os males do mundo: da letalidade do covid-19 ao fracasso do submarino de fundo de quintal ‘OceanGate’. Quando Fernando Henrique passou a faixa, Lula tentou criar uma herança maldita. Colou. Em 2023 ano, o petista, tentando desviar a culpa pela pessoal e intransferível incompetência, lançou mão da mesma estratégia. Não colou. O que sobrou foi culpar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pela alta Taxa Selic, mesmo que o índice seja estabelecido por um comitê.
Depois dessa breve digressão, volto à esperada inelegibilidade. Aquele político que estrelava o programa preferido das subcelebridades e caía nas armadilhas do humorístico CQC (Custe o Que Custar) foi promovido a principal figura do debate político brasileiro. Resumindo: ele saiu dos bate-bocas com Maria do Rosário e foi erguido nos ombros da população.
É legítimo não gostarem do Bolsonaro. O que é muito estranho é comemorarem o que acabou de acontecer. A não elegibilidade do ex-Baixo Clero, Jair Bolsonaro, é uma clara reação do que sempre foi chamado de “sistema”. A eleição do então candidato do PSL desestruturou a “Galinha dos Ovos de Ouro”. A reação insana do “establishment” está varrendo tudo o que for relacionado à Lava Jato e o que for descrito como bolsonarismo.
Acusando o tiro pela culatra, os antibolsonaristas comemoraram a decisão. Se a alegria fosse sincera, cumpririam a máxima: “altivez na derrota, humildade na vitória”. Entretanto demonstram uma alegria tão frágil quanto uma bolha de sabão. Sorriso nervoso.
No Brasil colônia, só os chamados “homens-bons” podiam ascender politicamente. O “bons” aqui jamais pode se referir a índole. Quem desconhece a História está condenado a repeti-la. No entanto, nossa realidade não é bem essa, porque quem decide quem pode ser candidato conhece muito bem o passado.