Lista de Poemas
🔴 Dó - Ré - Mi - Fá - $ol - Lá - $i
Fernando Haddad, segundo ele, não entende de Economia. É fácil compreendê-lo. Fernando Haddad toca mal ‘Blackbird’ dos ‘Beatles’. O fato de construir um Lá maior já seria o suficiente para surpreender uma plateia impressionável.
O pato tem três atributos (nada, anda e voa) que poderiam alojá-lo no topo da cadeia alimentar; no entanto, como não faz nada disso com excelência, é servido com laranja e batatas. Haddad é isso: o pato federal. Ele tem algumas habilidades, porém não se destaca em nenhuma delas.
Eu também não sabia a diferença entre CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e CMN (Conselho Monetário Nacional), mas sei montar um Lá maior, mesmo assim, nunca me atrevi a dedilhar um violão numa camerata.
Miriam Leitão não me decepcionou. A economista deve ter se sentido constrangida em elogiar as medidas que supostamente entendeu. Como não poderia passar em branco no certame que elegerá o funcionário do mês, bajulou o ministro da Economia, digamos, violonista.
Na entrevista, Natuza Nery, entrevistadora da GloboNews, arriscou dizer: “Como violonista, você é um ótimo economista”. Discordo, como violonista, Fernando Haddad é um péssimo economista. Natuza, também na “corrida” de funcionário do mês, elogiou o ministro, fingindo criticá-lo. Como jornalista, ela é uma excelente bajuladora.
O problema não é o tocador de berimbau de seis cordas, muito pelo contrário, nesse estilo “meio bossa nova e rock and roll” ele animará alguns acampamentos. O cerne do problema é quem indicou o ex-ministro da Educação. Tenho fé, apesar de ter colado nos 2 meses do curso de Economia, Haddad é craque nas continhas de mais e de menos.
Com algumas cifras, a reforma tributária soou como música aos ouvidos dos deputados federais. Alguns se encantaram tanto com as cifras que esqueceram do eleitor e da ideologia. “Esqueceram” até do básico: ler a proposta.
Enfim, o eterno candidato derrotado (reeleição para prefeito de São Paulo, presidente da República e governador de São Paulo) há de ignorar o desconhecimento e tratar de tocar a Economia.
O pato tem três atributos (nada, anda e voa) que poderiam alojá-lo no topo da cadeia alimentar; no entanto, como não faz nada disso com excelência, é servido com laranja e batatas. Haddad é isso: o pato federal. Ele tem algumas habilidades, porém não se destaca em nenhuma delas.
Eu também não sabia a diferença entre CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e CMN (Conselho Monetário Nacional), mas sei montar um Lá maior, mesmo assim, nunca me atrevi a dedilhar um violão numa camerata.
Miriam Leitão não me decepcionou. A economista deve ter se sentido constrangida em elogiar as medidas que supostamente entendeu. Como não poderia passar em branco no certame que elegerá o funcionário do mês, bajulou o ministro da Economia, digamos, violonista.
Na entrevista, Natuza Nery, entrevistadora da GloboNews, arriscou dizer: “Como violonista, você é um ótimo economista”. Discordo, como violonista, Fernando Haddad é um péssimo economista. Natuza, também na “corrida” de funcionário do mês, elogiou o ministro, fingindo criticá-lo. Como jornalista, ela é uma excelente bajuladora.
O problema não é o tocador de berimbau de seis cordas, muito pelo contrário, nesse estilo “meio bossa nova e rock and roll” ele animará alguns acampamentos. O cerne do problema é quem indicou o ex-ministro da Educação. Tenho fé, apesar de ter colado nos 2 meses do curso de Economia, Haddad é craque nas continhas de mais e de menos.
Com algumas cifras, a reforma tributária soou como música aos ouvidos dos deputados federais. Alguns se encantaram tanto com as cifras que esqueceram do eleitor e da ideologia. “Esqueceram” até do básico: ler a proposta.
Enfim, o eterno candidato derrotado (reeleição para prefeito de São Paulo, presidente da República e governador de São Paulo) há de ignorar o desconhecimento e tratar de tocar a Economia.
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🔴 Super pop
Provando que o que não mata, fortalece, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fortaleceu justamente aquele e aquilo que pretendia eliminar: Bolsonaro e o bolsonarismo. O esforço é infrutífero como revogar a Lei da Gravidade. Mas, como “missão dada é missão cumprida”, o serviço foi feito, como era previsto.
Não é qualquer um que aplica tapinhas carinhosos na face empoderada de um juiz. Para tomar essa atitude com desassombrada intimidade é necessário ter certeza de um “coringa no bolso do paletó”.
Como todo populista, Lula, acumulando as funções de estelionatário e psicopata, sentirá falta do Capitão para atribuir a culpa de todos os males do mundo: da letalidade do covid-19 ao fracasso do submarino de fundo de quintal ‘OceanGate’. Quando Fernando Henrique passou a faixa, Lula tentou criar uma herança maldita. Colou. Em 2023 ano, o petista, tentando desviar a culpa pela pessoal e intransferível incompetência, lançou mão da mesma estratégia. Não colou. O que sobrou foi culpar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pela alta Taxa Selic, mesmo que o índice seja estabelecido por um comitê.
Depois dessa breve digressão, volto à esperada inelegibilidade. Aquele político que estrelava o programa preferido das subcelebridades e caía nas armadilhas do humorístico CQC (Custe o Que Custar) foi promovido a principal figura do debate político brasileiro. Resumindo: ele saiu dos bate-bocas com Maria do Rosário e foi erguido nos ombros da população.
É legítimo não gostarem do Bolsonaro. O que é muito estranho é comemorarem o que acabou de acontecer. A não elegibilidade do ex-Baixo Clero, Jair Bolsonaro, é uma clara reação do que sempre foi chamado de “sistema”. A eleição do então candidato do PSL desestruturou a “Galinha dos Ovos de Ouro”. A reação insana do “establishment” está varrendo tudo o que for relacionado à Lava Jato e o que for descrito como bolsonarismo.
Acusando o tiro pela culatra, os antibolsonaristas comemoraram a decisão. Se a alegria fosse sincera, cumpririam a máxima: “altivez na derrota, humildade na vitória”. Entretanto demonstram uma alegria tão frágil quanto uma bolha de sabão. Sorriso nervoso.
No Brasil colônia, só os chamados “homens-bons” podiam ascender politicamente. O “bons” aqui jamais pode se referir a índole. Quem desconhece a História está condenado a repeti-la. No entanto, nossa realidade não é bem essa, porque quem decide quem pode ser candidato conhece muito bem o passado.
Não é qualquer um que aplica tapinhas carinhosos na face empoderada de um juiz. Para tomar essa atitude com desassombrada intimidade é necessário ter certeza de um “coringa no bolso do paletó”.
Como todo populista, Lula, acumulando as funções de estelionatário e psicopata, sentirá falta do Capitão para atribuir a culpa de todos os males do mundo: da letalidade do covid-19 ao fracasso do submarino de fundo de quintal ‘OceanGate’. Quando Fernando Henrique passou a faixa, Lula tentou criar uma herança maldita. Colou. Em 2023 ano, o petista, tentando desviar a culpa pela pessoal e intransferível incompetência, lançou mão da mesma estratégia. Não colou. O que sobrou foi culpar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pela alta Taxa Selic, mesmo que o índice seja estabelecido por um comitê.
Depois dessa breve digressão, volto à esperada inelegibilidade. Aquele político que estrelava o programa preferido das subcelebridades e caía nas armadilhas do humorístico CQC (Custe o Que Custar) foi promovido a principal figura do debate político brasileiro. Resumindo: ele saiu dos bate-bocas com Maria do Rosário e foi erguido nos ombros da população.
É legítimo não gostarem do Bolsonaro. O que é muito estranho é comemorarem o que acabou de acontecer. A não elegibilidade do ex-Baixo Clero, Jair Bolsonaro, é uma clara reação do que sempre foi chamado de “sistema”. A eleição do então candidato do PSL desestruturou a “Galinha dos Ovos de Ouro”. A reação insana do “establishment” está varrendo tudo o que for relacionado à Lava Jato e o que for descrito como bolsonarismo.
Acusando o tiro pela culatra, os antibolsonaristas comemoraram a decisão. Se a alegria fosse sincera, cumpririam a máxima: “altivez na derrota, humildade na vitória”. Entretanto demonstram uma alegria tão frágil quanto uma bolha de sabão. Sorriso nervoso.
No Brasil colônia, só os chamados “homens-bons” podiam ascender politicamente. O “bons” aqui jamais pode se referir a índole. Quem desconhece a História está condenado a repeti-la. No entanto, nossa realidade não é bem essa, porque quem decide quem pode ser candidato conhece muito bem o passado.
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🔵 Movidos a álcool
Aquela fileira parecia uma horda de bárbaros pronta para o ataque. Nós bufávamos como que sedentos por sangue, ameaçávamos como cães raivosos. Dado o sinal, partimos. A poeira levantada e o barulho remetiam a memória ao que deveria ser uma batalha ou corrida sobre cavalos. No entanto, era um bando de pirralhos inofensivos que ainda iam para a escolinha pré-primário, chamavam a professora de tia, brincavam num cercadinho de areia durante o recreio e levavam uma constrangedora lancheira a tiracolo — no meu caso, com suco de laranja, pão com mortadela e, às vezes, Lanche Mirabel e Groselha Vitaminada Milani.
Do nosso ponto de vista, tudo ganhava proporções grandiosas e pretensamente importantes. Para os adultos, éramos apenas um bando de pivetes colorindo casinhas, animaizinhos etc. Contudo, não nos importando com os outros, víamos fardas camufladas em vez do tênis Conga, bonezinho com fivela e uniformezinho azul; e um alforge de guerra em vez da ridícula lancheirinha a tiracolo.
Pois bem, o mimeógrafo cuspia desenhos infantis e, principalmente, um cheiro de álcool que tomava conta da sala de aula e, talvez, da escolinha toda. A professorinha mal ameaçava avisar o início do recreio para corrermos desesperados. A interrupção do silêncio escolar parecia a evacuação de um edifício em chamas. Essa cena correspondia a uma disputa para garantir os melhores pneus. O espírito de competição era incompatível com a idade dos litigantes. Porém, a disputa correspondia ao estouro de uma boiada ou ao avanço de uma cavalaria. O súbito despertar poderia ser efeito do álcool.
O sinal avisava que o recreio havia sido encerrado, portanto a corrida de pneus teria que terminar e voltaríamos para a salinha. A realidade revelava a incipiência da nossa vida. Sem suspeitarmos, a existência seria repleta de disputas muito mais sérias. Não obstante, era o momento de pintar desenhos encharcados de álcool.
Éramos tão pequenos, entretanto já lidávamos com trapaças, bullying, derrotas e vitórias. Foi um bom “batismo de fogo” para as décadas seguintes.
Texto com imagens no blog:
Gazeta Explosiva
Do nosso ponto de vista, tudo ganhava proporções grandiosas e pretensamente importantes. Para os adultos, éramos apenas um bando de pivetes colorindo casinhas, animaizinhos etc. Contudo, não nos importando com os outros, víamos fardas camufladas em vez do tênis Conga, bonezinho com fivela e uniformezinho azul; e um alforge de guerra em vez da ridícula lancheirinha a tiracolo.
Pois bem, o mimeógrafo cuspia desenhos infantis e, principalmente, um cheiro de álcool que tomava conta da sala de aula e, talvez, da escolinha toda. A professorinha mal ameaçava avisar o início do recreio para corrermos desesperados. A interrupção do silêncio escolar parecia a evacuação de um edifício em chamas. Essa cena correspondia a uma disputa para garantir os melhores pneus. O espírito de competição era incompatível com a idade dos litigantes. Porém, a disputa correspondia ao estouro de uma boiada ou ao avanço de uma cavalaria. O súbito despertar poderia ser efeito do álcool.
O sinal avisava que o recreio havia sido encerrado, portanto a corrida de pneus teria que terminar e voltaríamos para a salinha. A realidade revelava a incipiência da nossa vida. Sem suspeitarmos, a existência seria repleta de disputas muito mais sérias. Não obstante, era o momento de pintar desenhos encharcados de álcool.
Éramos tão pequenos, entretanto já lidávamos com trapaças, bullying, derrotas e vitórias. Foi um bom “batismo de fogo” para as décadas seguintes.
Texto com imagens no blog:
Gazeta Explosiva
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🔴 De Alexandre, o Grande a Wesley Safadão
D. Manuel I, o Venturoso; D. Pedro I, o Libertador; D. João VI, o Clemente; e... Wesley Safadão. Nenhum juízo de valor a nenhum desses personagens históricos; logicamente, nem a Wesley Safadão e sua obra. Entretanto, a qualidade transformada em substantivo próprio representa o valor do tempo que se quer associado ao nome.
Arthur Lira é o presidente da Câmara dos Deputados. Ele açodou o trâmite da reforma tributária. Uns acham boa, outros acham ruim, mas não é isso o que eu quero discutir, até porque sei pouco dessa reforma. Mesmo sem a devida discussão, a reforma foi aprovada rapidamente porque Lira não poderia perder o embarque para uma “experiência única”. Arthur Lira apressou-se para não perder o embarque no cruzeiro marítimo do Wesley Safadão! Será que dá para avaliar o nível da Câmara pelo gosto musical de seu presidente?
Nada contra o artista, ele é um produto de seu tempo. Ele simplesmente escolheu como nome artístico algo que entendeu ser um valor atual, um nome que iria agregar, o que diria a que veio. E não errou. Safado: que leva uma vida dissoluta; libertino, devasso, obsceno. Há outros sinônimos menos edulcorados, porém esses já servem como exemplo. Só que ele se achou mais que isso, afinal, é artista. Por que não o aumentativo da palavra?
Falso, hipócrita, mentiroso, traiçoeiro e invejoso são defeitos. Há algumas décadas, a virtude era digna de ser ostentada, inclusive falsamente. Imaginem o contrário, a ostentação do defeito: Alexandre, o Briguento. No entanto, mesmo que após sua morte, foi exaltada sua virtude. Porém, com o cantor, o que é um defeito é exibido com orgulho. Talvez o cantor safadão nem seja safado. Mas o presidente da Câmara Federal recebeu a cultura possível à sua realidade, por isso ele navega no cruzeiro marítimo que reflete o quórum que lhe é familiar.
A safadeza venceu, por isso teremos que conviver com contas e contadores. Mas o show não pode parar.
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🔵 Ele não surfa, nada
Recortando marcas de “surf wear” e criando adesivos com plástico ‘Contact” transparente eu não estava fazendo algo inútil, estava seguindo uma modinha. Além de reverenciar marcas de roupas e acessórios de surf que eu nunca iria usar, estava fazendo propaganda grátis.
Mesmo morando longe da praia e nunca ter subido nem em uma prancha de isopor, gostava de ler as revistas Fluir, Visual, Costa Sul etc. Todas estas revistas passavam por uma implacável linha de produção: ler, recortar, plastificar e colar numa pasta preta. Ainda assim, apesar do processo industrial, eu não era um surfista.
Entretanto, minha origem tropical e meu talento natural para pegar onda teriam que ser provados. E a oportunidade surgiu. Mongaguá (Litoral Sul de São Paulo) não tinha ondas muito grandes, pelo contrário, arrebentavam ondas suficientes para “pegar jacaré”. Mas, finalmente, surgiu a tão esperada ocasião para eu acordar bem cedo e “cair n’água”. Além de tudo, era fora de temporada, portanto a praia estaria vazia e a ventania levantaria volumes de água mais... havaianos.
Não tive dúvidas, larguei o emprego no supermercado e parti pra Mongaguá. Rumo ao terminal rodoviário do Jabaquara, eu e meu amigo com mochilas e pranchas debaixo do braço, foi o suficiente para posarmos de surfistas. Porém, isto ainda era muito diferente de “dropar” as ondas.
À noite em Mongaguá, a cerveja manteve os hábitos etílicos, no entanto o efeito impulsionou a expectativa de amanhecer com um mar perfeito. Para quem nunca surfou nem sequer numa “longboard”, ficar em pé na prancha já seria algo a comemorar.
No dia seguinte, a exigência de entubar a onda perfeita logo foi substituída por um ‘rodeio em alto-mar’. O que parece o nome de um filme é a desesperada tentativa de permanecer alguns segundos sobre a prancha.
Diante da dificuldade ignorada, os próximos dias limitaram-se a planejar como ‘destruir’ a onda perfeita. Durante o dia, caímos na real de que estávamos em Mongaguá, não no Havaí. Mesmo assim, como fôssemos surfistas experientes, ficamos aguardando uma ondinha decente depois da arrebentação.
Como prêmio de consolação a dois “surfistas frustrados”, sobrou o retorno com mochila nas costas e pranchas debaixo do braço. Tudo pose.
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🔵 O candidato
Ora vereador, ora candidato, ele era onipresente. Embora não existisse o voto distrital, aquele político era o “dono” daquele bairro. Os sanduíches de presunto e queijo e a lata de guaraná eram o prêmio pela distribuição do jornal; a bola de futebol foi o patrocínio por ostentar o nome, número e partido do candidato; o churrasco lembraria quem pagou a carne; finalmente, a contrapartida mais valiosa, meu voto estava tacitamente comprometido com o transporte “gratuito” para “tirar o R.G.”.
Estou ciente de que se eu precisasse de cadeira de rodas ou dentadura o candidato forneceria, já que, mesmo em sentido figurado, todos aqueles benefícios serviam de muletas.
Bem de manhãzinha, estava eu aguardando a viatura. Depois de alguma espera, chegou o carro. Bovinamente, embarquei na Kombi. Parti feliz... Aquele “privilégio” seduz qualquer um, quanto mais um moleque sentindo-se adulto por adquirir um documento. Não estávamos pendurados num ônibus lotado, estávamos num... automóvel. Talvez esses fossem os sinais da ascensão social. Naquele momento, ir de perua a uma repartição pública era o máximo! Acho que a maioria daqueles contribuintes sentiam orgulho de pagar impostos.
Na verdade, o panorama era bem triste. A fisionomia da população, naquele veículo barulhento, lembrava uma reunião da Pastoral da Terra ou uma iminente invasão a uma propriedade desocupada. Contudo, eu estava ali. Então, eu lutaria com todas as forças para defender uma classe menos privilegiada.
A “Kombi da Miséria”, mais do que uma compra de votos velada, era a nossa migalha. Cansados de assistir a benefícios de classes mais favorecidas. Pois agora, enfim, chegou a nossa vez e não perderíamos aquilo por nada.
Sei que não existe almoço grátis, mas aceitei o serviço. Para mim, a obtenção do registro geral significava mais um passo em direção à cidadania; no entanto, aquela estrutura foi armada para arrecadar alguns votos de cabresto. Mesmo inconscientemente, aquele povo votaria no “coroné”, em agradecimento. E ele sabia disso.
Como em muitos lugares, aquele veículo carregava o futuro do Brasil. Não exatamente bom, mas o futuro do Brasil...
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🔵 O motivo do atraso
Subi alguns degraus, passei a catraca e esperei o Metrô. Eu já estava acostumado com aquela rotina, mas tinha mais. Chegou o trem rumo ao Jabaquara. Entrei no vagão e achei um lugar vazio. O sinal anuncia o fechamento das portas. A sucessão de estações seria rápida, não fosse a minha ansiedade causada pelo atraso.
Inebriado pela voz feminina que saía dos alto-falantes, fui interrompido quando a voz masculina e ríspida ordenou: “Não impeça o fechamento das portas, isso atrasa o funcionamento do trem”. Esse pequeno contratempo já quebrou a rotina enfadonha. Porém, com esses pequenos atrasos, sabia que chegaria um pouco mais tarde.
A rotina foi quebrada de uma maneira desagradável, que só imaginei em devaneios infantis. O que um dia foi um pensamento vago, tornou-se uma triste realidade: o Metrô partiu com um sujeito preso pela blusa. A composição acelerava, e o infeliz “passageiro”, com o raciocínio interrompido, corria, acompanhando o trem. Não se livrando da jaqueta, aquele cara, que corria cada vez mais rápido, só pararia quando chegasse o muro, no fim da plataforma.
Como se a cena fosse em câmera lenta, o burburinho e a gritaria tomou conta do vagão. Entretanto, o desespero não resolvia o problema, e o desastre era iminente.
Quando eu era criança, sempre quis puxar aquela alavanca que interrompia o funcionamento do trem. Esse momento havia chegado, no entanto a alavanca estava longe. Alerta, mais que desesperado, eu levantei, apontei e gritei: “puxa a alavanca”. Isso fez o trem frear; o sujeito ser salvo; a composição, evacuada; e o meu atraso, consumado. Os seguranças surgiram e, finalmente, saciei a minha curiosidade quanto o resultado da atitude magnânima.
Confesso que contribuir para o atraso da coletividade não foi tão comemorado como eu previra nas “viagens” infantis. Diferentemente da situação dramática, quando eu era apenas uma criança, queria acionar a alavanca quando aumentasse a ânsia de vômito.
Minha relativa timidez congênita fez eu me impressionar mais com a imagem dos sete vagões sendo abandonados do que com ato heroico. Nenhum passageiro reclamou do atraso. Todos entenderam o porquê daquilo, e que o desfecho poderia ter sido bem pior.
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🔵 Comendo que nem um cavalo
Já aviso que eu não sou um fã do cantor sertanejo, embora reconheço que ele está anos-luz à frente desse sertanejo universitário de balada, ao menos em autenticidade. Por acaso, cheguei no restaurante e churrascaria ‘Tião Carreiro’. O preço era bom e a comida era bem fornida, portanto resolvi arriscar o estômago no lugar com nome de restaurante de beira de estrada.
O aspecto lembrava o que deveria ser a rodovia Cuiabá-Santarém. Então, o lugar destoava de tudo o que eu suspeitava encontrar no centro de São Paulo. Confesso que o meu visual era bem discreto, mas não tinha nada a ver com o panorama, digamos, rústico da frequência do ‘Tião Carreiro’. Pensei em dar meia-volta quando me senti um forasteiro adentrando um “saloon” no Velho Oeste. Porém, àquela altura, seria pior recuar e, afinal, eu não estava no século XIX nem no Oeste Selvagem.
Me servi, achando que seria questão de tempo até me indicarem o caminho do ‘McDonald’s’ mais próximo. Contudo, fiz pose e cara de bruto e espetei o que parecia ser carne de alce, búfalo, antílope ou algum mamífero caçado no Alasca. Como opção, algum pássaro abatido a tiros que, na churrascaria raiz ‘Tião Carreiro’ era descrito como “ave”. Na minha frente, um porco giratório parecia me encarar. O “porco no rolete” era a vedete do lugar, no entanto, enquanto eu me alimentei no restaurante, por assim dizer, rústico, o bicho nunca foi dividido.
Pois bem, como não poderia ser diferente, comi como um cavalo. Acredito que consumi proteína animal suficiente para ofender o mais tolerante dos veganos, bem como armazenei calorias para hibernar o inverno inteiro.
Já havia terminado, teria que sair dali sem arrumar confusão. O pagamento me ajudou a começar a voltar para o século XXI, na cidade de São Paulo. Contrariando a frequência do estabelecimento, não havia nenhum cavalo amarrado na entrada.
Quando alcancei a calçada, voltei de vez para aquele centro urbano. Foi quando notei que o meu ponto de vista estava alterado, ou melhor, acostumado. O ambiente urbano, com o qual eu estava acostumado, era mais perigoso que qualquer cidade dominada pelos fora-da-lei, onde valia o olho por olho, dente por dente.
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🔴 Falando para passarinhos
A “live” do Lula é um fracasso. Mesmo com toda a produção, mesmo contando com um entrevistador camarada (Marcos Uchôa), não deu certo. Como é visível, diferentemente dos seus colegas jornalistas, o ex-global perdeu a credibilidade e se desgasta ao lado de um mandatário ilegítimo.
Nicolás Maduro, confiando demais no endeusamento de Chávez, retratou como seu antecessor apareceu na forma de um passarinho. O simples pensamento gera uma imagem mental soviética do inventivo acontecimento. A descrição do evento bolivariano, foi lançada com o prognóstico de que seja um evento histórico: o dia que Cháves surgiu na forma de uma ave e aconselhou Maduro. Como Che Guevara mirando um futuro utópico, camisetas exibirão a estampa da ave assobiando na orelha do ditador venezuelano.
Lula não deixou de citar seu maior adversário político e talvez da vida, Bolsonaro. Mas, invocando uma mensagem subliminar, o pretenso ditador brasileiro exaltou a presença dos assobios irracionais. Pior, denunciou a ausência das avezinhas na “live” opressora, genocida, nazista e fascista do Bolsonaro. Conclusão: diferentemente da “live” sem audiência, mas cheia de pássaros, a “live” do ex-presidente tinha muita audiência, mas não a plateia alada.
Iconoclasta, a duplinha sul-americana, Lula e Maduro, como em todas as distopias, sonha com o fim de imagens que ligam a população, a ser dominada, com o transcendente, com o sagrado. E, lógico, se apresentarão como quem deverá ser venerado.
Sem dúvida, a realidade paralela, somada a uma dose generosa de picaretagem, criou uma imagem turbinada de vaidade. Nada mais irreal que isso. Lula atropelou as lembranças da vida sofrida, bem como os sintomas de honestidade. Décadas de um batalhão de puxa-sacos dirigindo, servindo café, emprestando coisas, blindando, elogiando e fazendo absolutamente tudo forjaram o sindicalista refratário ao povo.
Lula e Maduro, apartados da realidade e embriagados deles mesmos, acreditam que são abençoados por passarinhos falantes.
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🔴 Pindorama: o reino da Borboleta Azul
A maior contribuição da Carreta Furacão (Lula e sua turma) chama-se Flávio Dino. A criatura com nome jurássico trouxe humor involuntário ao debate político. Involuntário porque ele não quer ser engraçado, mas como se leva a sério, acaba sendo cômico.
Esta semana, um “Zé Graça” da internet publicou uma performance de um (ou uma) “drag queen” fantasiado (ou fantasiada) de Borboleta Azul. Isso viralizou na internet. A Agência Lupa correu para avisar que aquilo não era o Flávio Dino. Provavelmente, ninguém achou que a (o) “drag queen” era o ministro.
“O meme passa por baixo da porta, enquanto a notícia ainda está tocando a campainha”. Ignorando que o meme é uma piada, a Agência Lupa correu para atestar a veracidade de algo que é propositalmente uma caricatura. Assim, a Agência Lupa novamente vira piada, cai em descrédito e mostra-se militante.
Dino não precisaria se esforçar para ser ofendido. No entanto, ele parece fazer questão de se “vender” autoritário. Sua presença já é grosseira, sua voz é um desacato e sua expressão parece sempre chamar para briga. Além do “kit” de fabricação, esse é um ministro da Justiça e Segurança Pública pronto para perseguir pessoas “de bem”.
O ministro maranhense já compareceu na Câmara dos Deputados, quando convidado para depor. Numa dessas ocasiões, saiu-se com essa: comparou-se com um Vingador (super-herói). Com muita boa vontade, poderíamos associar o substantivo a “vingativo”, sabendo-se que é comparsa do Lula. Porém, não é isso. A referência revelou uma alma infantilizada, bem como a estreiteza de raciocínio. Mas também parecia revelar um funcionário público bonachão, sem aquela sisudez atribuída aos burocratas. Temos aqui um brincalhão!? Engano. O ministro não absorveu a brincadeira. Mesmo sem matar ninguém, o autor do meme foi chamado de nazifascista.
O pobre Flávio Dino pode ser uma alma boa, trancada naquela carranca que parece um cárcere impedindo que a vida seja aprazível. Mas mesmo com esforço contrário, esse sujeito é engraçado.
Obs: texto com imagem no blog:
Gazeta Explosiva
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