rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔴 Jogo baixo







Espalharam uma “fake  news” de grife, que nem sequer blogueiro sério lançaria. Só podemos atribuir a disseminação desta notícia falsa à má-fé dos militantes que se disfarçam de jornalistas. O  inquérito das “fake news” e as agências checadoras deixaram escapar essa!




Dessa vez,  o “clubinho” “abraçou” a história que Jair Bolsonaro e sua esposa, Michelle, almoçaram com Guilherme de Pádua, assassino de Daniella Perez, e a esposa. Na  verdade, decepcionando os jornalistas que correram para publicar sem apurar, Guilherme não estava, portanto o desinteressante material jornalístico se resumia a uma fotografia da Michelle com Juliana Lacerda, atual esposa do assassino.  “Barriga” (informação errada) coletiva, “fake news” de grife.




Sem  vergonha de espalhar uma notícia falsa, os militantes infiltrados  nas redações “morderam a isca”; ou melhor, distraídos, foram”puxados numa rede de arrasto”. Como esses auto-intitulados jornalistas compartilham e/ou copiam uma “informação” dessas, achando que é a “bala de prata”, a mentira “viraliza”. Na sanha de “flagrar” o casal Bolsonaro em pleno encontro sórdido, inventaram que a inocente (pelo menos, no crime famoso) Juliana e Michelle são melhores amigas. Detalhe importante: o assassinato completa 30 anos (este ano), mas o documentário que relembra a história está em alta. Eis a imprensa dita séria noticiando coisas do nível “Bebê diabo” e “Homem grávido”. Pelo menos, o Notícias Populares, que veiculava “fatos” desimportantes ou mentirosos, era deliberadamente escrachado.




Escolas e faculdades, na pretensão de “formar” agentes de transformação social, despejam profissionais doutrinados, dentre eles, jornalistas. Por isso o Jornalismo está tão ruim. Para não ficarem autolaudatórios, elogiam-se uns aos outros. Mesmo quem pensa diferente dessa “beautiful people” tem que fingir que pensa igual para sinalizar virtude, bem como não ser “cancelado”, ter a reputação destruída e “viver um inferno”




Esse noticiário de “Twitter” rebaixou quase tudo (política etc) a fofoca. O clique substituiu grande parte do jornalismo investigativo, e “notinhas”, que preencheriam bem espaços entre “merchans” do ‘Ômega 3’ e ‘Tekpix’, circulam em manchetes de grandes jornais. As mídias que se sujeitarem à vontade das redações ficarão estigmatizadas como “velha imprensa”.




O antibolsonarismo psicótico (segundo Ana Paula Henkel) contaminou um tipo de jornalista que não consegue comentar nada, seja trânsito ou previsão do tempo, sem “espinafrar” o Bolsonaro. Essa imprensa, que inventa fatos para corroborar argumentos, é apelidada pelo Guilherme Fiúza de “consórcio”. São os mesmos que queriam derrubar o Michel Temer.




Isso é só uma amostra de como nessas eleições o jogo será baixo como nunca antes visto neste país. Isso é só o começo.
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🔵 E lá se vai mais um dia...




Ainda criança, é claro que eu preferia o rock nacional dos anos 80. Era completamente inteligível “Eduardo e Mônica” ou “Bete Balanço”, em vez daquelas músicas estranhas que falavam de “Vento solar” e “Um girassol da cor de seu cabelo” ou com nomes diferentes: “Nuvem Cigana”, “Trem de Doido” etc.




Já adolescente, trabalhando no estoque escuro e claustrofóbico, em uma loja de roupas, no Shopping Center Norte, eu ouvia coisas como: “Viagem de ventania”; “Vendaval, carrossel, segue a vida a rolar”; “Coração vulgar que navega no céu, que navega no ar”; músicas com nomes estranhos: “Chuva na Montanha”; “Vento de Maio”; e “A Página do Relâmpago Elétrico”, músicas com harmonias “difíceis” e “acidentes” que faziam muito bem aos meus ouvidos. 




Sem saber, eu estava “fugindo pra outro lugar”. Dava até vontade de tocar um violão imaginário. Isso tudo dava saudades de algum lugar que eu nunca estive. Eu interpretava aqueles versos oníricos, às vezes literalmente ou “viajando” de maneira bastante particular. Mesmo sabendo que tudo aquilo certamente foi escrito com outro sentido, descrevendo algum acontecimento ou momento, que merecia ser eternizado, sempre soube que as palavras e versos ganham o mundo. O poeta/compositor quer isso: que no fundo de um estoque de roupas, em São Paulo, pregando alarmes, cumprindo ordens desconfiadas e repressivas, alguém imagine subjetivamente, portanto diferentemente, poesias emanadas das montanhas de Minas Gerais.




Desse modo persegui (reencontrei) as músicas do Clube da Esquina. Gravando em fitas cassete, tocando no violão, simplesmente ouvindo e inclusive lendo, fui atrás de quase tudo o que referia-se ao famoso clube das esquinas, becos e bares.




Precisei conhecer o cruzamento das ruas Divinópolis com a Paraisópolis para descobrir que nas esquinas das ruas da Vila Galvão acontecia a mesma coisa. As letras de música e as rodas de violão rolavam despretensiosas. Longe de querermos mudar o mundo, atingimos nossos objetivos mais palpáveis.
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🔴 Guerra das cartas




A moda retomada por Lula pegou, e agora temos uma profusão de cartas. Sem dúvida, a tal “carta pela democracia” é hipócrita do começo ao fim. Bolsonaro ironizou  a atitude, mas seus apoiadores lançaram a “carta pela liberdade”. Esta já está liderando no número de assinaturas.




Como percebemos, quem fala em “democracia” procura atingir um objetivo que passa longe do real significado da palavra. Falam de uma democracia esvaziada de sentido, da boca pra fora. O único objetivo é ludibriar. Pois, se todos prometem essa tão falada democracia, deve ser boa. Dito de maneira correta, esse termo engana. Gera até uma carta que reúne a nata da hipocrisia. 




Se, com postura e impostação, alguém disser que a lâmpada é democrática, pois ilumina todos, e o piso é democrático porque mantém todos com os pés no chão, esse sofista contemporâneo ganhará reportagem no Jornal Nacional e no Fantástico, é possível que ganhe uma medalha no Supremo Tribunal Federal (STF); no entanto, claro, é um embusteiro. Essa é a “carta pela democracia”, um embuste eleitoreiro.




Dentre as classes que almejam a volta dos privilégios, estão banqueiros, lulistas e empresários. Os empresários desejam a volta do malandro”, na fila para obterem empréstimos generosos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e tornarem-se os novos “campeões nacionais”. Todos os que estão esperneando contra o governo sentem um certo asco do povão, desejam a volta do dinheiro fácil.




Cada um dos que assinaram a intitulada “carta pela democracia” defendia um interesse particular ou de um setor que, claro, o beneficiará. O evento de assinatura do documento foi com evidente viés político, embora, envergonhados, os signatários tentassem disfarçar.




Revelando o indisfarçável distanciamento do povo, e até um certo nojinho, mais uma vez os “ungidos” vêm com essa “decisão” de cima pra baixo. Com a arrogância de sempre, eles fazem pose, cara e voz de “condutores da Nação” e praticamente dizem em quem devemos votar.




A “carta pela liberdade” foi quase ignorada. As eleições são chamadas de “festa da democracia”. Agora começo a entender melhor porque a utilização da palavra “festa”. Pouquíssimos são os convidados.



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🔴 Dando bandeira







Não têm o mínimo pudor e acusam o golpe quando vilipendiam a nossa bandeira. Na triste e desesperada tentativa de atingir o “genocida” que nunca matou ninguém, atacam a bandeira. Revelando uma estratégia errada, entregam um símbolo nacional e suas cores para o “mito” e seus seguidores.




A juíza Ana Lúcia Todeschini Martinez, de Santo Antônio das Missões, RS, sem juízo, acordou achando que o “símbolo augusto da paz” era item da propaganda eleitoral bolsonarista e proibiu seu uso no período eleitoral. Felizmente a imbecilidade não prosperou.




A cantora Bebel Gilberto, numa apresentação nos Estados Unidos, recebeu uma bandeira de alguém da plateia. Sem saber que os imigrantes brasileiros amam o Brasil ou deixando o ódio político tomar o protagonismo de suas ações, pisoteou o “manto sagrado”. Racionando que não é bom para um artista eliminar grande parte do público por paixões políticas, desculpou-se. Tarde  demais.




Recentemente, a seleção feminina brasileira de futebol foi proibida de exibir o símbolo do seu país de origem. O gesto constrangedor e autoritário foi transmitido pela televisão. A Copa América mais uma vez ficou marcada por polêmica. Nesse quesito, o esporte masculino e o feminino conquistaram a tão sonhada igualdade. 




Cenas de bandeiras incendiadas sempre foram vistas, sendo que geralmente EUA, Israel ou Palestina eram vítimas do fogo e do pisoteamento do “bem”. O que vem se tornando comum são brasileiros, exalando rancor eleitoral e brincando de terroristas extremistas, gostando de ser flagrados queimando o “lindo pendão da esperança”. 




Não é só hoje que a bandeira vem sendo desrespeitada. Na escola, numa ofensiva de recontar a história e enterrar nosso passado imperial, as cores da bandeira ganharam significados, digamos, muito significativos, sobretudo o verde e o amarelo: verde - vegetação brasileira; amarelo - o ouro e as riquezas. Originalmente: verde - Casa de Bragança; amarelo - Casa de Habsburgo.




A oposição sempre ostentou a bandeira vermelha; os bolsonaristas adotaram as cores verde e amarela, antes desprezadas, em sinal de patriotismo. Deram bandeira.
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🔵 O pai, dois irmãos e um cão




O pai carregou sua ‘Variant’ com os dois filhos e o cão. Eu sempre chamei meus vira-latas de “cão”, com a finalidade de atribuir alguma nobreza aos animais. Não era esse o caso, pois se tratava de um exemplar de Pastor Belga.




O histórico passeio reuniu uma combinação explosiva: um pai pouco afeito a arriscar passeios do tipo “domingo no parque”, juntando dois irmãos prestes às vias de fato e transportando uma fera com dentes afiados.




Ao pararmos e desembarcarmos num terreno baldio e árido, a questão: o que viemos fazer ali?O que poderia ser decepção tornou-se um dia inesquecível. O desembarque do trio (os irmãos e o cachorro) foi tranquilo; entretanto, a cordialidade no futuro embarque não estava garantida. Contudo, a liberdade e a alegria de um cão correndo livremente faz qualquer um esquecer que existem boletos, buzinadas, maldade, decepções e tristeza. Um cão correndo, sem corrente, sem os limites de um portão, pareceu sorrir; eu sempre vou ter a certeza: aquele dia, o Teg sorriu.




Depois de muito tempo, meu irmão, eu e o cachorro preto voltamos, sujos pela poeira. Mas ninguém levou bronca porque a sujeira fazia parte dos planos. O cachorro, zuado, mas feliz, continuou o “serviço sujo” quando “notou” que aquilo era, enfim, permitido. A ancestral raça ofendida finalmente tinha sua vez: era consentido lamber a cara, pular em cima, brincar de avançar e sujar o banco do carro.




Esse dia inesquecível só ficou gravado porque contou com a condescendência do meu pai. Talvez ele tenha saído de casa carregando o fardo da obrigação de levar “os dois meninos” pra passear; contudo ele ficou zelando para que o momento fosse sublime. E foi.




Há muito tempo, aquele “território de brincar” não existe mais, foi construída uma casa. A princípio, sempre pensei que aquele episódio havia sido sepultado; mas a existência merece que ele exista: em lembrança, em sonho ou naquele mesmo local.




As melhores baladas, os maiores shows, as mais surpreendentes viagens, nada mais pode ser melhor que um momento desses, em família, que não pode se repetir. O pai, dois irmãos e um cão...
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🔴Pode isso, Arnaldo?







Jair Bolsonaro foi ao ‘Flow Podcast’. A entrevista, que durou mais que 5 horas e, nesse momento, chega em 10 milhões de visualizações, provavelmente, foi estudada e sinalizada pela equipe de campanha como algo que poderia ser muito positivo para a imagem, porque dialoga com um público que só liga a televisão para assistir às séries em “streaming”. O tiro também poderia sair pela culatra. Não foi isso o que aconteceu. Pelo contrário, o presidente conseguiu mostrar o que antes alguns canais de televisão e jornais tentavam esconder, e só a “bolha” (bolsonaristas) enxergava. Na saída, devido o assédio da molecada, tenho certeza, a “bolha” estourou. E o Lula fracassará seu golpe nessa turma que desconhece o Mensalão e o Petrolão.




Igor, entrevistador e sócio do ‘Flow’, deu uma “aula”, a qualquer jornalista, de como questionar um político — principalmente o controverso Bolsonaro. Ele foi incisivo, mas não ofensivo, Igor abordou temas polêmicos e extraiu respostas reveladoras e sinceras. O que vemos, quase sempre, são jornalistas militantes agressivos com Bolsonaro e bajuladores com Lula.




Em igual estratégia, Lula, mais uma vez em ambiente controlado, transformou um ‘podcast’ em palanque, e os entrevistadores em plateia abobada e meros bajuladores. Contudo, como este outro ‘podcast’ obteve uma audiência muito mais baixa o estrago não foi tão abrangente.




Com este ousado passo do ‘Flow’, o formato ‘podcast’ ganha maturidade e se consolida como importante meio de comunicação. Se antes se restringia a um bando de moleques chapados de álcool e maconha “jogando conversa fora” com “influencers”, agora eles se comportam como quem fala, literalmente, para milhões de pessoas. Mas a informalidade, que é a boa característica do ‘podcast’, continua.




O ‘Flow’ (Igor) não chega a ser um território hostil, tampouco se classifica como zona de conforto; preciso é encará-lo como “isentão”, ou seja, aquele que não se considera nem “de direita” nem “de esquerda”. De certa forma, e utilizando uma linguagem apropriada ao Capitão, ele estourou o cativeiro e libertou algumas almas.
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🔵 Fecham-se os portões




O Corinthians estava com seu estádio em Itaquera quase pronto. O próximo jogo seria contra o Flamengo, adversário que nunca pude assistir porque não consegui entrar nesse mesmo estádio. Comprei o ingresso com antecedência, para evitar ficar de fora mais uma vez. O último jogo no Pacaembu, como mandante, antes do estádio próprio, seria contra a equipe carioca.




Durante o caminho e o jogo relembrei cada local, dentro e fora do estádio, onde assisti a vários jogos: arquibancada, numerada, tobogã, geral, alambrado, portões e morro. O morro era um terreno baldio onde se via algo como um sexto do campo. Coisa de corintiano (maloqueiro e sofredor). Além disso, entrei no gramado (em show de rock), conheci o Museu do Futebol e algumas partes internas do complexo esportivo.




Cenas tristes: porradas, bombas, sirenes, brigas de torcidas, tentativas de (e) invasão de campo e o saque do produto de um vendedor de amendoins (“de um lado esse carnaval, do outro a fome total...”).




Lembrei das pessoas que foram àquele campo comigo: pai, irmã, tio, primo, sobrinhos, namorada e amigos. Ali, Ronaldo Fenômeno fez um ‘hat trick’ (3 gols), a Gaviões da Fiel derrubou o portão do alambrado numa derrota, o Corinthians empatou, perdeu e ganhou.




O Pacaembu foi palco do último jogo de muitos jogadores e torcedores, literalmente. Aquele Corinthians 2 X 0 Flamengo foi o meu último jogo. Atualmente, vejo a destruição do Tobogã com a mesma tristeza, e até melancolia, de quem lembrava a antiga Concha Acústica do Pacaembu dos anos 40 como se fosse extirpado um pedaço de sua história. Faz parte.




O final  da partida já havia sido há uns 30 minutos, o Pacaembu já estava fazendo eco e dava pra escutar os últimos jornalistas e funcionários do Estádio. Esperei até quase o fechamento dos portões. Quando vi a Gaviões da Fiel evadindo-se cantando Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa, calculei que era chegado o momento, saltei da cadeira e saí...




“... saudosa maloca, maloca querida

Que din donde nós passemos dias feliz de nossa vida...”

   (Adoniran Barbosa)
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🔴 O que é isso, companheiro?







Jean Wyllys promete retornar. Seja lá qual buraco da Europa ele se escondeu, certamente  resolveu externar essa vontade sabendo que isso é uma ameaça. Mais que isso, como a ameaça é mediante a saída do Bolsonaro do Palácio do Planalto, o político filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) imagina que será carregado em ombros amigos, no saguão do aeroporto, na sua imaginária volta à democracia.




O ex-deputado quer repetir a história, e como ela se repete como farsa, ele pode cumprir a promessa, já que a mentira é sua zona de conforto. Sua eleição foi uma mentira, a qual ele logo fez questão de “presentear” um amigo com o cargo.




Jean Wyllys diz que voltará para “reconstruir o Brasil. A questão é: se essa bravata não for sua arrogância habitual, por que ele não reconstrói a si mesmo? Um sujeito que cospe nas pessoas e gostaria de esperar um suposto fim do mundo entretido com sexo promíscuo e drogas não tem nada pra reconstruir.




Logicamente, a única chance de ele voltar ao País para, digamos, reconstruí-lo será com a vitória do Lula. Entretanto, pelo contrário, a ideia do presidenciável petista, que promete, sim, destruir o Brasil e não precisa de ajuda, é colocar o plano em ação junto a quem tenha alguma coragem.




Seja lá onde estiver, Jean Wyllys é muito mais útil longe, pois ficamos afastados das suas ideias ruins, do seu ódio  e de sua raiva, bem como de sua pusilanimidade. E é bom sempre lembrar, como sua arma é o cuspe, sua ausência é uma medida sanitária.




O petista inventou um exílio para chamar de seu. Já que ninguém se incomodou com ele, o jeito foi inventar e “denunciar” uma falsa ou paranoica perseguição. Mais uma vez, o ex-deputado planejou a própria farsa para estrelar. Ele teria medo de estar na pele do Allan dos Santos, este sim, exilado e não pode pisar em solo brasileiro para evitar ser preso.




Jean Wyllys leu algum livro, viu algum filme ou ouviu algumas histórias fascinantes da emocionante década de 60 e resolveu roteirizar sua vida de acordo com um tempo que ele não viveu. O maior empecilho é que ele obriga outras pessoas a entrarem nessa “piração” particular e representarem um papel compulsório.




Esse cara já se fantasiou de Che Guevara. É compreensível, para psicólogos. É melhor não contrariá-lo.
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🔵 A ilha do medo







O objetivo era fugir do Carnaval. Fantasias, a música e a alegria de plástico poderiam ser trocadas por um retiro à base de cerveja, um feriadão longe da Capital e rock. Providenciamos o local ideal, barraca e partimos em dois casais para a “escondida” Prainha Branca.




De fato, a tal Prainha Branca era afastada. Difícil de chegar. Ônibus, trem, ônibus intermunicipal, balsa e trilha. Havia aquele sacrifício para desbravar uma prainha deserta.  Depois daquela peregrinação, o que encontramos não foi um pedaço de areia inexplorado, ocultado por falésias e a Mata Atlântica. Para nossa surpresa, depois de vencer a Mata Atlântica, chegamos à sucursal da Grande São Paulo ou uma filial da piscina do Sesc Itaquera. Estava muito lotada, e não parava de chegar gente. A conclusão óbvia era que todos tiveram a mesma ideia: turistas querendo distância… de turistas.




A vantagem era que a praia era muito bonita e conseguimos escapar do Carnaval – em algum lugar tocava um disco do Steve Vai, esse som tomava conta de todo aquele trecho de litoral. Achamos um espacinho em frente ao Oceano Atlântico e levantamos acampamento. Se viesse um tsunami, assistiríamos resignados nossa própria morte, sem escapatória. Mas acordar pelo menos uma vez na vida com aquela vista valia o risco. Finalmente, tínhamos nossa “residência” com aquele quintal, em frente ao oceano ao som das ondas e Steve Vai – que tocava em “looping” eterno.




A rotina foi difícil, mas perfeita para quem estava disposto a abdicar dos confortos do planalto: tomar banho com água da montanha e viver a rotina de uma barraca. A adaptação ao novo dia a dia foi rápida. 




Entretanto, logo pela manhã, depois de dormir ao som das ondas e Steve Vai e abrir a barraca pr’aquele visual de pintura, num passeio pela areia, havia um cadáver obstruindo o feriado prolongado. Infelizmente, lembramos de quem, no dia anterior, era apenas um bêbado muito louco com um copo na mão. Ele, talvez, entrou no mar naquele estado, e o mar o devolveu morto.




O acontecimento fatal derrubou nosso astral e estabeleceu como seria o clima.




Aquele final de semana era a configuração ideal para uma sequência trash de Sexta-feira 13. Em vez de uma cabana na floresta, uma barraca numa praia paradisíaca. Como, no final, apenas sobrevive o casal mais comportado, comecei a planejar como escapar dali, antes que começasse o massacre.




Ônibus urbano, metrô, trem, ônibus interestadual, balsa e trilha, na ida, era aventura. Na volta, o mesmo trajeto, apenas invertido, tornou-se interminável. Pelo menos o objetivo inicial foi alcançado: fugir do Carnaval.












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🔴 Para quem odeia quem tem ódio




Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é. É com essa inversão de papéis que, sem se dar conta, aquele que age “dentro das quatro linhas”, pede desculpas a uma turba enfurecida. Nessa polarização política, quem ameaça, simula assassinatos e tenta matar, acusa o lado oposto e pacífico de pregar o “discurso de ódio”. 




Muita gente só passou a conhecê-lo depois da polêmica do “atentado ao presidente”. Para quem não tem talento, é um bom subterfúgio: o choque causado pela obra, substituindo a ausência de dom, é chamada de “genialidade não compreendida”. No entanto, o cineasta Ruy Guerra, com 90 anos, resolveu entrar no jogo dos medíocres e transformar sua obra em panfleto.




O cineasta disse que o vídeo do “atentado” foi tirado de contexto. Dentro do tal contexto deve ser exatamente o que foi interpretado. Mas, exercendo a minha boa vontade, sei, como Ruy Guerra também está careca de saber, que daqui a uma semana ninguém mais lembrara que esse filme existe. Sua sina é ganhar a “Chinchila de Ouro” como escolha do júri, o “Prêmio Arapuã de Cinema”, ser exibido numa mostra de cinema e o filme terminar seus dias esquecido numa cinemateca empoeirada.




A cena que o nonagenário resolveu gravar fará parte de um filme que encerra uma trilogia. Ah, tá... Então é uma cena fora de contexto, dum filme que poucos decoraram o nome, duma trilogia desconhecida... Poucas vezes vi algo tão avulso!




Jornalistas também tentam compensar a falta de talento, ficando conhecidos com uma polêmica besta. Desesperadamente, caçando cliques e repercussão, procurando um reconhecimento, mesmo que pela repulsa, jornalistas, apesar de não ser funkeiros, estão “descendo até o chão”. Esquecendo-se do endereço do lixo, publicam qualquer coisa que julgam ser uma boa ideia.




Hélio Schwartsman, da Folha de S. Paulo, resolveu compartilhar por que desejava matar Jair Bolsonaro; Mariliz Jorge, também da Folha de S. Paulo, gastou seu dicionário de palavrões para demonstrar seu ódio pelo Chefe do Executivo; Marcelo Coelho, claro, Folha de S. Paulo,  vendo que o arsenal contra o presidente não surtia efeito, como covarde que é, resolveu ofender as apoiadoras do Bolsonaro com insinuações libidinosas. Tamanho mau gosto, revela um desespero. Talvez queira seu retrato pendurado na parede da Folha como o “funcionário do mês”. 




Diogo Mainardi, O Antagonista, descobriu um trocadilho bem sacado, porém irreal e impublicável: chamou os caminhoneiros que pararam na Marginal Tietê de marginais; Ricardo Noblat sugeriu que o tiro no pé  será um tiro no peito do presidente da República.




Todos estes jornalistas perderam a noção da profissão e perderam a vergonha de expor o que são, para exercer uma subserviência disfarçada de ideologia. No caso do cineasta soma-se a busca desesperada por um público.




Poderia citar falas de um professor, um sedizente poeta, políticos, excetuando tuiteiros, no entanto não quero me tornar prolixo. Certamente a Psicologia teria muito mais trabalho nessa pequena amostra de ódio explícito.
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