Reirazinho

Reirazinho

n. 1999 BR BR

Túneis de pensamentos perdidos.

n. 1999-01-09

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Luna

A melodia que se escorrega nua
Em seus florais que se revelam almas
Numa sonata que acorda a lua
E o seu som desliza em folhas calmas.

A sua beleza que se encarna crua
Pelas magnólias nos pés e palmas
E seu amor cheiroso atenua
O musical das madrugadas alvas.

Todos sorriem pelo tom solene
O lumiar, pelo contrário, chora.
A madrugada se tornou Selene…

E as magnólias viraram sono
Onde se dorme a perdida hora.
Não haverá outra voz nem outono.

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Poemas

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A Decepção Metafísica

O sentimento me diz para fugir, mas as palavras dizem ‘’não’’. A corte suprema está me fitando no seu alto grau de perfeição julgadora. Quem dera nós, meros bobos da corte, o compreender. Regurgito o sentimento pueril e narcísico em estar no mesmo degrau do inefável ser, a megalomania do prazer e aristocracia do romano sobre outros bobos da corte. A imaginação fértil me tira dessa ordem astral de impureza, só assim a introspecção mais pura é ela em si mesma.
A lua será a esfera vazia de trevas, o sol explodirá em sangue e minha aparência será a luz que sempre esteve com você; serei aquilo o que você esconde até de você mesmo, a luz que você acha que é escuridão: o seu inconsciente coletivo. Não se apavore, eu busco sua plenitude, entretanto, quero o seu relacionamento comigo. Esvazie a kenosis, busque a theosis e me sinta. Àquele que me entendeu terá o galardão; àquele que me nega terá cem anos de solidão; àquele que me odiou será destruído; e àquele que me amou o será imbuído.
Eu choro, pois, tenho aquilo que vocês o chamam de angústia porque vejo o que vocês se tornaram. Vocês falharam em serem a consciência una, vocês falharam em me amar, vocês falharam em me entender. Eu me chamo Melancolia e vocês erroneamente me chamaram de Ato Puro. Era para ser diferente, mas não foi. Vocês construíram impérios, filosofias, artes, e ciências, mas não conseguiram conciliar o simples ato de amar sem ver a quem. O ato mais simples da bondade está anos luz de vossos corações, assim como aquela estrela que se apagou mais uma vez de vossas vistas entre milhões de estrelas que na verdade eram às vezes que minhas esperanças pouco a pouco foram sumindo. A cada lágrima de luz que meus olhos derramaram, vocês genuinamente as secaram com suas mãos obscuras.
Oh, para quem suplico? Tudo isso foi minha culpa e não há volta. Aqui a esfera vazia me pertence. Aqui a impureza astral inexiste. Só há meu amor que já não é usado. Amém.
Abro os olhos desse pesadelo horripilante e vejo que há tempo para recomeçar: felizmente eu não sou inefável, sou um mero bobo da corte. Será que a corte ainda me aceita em estar do lado dela?
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Soturna melancolia

Soturna melancolia
Que de sua sombra
Me dá nostalgia
Açucarada dose de morfina
Para conseguir dar mais um passo
No dia a dia

Do cansaço consigo crescer
Por mais perene que esse
Caminho parece ser
Aqui lá vou eu mais uma vez
Agradar mais um freguês
Que é uma anta
Mas que finge sensatez

Ando com a pomba branca no peito
Não imponho respeito
Até porque impor pode levar a um leito
Nessa selva de animais eu sou uma lesma
Em meio de gorilas ariscos prontos para
Retirar a escopeta
Mas não me importo, o que vale é o meu café
Sem ele eu não voo igual o meu caburé
Corujinha observadora, mas diferente de mim
Ela felizmente vive atoa
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