Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
Lista de Poemas
GRECO-ROMANO
Os deuses se confundem nas histórias
Dos povos que se fundem n'um só povo:
O vencedor se vê como o renovo
Capaz de reviver antigas glórias.
De modo que se veem premonitórias
As conquistas do velho para o novo...
No afã de descrever tudo de novo,
E ao fim prevalecer por tais vitórias.
A civilização assim transita
D'um povo que melhor se lhe acredita
Para o povo que maior se compreende...
O que resulta d'isso, por cultura
Se divulgue em vã nomenclatura,
Face àquilo que mítico s'estende.
Betim - 19 04 2018
Dos povos que se fundem n'um só povo:
O vencedor se vê como o renovo
Capaz de reviver antigas glórias.
De modo que se veem premonitórias
As conquistas do velho para o novo...
No afã de descrever tudo de novo,
E ao fim prevalecer por tais vitórias.
A civilização assim transita
D'um povo que melhor se lhe acredita
Para o povo que maior se compreende...
O que resulta d'isso, por cultura
Se divulgue em vã nomenclatura,
Face àquilo que mítico s'estende.
Betim - 19 04 2018
374
JUDAICO-CRISTÃO
O Deus de Judá reina sobre a Terra
Como se uma consciência colectiva!...
E o respiro de cada coisa viva,
Creem que de seu espírito algo encerra.
Deus d'exércitos sim; Senhor da guerra,
Em seu nome vêm ter com mão ativa
Os corações e as mentes à deriva,
Indiferentes se Ele existe ou se erra:
A ferro e fogo, todos os gentios
Fizeram batizar em turvos rios
Como fizera Cristo entre os judeus.
Foi assim que passadas eras plenas
Ao deus desconhecido, desde Atenas,
O Ocidente O elevou a único Deus...
Betim - 18 04 2018
Como se uma consciência colectiva!...
E o respiro de cada coisa viva,
Creem que de seu espírito algo encerra.
Deus d'exércitos sim; Senhor da guerra,
Em seu nome vêm ter com mão ativa
Os corações e as mentes à deriva,
Indiferentes se Ele existe ou se erra:
A ferro e fogo, todos os gentios
Fizeram batizar em turvos rios
Como fizera Cristo entre os judeus.
Foi assim que passadas eras plenas
Ao deus desconhecido, desde Atenas,
O Ocidente O elevou a único Deus...
Betim - 18 04 2018
335
PERTENCES (vilanela)
Algo que permanece d'aura extensa
Como a essência invisível dos objetos,
Cujo longo uso indicam-nos pertença:
Além do que se faz ou que se pensa
De nós em nossos gostos prediletos,
Algo que permanece d'aura extensa.
Desgastadas relíquias d'uma crença,
Onde os dedos premiram, inquietos,
Algo que permanece d'aura extensa.
Alguma fé absurda mas imensa,
A fazer-nos abstratos mais concretos...
Algo que permanece d'aura extensa.
Os óculos, a pena, o terno, a prensa...
Visto de humanidade já repletos,
Algo que permanece d'aura extensa.
Em tudo que estivemos nós completos,
Quando da ausência, seja-nos presença
Nos ressignificando em amuletos,
Algo que permanece d'aura extensa...
Betim - 15 04 2018
Como a essência invisível dos objetos,
Cujo longo uso indicam-nos pertença:
Além do que se faz ou que se pensa
De nós em nossos gostos prediletos,
Algo que permanece d'aura extensa.
Desgastadas relíquias d'uma crença,
Onde os dedos premiram, inquietos,
Algo que permanece d'aura extensa.
Alguma fé absurda mas imensa,
A fazer-nos abstratos mais concretos...
Algo que permanece d'aura extensa.
Os óculos, a pena, o terno, a prensa...
Visto de humanidade já repletos,
Algo que permanece d'aura extensa.
Em tudo que estivemos nós completos,
Quando da ausência, seja-nos presença
Nos ressignificando em amuletos,
Algo que permanece d'aura extensa...
Betim - 15 04 2018
384
OS OUTROS - Crônicas d'anteontem
OS OUTROS
Sim, agora que estamos apenas nós aqui, podemos falar d'eles: Coitados, tão estúpidos... tão simplórios... tão idiotas... Nós, que não somos como eles, é que sabemos a verdade! Como eles não sabem? Quando vão se calar e fingir que concordam conosco? Afinal, temos méritos intelectuais inquestionáveis e sistemas filosóficos inteiros! E eles, oras!...
Quem eles pensam que são? Eles pensam? Doutrinados que foram para repetir frases feitas e acreditar em historinhas infundadas!... Ao contrário de nós, que temos verdades sólidas e perfeitas, mas, justamente por isso, universais: Servem para tudo e todos! Ai d'aqueles que não entendem!... Como podem se cegar diante dos factos que elencamos e, sobretudo, da força de nossas convicções?! Até quando serão escravos de ideias alheias? Até quando se submeterão às ideologias apressadas ou aos maniqueísmos primários que os líderes vociferam continuamente?! A propósito, seus líderes: Que ridículos! Matéria para caricaturas! Contradições ambulantes, tangem feito gado a massa buliçosa...
Que espetáculo patético! Quanta manipulação interessante-interesseira! Quantos pseudo-pensadores!!!
Os outros estão lá e nós aqui. Entre iguais, falamos e somos compreendidos: Todos como um! Democracia?! O exaustivo debate com quem só escuta a si mesmo e contra-argumenta lugares comuns me esgota: Falar, discutir, parlamentar... É inútil! Muito mais produtivo impor nosso ponto de vista e eliminar as contradições, internas ou externas.
O curioso é que, saindo d'aqui, nos misturamos... Na multidão da metrópole, parecemos todos iguais: As cores simbólicas dão lugar às roupas do dia a dia. Difícil dizer quem é isto ou aquilo: Coexistimos.
E, embora não concordemos em quase nada, nossa humanidade nos exige ao menos a consciência de nosso destino comum, isto é, a morte. Ah, que excepcional a condição humana... Não basta aos homens morrer: É preciso viver tendo consciência de quão breve pode ser a vida!...
Talvez não sejamos, nós e os outros, tão diferentes assim.
Mas, o que estou dizendo? Onde estão os nossos princípios? Onde estão os nossos hinos e bandeiras? Onde as nossas palavras de ordem! Não devemos baixar a guarda jamais!
Pelas palavras ou pela força, venceremos!
(Mesmo que vitória provisória à espera da próximo entrevero...).
Betim - 15 04 2018
Sim, agora que estamos apenas nós aqui, podemos falar d'eles: Coitados, tão estúpidos... tão simplórios... tão idiotas... Nós, que não somos como eles, é que sabemos a verdade! Como eles não sabem? Quando vão se calar e fingir que concordam conosco? Afinal, temos méritos intelectuais inquestionáveis e sistemas filosóficos inteiros! E eles, oras!...
Quem eles pensam que são? Eles pensam? Doutrinados que foram para repetir frases feitas e acreditar em historinhas infundadas!... Ao contrário de nós, que temos verdades sólidas e perfeitas, mas, justamente por isso, universais: Servem para tudo e todos! Ai d'aqueles que não entendem!... Como podem se cegar diante dos factos que elencamos e, sobretudo, da força de nossas convicções?! Até quando serão escravos de ideias alheias? Até quando se submeterão às ideologias apressadas ou aos maniqueísmos primários que os líderes vociferam continuamente?! A propósito, seus líderes: Que ridículos! Matéria para caricaturas! Contradições ambulantes, tangem feito gado a massa buliçosa...
Que espetáculo patético! Quanta manipulação interessante-interesseira! Quantos pseudo-pensadores!!!
Os outros estão lá e nós aqui. Entre iguais, falamos e somos compreendidos: Todos como um! Democracia?! O exaustivo debate com quem só escuta a si mesmo e contra-argumenta lugares comuns me esgota: Falar, discutir, parlamentar... É inútil! Muito mais produtivo impor nosso ponto de vista e eliminar as contradições, internas ou externas.
O curioso é que, saindo d'aqui, nos misturamos... Na multidão da metrópole, parecemos todos iguais: As cores simbólicas dão lugar às roupas do dia a dia. Difícil dizer quem é isto ou aquilo: Coexistimos.
E, embora não concordemos em quase nada, nossa humanidade nos exige ao menos a consciência de nosso destino comum, isto é, a morte. Ah, que excepcional a condição humana... Não basta aos homens morrer: É preciso viver tendo consciência de quão breve pode ser a vida!...
Talvez não sejamos, nós e os outros, tão diferentes assim.
Mas, o que estou dizendo? Onde estão os nossos princípios? Onde estão os nossos hinos e bandeiras? Onde as nossas palavras de ordem! Não devemos baixar a guarda jamais!
Pelas palavras ou pela força, venceremos!
(Mesmo que vitória provisória à espera da próximo entrevero...).
Betim - 15 04 2018
316
GESTUAL
Vontade d'expressar tudo sem falar nada
E n'algo inconsequente, igual um soco no ar,
Pôr tamanha energia onde fosse esmurrar
As fuças do sujeito atrás da papelada!...
Sem embargo, traduza a minha dor calada
N'um acesso tão amplo quanto sem lugar...
Como protesto eu fique a lhe gesticular
Com fúria me chispando ainda a má mirada.
Pareça-lhe agressivo ao passo que, agredido,
Consigo me indignar n'esse gesto incontido
Contra quanto me cala e me oprime e me aliena.
Eu, todavia, expresse algo quase inumano
Como explodisse então, pouco republicano,
Sem lhe verbalizar sequer palavra plena...
Belo Horizonte - 10 04 2018
E n'algo inconsequente, igual um soco no ar,
Pôr tamanha energia onde fosse esmurrar
As fuças do sujeito atrás da papelada!...
Sem embargo, traduza a minha dor calada
N'um acesso tão amplo quanto sem lugar...
Como protesto eu fique a lhe gesticular
Com fúria me chispando ainda a má mirada.
Pareça-lhe agressivo ao passo que, agredido,
Consigo me indignar n'esse gesto incontido
Contra quanto me cala e me oprime e me aliena.
Eu, todavia, expresse algo quase inumano
Como explodisse então, pouco republicano,
Sem lhe verbalizar sequer palavra plena...
Belo Horizonte - 10 04 2018
335
UBÚNTU
Não adormeças sobre os teus anseios,
Tampouco deixes sonhos embotados.
A solidão ligeira faz passados
Os princípios e os fins quando sem meios.
Andaste tu perdido em devaneios
A ver como se d'olhos já vendados...
Não julgues de antemão desencontrados
Tanto os desejos teus quanto os alheios.
Desde que o mundo é mundo, as pessoas
Têm para si razões sempre tão boas
Que nos outros não veem senão conflitos.
Se, contudo, a verdade se partilha
Crescer co'os outros é a maravilha
Que faz os nossos dias mais bonitos.
Belo Horizonte - 05 04 2018
Tampouco deixes sonhos embotados.
A solidão ligeira faz passados
Os princípios e os fins quando sem meios.
Andaste tu perdido em devaneios
A ver como se d'olhos já vendados...
Não julgues de antemão desencontrados
Tanto os desejos teus quanto os alheios.
Desde que o mundo é mundo, as pessoas
Têm para si razões sempre tão boas
Que nos outros não veem senão conflitos.
Se, contudo, a verdade se partilha
Crescer co'os outros é a maravilha
Que faz os nossos dias mais bonitos.
Belo Horizonte - 05 04 2018
338
POR ENGANO
Cumprimentou-me sem saber quem era.
Acenava, sorrindo-me sem graça.
Há tempos não o via e n'uma praça
Calhou de reencontrá-lo: --"Besta-fera!..."
Com efeito, das brumas da quimera
Retorno balbuciando uma chalaça.
E, antes que da surpresa se refaça,
Pede-me um adjutório e fica à espera.
Recordo-me do amigo qu'ele fora
No tempo qu'eu o tinha como amigo
E da distância havida vida afora.
"Mas que cara de pau!" -- pensei comigo --
"Nem se lembra de mim". Digo-lhe, embora:
-- "Perdão, foi por engano." -- e fui embora.
Belo Horizonte - 25 03 2018
Acenava, sorrindo-me sem graça.
Há tempos não o via e n'uma praça
Calhou de reencontrá-lo: --"Besta-fera!..."
Com efeito, das brumas da quimera
Retorno balbuciando uma chalaça.
E, antes que da surpresa se refaça,
Pede-me um adjutório e fica à espera.
Recordo-me do amigo qu'ele fora
No tempo qu'eu o tinha como amigo
E da distância havida vida afora.
"Mas que cara de pau!" -- pensei comigo --
"Nem se lembra de mim". Digo-lhe, embora:
-- "Perdão, foi por engano." -- e fui embora.
Belo Horizonte - 25 03 2018
319
MALFADADO
Todo dia o dia todo,
Ando contrariado
Por saber-me d'algum modo
No amor malfadado...
Tanto que nem me incomodo,
Quando dá errado.
Eu mais dia, menos dia
Desisto de tudo:
Qualquer mínima alegria,
D'amor sobretudo,
Me põe em má companhia
E eu me desiludo.
Tal e qual jogo d'azar
Outro amor em vão
Me fez quase acreditar...
No fim, bem ou não,
Tão-só soube revirar
O meu coração.
Todo dia o dia todo,
Ando contrariado
Por saber-me d'algum modo
No amor malfadado...
Tanto que nem me incomodo,
Quando dá errado.
Betim - 02 04 2018
Ando contrariado
Por saber-me d'algum modo
No amor malfadado...
Tanto que nem me incomodo,
Quando dá errado.
Eu mais dia, menos dia
Desisto de tudo:
Qualquer mínima alegria,
D'amor sobretudo,
Me põe em má companhia
E eu me desiludo.
Tal e qual jogo d'azar
Outro amor em vão
Me fez quase acreditar...
No fim, bem ou não,
Tão-só soube revirar
O meu coração.
Todo dia o dia todo,
Ando contrariado
Por saber-me d'algum modo
No amor malfadado...
Tanto que nem me incomodo,
Quando dá errado.
Betim - 02 04 2018
377
OLARIAS
Do barro que sou feito, eu também faço:
Tijolos, telhas, vasos, santos, gentes...
Viver a amassar lama -- sãos ou doentes! --
Mesmo que o pão se veja sempre escasso.
Mas, da casa humilde ao grande paço,
Haverão-d'encontrar bem aparentes
Os sulcos de meus dedos! Entrementes,
Definham meus costados de cansaço...
Isto de ao abstrato dar mais concretude
Traz-me a incomensurável solitude
Com a qual lido desde que m'entendo.
Sem embargo, trabalho por obrar
Até que um dia enfim tenham lugar
Os lares que nos sonhos sigo vendo.
Betim - 31 03 2018
Tijolos, telhas, vasos, santos, gentes...
Viver a amassar lama -- sãos ou doentes! --
Mesmo que o pão se veja sempre escasso.
Mas, da casa humilde ao grande paço,
Haverão-d'encontrar bem aparentes
Os sulcos de meus dedos! Entrementes,
Definham meus costados de cansaço...
Isto de ao abstrato dar mais concretude
Traz-me a incomensurável solitude
Com a qual lido desde que m'entendo.
Sem embargo, trabalho por obrar
Até que um dia enfim tenham lugar
Os lares que nos sonhos sigo vendo.
Betim - 31 03 2018
347
SEM SAÍDA
Convém me repetir todos os dias
As razões que me levam a deixar
Os caminhos que seguem sem chegar,
Enquanto muros cercam fantasias.
Em becos; pelas vielas mais sombrias,
Andei a me perder sem encontrar:
Bati em cada porta do lugar!...
Por horas devassei casas vazias.
Debalde... Sem saída nem entrada,
A cada tentativa em derredor
Só vendo todo o esforço dar em nada.
Sequer se trata já de amor ou dor,
Sim de saber findar uma jornada,
Que há muito não tem nada em seu favor.
Betim - 20 12 2003
As razões que me levam a deixar
Os caminhos que seguem sem chegar,
Enquanto muros cercam fantasias.
Em becos; pelas vielas mais sombrias,
Andei a me perder sem encontrar:
Bati em cada porta do lugar!...
Por horas devassei casas vazias.
Debalde... Sem saída nem entrada,
A cada tentativa em derredor
Só vendo todo o esforço dar em nada.
Sequer se trata já de amor ou dor,
Sim de saber findar uma jornada,
Que há muito não tem nada em seu favor.
Betim - 20 12 2003
356
Comentários (5)
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Lindos poemas ,meu caro!
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
bom vê-lo por aqui
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!