Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
Lista de Poemas
OÁSIS
No meio do meu caminho, haja um lugar
Onde eu queira parar quando cansado.
Lá, me ocupe em estar desocupado
E em contemplar os céus me demorar.
A vida ali transcorra devagar
Como se, sem futuro nem passado,
Pudesse meus pesares pôr de lado
Para mais docemente repousar.
Quedas d'água brilhando contra o sol
N'um chiado permanente mas tranquilo,
Enquanto olho o ir e vir do meu anzol.
E, indiferente em ser eu isto ou aquilo,
Inclinar-me tal-qual o girassol
Grato pela ventura d'este asilo.
Betim - 08 03 2018
Onde eu queira parar quando cansado.
Lá, me ocupe em estar desocupado
E em contemplar os céus me demorar.
A vida ali transcorra devagar
Como se, sem futuro nem passado,
Pudesse meus pesares pôr de lado
Para mais docemente repousar.
Quedas d'água brilhando contra o sol
N'um chiado permanente mas tranquilo,
Enquanto olho o ir e vir do meu anzol.
E, indiferente em ser eu isto ou aquilo,
Inclinar-me tal-qual o girassol
Grato pela ventura d'este asilo.
Betim - 08 03 2018
349
LUNÁTICO
Enquanto quatro fases mostra a lua,
Também eu apresento aos meus iguais
Mais personalidades disformais,
Onde algum mal da mente se insinua.
Penso que quando um eu meu s'extenua
Outro o sucede e, assim, um outro mais...
De modo que com modos impessoais
Evite enfim expor minh'alma nua.
Em vão: Muitos me têm por louco à solta!
Como se fosse à lua alguém sujeito
E andasse sempre ao léu não sem revolta.
Embora não o negue, contrafeito,
Sinto a lua afastar-se a cada volta
D'um mundo cada vez mais imperfeito.
Betim - 24 03 2018
Também eu apresento aos meus iguais
Mais personalidades disformais,
Onde algum mal da mente se insinua.
Penso que quando um eu meu s'extenua
Outro o sucede e, assim, um outro mais...
De modo que com modos impessoais
Evite enfim expor minh'alma nua.
Em vão: Muitos me têm por louco à solta!
Como se fosse à lua alguém sujeito
E andasse sempre ao léu não sem revolta.
Embora não o negue, contrafeito,
Sinto a lua afastar-se a cada volta
D'um mundo cada vez mais imperfeito.
Betim - 24 03 2018
370
LIVRÍSSIMO
Eu no livro me livro do que ignoro,
E me transporto então para além-mim...
Tudo que era verdade -- não e sim --
Ora soa como um vago desaforo.
Pois não importa se escrito ao riso ou choro,
Letra a letra me leva para o fim;
Aonde o olhar avança ainda assim
A perder-se nos vãos que rememoro.
Porém no livro tomo a liberdade
De ser quem nunca fui (jamais serei!...);
Seja eu herói, vilão, guerreiro ou rei...
Se em sua fantasia outra verdade,
Que já da realidade me desperta
E, para o bem e o mal, a mim liberta.
Belo Horizonte - 20 03 2018
E me transporto então para além-mim...
Tudo que era verdade -- não e sim --
Ora soa como um vago desaforo.
Pois não importa se escrito ao riso ou choro,
Letra a letra me leva para o fim;
Aonde o olhar avança ainda assim
A perder-se nos vãos que rememoro.
Porém no livro tomo a liberdade
De ser quem nunca fui (jamais serei!...);
Seja eu herói, vilão, guerreiro ou rei...
Se em sua fantasia outra verdade,
Que já da realidade me desperta
E, para o bem e o mal, a mim liberta.
Belo Horizonte - 20 03 2018
387
SARAU
Vinde bem todo aquele que é bem-vindo!
Assim que atravesseis os meus umbrais,
Comigo o bom da vida desfrutais
Antes que o nosso tempo seja findo.
Se não me acompanhais pelo que é lindo,
Ao menos não choreis d'estes meus ais...
Retribuo-vos com ósculos cordiais
Mil salves ao vestíbulo se ouvindo!
Trazei vossa alegria para a festa,
Certos de que a verdade que nos resta
Cabe inteira n'um cálice de vinho.
Pois, quando vós enfim fordes embora,
Sabereis de mim quanto sei agora:
Eu tão-somente andando tão sozinho.
Betim - 15 03 2018
Assim que atravesseis os meus umbrais,
Comigo o bom da vida desfrutais
Antes que o nosso tempo seja findo.
Se não me acompanhais pelo que é lindo,
Ao menos não choreis d'estes meus ais...
Retribuo-vos com ósculos cordiais
Mil salves ao vestíbulo se ouvindo!
Trazei vossa alegria para a festa,
Certos de que a verdade que nos resta
Cabe inteira n'um cálice de vinho.
Pois, quando vós enfim fordes embora,
Sabereis de mim quanto sei agora:
Eu tão-somente andando tão sozinho.
Betim - 15 03 2018
384
LICENÇA DE USO
Tu podes me citar e recitar,
Fazendo o melhor uso de meus versos
Que há algum tempo veem por aí dispersos,
Subscritos pela data mais lugar.
Basta-me a gentileza de indicar
Notas de rodapé ou mesmo anversos
Onde figurem nomes controversos
Aos quais também eu possa me juntar.
Em boa companhia ou já nem tanto
N'outro texto o meu texto mostre o encanto
Com que a palavra escrita me possuiu.
Deixo, assim, de bens maiores ou melhores
Em favor cá d'aqueles escritores
Em que ainda a poesia mal influi.
Betim - 14 03 2018
Fazendo o melhor uso de meus versos
Que há algum tempo veem por aí dispersos,
Subscritos pela data mais lugar.
Basta-me a gentileza de indicar
Notas de rodapé ou mesmo anversos
Onde figurem nomes controversos
Aos quais também eu possa me juntar.
Em boa companhia ou já nem tanto
N'outro texto o meu texto mostre o encanto
Com que a palavra escrita me possuiu.
Deixo, assim, de bens maiores ou melhores
Em favor cá d'aqueles escritores
Em que ainda a poesia mal influi.
Betim - 14 03 2018
438
POR ESTUPIDEZ
A mesma mão que afaga é a que agride...
E a boca que antes beija após maldiz!
é querer longe quem junto se quis
Ou ter a mão já pronta p'ro revide.
Não importa quão bem co''o mal se lide:
Um dia falham todos os ardis!...
E pensar que buscando ser feliz
Para casa um demônio se convide...
Foge como fugisse então da guerra,
Certa que se ficar um pouco mais
Ele te deixa exangue sobre a terra!...
Antes estar sozinha mas em paz
Que viver com alguém que a ti aterra
E enfim te mata por te amar demais!
Belo Horizonte - 13 03 2018
E a boca que antes beija após maldiz!
é querer longe quem junto se quis
Ou ter a mão já pronta p'ro revide.
Não importa quão bem co''o mal se lide:
Um dia falham todos os ardis!...
E pensar que buscando ser feliz
Para casa um demônio se convide...
Foge como fugisse então da guerra,
Certa que se ficar um pouco mais
Ele te deixa exangue sobre a terra!...
Antes estar sozinha mas em paz
Que viver com alguém que a ti aterra
E enfim te mata por te amar demais!
Belo Horizonte - 13 03 2018
379
O ANTAGONISTA
Mas tudo à minha volta me revolta
E eu não sei ser senão insatisfeito...
Sim, de tanto ver tudo do meu jeito,
Te antagonizo sem reviravolta...
Não cuido se demônios meus a solta
Ou se personifico algum conceito:
Vivia eu n'um pretérito imperfeito
Do qual nunca ninguém verás de volta.
Quanto buscas tentando ser feliz
Me fez dar n'este extremo cafundó
Que é há tantos anos meu país...
Vá! Logo morrerei e serei pó...
E para o bem de todo o mal que fiz
Conflito em tua história fui tão-só.
Betim - 01 03 2018
E eu não sei ser senão insatisfeito...
Sim, de tanto ver tudo do meu jeito,
Te antagonizo sem reviravolta...
Não cuido se demônios meus a solta
Ou se personifico algum conceito:
Vivia eu n'um pretérito imperfeito
Do qual nunca ninguém verás de volta.
Quanto buscas tentando ser feliz
Me fez dar n'este extremo cafundó
Que é há tantos anos meu país...
Vá! Logo morrerei e serei pó...
E para o bem de todo o mal que fiz
Conflito em tua história fui tão-só.
Betim - 01 03 2018
347
INÓSPITO
Que lugar será esse o coração?
Eu olho e vejo apenas chão maninho!...
Só galhada seca, cacto e espinho,
Onde antes verdejante imensidão.
Não há qualquer sinal ou direcção,
E tudo leva ao mesmo descaminho:
'Trás do monte outro monte eu adivinho
Onde a mais absoluta solidão.
A carga que me pesa sobre o dorso
Parece-me antes culpa que remorso
Depois dos sucessivos insucessos.
E tanto amor que aqui lancei semente
Perde-se, inexorável e somente,
À espera de improváveis recomeços...
Betim - 25 02 2018
364
POLIAMOR
-- "Tu podes me xingar, se isto te conforta.
Disse-lhe sem tirar os olhos d'ele --
-- "Vá! Eu não entendo isto que te impele..." --
Respondeu-me parado já na porta.
-- "O que quero é querer! Já não importa
Se cu, boceta ou pinto (o que se revele!)
Se índio, branco ou retinto, a cor da pele.
Só não serei feliz depois de morta!"
-- "Não sabes me causar senão assombros..." --
E ficou ali olhando os olhos meus
Com aquela frase à guisa já de adeus.
-- "Meu corpo, minhas regras." -- e dei de ombros.
-- "Teu amor, tuas negras..." -- e explodiu:
-- "Poliamor é a puta que o pariu!"
Belo Horizonte - 20 02 2018
Disse-lhe sem tirar os olhos d'ele --
-- "Vá! Eu não entendo isto que te impele..." --
Respondeu-me parado já na porta.
-- "O que quero é querer! Já não importa
Se cu, boceta ou pinto (o que se revele!)
Se índio, branco ou retinto, a cor da pele.
Só não serei feliz depois de morta!"
-- "Não sabes me causar senão assombros..." --
E ficou ali olhando os olhos meus
Com aquela frase à guisa já de adeus.
-- "Meu corpo, minhas regras." -- e dei de ombros.
-- "Teu amor, tuas negras..." -- e explodiu:
-- "Poliamor é a puta que o pariu!"
Belo Horizonte - 20 02 2018
389
O PIROMANÍACO
Eu, que aos vinte me fiz incendiário,
Aos quarenta pretendo-me bombeiro...
Quer pseudo-radical; quer embusteiro
O facto é que já fora um temerário.
Louco, salvo evidências em contrário,
Hoje em dia me têm por muito ordeiro
E dos grandes um grande companheiro,
Mesmo não sendo nada extraordinário.
Deliro co'a cidade ardendo em chamas,
Mas depois, entre alarmas e proclamas,
Exorto o povo a vir em meu socorro.
Da esquerda para o centro se transita
Sob pena de tornar-me um parasita,
De agravos em juízo 'inda recorro...
Betim - 08 02 2018
Aos quarenta pretendo-me bombeiro...
Quer pseudo-radical; quer embusteiro
O facto é que já fora um temerário.
Louco, salvo evidências em contrário,
Hoje em dia me têm por muito ordeiro
E dos grandes um grande companheiro,
Mesmo não sendo nada extraordinário.
Deliro co'a cidade ardendo em chamas,
Mas depois, entre alarmas e proclamas,
Exorto o povo a vir em meu socorro.
Da esquerda para o centro se transita
Sob pena de tornar-me um parasita,
De agravos em juízo 'inda recorro...
Betim - 08 02 2018
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Comentários (5)
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Lindos poemas ,meu caro!
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
bom vê-lo por aqui
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!