HUMANIZAÇÃO
Buscando a harmonia da natureza
Quebrando a frieza do concreto
Do pupilar dos pássaros a beleza
O doce gorjear quis ver de perto
Instalei num cantinho da sacada
Abrigo, água, ração, alpiste e ninhos
Pra ouvir no levantar da alvorada
O doce cantar dos passarinhos
Depois de um criar bem sucedido
A rolinha arruma o ninho novamente
Quando um filho no lar busca o abrigo
Da chuva que começa de repente
Em gritos de dor o filho se desespera
Já com seu peito aberto e sangrando
Pois o bico da mãe-rola o dilacera
Num ato vil, cruel, quase humano!
JÁ VI ESTES OLHOS
Já vi estes olhos em uma outra pessoa
Que da luz dos meus olhos o tempo roubou
Sua célica graça em minha alma ressoa
E a saudade dos olhos que já me encantou
Trazes nestes olhos, eternas lembranças
Do jorrar de carinhoque já me embalou
Ressurge a magia, renasce a criança
Que na luz destes olhos, um dia sonhou
Já vi estes olhos em outros olhos
Olhos festivos, de graça e prazer
Já vi estes olhos em outros olhos
Cuja ternura não dá pra esquecer
AMARGO SILÊNCIO
Tu às vezes me perguntas: por que falo pouco?
Por que contenho as lágrimas e escondo minha dor?
Por que desconverso ou me faço de mouco?
Por que alimento as mágoas e não falo de amor?
É que há em teu sorriso: amor e compaixão
Falas a mim com a ternura que jamais conheci
Fazes-me viver, por instantes, livre da solidão
Temo que as minhas mazelas me afastem de ti
Meu silêncio é mesquinho, mas é o que me convém
Pois o apagar teu sorriso, me condena também.
O banzeiro de minha alma é demais pra você!
A tristeza é um caminho para o que eu sempre quis
Ter teu ombro ao meu lado e assim ser feliz.
O meu amargo silêncio é medo de te perder!
MOMENTOS
Há momentos em que:
- Um abraço vale mais que um discurso;
- Uma lágrima fala mais que um alarido;
- O silêncio é a maior das expressões;
- A solidão é a melhor das companhias;
- O grito da alma é tão grande que não passa pela garganta;
- A atitude é a única voz plausível;
- A distância é única expressão de respeito;
- A alma chora, ainda que o rosto se esconda num sorriso;
- Que uma flor do campo é melhor do que as jóias.
LOUCURAS DE AMOR
Me tenhas, oh meu amor, e me possuas
Com toda a forca com que puderes me envolver
E não te importes se esta ilusão é cega ou nua
Ou se noutras águas possa amanhã se dissolver
Para que trocar deste momento a magnitude
Por incertezas de desventuras do porvir
Se já tens em tuas mãos a plenitude
Do amor e veneração que tenho a ti?
O amor nem sempre é sano e sensato
Às vezes loucura, desvairo a estarrecer
Do viver, estes momentos são os marcos
Que dão à vida todo o sabor de se viver
FLOR À MULHER
Aplausos às mulheres queridas
Lindas musas, encantos do verão
Também às cansadas, às sofridas
Amados adornos de outra estação
Às mulheres oprimidas,
Sem direitos e sem voz,
Maltratadas ou abatidas
Em injustiça vil e atroz
Às mulheres que lutam,
Resistem e que buscam
A igualdade de raça ou cor
Milenares guerreiras
Nessa luta altaneira
A vocês: esta flor
BORBOLETA
Às suas chagas esqueça
Cure e apague as feridas
Pois onde a dor se cultiva
Não há espaço pra vida
Saia já da sombra e do canto
Apague o pranto e a dor
Esqueça os seus desencantos
Plante e cultive uma for
Ponha sapatos de veludo
Roupas lindas, multicores
Seja a rainha da festa
Deixe a borboleta o casulo
Saia ao encontro das flores
Encha de vida a floresta
Brilho dos Olhos
Que tristeza é esta que te cobre os olhos?
Por que maculas tanto este rosto lindo?
Não já portou o Mestre: coroa de abrolhos
Pra remir-te das chagas e ver-te sorrindo?
Por que lastimas tanto os teus desenganos?
Por que não perdoas os teus próprios erros?
Já não foi imolado o rei soberano
Pra que a tua dívida tivesse um termo?
Afaste do rosto a sombra da tristeza
Brilhe nos teus olhos: luz e comunhão
Receba de Cristo a maior riqueza
A paz e a alegria, vindas do perdão!
REMISSÃO
Quando vi teus olhos, quebrei minhas juras
Teu sorriso então - é da ventura a porta
Percebi que ali, pra toda mágoa há cura
Aonde a dor não chega e a saudade é morta
Que magia é esta que o teu olhar comporta?
Como há tanto encanto em um olhar humano?
Se preso em barreiras, rompe as comportas
Se desprendido fica, forma um oceano
Bendita a ventura de encontrar-te agora
Dissipar minhas mágoas neste teu sorriso
Se alguma dor eu tinha, já se foi embora
Escapei do hades e fui pra o paraíso
REBELDIA
Não me queiras mal te peço, por meus constantes desatinos
Deixa eu viver minha sorte, já não sou mais o teu menino
Chega de tuas receitas prontas, do que viveu na mocidade
Afasta teus desencantos, quero minha própria insanidade
As rotas certas deixaram, Cabral, Vasco e Colombo
Abandonando conceitos, medos tabus e assombros
Permita-me por fim, te peço, viver os meus próprios medos
Pois quem tem medo da vida, já achou a morte mais cedo!
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poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza