Lista de Poemas

MARCOS DA ESTRADA

às vezes a historia já se perdeu no tempo
Ou então foi o tempo se perdeu na historia
Mas não importa o que nos serviu de alento
Vivemos cada momento, fazendo dele a glória

E analisando hoje o que realmente somos
Vemos ainda muito do que sempre fomos
E na nossa trilha vamos deixando os marcos
De tudo aquilo que sempre fomos de fato

Há uma nostalgia no viver da gente
Em achar que tudo podia ser diferente
Se lá no passado assim não tivesse sido

Todavia, lá eu já era quem eu hoje sou
E fiz tudo conforme o meu ser desejou
Assumo meu delito : Fí-lo porque qui-lo
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DIAS DE TREVAS

Brutos e rudes, mas eram de fato irmãos
Na caçar mastodontes, no afugentar um leão
No cavar de uma gruta, no acumular provisão
No acender da fogueira e no cuidar do ancião

Almas cruas, intrépidas, mas de maldade vazias
Febre de ganância ou posse, por ali não existia
A árdua defesa da vida, em todo tempo os unia
A lua, os rios e os montes, da natureza a poesia

Hoje são os predadores de seres vivos assombrados
Répteis, mamíferos e peixes, todos jazem dominados
O céu, montanhas e mares, tudo está conquistado
Do macro ao nano intangível, tudo decodificado

Hoje se escondem nas rochas, de concreto e pré-moldado
Não mais das feras medonhas, grande terror do passado
São câmeras e armas automáticas, em um alerta acirrado
Os monstros não vêm de floresta, moram na casa ao lado
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FLOR À MULHER

Aplausos às mulheres queridas
Lindas musas, encantos do verão
Também às cansadas, às sofridas
Amados adornos de outra estação

Às mulheres oprimidas,
Sem direitos e sem voz,
Maltratadas ou abatidas
Em injustiça vil e atroz

Às mulheres que lutam,
Resistem e que buscam
A igualdade de raça ou cor

Milenares guerreiras
Nessa luta altaneira
A vocês: esta flor
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VIRADA DE MESA

Eu pago a DESO, mas minha água é impura
Meu esgoto é o rio, minha praia em penúria

E pago o INSS, mas a saúde não funciona
Previdência é utopia, hospitais tão em coma

Eu pago IPVA, mas só há estradas acabando
Só buracos, remendos e pedágios chegando

Eu pago o IR, mas a segurança não há
Só cargos em comissão, pra ninguém trabalhar

Jovens sem empregos e os concursos vetados
Gabinetes repletos de filhos e apadrinhados

Escola pública falida, mas repasses às privadas
Dá-se bolsas e Pró-Unes, deixe a turma calada

Rouba-se a iniciativa, dando-se a bolsa preguiça
Traz retorno em votos , ou se recolhe a linguiça.

Depois se pergunta: por que estão revoltados ?
Por políticos vendidos a um governo safado.
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MELHOR AMOR

Prefira mais as pessoas que te amem enquanto fores interessante do que aquelas que prometem te amar enquanto você viver. Estas últimas são mais românticas e até sinceras, mas às vezes, pelo rigor da promessa que fizeram, querem acabar com a sua vida antes do tempo.
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BORBOLETA

Às suas chagas esqueça
Cure e apague as feridas
Pois onde a dor se cultiva
Não há espaço pra vida

Saia já da sombra e do canto
Apague o pranto e a dor
Esqueça os seus desencantos
Plante e cultive uma for

Ponha sapatos de veludo
Roupas lindas, multicores
Seja a rainha da festa

Deixe a borboleta o casulo
Saia ao encontro das flores
Encha de vida a floresta
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CIO DA TERRA

Quem mais conhece a dor senão a terra
Que com lágrimas de pranto orvalha a noite
Que dos ventos zombeteiros agüenta açoites
Pelo vai-e-vem do Sol que não se encerra

Jaze encantada por este garboso leviano
Que toda manha abre sorrisos de promessas
E de seu ventre aberta a madre atravessa
Sua pureza sem pudor desvirginando

Mas já a tarde foge o Sol pra além dos montes
E o seu calor vai dissipar em outras paragens
E a sua amante entrega ao frio e ao abandono

Mas de madrugada quando ele volta no horizonte
Ela deixa o luto e de cetim põe a roupagem
E por todo o dia faz amor em rito insano
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CAMINHADA NA PRAIA

Caminho na praia
Sem rumo e sem tempo
Minha alma desvaira
Entre a brisa e o vento

Só as águas espumantes
Acariciam aos meus pés
As areias escaldantes
Eu já sei, são cruéis

Uma onda me convida:
- Vem comigo bailar
Eu me escondo na brisa
Finjo não a escutar

Já me atirei em outras águas
Em aventuras de amor
E em redemoinhos de mágoas
O meu sorriso afogou
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NOSSOS SONHOS

Admiro-me das crianças por que não restringem os seus sonhos.
Desencanta-me os jovens que não querem ver a realidade.
Assustam-me os adultos que só constroem novos sonhos.
Entristecem-me ver os idosos porque já não querem mais sonhar.
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VI NOS TEUS OLHOS

Eu vi nos teus olhos
A fragilidade de meu ego
Neles também, quão doce é a esperança

Eu vi nos teus olhos
Que o amor é feito de encantos
E que saudade é apenas a busca de novos sonhos

Eu vi nos teus olhos
Que a amargura pode ser apagada
E que na ilusão reside alentos pra todas as almas

Eu vi nos teus olhos
O despontar da primavera
Que ao verão apaga e tinge de flores a mais tórrida terra
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Comentários (2)

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Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço

            Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
            Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
            Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
            Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha.  Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
            Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.