MARCOS DA ESTRADA
às vezes a historia já se perdeu no tempo
Ou então foi o tempo se perdeu na historia
Mas não importa o que nos serviu de alento
Vivemos cada momento, fazendo dele a glória
E analisando hoje o que realmente somos
Vemos ainda muito do que sempre fomos
E na nossa trilha vamos deixando os marcos
De tudo aquilo que sempre fomos de fato
Há uma nostalgia no viver da gente
Em achar que tudo podia ser diferente
Se lá no passado assim não tivesse sido
Todavia, lá eu já era quem eu hoje sou
E fiz tudo conforme o meu ser desejou
Assumo meu delito : Fí-lo porque qui-lo
NOSSOS SONHOS
Admiro-me das crianças por que não restringem os seus sonhos.
Desencanta-me os jovens que não querem ver a realidade.
Assustam-me os adultos que só constroem novos sonhos.
Entristecem-me ver os idosos porque já não querem mais sonhar.
MELHOR AMOR
Prefira mais as pessoas que te amem enquanto fores interessante do que aquelas que prometem te amar enquanto você viver. Estas últimas são mais românticas e até sinceras, mas às vezes, pelo rigor da promessa que fizeram, querem acabar com a sua vida antes do tempo.
CIO DA TERRA
Quem mais conhece a dor senão a terra
Que com lágrimas de pranto orvalha a noite
Que dos ventos zombeteiros agüenta açoites
Pelo vai-e-vem do Sol que não se encerra
Jaze encantada por este garboso leviano
Que toda manha abre sorrisos de promessas
E de seu ventre aberta a madre atravessa
Sua pureza sem pudor desvirginando
Mas já a tarde foge o Sol pra além dos montes
E o seu calor vai dissipar em outras paragens
E a sua amante entrega ao frio e ao abandono
Mas de madrugada quando ele volta no horizonte
Ela deixa o luto e de cetim põe a roupagem
E por todo o dia faz amor em rito insano
VI NOS TEUS OLHOS
Eu vi nos teus olhos
A fragilidade de meu ego
Neles também, quão doce é a esperança
Eu vi nos teus olhos
Que o amor é feito de encantos
E que saudade é apenas a busca de novos sonhos
Eu vi nos teus olhos
Que a amargura pode ser apagada
E que na ilusão reside alentos pra todas as almas
Eu vi nos teus olhos
O despontar da primavera
Que ao verão apaga e tinge de flores a mais tórrida terra
VIRADA DE MESA
Eu pago a DESO, mas minha água é impura
Meu esgoto é o rio, minha praia em penúria
E pago o INSS, mas a saúde não funciona
Previdência é utopia, hospitais tão em coma
Eu pago IPVA, mas só há estradas acabando
Só buracos, remendos e pedágios chegando
Eu pago o IR, mas a segurança não há
Só cargos em comissão, pra ninguém trabalhar
Jovens sem empregos e os concursos vetados
Gabinetes repletos de filhos e apadrinhados
Escola pública falida, mas repasses às privadas
Dá-se bolsas e Pró-Unes, deixe a turma calada
Rouba-se a iniciativa, dando-se a bolsa preguiça
Traz retorno em votos , ou se recolhe a linguiça.
Depois se pergunta: por que estão revoltados ?
Por políticos vendidos a um governo safado.
DIAS DE TREVAS
Brutos e rudes, mas eram de fato irmãos
Na caçar mastodontes, no afugentar um leão
No cavar de uma gruta, no acumular provisão
No acender da fogueira e no cuidar do ancião
Almas cruas, intrépidas, mas de maldade vazias
Febre de ganância ou posse, por ali não existia
A árdua defesa da vida, em todo tempo os unia
A lua, os rios e os montes, da natureza a poesia
Hoje são os predadores de seres vivos assombrados
Répteis, mamíferos e peixes, todos jazem dominados
O céu, montanhas e mares, tudo está conquistado
Do macro ao nano intangível, tudo decodificado
Hoje se escondem nas rochas, de concreto e pré-moldado
Não mais das feras medonhas, grande terror do passado
São câmeras e armas automáticas, em um alerta acirrado
Os monstros não vêm de floresta, moram na casa ao lado
CAMINHADA NA PRAIA
Caminho na praia
Sem rumo e sem tempo
Minha alma desvaira
Entre a brisa e o vento
Só as águas espumantes
Acariciam aos meus pés
As areias escaldantes
Eu já sei, são cruéis
Uma onda me convida:
- Vem comigo bailar
Eu me escondo na brisa
Finjo não a escutar
Já me atirei em outras águas
Em aventuras de amor
E em redemoinhos de mágoas
O meu sorriso afogou
JÁ VI ESTES OLHOS
Já vi estes olhos em uma outra pessoa
Que da luz dos meus olhos o tempo roubou
Sua célica graça em minha alma ressoa
E a saudade dos olhos que já me encantou
Trazes nestes olhos, eternas lembranças
Do jorrar de carinhoque já me embalou
Ressurge a magia, renasce a criança
Que na luz destes olhos, um dia sonhou
Já vi estes olhos em outros olhos
Olhos festivos, de graça e prazer
Já vi estes olhos em outros olhos
Cuja ternura não dá pra esquecer
FLOR À MULHER
Aplausos às mulheres queridas
Lindas musas, encantos do verão
Também às cansadas, às sofridas
Amados adornos de outra estação
Às mulheres oprimidas,
Sem direitos e sem voz,
Maltratadas ou abatidas
Em injustiça vil e atroz
Às mulheres que lutam,
Resistem e que buscam
A igualdade de raça ou cor
Milenares guerreiras
Nessa luta altaneira
A vocês: esta flor
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza