Lista de Poemas

PÊNDULO HUMANO


Às vezes sou flores
Às vezes sou mágoas
Às vezes sou cores
Às vezes sou nada

Às vezes sou pedra
Às vezes sou lágrimas
Às vezes sou regras
Às vezes sou falhas

Às vezes desencantos
Às vezes paixão
Às vezes sou pranto
Às vezes canção
371

APENAS UM CAFUNÉ


Não me digas nada na minha tristeza
Um cafuné apenas me acalentará
Mesmo macho e forte, de rude aspereza
Ao teu doce carinho se quebrantará

Nada me perguntes, minha dor não inquiras
Não há filosofia que aplaque minha dor
Teu cafuné, apenas, tem a doce magia
De afugentar mágoas e encher-me de amor

Só teu beijo doce é tudo que preciso
Na escura noite deste meu viver
Amanhã, por certo, será só sorrisos
Se em teu aconchego eu adormecer
349

DANÇA COMIGO


Dança comigo, no sol ou na chuva
Em águas claras ou turvas
Quero vê-la sorrir

Dança comigo, não olhes pro tempo
Todos são os momentos
Para estar junto a ti

Dança comigo, não há passos errados
Todo o ritmo é sagrado
Quando está a se amar

Dança comigo, é a vida quem canta
Esta música e outras tantas
Até a noite findar
398

MARÉ DE SONHOS


De repente quando tudo é cinza
A maré se reverte e a praia ilumina
Em cores impossíveis de se imaginar

Não sei que magia produz este encanto
Mas enxuga-me o rosto e põe fim ao pranto
E em nuvens de sonhos me faz delirar

Assim é a vida, na maré de outros olhos
Que abre as flores e esconde os abrolhos
E nos faz novamente, querer sonhar
371

O MEU MAL SÃO AS FLORES


Por causa delas furei meus dedos
Também por elas, de amar meu medo
Dormir tão tarde e acordar tão cedo

Sonhar com elas, acordar chorando
Dormir de novo, as desejando
O perfume delas sempre esperando

Vê-las cortadas, murchar tristonhas
Ou na alvorada, surgirem risonhas
Minha alma enlouquece e se apaixona
389

REENGENHARIA


Quantas coisas eu quis e hoje não mais as quero
Quantas vis bobagens deram-me por ensino
Quantos amores platônicos em nojo se fizeram
No que mais fui homem, vejo-me hoje menino

Quantos bustos em bronze jazem derribados
Quantos heróis velados mostraram-se cretinos
Em tantos ternos abraços eu fui apunhalado
Gloriosas batalhas que hoje eu as repugno
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SINA DE SEREIA


Observando bem, parece sina, pois a maior parte das sereias se apaixona por um seria.
Seria isso, seria aquilo, mas nunca será nada. Quanto mais seria mais séria é a paixão.
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ZODÍACO


No zodíaco da minha paixão, toda constelação te exalta, todas as estrelas têm teu brilho e todo o meu céu fala de ti. Lá, a escuridão existe apenas para realçar-te as cores e a lua só brilha por refletir os olhos teus. Nele, o meu destino é ser feliz contigo e no equinócio do amor, todos os teus dias serão meus dias e todas as tuas noites as minhas.
393

SEGREDOS DA ALMA


A nosso alma guarda segredos os quais nunca ousamos dividir com mais ninguém, mas quando em alguma circunstância ousamos fazê-lo, quase sempre as consequências nos fazem arrepender amargamente.
348

EMBARGOS INFRINGENTES

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Comentários (2)

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Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço

            Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
            Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
            Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
            Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha.  Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
            Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.