JURAS DE FÉ
Eu pensei que o mundo fosse assim só nosso
Onde eu você não víssemos a mais ninguém
Onde lá não entrasse a dor ou qualquer troço
Que nos roubasse a paz e nosso querer bem
Mas de fato o mal nem sempre vem de fora
Nem sempre pula os muros ou invade ao nosso ser
A malícia incubada, com o tempo cresce e aflora
Estruge em inconseqüência, faz o mundo tremer
Tudo nos jovens são boa fé, vontade e esperança
Ninguém conhece a alguém além da aparência
E desconhece o enjôo quem nunca navegou
Só quem já viu quebrarem-se os laços da confiança
E a estultícia assaz romper os limites da decência
Pode entender por fim quem suas juras abandonou
FOI VOCÊ
Quem semeou estrelas na minha noite escura
E de amor e luz veio a encher meu ser
Quem em farto sorriso lavou amarguras
E despertou em mim nova vontade de viver
Quem coloriu as noites, renovando sonhos
E às madrugadas frias aqueceu de amor
Quem fez surgir o brilho em olhos tristonhos
Que por muitas mágoas, triste se afogou
Quem viu o homem, além da tristeza
E a sinceridade por detrás das dores
Foi quem viu caráter, bem mais que beleza
E na terra em cinzas, fez brotar as flores
CICLO DO SOL
Nasce risonho o Sol no alvorecer de teus olhos
E neste doce aconchego não quer se levantar
Espreguiça e retorce pra que o dia não chegue
Da jornada tem medo, por de ti se afastar
Ao meio-dia arde o Sol no ausentar de teus olhos
Em febre de ciúmes faz a terra tremer
Onde andam teus olhos, busca em vão até tarde
Em que nuvens de sonhos foram se esconder?
A tarde embriaga-se o Sol pra esquecer os teus olhos
Que alheios e longínquos não lhe notam o sofrer
Perde a graça seu dia em tão cruel abandono
E em penumbra e tristezas só lhe resta o morrer
PORTAS ABERTAS
O meu amor por ti é uma porta aberta
Que a sedução da brisa se arrisca em enfrentar
Nunca tem por dogma, sua volta como certa
Mas apenas por carinho, a ti quer cativar
É um amor sem trancas, juras ou promessas
Firme no compromisso de fazer-te mais feliz
Que a saudade seja de sua volta, a pressa
Para estar comigo, como você sempre quis
É um tanto insano este meu querer louco
De quem ama tanto e deixa assim ao léu
O que mais venera e mais tem paixão
É que paixão mesquinha perde brilho aos poucos
Faz do que foi desejo a amargura e o fel
Quando a insegurança faz do amor prisão
A COR DA PAIXÃO
Tuas cores não as minhas
Nem pensas assim como eu
Mas vejo-te a minha rainha
E eu, súdito do charme seu
Diferença que tanto me encanta
Que me puxa e me atrai para ti
E até a mim mesmo ela espanta
Com um rubor que jamais eu senti
Do nada me brota a esperança
De que minha vida será bem melhor
Quando de ti eu tiver a fiança
De que voar, nunca mais farei só
Segredos conto aos teus ouvidos
Sem medo, reservas ou senão
Em tudo, fazes-me assim dividido
Entre a lógica, o fascínio e a razão
ADMOESTAÇÃO VAZIA
- Não se detenha em admoestar o tolo, por certo terás como retorno apenas a sua ira.
- Muita antes das pombas as cobras já botavam ovos, cuidado com o que você põe para germinar no aconchego do seu ninho.
- Ante a inflexibilidade da estupidez, sorria apenas. Não se tira do gambá a sua nódoa.
- Quem resiste a admoestação dos que o amam busca, sem perceber, ser um escravo daqueles que o invejam.
A SAGA DO SACI
Com uma perna só nasceu
Mas mesmo assim feliz viveu
Até que aos bípedes conheceu
E a confiança em si desapareceu
Vazio e só, já não parando em pé
Buscava veemente a si completar
De perna em perna, olhava com fé
Sua perna gêmea haveria de achar
Por fim, uma linda perna lhe apareceu
Bronzeada ao sol, torneada e esbelta
Por certo era um presente de Zeus
De que jornada vinha não interessa
Caminharam juntas, assumiram a empreita
Até que a estrada íngreme se tornou
Ali a perna destra mostrou não ser direita
E sem aviso prévio a marcha abandonou
Saci, em agonia, vê a ilusão cair por terra
Saudades dos tempos em que saltitava só
Mas dono de seu próprio destino ele era
Maldita a hora em que prendeu-se ao xodó
Revolto e triste, já sem ter mais o quer perder
Enche-se da coragem de quem ainda quer viver
E ignorando a dor que uma incisão lhe causará
Arranca num só golpe a perna e volta a saltitar
EU VI
Eu vi quando a paixão brotou assim do nada
E sem aviso, fez do meu coração morada
Vi como se entregou minh’ alma sem ressalvas
Entorpecida e de forma inconseqüente atordoada
Vi como a paixão cega os olhos da sanidade
Vi como ela transforma cruas mentiras em verdades
Vi como se renova a fé só com base na esperança
E como faz do adulto um sonhador tal qual criança
Vi também como floresce, da dor ervas daninhas
Passada a fantasia, almas voltam a ser mesquinhas
Rudes, cruéis, intrépidas e indomáveis
Vi como a descrença é a sucessora das paixões
Vi como brota o ódio quando sucumbem as ilusões
Em atitudes vis, malignas e deploráveis
TRILHA DO AMOR
Vá com teu amor cultivar campos de flores
Não deixe que vos acompanhe o medo
Mestra é a vida, ensina selecionar as cores
Tenha pressa, o sol da juventude se põe cedo
Deixe-se esvoaçar em ventos de esperança
O sol sempre ilumina a alma dos que sonham
Sorria ao amor, desfaça as suas tranças
Na fúria da ilusão, morrem os que a domam
Olhe pro céu, siga estrelas e esqueça a trilha
Cruze para sempre a excelsa ponte dos desejos
O amor é tímido, não acompanha ao que vacila
E se o mundo se acabar, que acabe em beijos
PACTO DE VIDA
Oh! linda menina de pureza infante
Tão bela e tão doce assim a brilhar
Retrata a beleza de puro diamante
Lapidada nas dores de seu desamar
Teus olhos lampejam o brilho dos sonhos
Que em caminhos medonhos estão a morrer
Mas rega-os as lágrimas de pranto tristonho
Que a novos pensamentos já faz florescer
Palpita a vida, no querer de quem ama
E que busca a façanha, de feliz inda ser
Se aparta das dores e proclama a derrama
Quebra os elos de morte pra de novo viver
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza