JURAS DE FÉ
Eu pensei que o mundo fosse assim só nosso
Onde eu você não víssemos a mais ninguém
Onde lá não entrasse a dor ou qualquer troço
Que nos roubasse a paz e nosso querer bem
Mas de fato o mal nem sempre vem de fora
Nem sempre pula os muros ou invade ao nosso ser
A malícia incubada, com o tempo cresce e aflora
Estruge em inconseqüência, faz o mundo tremer
Tudo nos jovens são boa fé, vontade e esperança
Ninguém conhece a alguém além da aparência
E desconhece o enjôo quem nunca navegou
Só quem já viu quebrarem-se os laços da confiança
E a estultícia assaz romper os limites da decência
Pode entender por fim quem suas juras abandonou
PORTAS ABERTAS
O meu amor por ti é uma porta aberta
Que a sedução da brisa se arrisca em enfrentar
Nunca tem por dogma, sua volta como certa
Mas apenas por carinho, a ti quer cativar
É um amor sem trancas, juras ou promessas
Firme no compromisso de fazer-te mais feliz
Que a saudade seja de sua volta, a pressa
Para estar comigo, como você sempre quis
É um tanto insano este meu querer louco
De quem ama tanto e deixa assim ao léu
O que mais venera e mais tem paixão
É que paixão mesquinha perde brilho aos poucos
Faz do que foi desejo a amargura e o fel
Quando a insegurança faz do amor prisão
FOI VOCÊ
Quem semeou estrelas na minha noite escura
E de amor e luz veio a encher meu ser
Quem em farto sorriso lavou amarguras
E despertou em mim nova vontade de viver
Quem coloriu as noites, renovando sonhos
E às madrugadas frias aqueceu de amor
Quem fez surgir o brilho em olhos tristonhos
Que por muitas mágoas, triste se afogou
Quem viu o homem, além da tristeza
E a sinceridade por detrás das dores
Foi quem viu caráter, bem mais que beleza
E na terra em cinzas, fez brotar as flores
A COR DA PAIXÃO
Tuas cores não as minhas
Nem pensas assim como eu
Mas vejo-te a minha rainha
E eu, súdito do charme seu
Diferença que tanto me encanta
Que me puxa e me atrai para ti
E até a mim mesmo ela espanta
Com um rubor que jamais eu senti
Do nada me brota a esperança
De que minha vida será bem melhor
Quando de ti eu tiver a fiança
De que voar, nunca mais farei só
Segredos conto aos teus ouvidos
Sem medo, reservas ou senão
Em tudo, fazes-me assim dividido
Entre a lógica, o fascínio e a razão
A SAGA DO SACI
Com uma perna só nasceu
Mas mesmo assim feliz viveu
Até que aos bípedes conheceu
E a confiança em si desapareceu
Vazio e só, já não parando em pé
Buscava veemente a si completar
De perna em perna, olhava com fé
Sua perna gêmea haveria de achar
Por fim, uma linda perna lhe apareceu
Bronzeada ao sol, torneada e esbelta
Por certo era um presente de Zeus
De que jornada vinha não interessa
Caminharam juntas, assumiram a empreita
Até que a estrada íngreme se tornou
Ali a perna destra mostrou não ser direita
E sem aviso prévio a marcha abandonou
Saci, em agonia, vê a ilusão cair por terra
Saudades dos tempos em que saltitava só
Mas dono de seu próprio destino ele era
Maldita a hora em que prendeu-se ao xodó
Revolto e triste, já sem ter mais o quer perder
Enche-se da coragem de quem ainda quer viver
E ignorando a dor que uma incisão lhe causará
Arranca num só golpe a perna e volta a saltitar
ADMOESTAÇÃO VAZIA
- Não se detenha em admoestar o tolo, por certo terás como retorno apenas a sua ira.
- Muita antes das pombas as cobras já botavam ovos, cuidado com o que você põe para germinar no aconchego do seu ninho.
- Ante a inflexibilidade da estupidez, sorria apenas. Não se tira do gambá a sua nódoa.
- Quem resiste a admoestação dos que o amam busca, sem perceber, ser um escravo daqueles que o invejam.
JOGO DE MONTAGEM
Quando longe de ti me edifico em sonhos
Imagino-te minha, neste meu delirar
Mas já frente a ti, a suar eu me ponho
Nem ouso sequer a teus olhos mirar
Meu paraíso e também meu vitupério
é este teu charme cruel e ladino
Pois me edifica em olhar de mistérios
Depois abandona e desmonta sorrindo
SÚPLICA DAS FLORES
Clamam as flores que em silêncio te mando:
- Perdoa os desmandos do seu bem-querer
Relembre em perfumes de tão doces encantos
A margarida de pétalas, que só quis: bem te quer
Crisântemos e lírios quais lágrimas em rios
Suplicam a ventura de eu poder te amar
E fagulhas de flores em um lilás sombrio
Diz quão triste e vazio é sem você ficar
Ramalhete de amores em rosa delicado
Manda mais um recado ao seu coração:
- Esquece os rancores e recebe o coitado
Que em seu doce sorriso espera o perdão
GARBO TRISTE
Perdi as minhas cores
Frente aos olhos teus
Só vazios de amores
Tingem os sonhos meus
Nem minha calda garbosa
Recebe um simples olhar
Vive a sina da tosa
Deste teu desprezar
Que me adianta os que olham
E que me acham elegante
Só teus olhos me importam
Que se dane o restante
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza