Lista de Poemas

A COR DA PAIXÃO

Tuas cores não as minhas
Nem pensas assim como eu
Mas vejo-te a minha rainha
E eu, súdito do charme seu

Diferença que tanto me encanta
Que me puxa e me atrai para ti
E até a mim mesmo ela espanta
Com um rubor que jamais eu senti

Do nada me brota a esperança
De que minha vida será bem melhor
Quando de ti eu tiver a fiança
De que voar, nunca mais farei só

Segredos conto aos teus ouvidos
Sem medo, reservas ou senão
Em tudo, fazes-me assim dividido
Entre a lógica, o fascínio e a razão
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FOI VOCÊ

Quem semeou estrelas na minha noite escura
E de amor e luz veio a encher meu ser
Quem em farto sorriso lavou amarguras
E despertou em mim nova vontade de viver

Quem coloriu as noites, renovando sonhos
E às madrugadas frias aqueceu de amor
Quem fez surgir o brilho em olhos tristonhos
Que por muitas mágoas, triste se afogou

Quem viu o homem, além da tristeza
E a sinceridade por detrás das dores
Foi quem viu caráter, bem mais que beleza
E na terra em cinzas, fez brotar as flores
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JURAS DE FÉ

Eu pensei que o mundo fosse assim só nosso
Onde eu você não víssemos a mais ninguém
Onde lá não entrasse a dor ou qualquer troço
Que nos roubasse a paz e nosso querer bem

Mas de fato o mal nem sempre vem de fora
Nem sempre pula os muros ou invade ao nosso ser
A malícia incubada, com o tempo cresce e aflora
Estruge em inconseqüência, faz o mundo tremer

Tudo nos jovens são boa fé, vontade e esperança
Ninguém conhece a alguém além da aparência
E desconhece o enjôo quem nunca navegou

Só quem já viu quebrarem-se os laços da confiança
E a estultícia assaz romper os limites da decência
Pode entender por fim quem suas juras abandonou
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CICLO DO SOL


Nasce risonho o Sol no alvorecer de teus olhos
E neste doce aconchego não quer se levantar
Espreguiça e retorce pra que o dia não chegue
Da jornada tem medo, por de ti se afastar

Ao meio-dia arde o Sol no ausentar de teus olhos
Em febre de ciúmes faz a terra tremer
Onde andam teus olhos, busca em vão até tarde
Em que nuvens de sonhos foram se esconder?

A tarde embriaga-se o Sol pra esquecer os teus olhos
Que alheios e longínquos não lhe notam o sofrer
Perde a graça seu dia em tão cruel abandono
E em penumbra e tristezas só lhe resta o morrer
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PORTAS ABERTAS

O meu amor por ti é uma porta aberta
Que a sedução da brisa se arrisca em enfrentar
Nunca tem por dogma, sua volta como certa
Mas apenas por carinho, a ti quer cativar

É um amor sem trancas, juras ou promessas
Firme no compromisso de fazer-te mais feliz
Que a saudade seja de sua volta, a pressa
Para estar comigo, como você sempre quis

É um tanto insano este meu querer louco
De quem ama tanto e deixa assim ao léu
O que mais venera e mais tem paixão

É que paixão mesquinha perde brilho aos poucos
Faz do que foi desejo a amargura e o fel
Quando a insegurança faz do amor prisão
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ADMOESTAÇÃO VAZIA


- Não se detenha em admoestar o tolo, por certo terás como retorno apenas a sua ira.

- Muita antes das pombas as cobras já botavam ovos, cuidado com o que você põe para germinar no aconchego do seu ninho.

- Ante a inflexibilidade da estupidez, sorria apenas. Não se tira do gambá a sua nódoa.

- Quem resiste a admoestação dos que o amam busca, sem perceber, ser um escravo daqueles que o invejam.
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A SAGA DO SACI

Com uma perna só nasceu
Mas mesmo assim feliz viveu
Até que aos bípedes conheceu
E a confiança em si desapareceu

Vazio e só, já não parando em pé
Buscava veemente a si completar
De perna em perna, olhava com fé
Sua perna gêmea haveria de achar

Por fim, uma linda perna lhe apareceu
Bronzeada ao sol, torneada e esbelta
Por certo era um presente de Zeus
De que jornada vinha não interessa

Caminharam juntas, assumiram a empreita
Até que a estrada íngreme se tornou
Ali a perna destra mostrou não ser direita
E sem aviso prévio a marcha abandonou

Saci, em agonia, vê a ilusão cair por terra
Saudades dos tempos em que saltitava só
Mas dono de seu próprio destino ele era
Maldita a hora em que prendeu-se ao xodó

Revolto e triste, já sem ter mais o quer perder
Enche-se da coragem de quem ainda quer viver
E ignorando a dor que uma incisão lhe causará
Arranca num só golpe a perna e volta a saltitar
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JOGO DE MONTAGEM

Quando longe de ti me edifico em sonhos
Imagino-te minha, neste meu delirar
Mas já frente a ti, a suar eu me ponho
Nem ouso sequer a teus olhos mirar

Meu paraíso e também meu vitupério
é este teu charme cruel e ladino
Pois me edifica em olhar de mistérios
Depois abandona e desmonta sorrindo
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CANÇÃO DAS ORQUÍDEAS

Venha coraçãozinho triste
Lembrar que ainda existe
Alegrias pra ti

Vem ver em minhas cores
O quanto há de amores
Esperando por ti

Veja os pássaros cantando
As flores bailando
Só pra te verem sorrir

Perfumes excitantes
Fantasia de amantes
Pra você imergir

Abandone tuas dores
Pois na beleza das flores
Outro amor vai surgir
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GARBO TRISTE

Perdi as minhas cores
Frente aos olhos teus
Só vazios de amores
Tingem os sonhos meus

Nem minha calda garbosa
Recebe um simples olhar
Vive a sina da tosa
Deste teu desprezar

Que me adianta os que olham
E que me acham elegante
Só teus olhos me importam
Que se dane o restante
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Comentários (2)

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Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço

            Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
            Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
            Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
            Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha.  Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
            Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.