TRILHA DO AMOR
Vá com teu amor cultivar campos de flores
Não deixe que vos acompanhe o medo
Mestra é a vida, ensina selecionar as cores
Tenha pressa, o sol da juventude se põe cedo
Deixe-se esvoaçar em ventos de esperança
O sol sempre ilumina a alma dos que sonham
Sorria ao amor, desfaça as suas tranças
Na fúria da ilusão, morrem os que a domam
Olhe pro céu, siga estrelas e esqueça a trilha
Cruze para sempre a excelsa ponte dos desejos
O amor é tímido, não acompanha ao que vacila
E se o mundo se acabar, que acabe em beijos
MAIS UMA FLOR
Seria apenas mais uma flor
Se não tivesse me agarrado às pernas
Seria apenas mais uma flor
Se minha memória não estivesse cheia delas
Seria apenas mais uma flor
Se não me reportasse às ilusões de infância
Seria apenas mais uma flor
Se não fizessem desejar, de novo ser criança
Seria apenas mais uma flor
Se de novo eu não quisesse tê-las
Seria apenas mais uma flor
Se eu não chorasse ao vê-las
Seria apenas mais uma flor
Se não trouxesse consigo a nostalgia
Seria apenas mais uma flor
Se não me lembrasse que já sonhei um dia
VISITA AO RIACHO
Levarei minha alma para contemplar o riacho e ver como as águas passam levando os restos da floresta;
Para ver como degelam as montanhas de mágoas e como suas lágrimas purificam as águas em corredeiras;
Para ver como as flores viçosas também murcham e tudo que já foi verde um dia amarela, cai e em seu lugar surgem novos brotos;
Para ver como as pedras mudam de forma com o tempo e como as pontes apodrecem tornando tenebrosas as antigas travessias;
Par ver com os ninhos são tristes depois que a prole os abandona;
Para ver com as arvores centenárias caem subitamente sob os raios da tempestade;
Para ver como os galhos se moldam à força do vento;
Para ver como na frieza do inverno hibernam as fantasias dos amantes.
OBSESSÃO
Com o raiar da aurora surge um novo dia
Quebra os elos da dor e faz nascer poesia
O amor refaz a vida, renasce a alegria
Sepulta os erros e registros de agonia
A esperança brota como um jardim florido
O que se foi não importa, de honra é o vestido
Tudo é perfeito, até que brote a nostalgia
Diante da saudade, a vida se esvazia
Perfumes de agora, já são em tudo renegados
Há sede de estrume, compulsão pelo passado
Pose de garça, voo de águia elegante e ilustre
Mas a mente é de toupeira e o estômago de abutre
Diante da loucura e intrépida insensatez
A razão abandona a pista e cede a vez
SENTIMENTOS
Conselhos em sentimentos não se empresta
Pois que toma a decisão, sua alma arresta
E a todos os seus desencantos leva amarrados
Em cordas de lembranças e manchas do passado
APOLOGIA AO CONCURSEIRO
Concurseiro que tanto estuda, mas à política é indiferente
Veja bem que as vagas tuas, são dos políticos e seus parentes.
Veja quantos cargos comissionados foram criados pelo PT
Pra cupinchas e apadrinhados que ocupam vagas sem nada saber.
Louca esperança de quem estuda, num pais regido pela torpeza.
Enquanto a voz dos jovem for muda, reinará a burrice e a safadeza.
SUFOCAM-ME
As palavras, as quais eu não disse
O medo de romper com a mesmice
Os amores que perdi por crendices
Sonhos mortos sem que os nutrisse
Os que exaltam a asneira e a burrice
Os discursos vazios e as chulices
Os devaneios tomados em perrice
E o desprezo que nós damos à velhice
LUVAS DE CETIM
Depois de meses na enfermaria
A velha por fim agonizava
Dilacerada em dor, gemia
Porém nada mais ela falava
Não que a sua voz tivesse acabado
Ou que não se lembrasse mais das falas
É que sagradas eram as vozes do passado
E não queria vê-las agora perturbadas
Gemia assim, triste e sozinha,
Não mais clamando a dor da morte
Mas por ver, assim, quão mesquinha
Podia ser a vida em sua sorte
Mãe dedicada de oito filhos
Todos em lágrimas e dor criados
Mas dela há muito, já todos esquecidos
E por seus próprios destinos obcecados
Foi quando por fim ouviu a enfermeira
- Chega-te aqui Senhora, até a cabeceira
Dê a ela a sua mão neste último momento
Será por certo um bálsamo ao sofrimento
Num esforço final, a velha disse com voz turva
Eu quero é a sua mão, por favor, retire a luva
Depois clamou por fim: Esta mão não é Maria
A mão dela, eu lembro, tinha alma, pois eu sentia
FLORES AO VENTO
Tudo são flores no coração da menina
Tão linda, tão meiga, nada de mal imagina
Enlouquece a família, incendeia a campina
Já seus rastros farejam, lobos em cada esquina
Quem consegue livrá-la, da tragédia eminente?
Como enfim desviá-la desta água corrente?
É fogo de capoeira em um relevo ascendente
Só no fim da queimada é que escuta a gente
Quantos sonhos perdidos em ações levianas
Quantas belezas mortas, sem sair do pijama
É tão triste ver ninas, sem sorrir virar madres
Pois legislam iníquos que decência não sabem
A DANÇA DA HIPOCRISIA
Vestimentas de sangue, na violência a dançar
Cospem e zombam da vida, quem vai se importar?
Legalistas hipócritas, assassinos de irmãos
Fingem que repudiam, mas não mexem suas mãos
É um menor de idade, está o hipócrita a falar
Só porque hoje a vítima, não saiu do seu lar
Mas já chegou hoje o dia em que a nossa nação
Gasta mais com bandido do que com o cidadão
É uma dança de e escárnio, orquestrada no paço
Quem tem medo da forca, nunca faz bem o laço
Pouco importa quem morre, ou quem sofre a dor
Legislam para os bandidos, pois lhes devem favor
Quem apoiou sua campanha, quem pagou os seus votos
Se os diabos do inferno, a eles já se fez devoto
Vendem a vida dos homens e a esperança de infantes
São escórias de homens a vestir togas e turbantes
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza