MAIS UMA FLOR
Seria apenas mais uma flor
Se não tivesse me agarrado às pernas
Seria apenas mais uma flor
Se minha memória não estivesse cheia delas
Seria apenas mais uma flor
Se não me reportasse às ilusões de infância
Seria apenas mais uma flor
Se não fizessem desejar, de novo ser criança
Seria apenas mais uma flor
Se de novo eu não quisesse tê-las
Seria apenas mais uma flor
Se eu não chorasse ao vê-las
Seria apenas mais uma flor
Se não trouxesse consigo a nostalgia
Seria apenas mais uma flor
Se não me lembrasse que já sonhei um dia
PRECE DA MANHÃ
Ajudai-me Senhor,
Pra que onde eu aportar, lá nasçam as flores.
Que as águas sejam calmas, ventos de amores
Que eu reme sempre, mas firme em ti, seja minha rota
Que em meu barco azul, eu leve a paz que tanto importa
Que eu não esqueça da minha missão pelo caminho
Que embora só, tu não me deixes sentir-me sozinho
Que se aqueçam os corações, sol de esperanças
Que onde eu for, de lá não traga, senão lembranças
Que em cada missão, minha volta seja, desejada
E a tua graça em mim pra sempre renovada
JARDIM SEM FLORES
Busquei nos teus olhos o amor já vivido
Prazer e ventura de felizes primaveras
A alegria e glamour jamais esquecidos
Onde em teu sorriso, feliz sempre eu era
Mas sumiu a ternura que em ti me encantava
Só residem as tristezas e sombras de mágoas
Onde reinavam flores, hoje imperam as chagas
Um jardim de rancores afogado em lágrimas.
Que semente guardaste para a primavera?
Que esperanças alimentam esta tua espera?
Por acaso é o tempo, jardineiro da dor?
Volte às montanhas onde voaram teus cachos
Lá tuas juras e sonhos, tu jogaste ao riacho
Quem sabe entre as pedras um galho brotou?
AMIGOS
Tenho muitos amigos,
Nem ricos e nem pobres, remediados
Pois a sorte, bem pouco lhes deu
Uns brancos, uns pretos uns pardos
Mas são todos melhores que eu
Uns tontos, uns loucos, uns brocos
Que, há muito, seus rumos perderam
Sonharam, casaram, mudaram
Mas poucos de mim esqueceram
Uns sábios, escolados na vida
Os quais eu bem pouco escutei
Pacientes em cuidar das feridas
Que em lutas da vida eu ganhei
A alguns, por descuido, dei mágoas
E pouco arrependimento eu mostrei
Mas hoje eu vos peço com lágrimas
Perdão, meus amigos, eu errei
LEMBRO-ME DE TI
Não nos presentes que recebi, sem regar datas ou horas
Nem no atrelar de mãos em jornadas fúteis mundo afora
Nem nos cabelos sedosos que acariciavam meu corpo
Nem na beleza daquele olhar, que jamais vi num outro
Nem na sonora voz do teu clarim a acordar-me a alma
Nem na serenidade tua, que a toda a angústia acalma
Nem as faceiras noites de amor a dar inveja à lua
Nem nos delírios néscios ao ver-te linda e nua
Nem nos abraços ternos quando a esperança era vazia
Nem no silêncio seco e austero de quem a dor partilha
Nem nos olhos cansados e tristes em vigília de mágoas
Nem no secar do pranto que em lágrimas desagua
Nem no sorriso desvairado que me tirava do sério
Nem no adornar do quarto em doces ritos de mistério
Nem nos sonhos construídos em dunas de cumplicidade
Mas no abismo deixado por um triste vazio de saudades
OBRAS DO ACASO
Por uma questão de habito, o Sr Wiliian Rosh guardava sempre m sua casa pequeninas peças de toda a natureza, sob a argumentação de um dia elas lhe seriam úteis em algum serviço. Habilidoso como ele era, não raras vezes recorria à sua caixa de bugigangas na busca de alguma determinada peça que lhe prestasse a um reparo específico, ou mesmo para reabastecê-la com os destroços de algum eletrodoméstico desmanchado. Com o passar dos anos, a caixa do Sr. Rosh tornou-se um verdadeiro arsenal de bagulhos tais como: porcas, parafusos, filamentos, molas, resistências e tantas outras, das quais ele nunca sobe quais eram as suas funções específicas.
Após a sua ultima mudança, O Dr. Wiliian Rosh Univac, como mais tarde ficou conhecido internacionalmente, recorreu a sua velha caixa em busca de um treco que substituísse um pino que desaparecera de seu guarda-roupa. Que surpresa! Com o movimento da caixa, as pequeninas peças haviam se rearranjado de tal forma que constituíram um aparelho que passou a ser chamado de calculadora de bolso, capaz de efetuar as quatro operações aritméticas, as funções trigonométricas, além da radiciação e a exponenciação. Tal fato revolucionou o mundo científico da época, iniciando a ciência da cibernética e dando origem aos primeiros computadores que foram lançados no mercado com o nome de UNIVAC.
Por mais ignorantes que fôssemos, em termos dos princípios científicos que regem o funcionamento de uma calculadora, não hesitaríamos em afirmar, categoricamente, que não é verdade o fato acima descrito. É simples, não cabe na nossa mente que um visor luminoso, um teclado codificado e conciso, um mecanismo de alimentação energética e um conjunto de circuitos microscópicos de magnetização lógica, dentre outras coisas, possam ter sido formados e se organizados logicamente ao acaso. Antes sim, deduzimos que ele é fruto de um projeto cuidadoso, construído e analisado por uma equipe técnica altamente qualificada, a qual previu e ponderou todas as interações dos componentes eletrônicos ali encontrados.
A calculadora, embora deslumbrante à nossa vista, não passa de um caco velho quando comparada com a obra que coroou a criação divina, quando no sexto dia, disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem e semelhança. As funções realizadas pelo corpo humano, como a capacidade de questionar e decidir, de amar e odiar, o senso de lealdade e de direito, de reprodução e criação de utensílios, como a própria calculadora, são provas de que o ser humano e a vida não são frutos de uma junção aleatória de aminoácidos, que sob a tensão elétrica de descargas de relâmpagos, constituíram, há milhões de anos, a primeira célula viva e dela os demais seres vivos e suas espécies, como afirmam os evolucionistas. Não há dúvidas, a vida não é obra do acaso, mas sim o fruto da mente gloriosa de Deus, que na sua imensa grandeza fez, não só o homem, mas todo o universo.
A DANÇA DA HIPOCRISIA
Vestimentas de sangue, na violência a dançar
Cospem e zombam da vida, quem vai se importar?
Legalistas hipócritas, assassinos de irmãos
Fingem que repudiam, mas não mexem suas mãos
É um menor de idade, está o hipócrita a falar
Só porque hoje a vítima, não saiu do seu lar
Mas já chegou hoje o dia em que a nossa nação
Gasta mais com bandido do que com o cidadão
É uma dança de e escárnio, orquestrada no paço
Quem tem medo da forca, nunca faz bem o laço
Pouco importa quem morre, ou quem sofre a dor
Legislam para os bandidos, pois lhes devem favor
Quem apoiou sua campanha, quem pagou os seus votos
Se os diabos do inferno, a eles já se fez devoto
Vendem a vida dos homens e a esperança de infantes
São escórias de homens a vestir togas e turbantes
LAMPEJOS DE VIDA
Tenho medo,
Não da dor, a esta sempre suportei resignado
Não da velhice, ela é para poucos privilegiados
Não da deformidade, nunca pousei de manequim
Não dá solidão, há muito aprendi a andar sozinho
Não da debilidade, ela ensina-nos o que de fato somos
Não da morte, minha vida em Deus tem o seu dono
Temo muito,
Deixar de ser quem sou por vis lampejos
Partir antes da hora por de alguém desejo
Ao nojo que sempre sucede aos interesses
De que a fé que me sustenta, eu a perdesse
As companhias que são mantidas a contragosto
Ser aos que amo, um peso e os seus desgostos
Admito,
Respeito o abutre que da carne podre come a carcaça
Mas enoja-me o carcará que a carne viva estraçalha
Prefiro despacho abrupto a estancar rios de sonhos
Que a partida lenta regada em gotas de desengano
EM UMA LAUDA APENAS
Em uma lauda apenas minha dor transcrevo
Registro os meus medos em falar de amor
Em uma lauda há pena, a registrar temores
A tingir de dores, todos os sonhos meus
Em uma lauda há penas de pássaro desnudo
Que por vil descuido, gaivota amou
Em uma lauda há penas, tremendos castigos
Lembranças do exilo que o amor deixou
Em uma lauda há penas que o vento leva
Mas renasce a relva, brota uma nova flor
SUFOCAM-ME
As palavras, as quais eu não disse
O medo de romper com a mesmice
Os amores que perdi por crendices
Sonhos mortos sem que os nutrisse
Os que exaltam a asneira e a burrice
Os discursos vazios e as chulices
Os devaneios tomados em perrice
E o desprezo que nós damos à velhice
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza