Lista de Poemas

TRILHA DO AMOR

Vá com teu amor cultivar campos de flores
Não deixe que vos acompanhe o medo
Mestra é a vida, ensina selecionar as cores
Tenha pressa, o sol da juventude se põe cedo

Deixe-se esvoaçar em ventos de esperança
O sol sempre ilumina a alma dos que sonham
Sorria ao amor, desfaça as suas tranças
Na fúria da ilusão, morrem os que a domam

Olhe pro céu, siga estrelas e esqueça a trilha
Cruze para sempre a excelsa ponte dos desejos
O amor é tímido, não acompanha ao que vacila
E se o mundo se acabar, que acabe em beijos
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VISITA AO RIACHO

Levarei minha alma para contemplar o riacho e ver como as águas passam levando os restos da floresta;

Para ver como degelam as montanhas de mágoas e como suas lágrimas purificam as águas em corredeiras;

Para ver como as flores viçosas também murcham e tudo que já foi verde um dia amarela, cai e em seu lugar surgem novos brotos;

Para ver como as pedras mudam de forma com o tempo e como as pontes apodrecem tornando tenebrosas as antigas travessias;

Par ver com os ninhos são tristes depois que a prole os abandona;

Para ver com as arvores centenárias caem subitamente sob os raios da tempestade;

Para ver como os galhos se moldam à força do vento;

Para ver como na frieza do inverno hibernam as fantasias dos amantes.
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OLHOS VENDADOS

Vendo os meus olhos para que a noite passe
Mergulho nas águas aonde a razão não chega
Levo a minha alma onde as estrelas nascem
Só o cantar do grilo a minha dor festeja

Esqueço o relógio que me rouba o alento
Embriago a alma pra esquecer o tempo
Busco da madrugada, o suspirar da aurora
Que a noite termine, eu não vejo a hora

Olhos fechados, a vida em trevas se esvazia
Sob o desfiar irreverente e cruel da monotonia
Que zombeteira e sarcástica mostra as partes
Sem se importar o quanto gera dor ou arde

Quantas horas duram as noites sombrias
Quando em desencantos o amor esfria?
Cresce o abandono, morre a fantasia
Em mágoa e tristeza se arrastam os dias
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OBSESSÃO

Com o raiar da aurora surge um novo dia
Quebra os elos da dor e faz nascer poesia

O amor refaz a vida, renasce a alegria
Sepulta os erros e registros de agonia

A esperança brota como um jardim florido
O que se foi não importa, de honra é o vestido

Tudo é perfeito, até que brote a nostalgia
Diante da saudade, a vida se esvazia

Perfumes de agora, já são em tudo renegados
Há sede de estrume, compulsão pelo passado

Pose de garça, voo de águia elegante e ilustre
Mas a mente é de toupeira e o estômago de abutre

Diante da loucura e intrépida insensatez
A razão abandona a pista e cede a vez
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AMOR A LOUCURA

Amo-te loucura minha,

Que a mim liberta, que rompe as correntes.
Que me alucina, mas me faz ser gente

Que não aceita regras, nem se adéqua aos mandos
Que a dor não se entrega, nem aceita os danos

Que não venera o medo, nem os preconceitos
Que só obedece a alma no que lhe é direito

Que não se incomoda se é errada ou certa
Mas nada vê de longe, tudo apalpa e aperta

Que não vê o dolo em conhecer a vida
Nem aos desaforos, ampara ou abriga

Que não conhece cercas para a liberdade
Mas vive livre e plena em sua insanidade

Se alguém a condena, critica e apedreja
Não passa de escravo, a morrer de inveja
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SAUDADE NÃO SE REPARTE

Saudade é a dor que nos parte,
Depois que alguém cedo parte
Que de dia em nós queima e arde
E à noite nos consome até tarde

Calor que aguça e excita as partes
Que jamais com outrem se reparte
É a parte de alguém que, em parte,
Fixa em nós seu eterno estandarte

Indulgência a pagar quando as partes
Trata o amor como um caso à parte
Até que extinto ou em dor se aparte
E por caminhos de dor se repartem
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FINAL DO DIA

A dor sempre foi mal educada, não pede licença, invade a casa. Mas, quem abriria a ela as portas? A dor e vento sempre entram pelas frestas. Assim é a vida, os ventos que trazem os netos são os que levam os avôs. Poeira nós somos, como a poeira voamos e aos poucos ao pó nos integramos. Dói em nós saber quão curta é a vida, mas, por mais a espichássemos talvez ainda não desse em nada, pois não é o tempo que é pouco, talvez sejamos nós que nos apequenamos demais e não conseguimos desfrutar toda beleza da jornada. A gente pode em pouco viver muito ou em muito viver nada. Confiemos em Deus, não abramos espaço ao lamento, pois muitos dos que veem a tarde preferiam ter partido cedo. Meus sentimentos aos entes e lágrimas de solidariedade.
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APOLOGIA AO CONCURSEIRO

Concurseiro que tanto estuda, mas à política é indiferente
Veja bem que as vagas tuas, são dos políticos e seus parentes.

Veja quantos cargos comissionados foram criados pelo PT
Pra cupinchas e apadrinhados que ocupam vagas sem nada saber.

Louca esperança de quem estuda, num pais regido pela torpeza.
Enquanto a voz dos jovem for muda, reinará a burrice e a safadeza.
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SENTIMENTOS

Conselhos em sentimentos não se empresta
Pois que toma a decisão, sua alma arresta
E a todos os seus desencantos leva amarrados
Em cordas de lembranças e manchas do passado
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OBRAS DO ACASO

Por uma questão de habito, o Sr Wiliian Rosh guardava sempre m sua casa pequeninas peças de toda a natureza, sob a argumentação de um dia elas lhe seriam úteis em algum serviço. Habilidoso como ele era, não raras vezes recorria à sua caixa de bugigangas na busca de alguma determinada peça que lhe prestasse a um reparo específico, ou mesmo para reabastecê-la com os destroços de algum eletrodoméstico desmanchado. Com o passar dos anos, a caixa do Sr. Rosh tornou-se um verdadeiro arsenal de bagulhos tais como: porcas, parafusos, filamentos, molas, resistências e tantas outras, das quais ele nunca sobe quais eram as suas funções específicas.

Após a sua ultima mudança, O Dr. Wiliian Rosh Univac, como mais tarde ficou conhecido internacionalmente, recorreu a sua velha caixa em busca de um treco que substituísse um pino que desaparecera de seu guarda-roupa. Que surpresa! Com o movimento da caixa, as pequeninas peças haviam se rearranjado de tal forma que constituíram um aparelho que passou a ser chamado de calculadora de bolso, capaz de efetuar as quatro operações aritméticas, as funções trigonométricas, além da radiciação e a exponenciação. Tal fato revolucionou o mundo científico da época, iniciando a ciência da cibernética e dando origem aos primeiros computadores que foram lançados no mercado com o nome de UNIVAC.

Por mais ignorantes que fôssemos, em termos dos princípios científicos que regem o funcionamento de uma calculadora, não hesitaríamos em afirmar, categoricamente, que não é verdade o fato acima descrito. É simples, não cabe na nossa mente que um visor luminoso, um teclado codificado e conciso, um mecanismo de alimentação energética e um conjunto de circuitos microscópicos de magnetização lógica, dentre outras coisas, possam ter sido formados e se organizados logicamente ao acaso. Antes sim, deduzimos que ele é fruto de um projeto cuidadoso, construído e analisado por uma equipe técnica altamente qualificada, a qual previu e ponderou todas as interações dos componentes eletrônicos ali encontrados.

A calculadora, embora deslumbrante à nossa vista, não passa de um caco velho quando comparada com a obra que coroou a criação divina, quando no sexto dia, disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem e semelhança. As funções realizadas pelo corpo humano, como a capacidade de questionar e decidir, de amar e odiar, o senso de lealdade e de direito, de reprodução e criação de utensílios, como a própria calculadora, são provas de que o ser humano e a vida não são frutos de uma junção aleatória de aminoácidos, que sob a tensão elétrica de descargas de relâmpagos, constituíram, há milhões de anos, a primeira célula viva e dela os demais seres vivos e suas espécies, como afirmam os evolucionistas. Não há dúvidas, a vida não é obra do acaso, mas sim o fruto da mente gloriosa de Deus, que na sua imensa grandeza fez, não só o homem, mas todo o universo.
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Comentários (2)

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Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço

            Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
            Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
            Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
            Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha.  Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
            Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.