GARBO TRISTE
Perdi as minhas cores
Frente aos olhos teus
Só vazios de amores
Tingem os sonhos meus
Nem minha calda garbosa
Recebe um simples olhar
Vive a sina da tosa
Deste teu desprezar
Que me adianta os que olham
E que me acham elegante
Só teus olhos me importam
Que se dane o restante
CANÇÃO DAS ORQUÍDEAS
Venha coraçãozinho triste
Lembrar que ainda existe
Alegrias pra ti
Vem ver em minhas cores
O quanto há de amores
Esperando por ti
Veja os pássaros cantando
As flores bailando
Só pra te verem sorrir
Perfumes excitantes
Fantasia de amantes
Pra você imergir
Abandone tuas dores
Pois na beleza das flores
Outro amor vai surgir
JARDIM SEM FLORES
Busquei nos teus olhos o amor já vivido
Prazer e ventura de felizes primaveras
A alegria e glamour jamais esquecidos
Onde em teu sorriso, feliz sempre eu era
Mas sumiu a ternura que em ti me encantava
Só residem as tristezas e sombras de mágoas
Onde reinavam flores, hoje imperam as chagas
Um jardim de rancores afogado em lágrimas.
Que semente guardaste para a primavera?
Que esperanças alimentam esta tua espera?
Por acaso é o tempo, jardineiro da dor?
Volte às montanhas onde voaram teus cachos
Lá tuas juras e sonhos, tu jogaste ao riacho
Quem sabe entre as pedras um galho brotou?
AMIGOS
Tenho muitos amigos,
Nem ricos e nem pobres, remediados
Pois a sorte, bem pouco lhes deu
Uns brancos, uns pretos uns pardos
Mas são todos melhores que eu
Uns tontos, uns loucos, uns brocos
Que, há muito, seus rumos perderam
Sonharam, casaram, mudaram
Mas poucos de mim esqueceram
Uns sábios, escolados na vida
Os quais eu bem pouco escutei
Pacientes em cuidar das feridas
Que em lutas da vida eu ganhei
A alguns, por descuido, dei mágoas
E pouco arrependimento eu mostrei
Mas hoje eu vos peço com lágrimas
Perdão, meus amigos, eu errei
OBRAS DO ACASO
Por uma questão de habito, o Sr Wiliian Rosh guardava sempre m sua casa pequeninas peças de toda a natureza, sob a argumentação de um dia elas lhe seriam úteis em algum serviço. Habilidoso como ele era, não raras vezes recorria à sua caixa de bugigangas na busca de alguma determinada peça que lhe prestasse a um reparo específico, ou mesmo para reabastecê-la com os destroços de algum eletrodoméstico desmanchado. Com o passar dos anos, a caixa do Sr. Rosh tornou-se um verdadeiro arsenal de bagulhos tais como: porcas, parafusos, filamentos, molas, resistências e tantas outras, das quais ele nunca sobe quais eram as suas funções específicas.
Após a sua ultima mudança, O Dr. Wiliian Rosh Univac, como mais tarde ficou conhecido internacionalmente, recorreu a sua velha caixa em busca de um treco que substituísse um pino que desaparecera de seu guarda-roupa. Que surpresa! Com o movimento da caixa, as pequeninas peças haviam se rearranjado de tal forma que constituíram um aparelho que passou a ser chamado de calculadora de bolso, capaz de efetuar as quatro operações aritméticas, as funções trigonométricas, além da radiciação e a exponenciação. Tal fato revolucionou o mundo científico da época, iniciando a ciência da cibernética e dando origem aos primeiros computadores que foram lançados no mercado com o nome de UNIVAC.
Por mais ignorantes que fôssemos, em termos dos princípios científicos que regem o funcionamento de uma calculadora, não hesitaríamos em afirmar, categoricamente, que não é verdade o fato acima descrito. É simples, não cabe na nossa mente que um visor luminoso, um teclado codificado e conciso, um mecanismo de alimentação energética e um conjunto de circuitos microscópicos de magnetização lógica, dentre outras coisas, possam ter sido formados e se organizados logicamente ao acaso. Antes sim, deduzimos que ele é fruto de um projeto cuidadoso, construído e analisado por uma equipe técnica altamente qualificada, a qual previu e ponderou todas as interações dos componentes eletrônicos ali encontrados.
A calculadora, embora deslumbrante à nossa vista, não passa de um caco velho quando comparada com a obra que coroou a criação divina, quando no sexto dia, disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem e semelhança. As funções realizadas pelo corpo humano, como a capacidade de questionar e decidir, de amar e odiar, o senso de lealdade e de direito, de reprodução e criação de utensílios, como a própria calculadora, são provas de que o ser humano e a vida não são frutos de uma junção aleatória de aminoácidos, que sob a tensão elétrica de descargas de relâmpagos, constituíram, há milhões de anos, a primeira célula viva e dela os demais seres vivos e suas espécies, como afirmam os evolucionistas. Não há dúvidas, a vida não é obra do acaso, mas sim o fruto da mente gloriosa de Deus, que na sua imensa grandeza fez, não só o homem, mas todo o universo.
FLORES AO VENTO
Tudo são flores no coração da menina
Tão linda, tão meiga, nada de mal imagina
Enlouquece a família, incendeia a campina
Já seus rastros farejam, lobos em cada esquina
Quem consegue livrá-la, da tragédia eminente?
Como enfim desviá-la desta água corrente?
É fogo de capoeira em um relevo ascendente
Só no fim da queimada é que escuta a gente
Quantos sonhos perdidos em ações levianas
Quantas belezas mortas, sem sair do pijama
É tão triste ver ninas, sem sorrir virar madres
Pois legislam iníquos que decência não sabem
SUFOCAM-ME
As palavras, as quais eu não disse
O medo de romper com a mesmice
Os amores que perdi por crendices
Sonhos mortos sem que os nutrisse
Os que exaltam a asneira e a burrice
Os discursos vazios e as chulices
Os devaneios tomados em perrice
E o desprezo que nós damos à velhice
AMOR A LOUCURA
Amo-te loucura minha,
Que a mim liberta, que rompe as correntes.
Que me alucina, mas me faz ser gente
Que não aceita regras, nem se adéqua aos mandos
Que a dor não se entrega, nem aceita os danos
Que não venera o medo, nem os preconceitos
Que só obedece a alma no que lhe é direito
Que não se incomoda se é errada ou certa
Mas nada vê de longe, tudo apalpa e aperta
Que não vê o dolo em conhecer a vida
Nem aos desaforos, ampara ou abriga
Que não conhece cercas para a liberdade
Mas vive livre e plena em sua insanidade
Se alguém a condena, critica e apedreja
Não passa de escravo, a morrer de inveja
LUVAS DE CETIM
Depois de meses na enfermaria
A velha por fim agonizava
Dilacerada em dor, gemia
Porém nada mais ela falava
Não que a sua voz tivesse acabado
Ou que não se lembrasse mais das falas
É que sagradas eram as vozes do passado
E não queria vê-las agora perturbadas
Gemia assim, triste e sozinha,
Não mais clamando a dor da morte
Mas por ver, assim, quão mesquinha
Podia ser a vida em sua sorte
Mãe dedicada de oito filhos
Todos em lágrimas e dor criados
Mas dela há muito, já todos esquecidos
E por seus próprios destinos obcecados
Foi quando por fim ouviu a enfermeira
- Chega-te aqui Senhora, até a cabeceira
Dê a ela a sua mão neste último momento
Será por certo um bálsamo ao sofrimento
Num esforço final, a velha disse com voz turva
Eu quero é a sua mão, por favor, retire a luva
Depois clamou por fim: Esta mão não é Maria
A mão dela, eu lembro, tinha alma, pois eu sentia
MORRE ROMA
Quando o trabalho é descartado por despojos
E a violência é cultuada em versos e coro
Quando o sangue dos oprimidos já não importa
O desamor passa a habitar dentro das portas
Quando a justiça e a moral fogem dos trilhos
Os pais morrem pelas mãos dos próprios filhos
E quem ensina a alçar poder a qualquer custo
Cedo defronta com o vil punhal do filho Brutus
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza