DIA FUGAZ
Nasce o Sol e assim como a aurora os sonhos
Repleto de ilusão, o amor surge risonho
A luz invade o mundo, já nada é obscuro
A jovialidade desconhece qualquer muro
Caminha rápido o Sol, ninguém percebe
Sua sombra é fugaz, derrete-se a neve
Mui breve toda soberba esvair-se-á no tempo
Como rastros na areia ao respirar do vento
Só quando o Sol se põe é que nós percebemos
O quanto usamos pouco o muito que tivemos
E quando todo projeto na escuridão for nada
Aí sim, entenderemos quão curta é a jornada
Os últimos raios de Sol coram em dor sua tristeza
Rubor de desencanto, dos muitos erros a certeza
Já a jornada é finda, vem com a noite os pesadelos
E na sombra da demência, a paz por esquecê-los
A DANÇA DA HIPOCRISIA
Vestimentas de sangue, na violência a dançar
Cospem e zombam da vida, quem vai se importar?
Legalistas hipócritas, assassinos de irmãos
Fingem que repudiam, mas não mexem suas mãos
É um menor de idade, está o hipócrita a falar
Só porque hoje a vítima, não saiu do seu lar
Mas já chegou hoje o dia em que a nossa nação
Gasta mais com bandido do que com o cidadão
É uma dança de e escárnio, orquestrada no paço
Quem tem medo da forca, nunca faz bem o laço
Pouco importa quem morre, ou quem sofre a dor
Legislam para os bandidos, pois lhes devem favor
Quem apoiou sua campanha, quem pagou os seus votos
Se os diabos do inferno, a eles já se fez devoto
Vendem a vida dos homens e a esperança de infantes
São escórias de homens a vestir togas e turbantes
SENTIMENTOS
Conselhos em sentimentos não se empresta
Pois que toma a decisão, sua alma arresta
E a todos os seus desencantos leva amarrados
Em cordas de lembranças e manchas do passado
A FILHA DA BABÁ
A menina da babá nasceu em casa
Seu pai e mãe têm vidas ocupadas
Nasceu em berço de ouro, é abastada
Mas afeto só recebe da empregada
Novinha, este mês fez cinco anos
Com massa corporal sobrepujando
Em chiclete e sanduíches viciada
Pronúncia e dicção na forma errada
Já dança o funk, o axé e o pisadinho
Sabe tudo das novelas e do Ratinho
Adora ver TV e ouvir música brega
Conhece fast-food e o disk-entrega
Ninguém em casa diz que a filha é dela
Mas brinca, come e dorme só com ela
Seu sotaque, trejeito e voz espelha
Já em alma, gosto e jeito é a Marcela
MORRE ROMA
Quando o trabalho é descartado por despojos
E a violência é cultuada em versos e coro
Quando o sangue dos oprimidos já não importa
O desamor passa a habitar dentro das portas
Quando a justiça e a moral fogem dos trilhos
Os pais morrem pelas mãos dos próprios filhos
E quem ensina a alçar poder a qualquer custo
Cedo defronta com o vil punhal do filho Brutus
NÃO QUERO AMAR-TE
Não quero amar-te, tu já bem percebes
O quanto eu blindo e guardo a meu peito
Fortaleza de assombros a dor entregue
Ruínas e vis restos de amores desfeitos
Não quero amar-te, mas não é por covardia
Sou volúvel como a brisa aos teus encantos
Mas é que o amar que me seduz, por ironia
Foge de mim e faz-me réu dos desencantos
Melhor vazio de ilusão estar ao teu lado
De seu carinho a cada dia, ser mendigo
Do que eu ver meu coração apaixonado
Cair no hades ao teu fugir do paraíso
Não quero eu te amar, pra quando fores
E ignorares tudo o que eu sinto por você
E não ver se transformar todas as flores
Somente em ódio e ignomínia do viver
RETROSPECTIVA
Hoje eu retiro de mim toda palavra muda
Sentimentos ocultos, quais eu nunca escrevi
Volto lá na infância pra liberar toda a culpa
Amarguras e erros dos quais nunca esqueci
Me desfaço da carga que carrego nos ombros
Pesadelos e assombros do que não pude fazer
Me desgrudo do mito, para ser só o homem
Que mesmo trôpego e insano, viveu por você
Quase nada eu fiz certo e eu erraria de novo
Se ao sair do meu ovo, eu voltasse a te ver
Pois não há homem esperto e tão cauteloso
Que resista a este charme que habita em você
SAUDADE NÃO SE REPARTE
Saudade é a dor que nos parte,
Depois que alguém cedo parte
Que de dia em nós queima e arde
E à noite nos consome até tarde
Calor que aguça e excita as partes
Que jamais com outrem se reparte
É a parte de alguém que, em parte,
Fixa em nós seu eterno estandarte
Indulgência a pagar quando as partes
Trata o amor como um caso à parte
Até que extinto ou em dor se aparte
E por caminhos de dor se repartem
EM UMA LAUDA APENAS
Em uma lauda apenas minha dor transcrevo
Registro os meus medos em falar de amor
Em uma lauda há pena, a registrar temores
A tingir de dores, todos os sonhos meus
Em uma lauda há penas de pássaro desnudo
Que por vil descuido, gaivota amou
Em uma lauda há penas, tremendos castigos
Lembranças do exilo que o amor deixou
Em uma lauda há penas que o vento leva
Mas renasce a relva, brota uma nova flor
APOLOGIA AO CONCURSEIRO
Concurseiro que tanto estuda, mas à política é indiferente
Veja bem que as vagas tuas, são dos políticos e seus parentes.
Veja quantos cargos comissionados foram criados pelo PT
Pra cupinchas e apadrinhados que ocupam vagas sem nada saber.
Louca esperança de quem estuda, num pais regido pela torpeza.
Enquanto a voz dos jovem for muda, reinará a burrice e a safadeza.
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza