VISITA AO RIACHO
Levarei minha alma para contemplar o riacho e ver como as águas passam levando os restos da floresta;
Para ver como degelam as montanhas de mágoas e como suas lágrimas purificam as águas em corredeiras;
Para ver como as flores viçosas também murcham e tudo que já foi verde um dia amarela, cai e em seu lugar surgem novos brotos;
Para ver como as pedras mudam de forma com o tempo e como as pontes apodrecem tornando tenebrosas as antigas travessias;
Par ver com os ninhos são tristes depois que a prole os abandona;
Para ver com as arvores centenárias caem subitamente sob os raios da tempestade;
Para ver como os galhos se moldam à força do vento;
Para ver como na frieza do inverno hibernam as fantasias dos amantes.
DEIXA
Deixa passar as águas, não as represe;
Águas paradas azedam
Deixa que o pássaro voe, não o detenha;
Sua prole aguarda o seu retorno
Deixa que as lágrimas vertam, não as contenha;
A alma também precisa excretar
Deixa que a dores se apaguem, não as reviva;
Basta a cada dia o seu mal
Deixa que os filhos partam, não os impeça;
Seus sonhos buscam a realização
Deixa que a vida escoe, não lamente;
Muitos nem chegaram a conhecê-la
SÚPLICA DAS FLORES
Clamam as flores que em silêncio te mando:
- Perdoa os desmandos do seu bem-querer
Relembre em perfumes de tão doces encantos
A margarida de pétalas, que só quis: bem te quer
Crisântemos e lírios quais lágrimas em rios
Suplicam a ventura de eu poder te amar
E fagulhas de flores em um lilás sombrio
Diz quão triste e vazio é sem você ficar
Ramalhete de amores em rosa delicado
Manda mais um recado ao seu coração:
- Esquece os rancores e recebe o coitado
Que em seu doce sorriso espera o perdão
JOGO DE MONTAGEM
Quando longe de ti me edifico em sonhos
Imagino-te minha, neste meu delirar
Mas já frente a ti, a suar eu me ponho
Nem ouso sequer a teus olhos mirar
Meu paraíso e também meu vitupério
é este teu charme cruel e ladino
Pois me edifica em olhar de mistérios
Depois abandona e desmonta sorrindo
EU VI
Eu vi quando a paixão brotou assim do nada
E sem aviso, fez do meu coração morada
Vi como se entregou minh’ alma sem ressalvas
Entorpecida e de forma inconseqüente atordoada
Vi como a paixão cega os olhos da sanidade
Vi como ela transforma cruas mentiras em verdades
Vi como se renova a fé só com base na esperança
E como faz do adulto um sonhador tal qual criança
Vi também como floresce, da dor ervas daninhas
Passada a fantasia, almas voltam a ser mesquinhas
Rudes, cruéis, intrépidas e indomáveis
Vi como a descrença é a sucessora das paixões
Vi como brota o ódio quando sucumbem as ilusões
Em atitudes vis, malignas e deploráveis
NATAL É PRESENTE
Neste natal, nós queremos presente:
- Um pai presente
- Uma mãe presente
- Um filho presente
- Um irmão presente
- Um amigo presente
- O perdão presente
- O amor presente
- O arrependimento presente
- A solidariedade presente
- A atitude presente
- A sinceridade presente
Neste natal, não dê somente um presente a seu filho, mas dê um futuro, uma expectativa nova, uma razão para ser diferente!
Não seja apenas mais um figurante na sala, mas se faça presente, em amor,
em carinho e em solidariedade, tão necessária a todos os corações!
Feliz Natal
CANÇÃO DAS ORQUÍDEAS
Venha coraçãozinho triste
Lembrar que ainda existe
Alegrias pra ti
Vem ver em minhas cores
O quanto há de amores
Esperando por ti
Veja os pássaros cantando
As flores bailando
Só pra te verem sorrir
Perfumes excitantes
Fantasia de amantes
Pra você imergir
Abandone tuas dores
Pois na beleza das flores
Outro amor vai surgir
PACTO DE VIDA
Oh! linda menina de pureza infante
Tão bela e tão doce assim a brilhar
Retrata a beleza de puro diamante
Lapidada nas dores de seu desamar
Teus olhos lampejam o brilho dos sonhos
Que em caminhos medonhos estão a morrer
Mas rega-os as lágrimas de pranto tristonho
Que a novos pensamentos já faz florescer
Palpita a vida, no querer de quem ama
E que busca a façanha, de feliz inda ser
Se aparta das dores e proclama a derrama
Quebra os elos de morte pra de novo viver
GARBO TRISTE
Perdi as minhas cores
Frente aos olhos teus
Só vazios de amores
Tingem os sonhos meus
Nem minha calda garbosa
Recebe um simples olhar
Vive a sina da tosa
Deste teu desprezar
Que me adianta os que olham
E que me acham elegante
Só teus olhos me importam
Que se dane o restante
OLHOS VENDADOS
Vendo os meus olhos para que a noite passe
Mergulho nas águas aonde a razão não chega
Levo a minha alma onde as estrelas nascem
Só o cantar do grilo a minha dor festeja
Esqueço o relógio que me rouba o alento
Embriago a alma pra esquecer o tempo
Busco da madrugada, o suspirar da aurora
Que a noite termine, eu não vejo a hora
Olhos fechados, a vida em trevas se esvazia
Sob o desfiar irreverente e cruel da monotonia
Que zombeteira e sarcástica mostra as partes
Sem se importar o quanto gera dor ou arde
Quantas horas duram as noites sombrias
Quando em desencantos o amor esfria?
Cresce o abandono, morre a fantasia
Em mágoa e tristeza se arrastam os dias
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza