O DIA DO BANANA
Quando a vi assim, dourada ao sol, cabelos esvoaçantes ao vento
Despi-me da timidez e fui ao seu encontro, em louco atrevimento!
Logo eu, um mero banana, de olhar meloso e apaixonado
Querendo ter nos braços a rainha da horta, mais que pecado!
Mesmo assim ousei, fui em frente, desse no que desse
Sentir-me-ia mesmo um morto se assim não o fizesse
Poderia eu fugir agora da resposta às minhas preces?
Melhor a nudez do desengano que do remorso as vestes
Não sei se por desvairo ou se por pura compaixão
Lançou-se trêmula nos meus braços num beijo de paixão
Foi um momento só, mas jamais esquecerei aquele dia
Em que um banana foi o rei no baile das fantasias
SINAIS DE FUMAÇA
Com o tempo a gente aprende:
- Que corpos não ficam juntos quando as almas estão distantes;
- Que o casamento imaturo é um salto no escuro;
- Que o amor é uma planta a ser cuidada e que se pisada morre;
- Que quem ama a outrem, cuida de si também;
- Que quem testa demais, acabar por quebrar o elástico;
- Que o perdão não funciona sem a mudança de rumo;
- Que nenhum biscoito é bom, sem ter passado pela fornalha;
- Que o amor baseado em necessidade acaba quando a mesma se sacia;
- Que quem sonega sua liberdade não te ama de verdade;
- Que quem despreza os avós, por certo desprezará os pais
QUANDO PARTE UM IRMÃO
Quando parte um irmão, destes a quem fomos unidos pelo coração, resta-nos a certeza de que ele sempre soube o quanto o amamos e que fizemos jus às oportunidades de honrá-lo com o nosso amor. Todavia, vale aqui registrar que este nos deu aulas de como amar a Deus de coração, não só com palavras, mas com a sua própria vida. Para mim ele será sempre um exemplo de humildade, de abnegação e de doação a causa divina. Amou sempre muito mais a obra de Deus do que a si mesmo, viveu mais modestamente que todos os que lhe serviam. Mas por certo está sendo recebido nos céus por aquele que se doou na cruz por todos nós. Sentirei muitas saudades, mas não lamentarei a sua partida. Ele sempre nos disse ser um peregrino rumo a terra prometida. Vai em paz meu amado pr. Sóstenes Apolos da Silva!
PESADELO
Em loucos sonhos e soturnos pesadelos
Tua imagem assombrosa perambula
Mas nada mais do que já foi vai sê-lo
Sombra apenas desmascarada e nua
Não mais tuas vestes de cetim encantam
Nem mais teus olhos resplandecem a luz
És um eterno monumento ao desencanto
Atalho certo entre o jardim e a via-crúcis
Terás por companhia os teus remorsos
Em rotas tristes e caminhos escabrosos
Jamais há de dar-te as mãos a confiança
Suas tramas maquinadas em desatino
Retorno só te dará por certo o destino
Sentimentos de dor, desesperança
ALVORECER
O sol se desponta no morro
E o véu da terra é retirado
Pesares se tornam em gozo
Como se fossem apagados
Seca o orvalho de amarguras
Fazendo despontar flores
Afugenta a noite escura
Enxuga lágrimas de dores
Tristezas mal resolvidas
Apagam-se com o amanhecer
Folhas murchas e adormecidas
Ressurgem e quererem viver
O Sol transforma as cores
Com o surgir da alvorada
O perdão faz dos rancores
Carinhos na madrugada
TEU POEMA
Se queres um poema, esboça-me um sorriso
As emoções no teu rosto é que mexem comigo
Se teus olhos cintilam eu vejo a luz das estrelas
Mas se lágrimas escorrem, é só da dor a centelha
Chorarei eu contigo, do seu amor o reverso
Se amargura te envolve, me derreto em versos
Ma se tua alma é fria, um poema eu não faço
Pois com lenha molhada não há fogo no tacho
Não importa se rima ou se quebra um refrão
Versos têm que ter alma e força de expressão
Do contrário eu me calo e deixo a dor fermentar
E mais tarde quem sabe, possa eu rir ou chorar
A VIGÍLIA
Buscam-te em vão os meus braços no tatear sonâmbulo da minha solidão
Minh' alma se perde em descompasso, sem o marcar de ritmo de seu coração
A noite passa vazia contando suspiros e os grilos zombando da minha tristeza
Vigília de pensamentos insanos maldizendo a alvorada que cruelmente não chega
Quando por fim aparecem de longe pequenos raios de sol por mensageiros
São ríspidos, sem sentimentos e indiferentes à minha dor, me apressam:
- Levanta-te, sai deste ermo, esta paixão foi loucura foi um conto ligeiro
Vai-te em busca de alento em outros olhos que também pela aurora esperam
BAILA COMIGO
Abraçar-te-ei com tal ternura que cessará teu pranto
E aconchegada em meus braços tua alma descansará
Não mais sobre ti a dúvida estenderá seu turvo manto
Em elos de amor, pra sempre ligada a mim tu estarás
Balança livre e solta como quem confia
E desabrocha assim toda magia e sedução
Atrelada a mim, sua alma dança e rodopia
Cortejos de amor fazem agitar meu coração
Alheia aos riscos, entrega-te a mim em desatino
Se lança em sonhos e em fantasias do amor
Se amar-me é loucura que a condene o destino
Mas és feliz assim como jamais alguém sonhou
VISITA AO SOL
Partirei resoluto ao encontro do Sol
Arrancar-lhe-ei a razão deste intento
De tirar de mim toda alegria e alento
E fazer-me sucumbir com o arrebol
Ele vai ter que responder-me cara a cara
Não sob nuvens de mentiras e hipocrisia
Por que sobre mim só a tristeza irradia
Quando brisa de amor a outros ampara?
Por que razão cruel minh'alma arde
E raios de dor assim minha sorte invade
Ressecando-me em angústia e solidão?
Quem deu a mim por escravo à tristeza
E faz o amor tratar-me com estranheza
E a amargura condenou meu coração?
APAIXONAR-SE
Namorar é uma arte, mas apaixonar-se é algo subconsciente, é uma
psico-dependência de alguém baseada em critérios imaginários criados
pela carência oculta em cada um de nós.
Em todos nós há sempre um vazio intangível e desconhecido à razão, oculto nas recâmaras de dos nossos desejos, pronto a explodir em carência quando menos se espera. É algo assustador e insano como um grande vulcão adormecido.
Não dá para entender; Como alguém que se achava completo e seguro de si,
desaba de repente diante de outro ser, como se tudo o que seja ou fosse se
torne agora apenas um imenso vazio?
Apaixonar-se é o abandonar do concreto e consciente por algo utópico, imaginário
e inexistente. Na verdade, os amantes são todos alienados. Entorpecidos
por desejos ocultos capazes de fazerem do ser venerado o símbolo da
perfeição e beleza, baseados em parâmetros indescritíveis e fantasiosos,
mas ai de quem ousar censurá-los.
São loucos os apaixonados, mas são de fato felizes e jamais buscam a cura para si.
Todavia, quando por algum motivo a febre passa, se enchem de ódio e
amargura por perceberem o quanto foram iludidos por seus próprios
sentimentos. Entretanto, todos eles carregarão para sempre na alma uma
saudade imensa dos seus tempos de insanidade.
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza