PROSA DAS ROSAS
O caminho da saudade tu não deves percorrer
Lá as flores são mortas, tu as deves esquecer
Se as contemplas de volta, vês que murchas estão
Já são resíduos do tempo, adornos doutra estação
Segue em frente a jornada, novas flores hás de ver
Dourados sonhos de encantos esperando por você
O passado é um folclore, nada dele volta atrás
Deixe as vestes de mágoas, a maquiagem refaz
Quem anda de costas, perde o que à frente vem
Se acabrunha em escombros e mofa em desdém
Mais nada belo a frente conseguirá alcançar
Abre um largo sorriso, independente da dor
Vista-se de otimismo, plante e regue uma flor
Alegria infinita em outros olhos hás de achar
MEU VELHO MONTE
Meu Velho querido, já de alvos cabelos
De quem o rugir a muito, não se ouve mais
Só lágrimas despontam em rios de zelo
Há nutrir seus filhos em remansos de paz
Lagos de ternura formam-se à tua sombra
Nuvens de doçura dos céus vêm a ti
Nenhum vento forte tua calma assombra
Nada mais te rouba a paz do porvir
Flores de carinho a relva te oferece
Em cores e preces, louvam teu viver
E ramos se curvam frente ao teu saber
Firmes e insondáveis são tuas raízes
Belas as matizes que adornam o teu ser
Ventos uivam e cantam em honra a você
DIA FUGAZ
Nasce o Sol e assim como a aurora os sonhos
Repleto de ilusão, o amor surge risonho
A luz invade o mundo, já nada é obscuro
A jovialidade desconhece qualquer muro
Caminha rápido o Sol, ninguém percebe
Sua sombra é fugaz, derrete-se a neve
Mui breve toda soberba esvair-se-á no tempo
Como rastros na areia ao respirar do vento
Só quando o Sol se põe é que nós percebemos
O quanto usamos pouco o muito que tivemos
E quando todo projeto na escuridão for nada
Aí sim, entenderemos quão curta é a jornada
Os últimos raios de Sol coram em dor sua tristeza
Rubor de desencanto, dos muitos erros a certeza
Já a jornada é finda, vem com a noite os pesadelos
E na sombra da demência, a paz por esquecê-los
MEU FALAR
Se eu falei só aos teus ouvidos
Logo mais tudo será esquecido
Se eu falei o que querias ouvir
Nada eu fiz para a ti servir
Se meu falar não te incomodou
Meu discurso foi vão, não te ajudou
Se meu falar te ensoberbeceu
Fiz muito mal, foi um erro meu
Se no meu falar eu mexi contigo
Fiz meu o papel de irmão e amigo
E se o meu falar melhorou sua rota
Minha voz ganhou máxima nota
SINAIS DE FUMAÇA
Com o tempo a gente aprende:
- Que corpos não ficam juntos quando as almas estão distantes;
- Que o casamento imaturo é um salto no escuro;
- Que o amor é uma planta a ser cuidada e que se pisada morre;
- Que quem ama a outrem, cuida de si também;
- Que quem testa demais, acabar por quebrar o elástico;
- Que o perdão não funciona sem a mudança de rumo;
- Que nenhum biscoito é bom, sem ter passado pela fornalha;
- Que o amor baseado em necessidade acaba quando a mesma se sacia;
- Que quem sonega sua liberdade não te ama de verdade;
- Que quem despreza os avós, por certo desprezará os pais
VISITA AO SOL
Partirei resoluto ao encontro do Sol
Arrancar-lhe-ei a razão deste intento
De tirar de mim toda alegria e alento
E fazer-me sucumbir com o arrebol
Ele vai ter que responder-me cara a cara
Não sob nuvens de mentiras e hipocrisia
Por que sobre mim só a tristeza irradia
Quando brisa de amor a outros ampara?
Por que razão cruel minh'alma arde
E raios de dor assim minha sorte invade
Ressecando-me em angústia e solidão?
Quem deu a mim por escravo à tristeza
E faz o amor tratar-me com estranheza
E a amargura condenou meu coração?
BAILA COMIGO
Abraçar-te-ei com tal ternura que cessará teu pranto
E aconchegada em meus braços tua alma descansará
Não mais sobre ti a dúvida estenderá seu turvo manto
Em elos de amor, pra sempre ligada a mim tu estarás
Balança livre e solta como quem confia
E desabrocha assim toda magia e sedução
Atrelada a mim, sua alma dança e rodopia
Cortejos de amor fazem agitar meu coração
Alheia aos riscos, entrega-te a mim em desatino
Se lança em sonhos e em fantasias do amor
Se amar-me é loucura que a condene o destino
Mas és feliz assim como jamais alguém sonhou
PARAÍSO FERIDO
De carrmesim, você tingiu o meu paraíso
Manchou de dor o que era belo ao meu olhar
Daltônico de amor, a ver um mundo impreciso
Tateio as cegas, sem o amor mais contemplar
Quando a dor nos cobre os olhos, tudo é mágoa
Só de tristeza são todas as nuvens no arrebol
O sangue mancha o lindo azul das puras águas
E até as plantas sangram em flor na luz do sol
TEU BEIJO DOCE
Te vejo ao longe e me sinto um menino
Que na quitanda vive às balas desejar
Chora, dá birra e põe o pai em desatino
Até que os doces saborosos vá comprar
Eu imagino os sabores dos teus beijos
Nas vivas cores e fantasias da ilusão
Quanto mais penso, maior é meu desejo
Torta de amores recoberta de paixão
Vejo-te trufas e caramelos de muitas cores
Com coberturas saborosas a desmanchar
E com salpicos de marshmallow a adornar
Lembras-me frutas de exóticos sabores
Essências mágicas que me fazem delirar
Roubas-me o fôlego a ponto de afogar
A VIGÍLIA
Buscam-te em vão os meus braços no tatear sonâmbulo da minha solidão
Minh' alma se perde em descompasso, sem o marcar de ritmo de seu coração
A noite passa vazia contando suspiros e os grilos zombando da minha tristeza
Vigília de pensamentos insanos maldizendo a alvorada que cruelmente não chega
Quando por fim aparecem de longe pequenos raios de sol por mensageiros
São ríspidos, sem sentimentos e indiferentes à minha dor, me apressam:
- Levanta-te, sai deste ermo, esta paixão foi loucura foi um conto ligeiro
Vai-te em busca de alento em outros olhos que também pela aurora esperam
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza