MULHER PORCELANA
Mulher de face mui linda e tão fina tez
Que fascina e adoça este meu contemplar
Teu olhar quase oculto, não é timidez
É magia e mistério, a me fazer delirar
Os lindos traços que adornam teu rosto
São uma linda miragem sob o meu olhar
Para outras mulheres, inveja e desgosto
E de homens discretos, o embasbacar
Tua face tão linda é tal qual porcelana
No seu brilho, pureza e tão suave cor
Até das mentes mais puras o afago reclama
Provoca os tropeços, a gagueira e o rubor
Quando doce é mirar-te em tanta beleza
Neste doce sorriso e em teu jeito de ser
Apagas amarguras, amenizas as tristezas
Trazes aos moribundos, uma razão pra viver
PESADELO
Em loucos sonhos e soturnos pesadelos
Tua imagem assombrosa perambula
Mas nada mais do que já foi vai sê-lo
Sombra apenas desmascarada e nua
Não mais tuas vestes de cetim encantam
Nem mais teus olhos resplandecem a luz
És um eterno monumento ao desencanto
Atalho certo entre o jardim e a via-crúcis
Terás por companhia os teus remorsos
Em rotas tristes e caminhos escabrosos
Jamais há de dar-te as mãos a confiança
Suas tramas maquinadas em desatino
Retorno só te dará por certo o destino
Sentimentos de dor, desesperança
O DIA DO BANANA
Quando a vi assim, dourada ao sol, cabelos esvoaçantes ao vento
Despi-me da timidez e fui ao seu encontro, em louco atrevimento!
Logo eu, um mero banana, de olhar meloso e apaixonado
Querendo ter nos braços a rainha da horta, mais que pecado!
Mesmo assim ousei, fui em frente, desse no que desse
Sentir-me-ia mesmo um morto se assim não o fizesse
Poderia eu fugir agora da resposta às minhas preces?
Melhor a nudez do desengano que do remorso as vestes
Não sei se por desvairo ou se por pura compaixão
Lançou-se trêmula nos meus braços num beijo de paixão
Foi um momento só, mas jamais esquecerei aquele dia
Em que um banana foi o rei no baile das fantasias
RECÂMARAS DA ALMA
Nas recâmaras dos meus pensamentos
Em lembranças profundas imerso
Busco os versos perdidos no tempo
Não o tempo perdido nos versos
Lá nas dores passadas da vida
Onde feridas ardentes sagraram
Há lições em tigelas cingidas
Que na aspereza do tempo calaram
Esta flor na saudade desponta
No jardim dos que sonham com a vida
As angústias e tristezas desmonta
faz da dor uma página esquecida.
POLICROMIA DO AMOR
Você é encanto, paraíso e fantasia
Cesta de flores, remanso e alegria
Surpresa de cores - policromia
Musa dos sonhos, fada e magia
Relva do campo, céu de brigadeiro
Música preferida, sonho encantado
Saudade nua, canção de marinheiro
Poema de amor, de carinho e afagos
Poesia mais linda, que declamo calado
Consola meu pranto, seu sorriso a meu lado
Faz de toda tristeza um borrão do passado
É meu sonho de amor e meu eterno fado
ACORDES DO AMOR
O amor não nasce na volúpia; Aí nasce a paixão, mas esta rapidamente se sacia e morre como o apetite ante um prato de angu.
0s dardos do desejo tiram o sono, mas o amor repousa é nos braços do afeto verdadeiro.
O amor não sobrevive das formas sinuosas de um corpo; As estações mudan e o outono exige muito mais que cobertores.
O amor desponta na rosas, mas mostra sua consistência no enfrentar de espinhos.
O amor tem a leveza das aves, mas se estabelece na marcha firme e intrépida do jabuti.
O amor tem poesias e cantos, mas na solidariedade é que afina as suas cordas.
O PAI BANIDO
Julgado fora em todas suas falhas
Justificativas a elas nunca houve
Não há honra, mérito ou medalha
A quem aos filhos educar não soube
Nas minhas carências, quase sempre ausente
Os meus desejos, quase sempre renegados
Aos meus sonhos, questionava mui resistente
Como se eu fosse, um burro ou retardado
Cresci revolto, tratando como a nada
A quem a vida me impôs como tutor
E seus cuidados que tanto me enojou
Só quando em paixão mui desvairada
Tornei-me de uma criança o genitor
Eu soube quanto o velho a mim amou
FLOR DO CERRADO
Vermelha flor do cerrado
Que adornas com maestria
O coração ressecado
Da minha terra em estia
És despontar de esperanças
Em terra triste que abrasa
És o nascer de uma criança
Na mais estéril das casas
Surges assim majestosa
Sobre o reinar da poeira
A nossa alegria renovas
Surge da chuva a bandeira
Tal qual minh'alma transposta
Em outras terras tu cresces
Botões de saudades brotam
Mas rosa de amor não floresce
Caliandra, flor da ternura
Princesa de minha terra
De meu coração desventuras
Na cor e pureza encerras
Bálsamo Celeste
As vezes eu choro minhas tristezas mudas,
Que somente a minha alma sabe e conhece
Mas vem logo um sorriso a põe fim ao surto,
Pois de minhas lágrimas Deus ouviu a prece.
Não sei o porque do choro ou o do sorrir
Minha alma assim, mais leve se tornou
Espírito do divino, sempre a me assistir
Bálsamo de graça a me encher de amor
NA TUA LUZ
Na tua luz, Senhor, sereno eu andarei
Mesmo quando a noite escura esteja
E nada mais o meu olhar desvende além
Ao Teu louvor com toda alma eu cantarei
Mesmo quando minha voz travada esteja
E o pranto oculto em mim, reinar também
Se trevas me cercarem no caminho
E minha alma se achar envolta em dor
A Tua luz qual fino véu me cobrirá
E quando meu caminhar aqui for findo
E à glória lá do céu chamado eu for
Eterna luz minh' alma então alcançará
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza