FLOR DO CERRADO
Vermelha flor do cerrado
Que adornas com maestria
O coração ressecado
Da minha terra em estia
És despontar de esperanças
Em terra triste que abrasa
És o nascer de uma criança
Na mais estéril das casas
Surges assim majestosa
Sobre o reinar da poeira
A nossa alegria renovas
Surge da chuva a bandeira
Tal qual minh'alma transposta
Em outras terras tu cresces
Botões de saudades brotam
Mas rosa de amor não floresce
Caliandra, flor da ternura
Princesa de minha terra
De meu coração desventuras
Na cor e pureza encerras
MEU FALAR
Se eu falei só aos teus ouvidos
Logo mais tudo será esquecido
Se eu falei o que querias ouvir
Nada eu fiz para a ti servir
Se meu falar não te incomodou
Meu discurso foi vão, não te ajudou
Se meu falar te ensoberbeceu
Fiz muito mal, foi um erro meu
Se no meu falar eu mexi contigo
Fiz meu o papel de irmão e amigo
E se o meu falar melhorou sua rota
Minha voz ganhou máxima nota
NA TUA LUZ
Na tua luz, Senhor, sereno eu andarei
Mesmo quando a noite escura esteja
E nada mais o meu olhar desvende além
Ao Teu louvor com toda alma eu cantarei
Mesmo quando minha voz travada esteja
E o pranto oculto em mim, reinar também
Se trevas me cercarem no caminho
E minha alma se achar envolta em dor
A Tua luz qual fino véu me cobrirá
E quando meu caminhar aqui for findo
E à glória lá do céu chamado eu for
Eterna luz minh' alma então alcançará
SEU PRANTO
Eu daria meu ombro para o seu choro
E docemente, secaria as suas lágrimas
Num terno abraço, afagaria seu pranto
Até que nossos corações pulsassem juntos
Não sei se assim amenizaria a sua dor
Mas me juntaria a ela em um só coração
E, quem sabe, se na pureza do meu carinho
não encontrarias, por fim, o seu consolo?
NOVA ESTAÇÃO
Vou buscar as flores da prima vera
Inverno frio, já era.
Verão
Ou tomo rumo ou me atropela
Seu fruto podre, em queda.
Verão
Ventos uivantes, quebram-se os galhos
Juras eternas, viram frangalhos.
Verão
Sol irradia, queima e escalpela
Pele queimada, despela.
Verão
Folhas despencam, renascem as flores
Novos sonhos, novos amores.
Verão
MÃOS DADAS
Quando a graça de um sorriso for dividida sem traumas
Quando a confiança for plena e a liberdade sem ressalvas
Quando a expectativa for livre e em sonhos compartilhada
Quando respeito e privacidade forem cláusulas petrificadas
Quando a história for passado e não gavetas vasculhadas
Quando no insucesso unidos e não repartidos em mágoas
Quando a alegria do outro for acolhida com louros e salvas
Quando toda a beleza encontrada, já sem o outro for nada
Aí sim, a minha alma e a sua poderão andar de mãos dadas
PESADELO
Em loucos sonhos e soturnos pesadelos
Tua imagem assombrosa perambula
Mas nada mais do que já foi vai sê-lo
Sombra apenas desmascarada e nua
Não mais tuas vestes de cetim encantam
Nem mais teus olhos resplandecem a luz
És um eterno monumento ao desencanto
Atalho certo entre o jardim e a via-crúcis
Terás por companhia os teus remorsos
Em rotas tristes e caminhos escabrosos
Jamais há de dar-te as mãos a confiança
Suas tramas maquinadas em desatino
Retorno só te dará por certo o destino
Sentimentos de dor, desesperança
DESENCONTROS
às vezes a gente encontra a pessoa que achamos ser a certa, mas ela disso não está tão certa
às vezes a gente se acha alguém interessante, mas ela já se encantou por outro antes
às vezes a gente acha alguém legal no mundo afora, mas seu mundo é outro, a gente está fora
às vezes a gente acha alguém que nos dá carinho e sombra, mas sua obsessão é tanta, que nos assombra
às vezes a gente encontra alguém linda, inteligente, mas vive só pra si, a nós é indiferente
Mas às vezes achamos alguém que nos trata com tal cuidado, que já não mais concebemos sair de seu lado
ALVORECER
O sol se desponta no morro
E o véu da terra é retirado
Pesares se tornam em gozo
Como se fossem apagados
Seca o orvalho de amarguras
Fazendo despontar flores
Afugenta a noite escura
Enxuga lágrimas de dores
Tristezas mal resolvidas
Apagam-se com o amanhecer
Folhas murchas e adormecidas
Ressurgem e quererem viver
O Sol transforma as cores
Com o surgir da alvorada
O perdão faz dos rancores
Carinhos na madrugada
ACORDES DO AMOR
O amor não nasce na volúpia; Aí nasce a paixão, mas esta rapidamente se sacia e morre como o apetite ante um prato de angu.
0s dardos do desejo tiram o sono, mas o amor repousa é nos braços do afeto verdadeiro.
O amor não sobrevive das formas sinuosas de um corpo; As estações mudan e o outono exige muito mais que cobertores.
O amor desponta na rosas, mas mostra sua consistência no enfrentar de espinhos.
O amor tem a leveza das aves, mas se estabelece na marcha firme e intrépida do jabuti.
O amor tem poesias e cantos, mas na solidariedade é que afina as suas cordas.
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza