FACEBURRO
Bloqueias-me sempre e não dizes o porque
Se te pergunto o motivo, te recusas a dizer
Sugeres-me amigos, mas para eu não convidar
Se tentado o faço, tu vens a me bloquear
Que loucuras pretendes neste teu proceder?
Se alguém me pergunta, não posso eu responder?
Se não permites respostas, não me passe a questão
Assuma lá a sua culpa, não a imputes a mim não.
O teu feed notícias é pura excrescência
É baixaria, intrusão, fofoca e indecência
Pra quem quer se expor, ofereças a opção
Mas não ponhas na lama a todo cidadão
Por que não posso impedir de mostrar o que faço?
Te pedi para expor-me no que curto ou despacho?
Por acaso tu sabes o que é discrição?
Ou aí nesta casa não se usa a razão?
Ofereces-me muito em bloquear o que vejo
Mas omitir minha vida é que é meu desejo
Por que tanto insistes em me expor na avenida?
Já não chega o Obana a vasculhar minha vida?
O DESACORÇOAR
Uma hora chega, em que o dia finda
A tarde sucumbe, o labor termina
Sobre o olhar do dia, o crepúsculo desce
O respirar profundo, já não busca alento
Já não traça metas, já não conta o tempo
Vai-se aos cobertores, já não há mais prece
Nada mais na vida, desperta um sorriso
Não importa o teto ou se é limpo o piso
Nem se um filho casa ou se o neto cresce
É triste a penumbra e o calar do canto
Da desesperança, o esticar do manto
Frente ao fim da linha, a vida emudece
O PORQUÊ DO PRESENTE
Eu te trouxe um presente em papel colorido
Com laços e flores - mistérios no ar
O presente é singelo, mas vou ter teu sorriso
E o mais doce encanto deste teu olhar
De novo um presente? Tu indagas o motivo
Explicar não preciso - quero só festejar
Mas pra mim sempre é festa, o eu tê-la comigo
Dá-me cores a vida e alegria sem par
DEVANEIOS
Eu vi como num único instante os sonhos são desfeitos
Vi como é indomável a loucura e vazio todo o preceito
Vi ao se evaporar da paixão o quanto o amor ao ódio é sujeito
Vi quanto a vida é ilusão e como é dura a dor que arde ao peito
Entendi que o amor que perdura é seco, fugaz e mesquinho
Não se entrega e de si não esvazia, não divide jamais o seu ninho
Não busca a flor que desponta, não encara os das rosas os espinhos
Não chora os seus desenlaces, está sempre mui cônscio e sozinho
Loucura é a cegueira do encanto e falso o fervor da alegria
Amargo é o desencanto quando o peito de paixão se esvazia
O amor é prelúdio do pranto e facho louco de uma dor tardia
Coração é borrão do insucesso e nunca aprende com a dor
Noutros olhos suas juras esquece e se entrega de novo ao amor
Mãos que sagraram amargura hoje trazem um sorriso e uma flor
EMPÁFIA
Tu pìsas assim no eu que sinto
E o declaro a ti com desvelo
Mas prestes estás, eu precinto
Da dor de não mais o te-lo
As comendas que a ti eu dedico
Trata-as como plumas ao vento
Mas dardos serão em teus conflitos
Quando da solidão, no tormento
Carinho se paga é com um sorriso
Mesmo quando a paixão for nada
Mas mágoas sangram, viram chagas
Amores se vão em vento frio
Charme morre com a alvorada
Mas todos se vão ao fim da estrada
NOVA ESTAÇÃO
Vou buscar as flores da prima vera
Inverno frio, já era.
Verão
Ou tomo rumo ou me atropela
Seu fruto podre, em queda.
Verão
Ventos uivantes, quebram-se os galhos
Juras eternas, viram frangalhos.
Verão
Sol irradia, queima e escalpela
Pele queimada, despela.
Verão
Folhas despencam, renascem as flores
Novos sonhos, novos amores.
Verão
PROCRASTINAÇÃO
A história humana é um eterno padecer dos erros que cometemos mas não conseguimos evitar que se repitam nas gerações que nos seguem. Na nossa juventude cremos que realizaremos a tarefa de fazer um mundo melhor; na média idade postergamos esta tarefa a nossos filhos e na velhice nos cobrimos de tristeza ao percebermos que ela não será alcançada.
SEU PRANTO
Eu daria meu ombro para o seu choro
E docemente, secaria as suas lágrimas
Num terno abraço, afagaria seu pranto
Até que nossos corações pulsassem juntos
Não sei se assim amenizaria a sua dor
Mas me juntaria a ela em um só coração
E, quem sabe, se na pureza do meu carinho
não encontrarias, por fim, o seu consolo?
PARAÍSO PERDIDO
Quebrada fora a minh'alma em secreto
Moída e pisada pelo teu desdenhar
Fadada ao desterro por ignóbil decreto
O jardim de teus olhos, não mais contemplar
Quão triste é a sina do amor renegado
Jogado ao monturo da tristeza e da dor
Resseca em saudades do tempo sagrado
Que do mel dos teus lábios feliz desfrutou
Vigília insensata é o velar do amante
Sofre a ânsia e a espera do que sabe não vir
Moribundo sucumbe no aguardar do instante
Em que a luz dos teus olhos o faça sorrir
CAMINHO DE PÉTALAS
Caminho de flores de amores perdidos
De sonhos e encantos que o tempo levou
Por ventos de mágoa, amores esquecidos
Outonos sombrios de frio e de dor
Caminho marcado em pétalas de desenganos
Pra que se pise e esqueça um amor que morreu
Venha, oh brisa da noite, da paixão, novo ânimo
Para que em outros olhos eu encontre os meus
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza