Lista de Poemas

RECÂMARAS DA ALMA

Nas recâmaras dos meus pensamentos
Em lembranças profundas imerso
Busco os versos perdidos no tempo
Não o tempo perdido nos versos

Lá nas dores passadas da vida
Onde feridas ardentes sagraram
Há lições em tigelas cingidas
Que na aspereza do tempo calaram

Esta flor na saudade desponta
No jardim dos que sonham com a vida
As angústias e tristezas desmonta
faz da dor uma página esquecida.
438

MINHA PANDORA

Ligada a mim por tênue fio
Livre pandora que adorna o céu
Que voltes a mim, meu desafio
Só por amor, não por papel

Não nas juras ou nas promessas
Prendes-te a mim por teu querer
Enfeita o céu e adornas as festas
Mas é meu amor que escolhes ter

Se o vento falha tu perdes as forças
Manhosa se faz no teu compasso
Não se assusta com a corda frouxa
Tens sempre a fé nos meus abraços

Flutuas livre em teus desejos
Cortas o vento com teu rebolar
De meu ciúme, nenhum lampejo
Longe de mim, eu a ti censurar

Sabes quão doce é minha ternura
Sempre presto e feliz em te atender
Nos desencontros, nas desventuras
E nas alegrias do nosso viver

Mas se por acaso, a linha tu quebres
E longe de mim tu queiras estar
Feliz tu eras, não há quem negue
Mas nunca mais penses em voltar
400

POLICROMIA DO AMOR

Você é encanto, paraíso e fantasia
Cesta de flores, remanso e alegria
Surpresa de cores - policromia
Musa dos sonhos, fada e magia

Relva do campo, céu de brigadeiro
Música preferida, sonho encantado
Saudade nua, canção de marinheiro
Poema de amor, de carinho e afagos

Poesia mais linda, que declamo calado
Consola meu pranto, seu sorriso a meu lado
Faz de toda tristeza um borrão do passado
É meu sonho de amor e meu eterno fado
489

CAMINHO DE PÉTALAS

Caminho de flores de amores perdidos
De sonhos e encantos que o tempo levou
Por ventos de mágoa, amores esquecidos
Outonos sombrios de frio e de dor

Caminho marcado em pétalas de desenganos
Pra que se pise e esqueça um amor que morreu
Venha, oh brisa da noite, da paixão, novo ânimo
Para que em outros olhos eu encontre os meus
432

NOVA ESTAÇÃO

Vou buscar as flores da prima vera
Inverno frio, já era.
Verão

Ou tomo rumo ou me atropela
Seu fruto podre, em queda.
Verão

Ventos uivantes, quebram-se os galhos
Juras eternas, viram frangalhos.
Verão

Sol irradia, queima e escalpela
Pele queimada, despela.
Verão

Folhas despencam, renascem as flores
Novos sonhos, novos amores.
Verão
408

MÃOS DADAS

Quando a graça de um sorriso for dividida sem traumas

Quando a confiança for plena e a liberdade sem ressalvas

Quando a expectativa for livre e em sonhos compartilhada

Quando respeito e privacidade forem cláusulas petrificadas

Quando a história for passado e não gavetas vasculhadas

Quando no insucesso unidos e não repartidos em mágoas

Quando a alegria do outro for acolhida com louros e salvas

Quando toda a beleza encontrada, já sem o outro for nada

Aí sim, a minha alma e a sua poderão andar de mãos dadas
463

O PORQUÊ DO PRESENTE

Eu te trouxe um presente em papel colorido
Com laços e flores - mistérios no ar
O presente é singelo, mas vou ter teu sorriso
E o mais doce encanto deste teu olhar

De novo um presente? Tu indagas o motivo
Explicar não preciso - quero só festejar
Mas pra mim sempre é festa, o eu tê-la comigo
Dá-me cores a vida e alegria sem par
446

PROCRASTINAÇÃO

A história humana é um eterno padecer dos erros que cometemos mas não conseguimos evitar que se repitam nas gerações que nos seguem. Na nossa juventude cremos que realizaremos a tarefa de fazer um mundo melhor; na média idade postergamos esta tarefa a nossos filhos e na velhice nos cobrimos de tristeza ao percebermos que ela não será alcançada.
471

REVIRADA

Jogue suas mágoas no correr das águas

E não mais revivas as dores esquecidas

Abandone o pranto por um doce canto

Troque seus clamores por novos amores

Dê um bom presente pro amigo ausente

Troque fã-clube e amizade por fé e verdade

Se te julgarem louco, você diga: é pouco

E sorria infante como nunca dantes

Para que sejas feliz como sempre quis
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A PROCLAMA

Traz no seu corpo a bandeira
Nas cores da pátria se veste
De busto altivo, alma cheia
Seu coração jaz em prece

Cara pintada, boca em proclama
Faz ecoar os seus gritos
Justiça já! É o povo que clama:
Abaixo estes políticos malditos!

Chega de clientelismo
De corrupção, nepotismo
E população na sarjeta

Políticos podres, vendidos
Governo aliciador de partidos
E justiça vendida em maletas
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Comentários (2)

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Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço

            Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
            Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
            Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
            Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha.  Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
            Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.