MÃOS DADAS
Quando a graça de um sorriso for dividida sem traumas
Quando a confiança for plena e a liberdade sem ressalvas
Quando a expectativa for livre e em sonhos compartilhada
Quando respeito e privacidade forem cláusulas petrificadas
Quando a história for passado e não gavetas vasculhadas
Quando no insucesso unidos e não repartidos em mágoas
Quando a alegria do outro for acolhida com louros e salvas
Quando toda a beleza encontrada, já sem o outro for nada
Aí sim, a minha alma e a sua poderão andar de mãos dadas
O SUPER PAI
Em nenhuma atenção falhou
Em problemas não se perdeu
Em nenhuma festa faltou
Nenhuma data esqueceu
Nunca perdeu as estribeiras
Nunca com um filho brigou
Nunca sua voz foi grosseira
Nem de forma errada julgou
Sempre o rei da perfeição
No agir, no ouvir e falar
Tem sempre pronta a lição
Em como um filho educar
A estultice não tolera
A irreverência, jamais!
Não dá ouvido a quimeras
Pois este nunca foi pai
A PROCLAMA
Traz no seu corpo a bandeira
Nas cores da pátria se veste
De busto altivo, alma cheia
Seu coração jaz em prece
Cara pintada, boca em proclama
Faz ecoar os seus gritos
Justiça já! É o povo que clama:
Abaixo estes políticos malditos!
Chega de clientelismo
De corrupção, nepotismo
E população na sarjeta
Políticos podres, vendidos
Governo aliciador de partidos
E justiça vendida em maletas
SAUDADE
Saudade, flor branca e triste
Pétalas de amargura,
Que em dor se desfaz
Saudade, eu sei que existes
E do jardim das desventuras
Vem teu perfume assaz
Saudade, quem roubou tuas cores?
Que esperanças trazes?
Por que padeces assim?
Saudade, esqueças teus amores
Veste-te de outros trajes
Deixa esta dor ter um fim
Caras Quebradas
Caras quebradas, na dor da vida forjadas.
Esquecem seu egoísmo ao ver que são nada!
Barro desfeito, amarguras no peito.
Só lembranças de afeto lhes seguem pro leito
FACEBURRO
Bloqueias-me sempre e não dizes o porque
Se te pergunto o motivo, te recusas a dizer
Sugeres-me amigos, mas para eu não convidar
Se tentado o faço, tu vens a me bloquear
Que loucuras pretendes neste teu proceder?
Se alguém me pergunta, não posso eu responder?
Se não permites respostas, não me passe a questão
Assuma lá a sua culpa, não a imputes a mim não.
O teu feed notícias é pura excrescência
É baixaria, intrusão, fofoca e indecência
Pra quem quer se expor, ofereças a opção
Mas não ponhas na lama a todo cidadão
Por que não posso impedir de mostrar o que faço?
Te pedi para expor-me no que curto ou despacho?
Por acaso tu sabes o que é discrição?
Ou aí nesta casa não se usa a razão?
Ofereces-me muito em bloquear o que vejo
Mas omitir minha vida é que é meu desejo
Por que tanto insistes em me expor na avenida?
Já não chega o Obana a vasculhar minha vida?
ECLIPSE
Há em nós uma tristeza muda
Sem rosto, lembrança ou voz
Não de quem parte do mundo
Mas do mundo que parte de nós
Parte vazia a esperança
Desenganos a muitos nós
Morre o sorrir da criança
Ante a injustiça atroz
Por que prospera a maldade
O roubo, o engano e a dor?
E os discursos de civilidade
Manchados de sangue e horror?
É que sai um porco e entra outro
É um revezamento de engorda
Mas nenhum é esfolado no toco
Pra ser exemplo aos calhordas
A FORMIGUINHA
Cruzou uma formiga o meu caminho
E num reflexo tolo, desviei meu pisar
Assustei-me então, vendo-me assim em seu lugar
Quantas delas já não pisei indo ou vindo?
Se ela vive ou se morre, a quem importa?
Mudará por isso, o mundo a sua rota?
Quem contabiliza as que perderam o rumo?
Quem porventura estabeleceu suas metas?
Receberá críticas ou elogios por sua tarefa?
Alguém lamentará seus infortúnios?
Há por acaso um leito vazio à sua espera?
Sentirá alguém à noite, alguma falta dela?
Olhei pra o céu, e vi-me então uma formiga
Diante do mundo e do tempo, o que é a minha vida?
Pura presunção, mancha de nada em mão vazia
Pus-me de volta ao meu caminho, feliz da vida
Pois mesmo que esqueçam a mim os que eu prezo
Vela por mim, e me acalenta um Deus eterno
DEVANEIOS
Eu vi como num único instante os sonhos são desfeitos
Vi como é indomável a loucura e vazio todo o preceito
Vi ao se evaporar da paixão o quanto o amor ao ódio é sujeito
Vi quanto a vida é ilusão e como é dura a dor que arde ao peito
Entendi que o amor que perdura é seco, fugaz e mesquinho
Não se entrega e de si não esvazia, não divide jamais o seu ninho
Não busca a flor que desponta, não encara os das rosas os espinhos
Não chora os seus desenlaces, está sempre mui cônscio e sozinho
Loucura é a cegueira do encanto e falso o fervor da alegria
Amargo é o desencanto quando o peito de paixão se esvazia
O amor é prelúdio do pranto e facho louco de uma dor tardia
Coração é borrão do insucesso e nunca aprende com a dor
Noutros olhos suas juras esquece e se entrega de novo ao amor
Mãos que sagraram amargura hoje trazem um sorriso e uma flor
DOCE ENCANTO
O teu rosto encanta-me como se tivesse
A doce espuma do apagar de mágoas
Qual varinha mágica a dar vida a preces
Sonhos e fantasias de contos de fadas
O que eu não faria pra este teu sorriso
Ter eu sempre perto a alegra-me a vida
Ter o aconchego do teu ombro amigo
E no teu regaço descansar da lida?
Este teu encanto, cruel e medonho
Zomba e desfila frente ao meu sofrer
Seduz a minh' alma, renova meus sonhos
Elos de doçura que prendem o meu ser
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza