Sérgio Gonçalves de Sousa

Sérgio Gonçalves de Sousa

n. 1966 BR BR

Poeta, autor da Coleção: "Todos os Amores", volumes 1 e 2 estão disponíveis para Kindle na Amazon.

n. 1966-11-29, São Paulo

Perfil
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AMARRAS

Nunca desejei mal a ninguém e não seria agora que o faria,

Sei que já existe alguém, se me visse lá fora, será que viria?

Persigo idéias, você bromélias, camélias, as cores do jardim,

Gosto do ar, do pomar, até de invariavelmente estar contigo,

Faz tempo, um carinho, vinho, o imponderável, inimaginável,

Ficou pelo caminho, no Minho, está lá no quintal de Portugal.

Já estive melhor, estou acometido por lembranças e danças,

Típicas e regionais, do gosto das uvas, conheci o lado frugal.

Uma viagem é realmente uma imersão na cultura, a procura

Às vezes vem acompanhada de surpresas, cravas e presas,

Fica tudo tridimensional, visceral, seria só o último encontro,

Mas, a partir deste ponto, eu não conto com a menor lucidez.

Olhares no saguão miraram direções, as nossas são opostas,

Não há mais perguntas, nem respostas, só fraturas expostas

E vida que segue, só regue se quiser ver florescer, conhecer,

Quem sabe da próxima vez, eu encontre a porta destrancada.
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Poemas

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NOSSOS PECADOS

Sei que gostar delas, sequelas vão lhe causar, quirelas alimentam os bicos

Que quando se bicam, provocam atrito, como delito, pretendem classificar,

Abandonam na terra as pedras que não podem jogar, valentes e covardes,

Pelos dias, noites e tardes, vivem sempre em maquinação, raça de víboras.

Quem recebeu perdão, ouviu também o não peques mais e arrependeu-se,

Essa parte não consigo mudar, flexibilizar nunca foi o meu forte, sem sorte

Na escolha da defesa, católico praticante, em nada melhor, sem vergonha,

Por conhecer o certo e não executá-lo, a minha cobrança será muito maior.

Como artista, acho lindo, como homem, mais ainda, ainda que irrelevante,

Uma opinião pessoal não significa muito, celebra nosso respeito, amizade,

Lá dentro ninguém quer saber disto, tudo será visto como o quiserem ver,

Eu sei que as coisas mudam, só não posso escrever o terceiro testamento.

Você sabe o quanto acredito em casamento, foi ele o meu projeto de vida,

Os filhos que não seguram o dos outros, seguraram o meu, só que morreu

Pouco antes de te conhecer, o que sobrou, não terá grande valia, nostalgia

Propícia para entender a impossibilidade de defesa, aceitemos a sentença.
350

EUGENIO

Não sei quanto tempo ainda tenho e se disse e fiz tudo o que poderia,

Nem mesmo penso estar pronto para seguir sem segurar suas mãos,

Inevitável é que o dia virá, posso senti-lo, também procuro ficar calmo,

Como fiquei assim que vi você pela primeira vez, minha melhor visão.

Foram tantas lições que espero aprendidas, feita de gestos, palavras,

Estradas que cruzamos confiantes, de que juntos, seríamos vitoriosos

Como agora nos sentimos e rimos, relembrando os perrengues, afins,

Limiar da maior aventura e, que ainda reserva outros tantos capítulos.

Gratidão basta para expressar o sentimento de estar nesta celebração,

Onde a realização se mede em silêncio, o mesmo que se torna diálogo

No dialeto de quem tem laços profundos se percebidos pela respiração,

Eufórico coração, tão cercado de cuidados, onde seu nome foi gravado.

Do suor que trouxe o pão, aprendi a melhor lição e ela quis disseminar,

Perpetuando nela o legado, o nome que para mim é santo, consagrado,

Por ele fui abençoado e agraciado, que trago e, outorgo como herança,

O amor de quem sempre foi mais filho do que pai, porque pai, só você!
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LAMPEJO

Quando a dor aperta no peito, você chama de saudade eu de lampejo,
Quando cede um beijo, cede ao desejo que não foi capaz de controlar,
Se falam que é química, digo que é mímica, balé que sabemos dançar,
Tecnicamente é sexo, mas, acho mais complexo, um convite para ficar.
Se comentam que estou pegando, vou retrucando, digo que é a paixão,
Sussurraram que estamos de quatro, mas de quatro é só uma variação,
Perguntam se não estou mais saindo, é que esta fluindo a empolgação,
E querem saber se isso passa, digo passa, só esperar uma encarnação.
Foi meio um acaso, destino, o acidente de percurso, um último recurso,
A cantada efêmera que soou legal, um pega geral que grudou, não saiu,
Não acredito em sorte, mas, a morte deve ser não rezar para acontecer,
Já decorei seu telefone, todo seu nome, seu corpo, antes que o retome.
Agora que o papo ficou sério, ando meio aéreo e pulo sem paraquedas,
São essas coisas de perder o medo, de jurar segredo, não se aguentar,
Quem sabe seja a fórmula duradoura, manjedoura salvadora, é só amor
Da forma mais simples, sem requintes e, como ele se apresenta melhor.
313

NOVEMBRO

É novembro, eu nem me lembro da última vez que respirei assim aliviado,

Que me vi extasiado com uma foto onde noto que a felicidade deva estar,

Onde também possa desalinhar o cabelo de quem encontre por lá, ah, vá,

Não se dê por desentendida, menina atrevida, conheço sua sede de amar.

Eu quero um mar de ondas que desvendem o seu corpo, esse seu porto

Onde quis ancorar, mal posso esperar para pisar na terra bendita e aflita,

A fome dita qual velocidade empregar para varrer, o território peremptório

Ousei percorrer da forma mais descabida, em cada subida senti o prazer.

Você sabe entregar mais do que foi pedido, ainda aturdido, quero voltar,

Desde o início, seria esse um indício que isto nunca iria parar, até varar,

Trinta noites de férias, etéreas como as nuvens que se movem e morrem

Enquanto escorrem as últimas gotas de suor que o vento veio arrefecer.

Agora as águas dissolvem o atrito e o que foi dito como um grito irá soar,

Ressoar como promessas descontentes, que não aprenderam a esperar

De dezembro a outubro, neste rosto rubro por bobagens que vivo a dizer,

Pelos feriados, todos planejados para que você não consiga me esquecer.
288

MMA

Nesta guerra de provocações, convido para que escolha as armas,

Quem sabe as marcas se tornem medalhas e somente sobreviver

Não signifique necessariamente a vitória, motivo de estupefação,

Há quem morra de prazer com sorriso nos lábios, sábios negarão.

No underground, apenas um round na base do ground and pound,

Próxima técnica será surpresa, cartas na mesa, veja a esperteza,

O aparente domínio não significa extermínio, exerce um fascínio,

A montada é gigante, tipo de elefante, bastará enxergar adiante.

Na situação adversa, quem tira um coelho da cartola, faz escola,

Se não pede esmola, ficará na sarjeta, escapou feito um cometa,

Segure essa treta, abriu a gaveta, agora é salve-se quem puder,

Se queria uma colher, ganhou o prato cheio, é só partir ao meio.

Se tem pegada mais forte, posicione o quadril, derrube o arredio,

Caindo com a guarda passada, é só evitar a raspada com o suor,

Trabalho incessante, é deixar o adversário inoperante, só faturar,

Mesmo o bicho mais bravo, engole o travo e dará os três tapinhas.
301

A FESTA

Eu sei que é por demais estranho, um absurdo sem tamanho, mas,
Não sei desligar, não consigo parar de pensar, de sentir e de sorrir,
Como quem viu passarinho verde, como quem joga a rede e pesca.
A conquista mexe com o ego, bagunça tudo, rejuvenesce, cria clima,
Enquanto a alma esquece, o tempo tece seu melhor momento, favor
Que merece mais que gratidão, retribuição, bom uso e compreensão.
A distância permite que eu segure a sua mão, concede uma canção,
Nossos corpos percebem como são, não escondem, apenas gostam,
Fazem das fotos, estradas, dos vídeos, pousadas e se deitam a sós.
Nossos versos se misturam e a sopa de letrinhas mexeu bem pouco,
Louco foi o querer desses seres, que sem juízo subiram além da lua,
Conclua o que quiser e, salve-se quem puder, o assunto é se divertir.
O amor da adolescência vira a cama do agora e, sem demora, aflora,
A flor do jardim vira jasmim, realça o carmim da boca e, quer seduzir,
Agora, ouça a festa pela fresta que resta, que hoje, ninguém dormirá.
285

ENTRE O BANHO E O SONO

Como um breve lapso de memória, sem distinguir o real do imaginário,

Enquanto a água caia, o ritual se repetia com duas ou até quatro mãos,

As únicas certezas são da porta destrancada, de o cão não querer latir.

Se os dedos se entrelaçavam, arranhavam azulejos, uma vez ou outra,

Nada perderia seu valor, no campo físico ou fictício, no frio ou no calor,

Sei que entre deslizar e se agarrar, restaram forças contrárias e felizes.

O vapor criou uma nuvem densa e tudo se perdeu, tudo se achou aqui,

A espuma que escondia, a água desnudou, o olhar abriu, arregalou-se,

E, entre superfícies úmidas e quentes, dispersas em inúmeras frentes,

Vieram sensações, novas dimensões, tudo se encaixou, tudo se fundiu.

Como fosse pouco, tudo recomeçou do ponto que normalmente termina,

O que era frescor se converteu em adrenalina, suor, desejo e endorfina,

Quem gritava não, implorou pelo sim, mãos que afastavam, já acolhiam,

O cérebro apagou, acordou, e, a casa também estava virada do avesso.
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Comentários (2)

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Ania, querida! Muito obrigado pelos carinhosos elogios, apesar do tanto que me falta melhorar e que sigo em busca. Tenhas dias lindos e inspirados!

ania
ania

Poeta, bom dia! Obrigada pelo carinhoso comentário ue me ensejou teus versos ler. Li alguns, e todos a alma me tocaram pelo lirismo, pela sensibilidade, parabéns! abraços, ania..