Lista de Poemas
sinfonia dos arcos
soam notas
quando me notas
penetrando teu olhar
que me convida
a tocar
você
puplilas a dilatar
em busca de infindos brilhos
no olhar
de
profundo desejo
sigo adiante
avanço
tateando
seus tons
suavemente
no céu interior
de você
vejo estase em forma
de
estrelas guias
admiro os teus sons
abafados num vibrato
que produzo
ao deslisar pelo corpo
os meus nos seus braços
somos dois semi-arcos
um só
inteiro
sem produzir semi breves
violinos imaginários
dedos certeiros enlaçados
afinizados
pelo leve toque
num delicado contato
dedilhados
vagarosos conhecendo
seus instrumentos
buscamos com leve tato
produzir multiplos sons
procuramos nos guiar
buscando a nota
que
vibra
LÁ
cores de um arco-íris
fluem do teu e do meu corpo
num prazer
sem esforço
novos sons semelhantes
na sinfonia ensaiada
êstase do gozo
por vir
surge dessa atmosfera
nossa música transcendente
vinda de outras esferas
e
terna
e
serenamente
compomos sem pressa
nossa única sinfonia
improvisada
no ato
interminável
amor
liberto
expresso
por
puro
prazer
Ella de Castro
incerta
Sou depois de me enquadrar
E não gostar, por anos
Uma incerteza certa!
Estou feliz de me sentir
Incerta!
Posso de agora em diante...
Me permitir pensar em voar
cartas
com pérolas enlaçãdas
agrupadas num cordão de letras
fio no que confio
e escrevo
revelando ideias com tinta
que no papel
com versam
escuto o que ressoa dentro
desse imaginário diálogo
ouço ruidos e silencios
um toc toc longíncuo
em código morse
telegrafado em primeira pessoa
e
dirigido a mim
brinco de correio
sem carimbo ou selos
entrego todas as cartas
que recebo
a quem possa interessar
quando
Quando
O vazio
O silencio
O negro espaço noturno
Deixaram de nos amedrontar o corpo
Foi nessa hora o quando
O quando se revelou no mesmo instante
sem pressa... com demora
onde nos olhos claros... nús
nos despimos do corpo
atingindo outras esferas e
nossas almas se olharam
se encontraram
frente a frente
e
se tocaram sagradamente
foi quando nos entregamos
e recebemos
o estase divino
o tempo acabou
os espaços se abriram
o coração deleitou-se
no gostoso
estado
de
gozo
fui
Fui sem querer me deixando fluir como água
Fui gotas aspergidas
Fui... eu sendo água me aquecendo
Fui vaporosa
Fui nuvem branca solta a vagar
Fui atrás da lua
Fui nesse meu ir... me sentindo abrir... insurgir
Fui deixando-me desconformar
Fui sem volta, nem olhar para trás
Fui viver meu presente
Fui o que passou
Agora só vou
Agora sou apenas...
ir
entre paredes
O tão pouco que já mudei me levou além
do que já fui antes.
Como se tivesse rejuntando meus pedaços...
Minhas partes espalhadas, onde toquei
Recolho meus gestos passados
ainda frescos
como afrescos
impregnados de mim
Revoam... Revoltam...
refeitos
Retornando-os a mim
partes minhas me ressurjem
me remontam a outros tempos
Recolho-me
nos tempos...
estive alheia... ausente...
perdida
fora daqui
e
de
mim
acordei agora
o vivo imanente no meu presente
inseparavelmente incontido implicado
num contém e estar contido
em todas as coisas
sou a órbita
nos atomos
natureza de meu próprio ser
transcendente
de dentro me saio
das paredes porosas da casa
recolho-me de lembranças,
concentrando-me na dança... em mim
assisto o passado
emanado dos cantos
rodopiante nos
tetos
ladrilhos e rodapés
me vejo pintando
pincelando
a casa que me habita
Vesti-me de casa
como quem se consagra
com hábito de puro linho
a Deus
sem entender direito
a força que me habita
sou
o verbo que cria
sinto como se eu e elas
estivéssemos
entre
parenteses
porosamente
misturadas
e
em perfeita comunhão
através dos nossos rejuntes
e
das muitas camadas de tinta
sou a pintura e a pintora
de
paredes renovadas
sou...
um quadro
pindurado
sou
o prego
o furo
sou tudo
sou nada
sou
também
entre as paredes
em tudo
estou
presente
Ella de Castro
Sal da Saudade
Sal
lágrimas...
antes, úmidas e cristalinas
saltando aos olhos como um oásis
Saudade me salga
Ao olhar para trás fico paralisada
Estática...
Estátua vertendo água, me cristalizando em sais
Um fardo vivendo
com muito trabalho
suor na testa destemperado
salgado salário
de notas acumuladas
contando olhares...
revestidos do já se foi
pedras de sal minha sina que a paga
não vale o sorriso
que apaga
Amar patético
Meio
um meio aperto
meio árido
meio vapor
meio vago
meio cheio
meio de dor
meio...
um poema
que não terminou
nem começou
meio acabado
meio começado
meio engraçado
meio tolo
no meio os termos
em meias palavras
um poema meio
sem mim
meio desconstrução
meio interrompido
com o autor meio
pego de surpreza
meio dela
meio meu
meio sem dono
meio sem nexo
meio
sem
ninguém
fazendo
meio
sexo
Senhora das minhas asas
sigo segura pois tenho asas
desenvolvida e adquiridas
durantes anos de tompos
cai muitas vezes do ninho
com cheiro de mofo
tentei... saltei... me quebrei
mas hoje estou voando
sou hoje sem hora
livre e com tempo
de criar espaços
espaço/tempo
formula exata
de fracassos
abri as asas
cheias de falhas mas voo
queria um dia
que todo menino e menina
não fossem paralizados
em seus sonhos de voos
crianças anjos
que por mais capetas e apoquentadas
que sejam
são mais capazes
de serenarem
em momentos bobos
do
adulto maturado
pronto para ser consumido no prato
adulterados
seguem calados
buscando um aninho
no prédio frio
no vão vazio
das ruas frias
desses
estados
de
ser
multiplos na rígidez
incoerente
somos a razão de ser
de um
único
Brasil
que
não voa
porque
maturou suas dores
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