Lista de Poemas

sinfonia dos arcos


soam notas

quando me notas
penetrando teu olhar
que me convida
a tocar
você

puplilas a dilatar
em busca de infindos brilhos
no olhar
de
profundo desejo

sigo adiante
avanço
tateando
seus tons
suavemente

no céu interior
de você
vejo estase em forma
de
estrelas guias

admiro os teus sons
abafados num vibrato
que produzo
ao deslisar pelo corpo
os meus nos seus braços

somos dois semi-arcos
um só
inteiro
sem produzir semi breves

violinos imaginários
dedos certeiros enlaçados
afinizados
pelo leve toque
num delicado contato

dedilhados
vagarosos conhecendo
seus instrumentos

buscamos com leve tato
produzir multiplos sons

procuramos nos guiar
buscando a nota
que
vibra


cores de um arco-íris
fluem do teu e do meu corpo
num prazer
sem esforço

novos sons semelhantes
na sinfonia ensaiada

êstase do gozo
por vir

surge dessa atmosfera
nossa música transcendente
vinda de outras esferas

e
terna
e
serenamente
compomos sem pressa
nossa única sinfonia
improvisada
no ato

interminável
amor
liberto

expresso
por
puro
prazer


Ella de Castro

277

incerta

Sou depois de me enquadrar

E não gostar, por anos

Uma incerteza certa!


Estou feliz de me sentir

Incerta!

Posso de agora em diante...

Me permitir pensar em voar

291

cartas

brinco
com pérolas enlaçãdas
agrupadas num cordão de letras

fio no que confio
e escrevo
revelando ideias com tinta
que no papel
com versam

escuto o que ressoa dentro
desse imaginário diálogo

ouço ruidos e silencios
um toc toc longíncuo
em código morse
telegrafado em primeira pessoa
e
dirigido a mim

brinco de correio
sem carimbo ou selos
entrego todas as cartas
que recebo
a quem possa interessar


273

quando

Quando

O vazio

O silencio

O negro espaço noturno

Deixaram de nos amedrontar o corpo

Foi nessa hora o quando

O quando se revelou no mesmo instante

sem pressa... com demora

onde nos olhos claros... nús

nos despimos do corpo

atingindo outras esferas e

nossas almas se olharam
se encontraram
frente a frente
e
se tocaram sagradamente

foi quando nos entregamos

e recebemos

o estase divino

o tempo acabou

os espaços se abriram

o coração deleitou-se

no gostoso
estado
de
gozo

302

fui

Fui sem querer me deixando fluir como água

Fui gotas aspergidas

Fui... eu sendo água me aquecendo

Fui vaporosa

Fui nuvem branca solta a vagar

Fui atrás da lua

Fui nesse meu ir... me sentindo abrir... insurgir

Fui deixando-me desconformar

Fui sem volta, nem olhar para trás

Fui viver meu presente

Fui o que passou

Agora só vou

Agora sou apenas...

ir

288

entre paredes

O tão pouco que já mudei me levou além

do que já fui antes.

Como se tivesse rejuntando meus pedaços...

Minhas partes espalhadas, onde toquei

Recolho meus gestos passados
ainda frescos
como afrescos
impregnados de mim

Revoam... Revoltam...
refeitos
Retornando-os a mim

partes minhas me ressurjem
me remontam a outros tempos

Recolho-me
nos tempos...
estive alheia... ausente...
perdida
fora daqui
e
de
mim

acordei agora
o vivo imanente no meu presente
inseparavelmente incontido implicado
num contém e estar contido
em todas as coisas

sou a órbita
nos atomos

natureza de meu próprio ser
transcendente

de dentro me saio
das paredes porosas da casa

recolho-me de lembranças,
concentrando-me na dança... em mim

assisto o passado
emanado dos cantos
rodopiante nos
tetos
ladrilhos e rodapés

me vejo pintando
pincelando
a casa que me habita

Vesti-me de casa
como quem se consagra
com hábito de puro linho
a Deus

sem entender direito
a força que me habita
sou
o verbo que cria

sinto como se eu e elas
estivéssemos
entre
parenteses

porosamente
misturadas
e
em perfeita comunhão

através dos nossos rejuntes
e
das muitas camadas de tinta

sou a pintura e a pintora
de
paredes renovadas

sou...

um quadro
pindurado
sou
o prego
o furo
sou tudo
sou nada
sou
também

entre as paredes
em tudo
estou
presente

Ella de Castro

369

Sal da Saudade

Sal

lágrimas...

antes, úmidas e cristalinas

saltando aos olhos como um oásis

Saudade me salga

Ao olhar para trás fico paralisada

Estática...

Estátua vertendo água, me cristalizando em sais

Um fardo vivendo
com muito trabalho

suor na testa destemperado

salgado salário
de notas acumuladas

contando olhares...
revestidos do já se foi

pedras de sal minha sina que a paga
não vale o sorriso

que apaga

234

Amar patético

O amor quando acontece
nos põe... Plenos de SI
e não Patéticos!!!
É uma desconstrução
do exato dolorido
que no amor não cola
AMAR sem rotular
O gesto sereno amado
libera frouxos equivocos
rotulados como amores
grudados como poster
nas paredes frias
Um colar Patético!
Não um gesto completo
pleno
nascido de seu próprio amor!
414

Meio

no peito
um meio aperto

meio árido
meio vapor

meio vago
meio cheio
meio de dor

meio...
um poema
que não terminou
nem começou

meio acabado
meio começado

meio engraçado
meio tolo

no meio os termos
em meias palavras
um poema meio
sem mim

meio desconstrução
meio interrompido
com o autor meio
pego de surpreza

meio dela
meio meu

meio sem dono
meio sem nexo

meio
sem
ninguém

fazendo
meio
sexo






460

Senhora das minhas asas

Imatura
sigo segura pois tenho asas

desenvolvida e adquiridas
durantes anos de tompos

cai muitas vezes do ninho
com cheiro de mofo

tentei... saltei... me quebrei

mas hoje estou voando

sou hoje sem hora
livre e com tempo
de criar espaços

espaço/tempo
formula exata
de fracassos

abri as asas
cheias de falhas mas voo

queria um dia
que todo menino e menina
não fossem paralizados
em seus sonhos de voos

crianças anjos
que por mais capetas e apoquentadas
que sejam

são mais capazes
de serenarem

em momentos bobos
do
adulto maturado
pronto para ser consumido no prato

adulterados
seguem calados
buscando um aninho

no prédio frio
no vão vazio
das ruas frias
desses
estados
de
ser
multiplos na rígidez
incoerente

somos a razão de ser
de um
único
Brasil
que
não voa
porque
maturou suas dores


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Letras, palavras, frases vazias... voam a toa... pairando em minha volta docemente. Ordená-las de forma gramatical será fatal. Ignorá-las é algo muito além do impossível. Soltá-las... é minha alegria! CONHEÇO-AS de cor e... SALTEADO! Mostro-me em vão... Nos vãos das letras espaçadas. Descrevo o NADA! Nem SOU... poeta Apenas os incomodo!