Lista de Poemas

contorno

espaços que invado
sentindo o infinito
entre as letras

infinito-me
em palavras
frases
em
orações

é meu lugar de nudez sagrada
página virgem
sem margens
e
do corpo
despojada

onde sou
me vendo
e
sendo voce
assim existo
no
vazio
do
contorno
fora
de
mim


384

In maturos

Imatura idade é coisa de época

Que todos se dêem conta

Da importância de suas experiências lúcidas...
as lúdicas

Mas que nunca se envelheçam
nem se esqueçam disso

Que nunca se curem
como um queijo cristálizado
duro... carrísimo
maturado

a ser ralado, comido e carcomido
pelo tempo
regado a uma
boa safra de vinho
a ser ex-tinto!

A natureza é in natura

Continuem in maturos

Cremosos e amorosos

como um bom
queijo
que
acolhe
todos
os pratos

onde todos os sumos
fluidos
são bem-vindos

A melhor idade
é sempre agora
sem planos nem hora
e muito menos
RECEITA
DE
OUTRORA

287

Amizade íntima

Amo você
em mim
você ama
em mim você

não necessito
afirmar-te
nem
perguntar-te

nem eu a ti
nem você
a mim

sabemos
porque nos
amamos

em
nossos segredos
expostos
na atmosfera
que não íntimida
nem corpo nem terra

íntimas
somos livres de críticas
e dos limites
no outro

coisas que sinto
me amam sentiindo-me solta
plena de estase
ao soltar-te
para ser
com prazer

sou una em você
que é sem nós

nos enlaces
dos
corpos conexos
que se abraçam inocentes e puros
como dois laços
em nos

atos e gestos sagrados
de confiante desejo de entrega
momentos de nossas núpcias

entre os braços em abraços
tudo é tão fresco...
virgem






275

Jardim no mar

E de repente
lentamente...
os sons... as falas...
viraram sussurros

o calor quente dos corpos distantes em separados
se aproximaram
com o encanto das faíscas de um fogo novo

que ardia sem machucar
em pleno auto... amar

exalavam um cheiro doce
de insenso
por sobre as encostas e as ondas

gestos do amar que eram calmos e as eriçavam
como o gosto de frutas silvestres
colhidas ainda verdes
e aguçavam a língua

suave era a brisa que não dexistia
do sopro cálido da vida

entrecortados e inspirados
na suave maresia
expirados

sons que ouvidos, se abriam
como as velas e veias do coração

Num delírio inflado e brando
quase palpável
como estase em ascensão

deixei me levar, nas marolas
num vem e vai
do amar imenso

serenos sentidos
pequenos grunhidos ao luar
de dia feito para não terminar

som das estrelas abertos a canais
como
sereia a nos chamar...
Vem!

Meu corpo velejava
em busca dela
meu tudo, se rendia
a este sonho lúcido

Ella sereia, procuro...
e ela?
Me canta ao longe
como um farol palpitante
que me rodopia com ele

ouço a estrela guia
que farfalha nas águas mas...
não pia

eu, a mirava à deriva
entregue ao sons sinalizantes
com sua colcha brilhante
tecida de silenciosa luz

sem tramas ou medidas conhecidas
neste mundo científico e
ainda cru

O vento soprando absorto
despertava a florescência
do linho em alinho

Éramos até então
Um barco naufrago, no jardim do mar
Enamoradas em si mesmo
pelo proprio desejo e por puro prazer
de remar a sós

Não queríamos chegar
pois...
já estávamos!

Unas e alinhadas
como folhas num galho
disposto pelo simples gozo de estar ali... presente

sem braço de mar a separar
encostas, falésias ou laços
tudo era limites
de outra esfera

limites de sem terra
entre ellas
fora de proporção e adequação

úmidas a espera do surgimento em flor
do mimoso gerânio
gestado nos abraços da terra
ainda em semente

berço que espera
camada fofa que aterra
local sagrado
onde se dará a luz
ao amado rebento

botões atiçado
eriçados pelos ventos
calor de sol manso, de um belo dia
sem hora nem data
para reger os segundo

desperta da timidez, verde imatura
pétalas de um tom virgem... rosado

Matizes... miríades...
dançam
buscando tons e sons
como vida

deleite no clímax final
se dará
ruborizante

como bebida espumante
frizante na pele em arrepios

intensos desejos de entregar-se à vida
plenas de todas as cores vivificádas

Rosas
de um
vermelho encarnado

brotam nas faces sem maquiagem
sem máscaras
despidas de todo
pudor

nuas
entregues como oferenda

abertas à receber
numa taça de vida
o que jorra incontido

fazendo das cores amores
indescritíveis

Sê navegante pioneiro
sem desejos de rota ou roteiros
Sê marinheiro em pleno instante da Graça

Nem pense!
Nem julgues!

Apenas... NADA!
Conforme a maré

Isso é Viver no AMAR
353

refletir sobre nada

pensar com demora
sobre a demora
que fica
agora
como
nada

vazio que reflete
um vago
sem tempo
que custa
passar

ver
e
paralizar

ouvir
o
silenciar

na boca
a lingua
morna

no corpo
o peso
do
ar

e tudo
se torna nada
contudo
fora do ar

396

só por hoje

só por hoje
quero só estar

só por hoje
sou além horizontes

só por hoje
sou toda eu

só contigo de longe
avento saber só de mim

só quero um dia
que agora sei

amo também
só e contigo

só por hoje
ouça-me
por bem eu digo


em silencio
íntimo

vivo
em
você
e



r
i
o



265

Minha Deusa muda

Ella de Castro

Minha Deusa muda!

Pologlota das minhas idéias
que ganham vóz e
gestos
que brotam de dentro de mim

436

féretro

em
pensar
sobre a vida
quem não pensa?
quem de sosláio olha
vendo-a correndo solta
como uma dança espontânea
um
cirandar com ares
de
prazenteiro

quem pensa que a vida pensa
ao passar... tropeça

a vida não pensa
nos passos que dá

quem leva a vida a pensar
na hora da morte esquecerá

e
sem pensar
intuirá
soltando no ar
o derradeiro suspiro

com um delicado
sorriso a revelar
um alívio

ares... da Graça

somos um féretro
em marcha diaria

pensando
que o morto
é um outro qualquer,
que não eu

pensam que vivo
do lado de fora
daquela urna lacrada
a caminho do chão
por outras vias
e
caminhos


penso que existo e insisto
pensando
sobre tudo
que já vi
findar
sem vida

fantasmagórico
pensar
sobre
a
morte
em
vida


418

Abalos sísmicos em mim

Eu sei
sou humana e pequena

mas queria sentir o imenso
que atinjo
em gotas pequenas
como sereno
que recolhe das flores
sua essência divina

Queria ser homeopaticamente medível
chacoalhável
e
revelável
na medida exata da florada
mas...
sou intensa
produzo réscue sem francos

tudo o que ocorre brilha
dispara ondas atômicas
de coisas
que navegam por ai

Sou maremoto
sou terremoto
sou tsunames

em acomodação
rochosa
tectônica

Que Deus me livre
de todos os atômos
quando sismam
de se agrupar


quando sísmicos abalam
de dentro
mar
para além
amar

amém


325

porta em vão

o que importa ao porteiro
é que haja a porta

senão
porque razão
se importar

porque razão ser porteiro
se porta não há

vigiar é arte

quem entra ou sai
se transporta
por entre vagãs e vãos

alas abertas
com dimensão
delimitada
no espaço

com batentes rijos
que sustentam
o nada que há

o
sem limites

quem se importa
se comporta
como uma porta

abre é fecha
sem pensar

o porteiro
é quem dirá

se ao trancá-la
perderá a chance
de vigilante

ser viajante
astronauta em pleno ar

portais não tem portas
são rotas
de imaginar
o tamanho do seu céu

viajantes espaciais
semelhantes
à
DEUS

Almirante
somos todos
agindo como tolos
no
espaço
sideral



279

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Letras, palavras, frases vazias... voam a toa... pairando em minha volta docemente. Ordená-las de forma gramatical será fatal. Ignorá-las é algo muito além do impossível. Soltá-las... é minha alegria! CONHEÇO-AS de cor e... SALTEADO! Mostro-me em vão... Nos vãos das letras espaçadas. Descrevo o NADA! Nem SOU... poeta Apenas os incomodo!