Lista de Poemas

medo de ver

seu amor
é...

semente
de
flor
contida

seu olhar é...

sem viço

opaco
turvo
apagado

mirando
o sonho

assustado
de
uma cova
pouco profunda


aterrado
amar
inexprecivo

frio
é

o
chão
a

te
aguardar






326

divino presente

descrever-te
com
as exatas
palavras
tão falhas
na
ponta
de
minha língua

deleitar-me
com seu
sabor
quente
e
aconchegante

desfrutar-te
ao
desnudar-te
como
fruta
madura

desejos absorvidos
na
boca molhada
fonte
de
um doce
mel

descobrir-me
no seu
todo
quente
num
gozo
banquete
misto de
estase
com
celebração

abraçar-te
me
inspira
a
delicada
arte
ao
desembrulhar-te
das
roupas
com as
próprias
mãos

tocar-te
é
amar-te
com
inspiração

você
é
comigo
um

e
divino
presente
desde
sempre



ella de castro


336

bico de sinuca

nunca
até
agora
me
vi
num bico
de sinuca

agora sei
o
que
é

pode
ser
algo
a
ser
apenas
analisado
e
superado
mesmo
que
a
caçapa
não
revele
um
perfeito
encaixe
na
bola
fora
que
cutuquei

viver
é
jogar
sabendo
que
tudo
é
ganhar

nem
que
seja
experiência
devida

a vida
não
paga
dividas

a vida

ganha
mas
nunca
barganha

apenas
convida

o
erro
é
uma
forma
de
ajuste
que
acerta
as
faltas
sofridas




348

cores de amores

pintei você
com as cores
dos meus
sentimentos

quadro real
na
moldura
irreal
onde
você
não
se
enquadra

inacabada pintura
misto de
escultura
onde
cultivo
mil flores

nada se vê
e
tudo que pinto
logo se
desvanece

você tão imensa
num piscar
de olhos
diante
de mim
desaparece

imagem fortúita
que escapa
ao movimento
de minha compreensão
por
entres os dedos
de
minhas próprias mãos

revelando
no espaço
da tela viva
o seu mais belo
não visto

indomável
esboço
do meu
imaginário
sem começo
ou
fim

contorno
o
volátil
ao
tentar
descrever
e
desenhar
você

sou eu
revelado
em
meus
contornos grafados
incapaz
de
ser
algo
que vê
você

você não se molda
nem se conforma
você é sem forma
no inexato
que
apenas
me sente e contorna

com graça
me
grafas
me
enquadrando
em
meus
próprios
riscos

retrato abstrato
de meu
auto retrato
cheio
de
sentidos

existe
a
idéia
na
minha
tela
repleta
de
idéias
em branco


conjunto
de cores
vivas
e
transparentes
de
um
amor
vivo
e
quente

seu ser
é
claro
com a
divina
luz

me
inspira
a
amar
e
me
enche
de
cores
em
nuances
imaculáveis

numa miríade
de
incolores












376

aconchego

mergulhei no seu corpo
e sem
perceber

enredei-me
em
você
como uma onda
absorta

observei detalhes
e
contrastes tais
que me
fascinaram

tateei o seu corpo
pousando olhares
no seu colo nú

deixei-me levar
por entre vãos
de sua delicada seda
em pleno mar

colada
a
seu
corpo
embalei-me
feliz
na sua pele
de lã
insinuante urdidura
feita
de
negra renda

com olhos
atentos
buscava sinais
nos seus olhos

nuances de
um
longe farol
ao meu
alcance

na
nudez
da sua
pele
semi
encoberta
flutuei

senti-me
atrevida...
ousada

nadando
em
meio àquela
trama bordada
colada em seus
limites

me rendo
aos encantos

seu alvo corpo
me
aconchegou
pelos
fios
eriçados
em seus
póros
e neste
diminuto
instante
sinto

que sou

suas mãos
a riscar
circulos azuis
no inexato
quadrado
ponteado

cantavam
as
pedras

cantava
eu

cantava
o silêncio
em
sonoro
sussurro

risos
no salão
ecoavam
a
sua
e
a
minha
alegria

do palco
das
prendas
surgia
a
magia
por
entre
letras
e
inúmeros
números

em pedaços
um bolo
de
doce limão
que
imaginei ser
eu mesma

a
derreter
com todo
prazer
no céu de
você

delicado era olhar-te
e o
meu respirar
um quase arfar
maravilhado

deleitoso o sentir
sem falar
nesse
estase louco...
calado


sutil
movimento
a todo
momento
surgia de cá
de
dentro

não queria
anotar
nem riscar
ou
fazer-me
notar
tocando
você
pelo
avesso

senti o prazer
do
meu ser estar

envolto em você
na imaginária
trama
tecida
de
nós

te
olhar
é
sentir
o
destino
da vida
nos tecendo

no meu corpo
calor

vesti-me
de
você
com todo amor
aconchegada
a
sua
presença

pura luz
que
me
convida
e
me
chama
de
vida
por dentro



ella de castro




423

fantasma

descreva
em silencio
e
sem palavras
o
impensado

veja
e
sinta
o
algo
o
nada
o
insurgido
do
incriado
pelo
não
dito

um absurdo
gritante
como um
silencio
negro esclarecedor

sorriso
interno impensado
constrangedor

riso medroso
do vago pensador

pensando
em
respostas
no calado
e

morto
ontem

vivendo
o
seu
hoje
como
ante-ontem

camuflada
roupagem
vestido
da
moda
para
fingir-se
de
cores
de
paralisada
estação

riso
amarelo
na cara
palida
pintada
com blush
e
baton

frio
nas
entranhas
tamanho 48
e
meio

viver
assustado
no
passado
encorpetado
pelo
peito
apertado
amarrado

morto
de
medo
um
fantasma
vivo
envolto em sedas
caras

sem ser
sem ter
algo
expressivo
e
real
na cara

349

meio mundo

mundo
descrito
no
manuscrito
grafado
com letras
TORTAS

linhas retas
não circulam
nem rimam
nem circulam

linhas
prendem
dizeres tortos
celam
o ser
que recusa-se
a
compreender
linhas retas
sob
letras
mortas

riscos
no mundo
repleto
de
sonhos
depois
de
sorver
a
quentura
e
a
ternura
traduzidas
COMO?

sopa
de letras sem vida
engolida

alimento o corpo
mas não serve
a
alma
VIVA


mundo
abafado
sem som
musicado

sem som divagáis

sem vogais
sem consoantes

sois coadjuvante

num mundo de
antes
sem depois

mate
a beleza
deste
semi-breve
AGORA

notas
pautadas
clavadas
de sóis
e
fás
de
contas

mundo
de
breves
compassos

semi
tudo

semi
nada

semi SOUL

sou

semi
MORTO

SENDO

meio
ambiente
em
meio

tudo
UM

CÁOS

mundo
partido
sem
rumo
por dentro

fora de
prumo


fora
do tom
EM
SI

meio
incerto
é
certo por certo

mundo
desafinado

não
este
aqui
por todos
criados

quem
me
aterra à terra
com
força
e
gravidade?

VIDA?

IMAGINA...

composta
de
serei

quando
e...

se
for
alguém...

ALGUÉM AGREGADO
COLADO
REMENDADO
com
passado

DE
FATO
SEMI
PRONTO
INACABADO
SOU

VIVO SOU

iMAGEM
e
SEMELHANÇA

de uma
ideia
frankenstein






315

auto-gerado

observe
o
que
acontece

e o que acontece
deixa de ser
seu
algo revelado

você
não é
afetado
pelo
acontecido

você
é
sem
saber
envolvido
pelo
querer nomear
o
que


imaginar
é
nomear
alguma
coisa
acontecendo
no
ar

sendo
gerado
dentro
de
si

como
algo sendo
num
tempo
exato
de
SER
gestado
como
acontecido





267

tatuado DNA

tateando
no escuro
procuro palavras
in memorian

palavras
inscritas
traduzem
meus riscos
como
graficos

do
que quase sempre
não sei


poema
confuso
ao pé da letra

sem rimas
onde
tudo com
nada
combina

contudo
escrevo
por
força
de um
hábito
que
em
mim
habita

nada claro
no meu escuro
papel
pessoal

tatuado
sinal de nascença
revela a
alma
impressa
há tempos
presa
em seu silencio
grandioso

no
meu
corpo
codificado

uma genética
poética
de
somente
4

letras



306

incontido

Deus
está
em
suas
mãos

Deus está nas suas ações

Deus
é
na
sua
vida

Deus
é
contigo
incontido

Deus
é
você
ao
SER
na
simplicidade
do
necessário
fazer



269

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Letras, palavras, frases vazias... voam a toa... pairando em minha volta docemente. Ordená-las de forma gramatical será fatal. Ignorá-las é algo muito além do impossível. Soltá-las... é minha alegria! CONHEÇO-AS de cor e... SALTEADO! Mostro-me em vão... Nos vãos das letras espaçadas. Descrevo o NADA! Nem SOU... poeta Apenas os incomodo!