Ii - Cabeleira de Capri
Capri, rainha do penedo,
em teu vestido
de cor amaranto e açucena
vivi desenvolvendo
a ventura e a dor, a vinha cheia
de radiantes cachos
que conquistei na terra,
o trêmulo tesouro
de aroma e cabeleira,
lâmpada zenital, rosa estendida,
favo de meu planeta.
Desembarquei no inverno.
Seu traje de safira
a ilha em seus pés guardava,
e nua surgia em seu vapor
de catedral marinha.
Era de pedra sua formosura. Em cada
fragmento de sua pele reverdecia
a primavera pura
que escondia nas gredas seu tesouro.
Um relâmpago vermelho e amarelo
sob a luz tênue
jazia sonolento
esperando a hora
para desencadear seu poderio.
Na margem de pássaros imóveis,
na metade do céu,
um rouco grito, o vento
e a indizível espuma.
De prata e pedra teu vestido, apenas
a flor azul rebenta
bordando o manto hirsuto
com seu sangue celeste.
Oh solidão de Capri, vinho
das uvas de prata,
taça de inverno, plena
de exercício invisível,
levantei tua firmeza,
tua delicada luz, tuas estruturas,
e teu álcool de estrela
bebi como se fosse
nascendo em mim a vida.
Ilha, de tuas paredes
desprendi a pequena flor noturna
e a guardo em meu peito.
E lá do mar girando em teu contorno
fiz um anel de água
que ali ficou nas ondas,
encerrando as torres orgulhosas
de pedra florescida,
os gretados píncaros
que a meu amor sustiveram
e guardarão com mãos implacáveis
o rasto de meus beijos.
Iv - o Dever de Morrer
Mas quando ao relógio chegou a comprida hora
da morte, cumpriste,
cumpriste com a mesma tranquilidade alegre,
cumpriste com o dever de morrer.
Nada se rompe entre tua vida e tua morte:
é uma só linha sem ruptura
aquela que edificaste.
A linha continua viva,
continua reta e crescente
andando, andando sempre,
de dentro da morte tua até outras vidas,
vagando, vagando sempre, acumulando seres,
acumulando seres, existências,
como um grande rio se enche de outros rios,
como na música o som
se enriquece e se eleva,
assim tua voz, tua vida continuam
andando por toda a terra.
Não são herança mas sangue vivo,
não são lembrança mas ação segura,
e és o herói humano,
não o semideus de pedra,
o que saturou sua dimensão de homem
com todo o conteúdo da vida,
não de sua vida somente
mas também de todas,
de todas nossas vidas,
e em ti a liberdade não são duas asas
num escudo, nem uma estátua morta,
mas a firme mão do Partido
que sustenta a tua
e assim da firmeza,
que em ti cresceu de muitas outras vidas,
as novas vidas recolheram
e semearam sementes.
Os homens continuaram,
desde o minuto em que tombou teu rosto,
a luta, e se tingiu nossa bandeira
com o sangue sagrado
de teu coração invencível.
XIV - Os homens
Longe, longe, longe continuamos,
nos afastamos das duras máscaras
erigidas em pleno silêncio e iremos
envoltos em seu orgulho, em sua distância.
E para que viemos até a ilha?
Não será o sorriso dos homens floridos,
nem as crepitantes cadeiras de Ataroa, a bela,
nem os rapazes a cavalo, de olhos impertinentes,
o que levaremos conosco regressando
mas sim um vazio oceânico, uma pobre pergunta
com mil contestações de lábios desdenhosos.
Iii - o Pastor Perdido
Chamava-se Miguel. Era um pequeno
pastor das margens
de Orihuela.
Amei-o e coloquei sobre seu peito
minha masculina mão,
e cresceu sua estatura poderosa
até que na aspereza
da terra espanhola
se destacou seu canto
como um brusco carvalho
no qual se juntaram
todos os enterrados rouxinóis,
todas as aves do sonoro céu,
o esplendor do homem duplicado
no amor da mulher amada,
o zumbido oloroso
das loiras colmeias,
o ágrio cheiro materno
das cabras paridas,
o telégrafo puro
das cigarras vermelhas.
Miguel fez de tudo
— território e abelha,
noiva, vento e soldado —
barro para sua estirpe vencedora
de poeta do povo,
e assim saiu caminhando
sobre os espinhos de Espanha
com uma voz que agora
seus carrascos
têm que ouvir, escutam,
aqueles
que conservam as mãos
maculadas
com seu sangue indelével,
ouvem seu canto
e julgam
que é só terra
e água.
Não é certo.
É sangue,
sangue,
sangue de Espanha, sangue
de todos os povos de Espanha,
é seu sangue que canta
e nomeia e chama,
nomeia todas as coisas
porque a tudo ele amava,
mas essa voz não esquece,
esse sangue não esquece
de onde vem
e para quem canta.
Canta
para que se abram os cárceres
e ande a liberdade pelos caminhos.
Chama-me
para mostrar todos os lugares
por onde o arrastaram,
a ele, luz dos povos,
relâmpago de idiomas,
para mostrar-me
o presídio de Ocaña,
ali onde gota a gota
o sangraram,
ali onde cercearam
sua garganta,
ali onde o mataram sete anos
encarniçando-se
em seu canto
porque quando mataram esses lábios
apagaram-se as lâmpadas de Espanha.
E assim me chama e me diz:
“Aqui me justiçaram lentamente”
Assim o que amou e levava
sob sua pobre roupa
todos os mananciais espanhóis
foi assassinado sob
a sombra dos muros
enquanto tocavam todos os sinos
em honra do carrasco,
mas
os acasos
deram olor ao mundo aqueles dias
e aquele aroma era
o coração martirizado
do pastor de Orihuela
e era Miguel seu nome.
Aqueles dias e anos
enquanto agonizava,
na história
sepultou-se a luz,
mas ali palpitava
e amanhã voltará.
Aqueles dias e séculos
em que a Miguel Hernández
os carcereiros
deram tormento e agonia,
a terra sentiu falta
de seus passos de pastor sobre os montes
e o guerrilheiro morto,
ao tombar, vitorioso,
escutou da terra
levantar-se um rumor, um latejo,
como se entreabrissem as estrelas
de um jasmim silencioso:
era a poesia de Miguel.
Do fundo da terra falava,
do fundo da terra
falará para sempre,
é a voz de seu povo,
ele foi entre os soldados
como uma torre ardente.
Ele era
fortaleza
de cantos e estampidos,
foi como um padeiro:
com suas mãos
fazia seus sonetos,
Toda sua poesia
tem terra porosa,
cereais, areia,
barro e vento,
tem forma
de jarra levantina,
de anca fornida,
de barriga de abelha,
tem aroma
de trevo na chuva,
de cinza amaranto,
de fumaça de esterco, tarde
nas colinas.
Sua poesia
é milho agrupado
numa espiga de ouro,
é vinha de uvas negras, é garrafa
de cristal deslumbrante
cheia de vinho e água, noite e dia,
é espiga escarlate,
estrela anunciadora,
foice e martelo escritos com diamantes
na sombra de Espanha.
Miguel Hernández, toda
a alaranjada greda ou levedura
de tua terra e teu povo
reviverá contigo.
Tu a guardaste
com a mão mais tarda, na agonia,
porque estavas feito
para o amanhecer e a vitória,
estavas feito de água e terra virgem,
de assombro insaciável,
de plantas e de ninhos.
Eras
a germinação invencível
da matéria que canta,
eras
pátria da inteireza e dispuseste
contra os inimigos,
o mouro e o franquista,
uma mão pesada
cheia de trepadeiras e metais.
Com tua espada nos braços, invisível,
morrias,
mas não estavas só.
Não só a erva queimada
nas pobres colinas de Orihuela
espargiram tua voz e teu perfume
pelo mundo.
Teu povo parecia
mudo,
não fitava
tua morte,
não ouvia
as missas do desprezo
mas, anda,
anda e pergunta,
anda e vê se há alguém
que não saiba teu nome.
Todos sabiam,
nos cárceres,
enquanto os carcereiros
jantavam com Cossío,
teu nome.
Era um fulgor molhado
pelas lágrimas
tua voz de mel selvagem.
Tua revolucionária
poesia
era, em silêncio, na cela,
de um cárcere a outro,
repetida,
entesourada,
e agora
desponta o germe,
sai teu grão à luz,
teu cereal violento
acusa,
em cada rua,
tua voz toma o caminho
das insurreições.
Ninguém, Miguel, te esqueceu.
Aqui te levamos todos
na metade do peito.
Filho meu, recordas
quando
te recebi e te coloquei
minha amizade de pedra nas mãos?
Pois bem, agora,
morto,
tudo me devolves.
Cresceste e crescido,
és,
és eterno,
és Espanha,
és teu povo,
já não podem matar-te.
Já levantaste
teu peito de celeiro,
tua cabeça
cheia de raios vermelhos,
já não te detiveram.
Agora
querem meter-se
como frades tardios
em tua lembrança,
querem regar com baba
teu rosto, guerrilheiro comunista.
Não podem.
Não os deixaremos.
Agora
fica puro,
fica silencioso,
permanece sonoro,
deixa
que rezem,
deixa
que caia o fio negro
de seus catafalcos podres
e bocas medievais.
Não sabem outra coisa.
Já chegará
teu vento,
o vento do povo,
o rosto de Dolores,
o passo vitorioso
de nossa nunca morta
Espanha,
e então,
arcanjo das cabras,
pastor caído,
gigantesco poeta de teu povo,
filho meu,
verás
que teu rosto enrugado
estará nas bandeiras,
viverá nas vitórias,
reviverá quando reviva o povo,
marchará conosco sem que ninguém
possa jamais separar-te do regaço de Espanha.
Vi - Eu Te Construí Cantando
Eu te acreditei, te inventei na Itália.
Estava só.
O mar entre as gredas
desatava violento
sua seminal espuma.
Assim se preparava
a abrupta primavera.
Os germes adormecidos entreabriam
seus caules molhados,
secreta sede e sangue
feriam minha cabeça.
Eu de mar e de terra
te reconstruí cantando.
Necessitei de tua boca, do arco puro
de teu pequeno pé, de tua cabeleira
de cereal queimado.
Eu te chamei e vieste da noite,
e na luz entreaberta da aurora
descobri que existias
e que de mim como do mar a espuma
nasceste, pequena deusa minha.
Foste primeiro um germe deitado
que esperava
sob a terra escura
o crescimento da primavera,
e adormecido então
senti que me tocavas
debaixo da terra,
porque ias nascer, e eu te havia
semeado
dentro de minha existência. Depois o tempo
e o esquecimento vieram
e eu esqueci que estavas comigo
crescendo solitária
dentro de mim, e de repente
descobri que tua boca
se havia levantado da terra
como uma flor gigante.
Eras tu que existias.
Eu te havia criado.
Meu coração então
tremeu reconhecendo-te
e quis afastar-te.
Porém já não pudemos.
A terra estava cheia
de cachos sagrados.
Mar e terra em tuas mãos
rebentavam
com os dons maduros.
E assim foi tua doçura derramando-se
em minha respiração e nos sentidos
porque por mim foste criada
para que me ajudasses
a viver a alegria.
E assim, a terra,
a flor e o fruto, foste,
assim do mar vinhas
submersa esperando
e te estendeste junto a mim no sonho
do que não despertamos.
Ii - a Passageira de Capri
De onde, planta ou raio,
de onde, raio negro ou planta dura,
vinhas e vieste
até o rincão marinho?
Sombra do continente mais longínquo
há nos teus olhos, lua aberta
em tua boca selvagem,
e teu rosto é a pálpebra de uma fruta adormecida.
O pé acetinado de uma estrela é tua forma,
sangue e fogo de antigas lanças há em teus lábios.
De onde recolheste
pétalas transparentes
de manancial, de onde
trouxeste a semente
que reconheço? E depois
o mar de Capri em ti, mar estrangeiro,
por trás de ti as rochas, o azeite,
a reta claridade bem construída,
mas tu, eu conheço,
conheço essa rosa,
conheço o sangue dessa rosa,
sei que a conheço,
sei de onde vem,
e piso o ar livre de rios e cavalos
que tua presença traz à minha memória.
Tua cabeleira é uma carta vermelha
cheia de bruscos beijos e notícias,
tua afirmação, tua investidura clara
falam-me no meio-dia,
na meia-noite chamam à minha porta
como se adivinhassem
aonde querem regressar meus passos.
Talvez, desconhecida,
o sal de Maracaibo
ressoa em tua voz enchendo-a de sonho,
ou o frio vento de Valparaiso
sacudiu tua razão quando crescias.
O certo é que hoje, olhando-te ao passar
entre as aves de peito rosado
dos farelhões de Capri,
a labareda de teus olhos, algo
que vi voar lá de teu peito, o ar
que rodeia tua pele, a luz noturna
que de teu coração sem dúvida sai,
algo chegou à minha boca
com um sabor de flor que conhecia,
algo tingiu meus lábios com o licor escuro
das plantas silvestres de minha infância,
e eu pensei: esta dama,
ainda que o clássico azul derrame todos
os cachos do céu em sua garganta,
ainda que por trás dela os templos
nimbem com sua brancura coroada
tanta formosura,
ela não é, ela é outra,
algo crepita nela que me chama:
toda á terra que me deu a vida
está neste olhar, e estas mãos
sutis
recolheram a água na vertente
e estes mínimos pés foram medindo
as vulcânicas ilhas de minha pátria.
Oh tu, desconhecida, doce e dura,
quando já teu passo
desceu até perder-se,
e só as colunas
do templo roído e a safira verde
do mar que canta em meu desterro
ficaram sós, sós
comigo e com tua sombra,
meu coração deu um grande latejo,
como se uma enorme pedra sustentada
na invisível altura
caísse de repente
sobre a água e saltassem as espumas.
E despertei de tua presença então
com o rosto regado
pelo teu borrifo,
água e aroma e sonho,
distância e terra e onda!
Os Presidios
Porém,
português da rua,
entre nós,
ninguém nos escuta,
sabes
onde
está Álvaro Cunhal?
Reconheces a ausência
do valente
Militão?
Moça portuguesa,
passas como bailando
pelas ruas
rosadas de Lisboa,
porém,
sabes onde caiu Bento Gonçalves,
o português mais puro,
a honra de teu mar e de tua areia?
Sabes
que existe
uma ilha,
a Ilha do Sal,
e Tarrafal nela
verte sombra?
Sim, o sabes, moça,
rapaz, sim, o sabes.
Em silêncio
a palavra
anda com lentidão mas percorre
não só Portugal, mas a terra.
Sim sabemos,
em remotos países,
que há trinta anos
uma lápide
espessa como tumba ou como túnica
de clerical morcego
afoga, Portugal, teu triste gorjeio,
borrifa tua doçura
com gotas de martírio
e mantém suas cúpulas de sombra.
Outro
De tanto andar uma região
que não figurava nos livros
acostumei-me às terras tenazes
em que ninguém me perguntava
se me agradavam as alfaces
ou se preferia a menta
que devoram os elefantes.
E de tanto não responder
tenho o coração amarelo.
Meio-Dia - XLV
Não estejas longe de mim um só dia, porque como,
porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia,
e te estarei esperando como nas estações
quando em alguma parte dormitaram os trens.
Não te vás por uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas do desvelo
e talvez toda a fumaça que anda buscando casa
venha matar ainda meu coração perdido.
Ai que não se quebrante tua silhueta na areia,
ai que não voem tuas pálpebras na ausência:
não te vás por um minuto, bem-amada,
porque nesse minuto terás ido tão longe
que eu cruzarei toda a terra perguntando
se voltarás ou se me deixarás morrendo.
A Gutusso, da Itália
Gutusso, até tua pátria chegou a cor azul
para saber como é o vento e para conhecer a água.
Gutusso, de tua pátria veio a luz
e pela terra foi nascendo o fogo.
Em tua pátria, Gutusso, a lua tem cor
de uvas brancas, de mel, de limões caídos,
mas não há terra,
mas não há pão!
Tu dás a terra, o pão, em tua pintura.
Bom padeiro, dá-me tua mão que levanta
sobre nossas bandeiras a rosa da farinha.
Agrônomo, pintaste a terra que repartes.
Pescador, tua colheita palpitante
sai de teus pincéis rumo às casas pobres.
Mineiro, perfuraste com uma flor de ferro
as escurezas, e voltas com o rosto manchado
para dar-nos a dureza da noite escavada.
Soldado, trigo e pólvora na tela,
defendes o caminho.
Labregos do Sul, rumo à terra, em teus quadros!
Gente sem terra, rumo à estrela terrestre!
Homens sem rostos que em tua pintura têm nome!
Pálpebras do combate que avançam para o fogo!
Pão da luta, punhos da cólera!
Corações de terra coroados
pela eletricidade das espigas!
Grave passo do povo para o amanhã,
para a decisão, para ser homens,
para semear, para ordenhar deixando
em tua pintura seu primeiro retrato.
Estes — como se chamam? Lá dos velhos muros
de tua pátria perguntam os senhores
de grande colar e de maligna espada
— quem são? E de sua rotunda —
seios de açúcar — a imperial Paulina,
nua e fria — quem são?, pergunta.
— Somos a terra, dizem as enxadas.
— Hoje existimos, diz o segador.
— Somos o povo, canta o dia.
Eu te pergunto — estamos sós? E me responde um rosto
que deixaste entre outros camponeses: Não é certo!
Já não é verdade que tu, solitário violino,
ineficaz noturno, fitando-te o espectro,
queres voar sem que os pés conservem
fragmentos, terra, bosques e batalhas!
Ai, com estes sapatos marchei contigo
medindo sementeiras e mercados!
Eu conheci um pintor da Nicarágua. As árvores
ali são tempestuosas e desatam suas flores
como vulcões verdes. Os rios aniquilam
em sua corrente rios sobrepostos
de borboletas e os cárceres
estão cheios de gritos e de feridas!
E este pintor chegou a Paris, e então
pintou um pontinho de cor ocre pálido
numa tela branca, branca, branca,
e a este pôs um marco, marco, marco.
Ele veio ver-me então e eu me senti triste,
porque detrás do pequeno homenzinho e seu ponto
Nicarágua chorava, sem que ninguém a ouvisse,
Nicarágua enterrava suas dores
e suas carnificinas na selva.
Pintura, pintura para nossos heróis, para nossos mortos!
Pintura cor de maçã e de sangue para nossos povos!
Pintura com os rostos e as mãos que conhecemos e que não queremos esquecer! E que surja a cor das reuniões, o movimento das bandeiras, as vítimas da polícia.
Que sejam louvadas e pintadas e escritas
as reuniões de trabalhadores, o meio-dia da greve,
o tesouro dos pescadores, a noite do fogueiro,
os passos da vitória, a tempestade da China,
a respiração ilimitada da União Soviética,
e o homem: cada homem com seu ofício e sua lâmpada, com a segurança de sua terra e seu pão.
Abraço-te, irmão, porque cumpres em tua areia o destino de luta e luz da Itália.
Que o trigo de amanhã
pinte sobre a terra com suas linhas de ouro
a paz do povo.
Então, quando o ar
numa onda remover a colheita do mundo, cantará o pão em todas as campinas.