Pablo Neruda

Pablo Neruda

1904–1973 · viveu 69 anos CL CL

Pablo Neruda foi um dos mais proeminentes poetas do século XX, laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1971. A sua obra abrange desde o lirismo amoroso e melancólico da juventude até à poesia social e política engajada, refletindo as suas experiências de vida como diplomata, ativista e exilado. A sua escrita é marcada por uma linguagem rica, imagética exuberante e uma profunda conexão com a natureza, o povo e as causas humanitárias. Neruda é celebrado pela sua capacidade de expressar tanto a intimidade do ser quanto a amplitude dos grandes temas universais, tornando-se um dos poetas de maior alcance popular e reconhecimento internacional.

n. 1904-07-12, Parral · m. 1973-09-23, Santiago

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É assim que te quero, amor

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Pablo Neruda, nome de registo Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, nasceu em 1904 e faleceu em 1973. Foi um poeta, diplomata e político chileno, considerado um dos mais importantes e influentes poetas do século XX em língua espanhola. Usou o pseudónimo Pablo Neruda, que mais tarde adotou legalmente. Escreveu em espanhol. Viveu num período de intensas transformações políticas e sociais na América Latina e no mundo.

Infância e formação

Nasceu em Parral, Chile. Perdeu a mãe poucos meses após o nascimento e foi criado pelo pai e pela madrasta em Temuco. A sua infância foi marcada pela natureza exuberante do sul do Chile, que viria a ser uma fonte de inspiração constante. Desde cedo demonstrou aptidão para a escrita, publicando os seus primeiros poemas na adolescência. Estudou francês no Instituto Pedagógico da Universidade do Chile, em Santiago.

Percurso literário

Começou a publicar poesia muito jovem. Ganhou notoriedade internacional com "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" (1924), que o consagrou como uma voz lírica poderosa. A sua carreira literária foi paralela à sua atividade diplomática e política. Foi cônsul em Rangum, Ceilão (atual Sri Lanka), Benares (Índia), Buenos Aires, Barcelona e Madrid. A Guerra Civil Espanhola teve um impacto profundo na sua poesia, levando-o a um engajamento político mais explícito, visível em "Espanha no coração" (1937).

Obra, estilo e características literárias

"Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" (1924) é uma obra seminal do lirismo amoroso juvenil. "Residência na Terra" (1933, 1935) revela um tom mais sombrio, existencial e surrealista. "Canto Geral" (1950) é uma obra épica e monumental que narra a história e a geografia da América Latina sob uma perspetiva social e política. "Ode Simples" (1954) e "Estravagário" (1958) mostram um retorno a formas mais simples e coloquiais. Os temas abordados são vastos: amor, erotismo, natureza, história, política, a condição humana. O seu estilo é marcado pela força da imagem, pela musicalidade do verso, pela linguagem direta e acessível em muitas das suas fases, e por uma profunda empatia com o mundo que o rodeava. Foi associado ao surrealismo em certas fases, mas desenvolveu um estilo próprio e inconfundível. Sua voz poética é simultaneamente íntima e cósmica, pessoal e coletiva.

Contexto cultural e histórico

Neruda viveu e escreveu num período de grandes convulsões históricas: a ascensão do fascismo, a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria e as lutas de libertação na América Latina. Foi um intelectual engajado, filiado ao Partido Comunista do Chile e membro do Senado. A sua obra reflete essas turbulências e o seu compromisso com a justiça social e a soberania dos povos. Manteve relações com muitos dos grandes escritores e artistas da sua época, como Federico García Lorca e Miguel Ángel Asturias.

Vida pessoal

Teve três casamentos. A sua vida como diplomata levou-o a viajar extensivamente, o que enriqueceu a sua visão de mundo. A Guerra Civil Espanhola e a perseguição política no Chile foram momentos difíceis na sua vida pessoal, levando-o ao exílio em várias ocasiões. Foi amigo de Salvador Allende e desempenhou um papel na sua campanha presidencial.

Reconhecimento e receção

Pablo Neruda é um dos poetas mais lidos e traduzidos do mundo. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1971 "pela sua poesia que, com a ação de uma força elementar, dá vida ao destino e aos sonhos de um continente". Foi também galardoado com o Prémio Lenin da Paz e outros importantes reconhecimentos internacionais. A sua popularidade é imensa, transcendendo o meio académico.

Influências e legado

Foi influenciado por poetas como Rubén Darío, Walt Whitman e Arthur Rimbaud. O seu legado é colossal, tendo influenciado gerações de poetas na América Latina e em todo o mundo com a sua capacidade de aliar lirismo, engajamento social e uma profunda conexão com a realidade. A sua obra continua a ser estudada, declamada e admirada pela sua universalidade e pela força das suas palavras.

Interpretação e análise crítica

A obra de Neruda tem sido objeto de inúmeras interpretações, desde a análise do seu lirismo amoroso até ao estudo do seu compromisso político. A sua poesia é vista como um espelho das lutas e esperanças da América Latina, e um testemunho da condição humana.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Uma curiosidade é que Neruda foi nomeado embaixador do Chile em França por Salvador Allende. Após o golpe militar no Chile, em 1973, pouco antes da sua morte, a sua casa e biblioteca foram saqueadas. Há suspeitas de que a sua morte possa ter sido acelerada por envenenamento, algo que tem sido objeto de investigação.

Morte e memória

Morreu em setembro de 1973, poucos dias após o golpe militar que derrubou o governo de Salvador Allende. A sua morte ocorreu num hospital em Santiago, oficialmente devido a um cancro da próstata, mas as circunstâncias ainda geram debate. A sua obra e a sua memória continuam vivas, sendo um símbolo de resistência e de identidade para muitos.

Poemas

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Cidade

Subúrbios de cidade com dentes negros
e paredes famintas
saciadas com farrapos de papel
— o lixo esparramado,
um homem morto
entre as moscas do inverno
e a imundície —
Santiago,
cabeça de minha pátria
pegada à grande cordilheira,
às naves de neve,
triste herança
de um século de senhoras elegantes
e cavalheiros de barbicha branca,
suaves bengalas, chapéus de prata,
luvas que protegiam unhas de águia.

Santiago, a herdada,
suja, sangrenta, cuspida,
triste e assassinada
a herdamos
dos senhores e seu senhorio.
Como lavar teu rosto,
cidade, nosso coração,
filha maldita,

como,
devolver-te a pele, a primavera,
a fragrância,
viver contigo viva,
acender-te acesa,
fechar os olhos e varrer tua morte
até ressuscitar-te e florescer-te
e dar-te novas ;mãos e novos olhos,
casas humanas, flores na luz!
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Canto XII - Os Rios do Canto

I
Carta a Miguel Otero Silva, em Caracas (1948)

Um amigo me trouxe a tua carta escrita
com palavras invisíveis, sobre sua roupa, em seus olhos.

Como és alegre, Miguel, como somos alegres!
Nada resta num mundo de úlceras estucadas
senão nós, indefinidamente alegres.

Vejo passar o corvo e não me pode fazer mal.

Tu observas o escorpião e limpas a tua guitarra.

Vivemos entre as feras, cantando, e quando tocamos
um homem, a matéria de alguém em quem acreditávamos,
e este homem se desmorona como um pastel podre,
tu em teu venezuelano patrimônio recolhes
o que pode salvar-se, enquanto eu defendo
a brasa da vida.

Que alegria, Miguel!
Me perguntarás onde estou? Te contarei
- dando só detalhes úteis ao governo -
que nesta costa cheia de pedras selvagens
unem-se o mar e o campo, ondas e pinheiros,
águias e procelárias, espumas e prados.

Já viste de muito perto e o dia todo
como voam os pássaros do mar? É como
se levassem as cartas do mundo a seus destinos.

Passam os alcatrazes como barcos do vento,
outras aves que voam como flechas e trazem
as mensagens dos reis defuntos, dos príncipes
enterrados com fios de turquesa nas costas andinas,
e as gaivotas feitas de brancura redonda,
que esquecem continuamente as suas mensagens.

Como é azul a vida, Miguel, quando pusemos nela
amor e luta, palavras que são o pão e o vinho,
palavras que eles ainda não podem desonrar,
porque nós saímos para a rua de escopeta e cantos.

Eles estão perdidos conosco, Miguel.

Que podem fazer senão matar-nos, e ainda assim
não lhes é um bom negócio, só podem
tratar de alugar um andar diante de nós e seguir-nos
para aprender a rir e a chorar como nós.

Quando eu escrevia versos de amor, que me brotavam
de todos os lados, e me morria de tristeza,
errante, abandonado, roendo o alfabeto,
me diziam: “Como és grande, ó Teócrito!”
Eu não sou Teócrito: tomei a vida,
me pus diante dela, dei-lhe beijos até vencê-la,
e logo me fui pelas vielas das minas
para ver como viviam outros homens.

E quando saí com as mãos manchadas de imundícies e dores,
eu as levantei a mostrá-las nas cordas de ouro,
e disse: “Eu não compartilho do crime”.

Tossiram, ficaram muito desgostosos, me cortaram o cumprimento,
deixaram de me chamar de Teócrito, e acabaram
por me insultar e mandar toda a polícia para prender-me,
porque eu não continuava preocupado exclusivamente de assuntos
[metafísicos.

Mas eu tinha conquistado a alegria.

Desde então me levantei para ler as cartas
que trazem as aves do mar de tão longe,
cartas que chegam molhadas, mensagens que pouco a pouco
vou traduzindo com lentidão e segurança: sou meticuloso
como um engenheiro neste estranho ofício.

E saio de repente à janela.
É um quadrado
de transparência, é pura a distância
de ervas e penhascos, e assim vou trabalhando
entre as coisas que amo: ondas, pedras, vespas,
com uma embriagadora felicidade marinha.

Mas ninguém gosta de que estejamos alegres, a ti te incumbiram
de um papel bonachão: “Mas não exagere, não se preocupe”,
e a mim me quiseram espetar num insectário, entre as lágrimas,
para que estas me afogassem e eles pudessem fazerseus discursos
[em meu túmulo.


Eu me lembro que um dia no pampa arenoso
do salitre, havia quinhentos homens
em greve.
Era a tarde abrasadora
de Tarapacá.
E quando os rostos haviam recolhido
toda a areia e o exangue sol seco do deserto,
vi chegar a meu coração, como uma taça de ódio,
a velha melancolia.
Naquela hora de crime,
na desolação das salinas, nesse minuto débil
da luta, em que poderíamos ter sido vencidos,
uma menina pequenina e pálida chegada das minas
disse com uma voz valente em que se juntavam o cristal e o aço
um poema teu, um velho poema teu que roda entre os olhos enrugados
de todos os operários e lavradores de minha pátria, da América.

E aquele pedaço de teu canto refulgiu de repente
em minha boca como uma flor purpúrea
e desceu pelo meu sangue, enchendo-o de novo
com uma alegria transbordante nascida de teu canto.

E eu pensei não só em ti, mas em tua Venezuela amarga.

Há anos, vi um estudante que tinha nos tornozelos
o sinal das cadeias que um general lhe havia imposto,
e me contou como os acorrentados trabalhavam nos caminhos
e os calabouços onde a gente se perdia.
Porque assim foi a nossa América:
uma planura com rios devoradores e constelações
de mariposas (em alguns lugares, as esmeraldas são espessas
[como maçãs),
porém sempre ao longo da noite e dos rios,
há tornozelos que sangram, antes perto do petróleo,
hoje perto do nitrato, em Pisagua, onde um déspota sujo
enterrou a flor de minha pátria para que morra, e ele
[possa comerciar com os ossos.

Por isso cantas, por isso, para que a América desonrada e ferida
faça tremer as suas mariposas e recolha suas esmeraldas
sem o espantoso sangue do castigo coagulado
nas mãos dos verdugos e dos mercadores.

Eu compreendi como estarias alegre, perto do Orenoco, cantando,
certamente, ou então comprando vinho para a tua casa,
ocupando o teu posto na luta e na alegria,
largo de ombros, como são os poetas deste tempo,
- com roupas claras e sapatos de uso para caminhar.

Desde então, fiquei pensando em escrever-te algum dia,
e quando Guillén chegou, todo cheio de histórias tuas
que se desprendiam de toda a roupa
e que sob as castanheiras de minha casa se derramaram,
me disse: “Agora”, nem assim comecei a escrever-te.

Mas hoje foi demais: passou pela minha janela
não apenas uma ave do mar, mas milhares,
e recolhi as cartas que ninguém lê e que elas levam
pelas praias do mundo, até perdê-las.

E aí, em cada uma lia palavras tuas
e eram como as que eu escrevo e sonho e canto,
e aí decidi enviar-te esta carta, que aqui termino
para olhar pela janela o mundo que nos pertence.




II
A Rafael Alberti
(Puerto de Santa María, Espanha)

Rafael, antes de chegar à Espanha me apareceu a caminho a tua poesia, rosa literal, cacho biselado,
e ela até agora tem sido para mim não uma lembrança
mas uma luz olorosa, emanação de um mundo.


A tua terra ressequida pela crueldade trouxeste
o orvalho que o tempo havia esquecido,
e a Espanha acordou contigo na cintura,
outra vez coroada de aljôfar matutino.


Recordarás o que trazia: sonhos despedaçados
por implacáveis ácidos, permanências
em águas desterradas, em silêncios
de onde as raízes amargas emergiam
como paus queimados no bosque,
Com posso esquecer, Rafael, aquele tempo?
A teu país cheguei como quem cai
em uma lua de pedra, encontrando em todas as partes
águias do agreste, secos espinhos,
mas a tua voz, marinheiro, esperava
para dar-me as boas-vindas e a fragrância
da flor de laranjeira, o mel dos frutos marinhos.


E a tua poesia estava na mesa, nua.


Os pinheirais do sul, as raças da uva
deram a teu diamante cortado suas resinas,
e ao tocar tão formosa claridade, muita sombra
da que traz ao mundo se desfez.


Arquitetura feita na luz, como as pétalas,
através de teus versos de embriagador aroma,
eu vi a água de antanho, a neve hereditária,
e a ti mais que ninguém eu devo a Espanha.

Com teus dedos toquei colméia e páramo,
conheci as praias gastas pelo povo
como por um oceano, e os degraus
em que a poesia foi rasgando
toda a sua vestimenta de safiras.


Tu sabes que só se ensina ao irmão.
E nessa
hora não só aquilo me ensinaste,
não só a apagada pompa de nossa estirpe,
mas a retidão de teu destino,
e quando mais uma vez chegou o sangue à Espanha
defendi o patrimônio do povo que era meu.


Já sabes, já todo mundo sabe estas coisas.

Eu quero somente estar contigo,
e hoje que te falta a metade da vida,
tua terra, a que tens mais direito que uma árvore,
hoje que das desgraças da pátria não só
o luto do que amamos, mas também a tua ausência cobrem
a herança da oliveira que devoram os lobos,
te quero dar, ai!, se pudesse, irmão grande,
a estrelada alegria que então me deste.


Entre nós dois a poesia
se toca como pele celeste,
e contigo gosto de recolher um cacho de uvas,
este pâmpano, aquela raiz das trevas.


A inveja que abre portas nos seres
não pôde abrir a tua porta nem a minha.
És belo
como quando a cólera do vento
desencadeia seu vestido lá fora
e estão o pão, o vinho e o fogo conosco,
deixar que uive o vendedor de fúria,
deixar que silve o que passou entre teus pés,
e levantar a taça cheia de âmbar
com todo o rito da transparência.


Alguém quer esquecer que és o primeiro?
Deixa-o navegar e encontrará o teu rosto.

Alguém quer enterrar-nos precipitadamente?
Está bem, mas tem a obrigação do vôo.


Virão, mas quem pode sacudir a colheita
que com a mão do outono foi erguida
até tingir o mundo com o tremor do vinho?

Dá-me esta taça, irmão, e escuta: estou rodeado
de minha América úmida e torrencial, às vezes
perco o silêncio, perco a corola noturna,
e me rodeia o ódio, talvez nada, o vazio
dum vazio, o crepúsculo
dum cão, duma rã,
e então sinto que tanta terra minha nos separe,
e quero ir a tua casa, em que eu sei, me esperas,
só para sermos bons como só nós
podemos sê-lo.
Não devemos nada.

E a ti, sim, é que devem, e és uma pátria: espera.


Voltarás, voltaremos.
Quero contigo um dia
em tuas ribeiras ir embriagados de ouro
até teus portos, portos do sul que então não atingi.

Me mostrarás o mar onde sardinhas
e azeitonas disputam as areias,
e aqueles campos com os touros de olhos verdes
que Villalón (amigo que também
não veio me ver, pois estava enterrado)
tinha, e os tonéis de xerez, catedrais
em cujos corações gongorinos
arde o topázio com pálido fogo.


Iremos, Rafael, aonde jaz
aquele que com suas mãos e as tuas
a cintura da Espanha sustentava.

O morto que não pôde morrer, aquele a quem guardas,
porque só a tua existência o defende.


Lá está Federico, mas há muitos que, mergulhados, enterrados,
entre as cordilheiras espanholas, tombados
injustamente, derramados,
perdido cereal nas montanhas,
são nossos, e nós estamos em sua argila.


Vives porque sempre foste um deus milagroso.

A ninguém mais que a ti procuraram, queriam
devorar-te os lobos, quebrar teu poderio.

Cada um queria ser verme em tua morte.


Pois bem, se enganaram.
É talvez a estrutura
de tua canção, intacta transparência,
armada decisão de tua doçura,
dureza, fortaleza delicada,
o que salvou teu amor para a tua terra.


Eu irei contigo para provar a água
do Genil, do domínio que me deste,
a olhar na prata que navega
as efígies adormecidas que fundaram
as sílabas azuis de teu canto.


Entraremos também nas forjas: agora
o metal dos povos aí espera
nascer nas facas: passaremos cantando
junto às redes vermelhas que move o firmamento.

Facas, redes, cantos apagarão as dores.

Teu povo levará com as mãos queimadas
pela pólvora, como loureiro dos prados,
o que o teu amor foi debulhando na desgraça.


Sim, de nossos desertos nasce a flor, a forma
da pátria que o povo reconquista com trovões,
e não é um dia só o que elabora
o mel perdido, a verdade do sonho,
mas também cada raiz que se faz canto
até povoar o mundo com as suas folhas.


Lá estás, não há nada que não mova
a lua diamantina que deixaste:
a solidão, o vento nos rincões,
tudo toca o teu puro território,
e os últimos mortos, os que caem
na prisão, leões fuzilados,
e os das guerrilhas, capitães
do coração, estão umedecendo
a tua própria investidura cristalina,
teu próprio coração com suas raízes.


Passou o tempo desde aquele dia em que compartilhamos
dores que deixaram uma ferida radiante,
o cavalo da guerra que com suas ferraduras
atropelou a aldeia destroçando as vidraças.

Tudo aquilo nasceu debaixo da pólvora,
tudo aquilo te aguarda para erguer a espiga,
e nesse nascimento te envolverão de novo
o fumo e a ternura daqueles duros dias.


Vasta é a pele da Espanha e nela a tua espora
vive como uma espada de ilustre punho,
e não há olvido, não há inverno que te apague,
irmão fulgurante, dos lábios do povo.

Assim te falo, esquecendo talvez uma palavra,
respondendo por fim às cartas de que não te lembras
e que quando os climas do leste me cobriram
como aroma escarlate, chegaram
até a minha solidão.

Que teu rosto dourado
encontre nesta carta um dia de outro tempo,
e outro tempo de um dia que virá.

Me despeço
hoje, 1948, 16 de dezembro,
em algum ponto da América na qual canto.




III
A González Carbalho
(no Rio da Prata)

Quando a noite devorou os sons humanos, e desaprumou
sua sombra linha a linha,
ouvimos, no silêncio acrescentado, além dos seres,
o rumor do rio de González Carbalho,
sua água profunda e permanente, seu transcurso que parece
imóvel como o crescimento da árvore ou do tempo.

Este grande poeta fluvial acompanha o silêncio do mundo,
com sonora austeridade, e o que desejar no meio
do tráfego ouvi-lo, que coloque (como faz nos
bosques ou nos lhanos o explorador extraviado) seu ouvido
sobre a terra: e ainda mesmo no meio da rua ouvirá subir
entre os passos do estrondo esta poesia: as vozes
profundas da terra e da água.


Então sob a cidade e seu atropelo, sob as lâmpadas
de fralda escarlate, como o trigo que nasce, irrompendo em
toda latitude, este rio que canta.

Sobre seu leito, assustadas aves de
crepúsculo, gargantas de arrebol que dividem o espaço,
folhas purpúreas que descem.


Todos os homens que se atrevam a olhar a solidão:
os que toquem a corda abandonada, todos os
imensamente puros, e aqueles que da nau escutaram
sal, solidão e noite se reunirem,
ouvirão o coro de González Carbalho surgir alto e cristalino
da sua primavera noturna.

Lembrais outro? Príncipe de Aquitânia: à sua torre abolida
substituiu na hora inicial, o rincão das lágrimas
que o homem milenário extravasou taça a taça.

E que o saiba aquele que não olhou os rostos, o vencedor
ou o vencido:
preocupados pelo vento de safira ou pela taça amarga:
além da rua e rua, além de uma hora,
tocai estas trevas, e continuemos juntos.


Então, no mapa desordenado das pequenas vidas
com tinta azul: o rio, o rio das águas que cantam,
feito da esperança, do padecer perdido,
da água sem angústia que sobe à vitória.


Meu irmão fez este rio:
de seu alto e subterrâneo canto se construíram
estes graves sons molhados de silêncio.

Meu irmão é este rio que rodeia as coisas.


Onde estiverdes, na noite, de dia, a caminho,
sobre os desvelados trens dos prados,
ou junto à empapada rosa da alva fria,
ou ainda
entre as roupas, tocando
o torvelinbo,
caí por terra, que o vosso rosto receba
este grande pulsar de água secreta que circula.


Irmão, és o rio mais longo da terra:
atrás do orbe, soa a tua voz grave de rio,
e eu molho as mãos em teu peito
fiel a um tesouro nunca interrompido,
fiel à transparência da lágrima augusta,
fiel à eternidade agredida do homem.




IV
A Silvestre Revueltas, do México, em sua morte
(Oratório menor)

Quando um homem como Silvestre Revueltas
volta definitivamente à terra,
há um rumor, uma onda
de voz e pranto que prepara e propaga sua partida.

As pequenas raízes dizem aos cereais: “Morreu Silvestre”,
e o trigo ondula o seu nome nas encostas
e logo o pão o sabe.

Todas as árvores da América já o sabem
e também as flores geladas da nossa região ártica.


As gotas d'água o transmitem,
os rios indomáveis da
Araucania já sabem a notícia.

Da nevada ao lago, do lago á planta,
da planta ao fogo, do fogo ao fumo:
tudo o que arde, canta, floresce, dança e revive,
todo o permanente, alto e profundo da nossa América o acolhem,
pianos e pássaros, sonhos e sons, a rede palpitante
que une na aragem todos os nossos climas,
treme e traslada o coro funeral.

Silvestre morreu, Silvestre entrou em sua música total,
em seu silêncio sonoro.


Filho da terra, menino da terra, desde hoje entras no tempo.

Desde hoje o teu nome cheio de música voará quando
[se toque tua pátria, como de um sino,
com um som jamais ouvido, com o som do que foste, irmão.

Teu coração de catedral nos cobre neste instante como o firmamento
e teu canto grande e grandioso, tua ternura vulcânica,
enche toda a altura como uma estátua ardendo.

Por que derramaste a vida? Por que verteste
em cada taça o teu sangue? Por que buscaste
como um anjo cego, ferindo-se pelas portas escuras?

Ah, mas de teu nome sai música
e de tua música, como de um mercado,
saem coroas de louro fragrante
e maçãs de olor e simetria.


Neste dia solene de despedida és tu o despedido,
mas já não ouves,
teu nobre rosto falta e é como se faltasse
uma grande árvore no meio da casa do homem.


Mas a luz que vemos é desde hoje outra luz,
a rua que viramos é uma nova rua,
a mão que tocamos desde hoje tem a tua força,
todas as coisas adquirem vigor em teu descanso
e tua pureza subirá das pedras
para mostrar-nos a claridade da esperança.


Repousa, irmão, o dia teu terminou,
com a tua alma doce e poderosa o encheste
de luz mais alta que a luz do dia
e de um som azul como a voz do céu.

Teu irmão e teus amigos me pediram
que repita o teu nome pelos ares da América,
que o conheça o touro do pampa, e a neve,
que o arrebate o mar, que o discuta o vento.


Agora são as estrelas da América a tua pátria
e desde hoje a tua casa sem portas é a Terra.




V
A Miguel Hernández,
Assassinado nos presídios da Espanha

Chegaste a mim diretamente do Levante, Me trazias,
pastor de cabras, tua inocência enrugada,
a escolástica de velhas páginas, um odor
de Frei Luis, de flor de laranjeira, de esterco queimado

sobre os montes, e em tua máscara
a aspereza cereal da aveia segada
e um mel que media a terra com teus olhos.


Também o rouxinol em tua boca trazias.

Um rouxinol manchado de laranjas, um fio
de incorruptível canto, de força desfolhada.

Ai, rapaz, na luz sobreveio a pólvora
e tu, com rouxinol e com fuzil, andando
sob a lua e sob o sol da batalha.


Já sabes, filho meu, o quanto não pude fazer, já sabes
que para mim, de toda a poesia, tu eras o fogo azul.

Hoje sobre a terra ponho o meu rosto e te escuto,
te escuto, sangue, música, colméia agonizante.


Não vi deslumbrante raça como a tua,
nem raízes tão duras, nem mãos de soldado,
nem vi nada mais vivo que o teu coração
a se queimar na púrpura de minha própria bandeira.


Jovem eterno, vives, comuneiro de antanho,
inundado de germes de trigo e primavera,
enrugado e escuro como o metal inato,
esperando o minuto que erga a tua armadura.


Não estou só desde que morreste.
Estou com os que te buscam.

Estou com os que um dia chegarão a vingar-te.

Reconhecerás os meus passos entre esses
que se despenharão sobre o peito da Espanha
esmagando Caim para que nos devolva
os restos enterrados.


Que saibam os que te mataram que pagarão com sangue.

Que saibam os que te deram tormento que me verão um dia.

Que saibam os malditos que hoje incluem o teu nome
em seus livros, os Dámasos, os Gerardos, os filhos
de cadela, silenciosos cúmplices do verdugo,
que não será apagado o teu martírio, e tua morte
tombará sobre toda sua lua de covardes.

E os que te negaram em seu loureiro apodrecido,
na terra americana, o espaço que cobres
com a tua fluvial coroa de raio sangrado,
deixa-me dar-lhes eu o desdenhoso esquecimento
porque a mim quiseram mutilar com a tua ausência.


Miguel, longe da prisão de Osuna, longe
da crueldade, Mao Tsé-tung dirige
tua poesia despedaçada no combate
para a nossa vitória.

E Praga rumorosa
a construir a doce colméia que cantaste,
Hungria verde limpa seus celeiros
e dança junto ao rio que despertou do sonho.

E de Varsóvia sobe a sereia nua
que edifica a mostrar sua cristalina espada.

Mais além a terra se agiganta,
a terra,
que visitou o teu canto, o aço
que defendeu a tua pátria estão seguros,
acrescentados pela firmeza
de Stálin e seus filhos.


Já se achega
a luz a tua morada.


Miguel da Espanha, estrela
de terras arrasadas, não te esqueço, filho meu,
não te esqueço, filho meu!

Mas aprendi a vida
com a tua morte: meus olhos apenas se velaram,
e encontrei em mim não o pranto
mas as armas
inexoráveis!
Espera-as! Espera-me!
1 082

VIII - A ilha

No centro os rostos derrotados,
partidos e tombados, com seus grandes narizes
fundidos na crosta calcária da ilha,
para quem apontam os gigantes? ninguém?
um caminho, um estranho caminho de gigantes:
e ali ficou seu prodigioso peso caído,
beijando a cinza sagrada, regressando
ao magma natal, malferidos, cobertos
pela luz oceânica, a pouca chuva, o pó
vulcânico, e mais tarde
por esta solidão do umbigo do mundo:
a solidão redonda de todo o mar reunido.

Parece estranho ver viver aqui, dentro
do círculo, contemplar as lagostas
róseas, hostis caírem os caixotes
das mãos dos pescadores,
e estes, fundirem os corpos outra vez na água
agredindo as tocas de sua mercadoria,
ver as velhas cerzirem calças gastas
pela pobreza, ver entre folhagens
1 133

Foi Sangrenta

Foi sangrenta toda a terra do homem.
Tempo, edificações, rotas, chuva,
apagam as constelações do crime,
o certo é que um planeta tão pequeno
foi mil vezes coberto pelo sangue,
guerra ou vingança, armadilha ou batalha,
caíram homens, foram devorados,
depois o esquecimento foi limpando
cada metro quadrado: alguma vez
um vago monumento mentiroso,
às vezes uma cláusula de bronze,
depois conversações, nascimentos,
municipalidades, e o esquecimento.
Que artes temos para o extermínio
e que ciência para extirpar lembranças!
Está florido o que foi sangrento.
Preparar-se, rapazes,
para outra vez matar, morrer de novo,
e cobrir com flores o sangue.
692

XIX - Os homens

Voltamos apressados a esperar nomeações,
exasperantes publicações, discussões amargas,
fermentos, guerras, enfermidades, música
que nos ataca e nos golpeia sem trégua,
entramos novamente em nossos batalhões,
ainda que todos se unissem para declarar-nos mortos,
aqui estamos outra vez com nosso falso sorriso,
falamos, exasperados ante o possível olvido,
enquanto lá na ilha sem palmeiras,
lá onde se recortam os narizes de pedra
como triângulos traçados em pleno céu e sal,
ali, no minúsculo umbigo dos mares,
deixamos esquecida a última pureza,
o espaço, o assombro daquelas companhias
que levantam sua pedra desnuda, sua verdade,
sem que ninguém se atreva a amá-las, a conviver com elas,
e essa é minha covardia, aqui dou o testemunho:
não me senti capaz senão de transitórios
edifícios, e nesta capital sem paredes
feita de luz, de sal, de pedra e pensamento,
como todos olhei e abandonei assustado
a límpida claridade da mitologia,
as estátuas rodeadas pelo silêncio azul.
552

Mais de Uma França

Transparente
é a terra:
bolha de água e ferro,
taça verde
de oceanos, campinas,
distâncias,
ondas de quartzo e cobre
nela se aquietaram.
O carvão no fundo
de corredores cegos
repousa sua energia.
Frutas e cereais
como o manto
de um antigo monarca
a cobrem com estrelas
amarelas:
 
desbordante é a taça
da terra:
 
toda a luz e toda
a sombra a acendem
e apagam,
ásperas, com espinhos
do inverno,
doce, cheia de todas
as doçuras:
planeta, guardas algo
mais vivente
e elétrico
que todos os metais:
 
é o homem
o pequeninho
ser que treme,
cai e levanta
a fronte mais ferida
e com o braço recém-arranhado
empunha os relâmpagos.
 
Vejo
os bosques calorosos,
a selva
em Laos,
insetos como folhas,
leopardos
de força silenciosa
e cintura fosfórica,
as grandes árvores trançadas
na antiga terra,
os monumentos úmidos
com seus narizes quebrados
e os olhos por onde
irrompem as ramagens.
Nada disto
nos interessa:
atende;
espera,
olha!
Aqui está o que amas:
 
Um pequeno
homem livre
com um rifle,
esperando.
É ele,
o guerrilheiro do Cambodja.
Espera
o mecânico passo
do invasor blindado.
Não pensa
na febre que espreita,
na serpente
de elétrico veneno:
só espera
o soldado
estrangeiro.
Ali na selva
as folhas
são sua pátria,
cada som de ave
ou água,
cada vôo
de borboleta ou pálpebra,
é sua pátria.
A pátria é uma folhagem
e em sua sombra
o homem,
o homem pequeninho,
defendendo
cada uma
de suas folhas.
Vietnam do outro lado.
Há rios pardos, trêmulos
de vidas e mensagens
que vão de terra a terra.
Os franceses
das cidades
ouvem o cochicho
da folhagem.
Por que deixaram
a frutal primavera
da França?
Disseram-lhes
que trariam
a cultura
e desde então
as metralhadoras
e o napalm
de Eisenhower,
a ruína e o incêndio,
desembarcam
com eles, os franceses.
 
Os netos
de Victor Hugo
não trazem
livros
mas
terríveis balas,
dores,
sangue.
 
Por isso
lá de Saigon se eleva
um negro
murmúrio
de fumaça e medo
que atravessa a terra
e cai
sobre a França,
sobre certas pequenas
casas pobres
cai
o medo da Indochina.
 
A morte,
uma notícia
com um nome de luto,
chega
como uma águia negra
das alturas da Ásia
e entra
na primavera
matutina da França
com uma sombra rápida
de garras.
 
1 203

Eu Saí de Minha Pátria

Cruzei as cordilheiras a cavalo.
Um tiranete, um bailarino vendia
minha pátria com metais e mineiros,
e enchia de paredes e prisões
o recinto ocupado pela aurora.
Saltei pelas gargantas arranhadas
da natureza galopando
sob um silêncio de arvoredo escuro.
De repente os gélidos pombais
da geleira despenhavam força,
plumas glaciais, puro poderio:
de repente terra e árvores se tornaram
áspera adversidade e cicatrizes,
talha-mares de súbita madeira,
impenetrável densidade tecida
como uma catedral, entre as folhas,
ou titânico sal resvaladiço,
ou desdentado cinturão de pedra.
 
Ainda mais, desci de repente
a terra vertical, e os ginetes
cindiam com suas tochas o caminho,
onde esperava o deus vertiginoso
de um novo rio desbordando espadas,
despenhando sua música secreta
sobre a hostilidade da espessura.
1 122

A Boca Que Canta

Vou desde os pinhais
até as bocas descidas do Danúbio,
o ar azul sacode
as vidas e a vida.
O ar limpa o fundo
dos salões, entra
pelas janelas
um vento de bandeiras populares.
Apagando nesta hora,
Romênia, com tuas mãos os farrapos
de teu povo, mostraste
uma nova cabeça, novos olhos,
nova boca que canta,
e não só uma raça de pastores
mostras hoje na terra,
mas uma deslumbrante
construção que caminha.
 
1 242

IX - Os homens

Nos ensinaram a respeitar a igreja,
a não tossir, a não cuspir no átrio,
a não lavar roupa no altar
e não é assim: a vida rompe as religiões
e é esta ilha em que habitou o Deus Vento
a única igreja viva e verdadeira:
− vão e vêm as vidas, morrendo e fornicando −
aqui na ilha de Páscoa, onde tudo é altar,
onde tudo é oficina do desconhecido,
a mulher amamenta sua nova criatura
sobre os mesmos degraus que pisaram seus deuses.

Aqui, para viver! Más também nós?
Nós, os transeuntes, os equivocados de estrela,
naufragaríamos na ilha como em uma lagoa,
num lago em que todas as distâncias terminam,
na aventura imóvel mais difícil do homem.
1 114

De Uma Viagem

De uma viagem volto ao mesmo ponto,
por quê?
Por que não volto aonde antes vivi,
ruas, países, continentes, ilhas,
onde tive e estive?
Por que será este lugar a fronteira
que me elegeu, que tem este recinto
senão um látego de ar vertical
sobre meu rosto, e umas flores negras
que o longo inverno morde e despedaça?
Ai, que me assinalam:
— este é o preguiçoso,
o senhor enferrujado,
daqui não se moveu,
deste duro recinto
foi ficando imóvel
até que endureceram seus olhos
e cresceu-lhe uma hera no olhar.
1 291

Obras

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Comentários (2)

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Anabil Martins Diniz
Anabil Martins Diniz

Porque não publicar o texto original e, junto, o texto verido para o portugues? Seria mais rico.

Adriano Moreira/escritor.
Adriano Moreira/escritor.

Pablo Neruda é simplesmente a essência da mais pura e legítima poesia.Sua alma canta e nos mostra os mais límpidos sentimentos contidos/incontidos no coração humano.Um ícone! uma voz pujante e delirante no mais doce leito da poesia/biografia/história.Neruda ,a voz que ecoa nas cordilheiras das andes,como sopro divinal e eterno...