Carl Sandburg
Autor do dia

Carl Sandburg

Carl Sandburg foi um influente poeta, historiador e biógrafo americano, conhecido pela sua poesia que celebrava a vida quotidiana, o trabalho e o espírito da América. A sua obra, frequentemente ligada às raízes industriais e rurais do país, capturou a energia e a diversidade do povo americano com uma linguagem direta e um ritmo vigoroso. Além da poesia, Sandburg destacou-se pela sua extensa e aclamada biografia de Abraham Lincoln, consolidando-se como uma voz autêntica da identidade americana.

Poema do dia

Sete Canções de Declínio

Mário de Sá-Carneiro
1
Um vago tom de opala debelou
Prolixos funerais de luto de Astro
E pelo espaço, a Oiro se enfolou
O estandarte real livre, sem mastro.

Fantástica bandeira sem suporte,
Incerta, nevoenta, recamada
A desdobrar-se como a minha Sorte
Predita por ciganos numa estrada ...

2
Atapetemos a vida
Contra nós e contra o mundo.
— Desçamos panos de fundo
A cada hora vivida!

Desfiles, danças embora
Mal sejam uma ilusão...
Cenário de mutação
Pela minha vida fora!

Quero ser Eu plenamente:
Eu, o possesso do Pasmo.
Todo o meu entusiasmo,
Ah! que seja o meu Oriente!

O grande doido, o varrido,
O perdulário do Instante
O amante sem amante,
Ora amado, ora traído ...

Lançar os barcos ao Mar
De névoa, em rumo de incerto...
Pra mim o longe é mais perto
Do que o presente lugar.

...E as minhas unhas polidas
Idéia de olhos pintados...
Meus sentidos maquilados
A tintas conhecidas ...

Mistério duma incerteza
Que nunca se há de fixar...
Sonhador em frente ao mar
Duma olvidada riqueza ...

Num programa de teatro
Suceda-se a minha vida
Escada de Oiro descida
Aos pinotes, quatro a quatro! ...

3
Embora num funeral
Desfraldemos as bandeiras
Só as cores são verdadeiras
Siga sempre o festival!

Quermesse — eia! — e ruído!
Louça quebrada! Tropel!
(Defronte do carrossel,
Eu, em ternura esquecido... )

Fitas de cor, vozearia —
Os automóveis repletos:
Seus chauffeurs — os meus afetos
Com librés de fantasia!

Ser bom... Gostaria tanto
De o ser... Mas como? Afinal
Só se me fizesse mal
Eu fruiria esse encanto.

— Afetos?... Divagações...
Amigo dos meus amigos...
Amizades são castigos,
Não me embaraço em prisões!

Fiz deles os meus criados,
Com muita pena decerto.
Mas quero o Salão aberto,
E os meus braços repousados.

4
As grandes Horas! — vive-las
A preço mesmo dum crime!
Só a beleza redime —
Sacrifícios são novelas.

"Ganhar o pão do seu dia
Com o suor do seu rosto..."
— Mas não há maior desgosto
Nem há maior vilania!

E quem for Grande não venha
Dizer-me que passa fome.
Nada há que se não dome
Quando a Estrela for tamanha!

Nem receios nem temores,
Mesmo que sofra por nós
Quem nos faz bem. Esses dós
Impeçam os inferiores.

Os Grandes, partam — dominem
Sua sorte em suas mãos:
— Toldados, inúteis, vãos,
Que o seu Destino imaginem!

Nada nos pode deter;
O nosso caminho é de Astro!
Luto — embora! — o nosso rastro,
Se pra nós Oiro há de ser! ...

5
Vaga lenda facetada
A imprevisto e miragens —
Um grande livro de imagens,
Uma toalha bordada ...

Um baile russo a mil cores.
Um Domingo de Paris —
Cofre de Imperatriz
Roubado por malfeitores.

Antiga quinta deserta
Em que os donos faleceram —
Porta de cristal aberta
Sobre sonhos que esqueceram ...

Um lago à luz do luar
Com um barquinho de corda...
Saudade que não recorda —
Bola de tênis no ar...

Um leque que se rasgou —
Anel perdido no parque —
Lenço que acenou no embarque
De Aquela que não voltou ...

Praia de banhos do sul
Com meninos a brincar
Descalços à beira-mar,
Em tardes de céu azul...

Viagem circulatória
Num expresso de vagões-leitos —
Balão aceso — defeitos
De instalação provisória ...

Palace cosmopolita
De rastaquoères e cocottes —
Audaciosos decotes
Duma francesa bonita ...

Confusão de music-hall,
Aplausos e brou-u-ha —
Interminável sofá
Dum estofo profundo e mole. . .

Pinturas a "ripolin",
Anúncios pelos telhados —
O barulho dos teclados
Das Lynotype do Matin...

Manchete de sensação
Transmitida a todo o mundo —
Famoso artigo de fundo
Que acende uma revolução ...

Um sobrescrito lacrado
Que transviou no correio,
E nos chega sujo — cheio
De carimbos, lado a lado. . .

Nobre ponte citadina
De intranqüila capital —
A umidade outonal
De uma manhã de neblina ...

Uma bebida gelada —
Presentes todos os dias. . .
Champanha em taças esguias
Ou água ao sol entornada ...

Uma gaveta secreta
Com segredos de adultérios...
Porta falsa de mistérios —
Toda uma estante repleta:

Seja enfim a minha vida
Tarada de ócios e Lua:
Vida de Café e rua,
Dolorosa, suspendida —

Ah! mas de enlevo tão grande
Que outra nem sonho ou prevejo...
— A eterna mágoa dum beijo,
Essa mesma, ela me expande ...

6
Um frenesi hialino arrepiou
Pra sempre a minha carne e a minha vida.
Fui um barco de vela que parou
Em súbita baía adormecida ...

Baía embandeirada de miragem,
Dormente de ópio, de cristal e anil,
Na idéia de um país de gaze e Abril,
Em duvidosa e tremulante imagem ...

Parou ali a barca — e, ou fosse encanto,
Ou preguiça, ou delírio, ou esquecimento,
Não mais aparelhou... — ou fosse o vento
Propício que faltasse: ágil e santo ...

...Frente ao porto esboçara-se a cidade,
Descendo enlanguescida e preciosa:
As cúpulas de sombra cor-de-rosa,
As torres de platina e de saudade.

Avenidas de seda deslizando,
Praças de honra libertas sobre o mar
Jardins onde as flores fossem luar;
Lagos — carícias de âmbar flutuando ...

Os palácios de renda e escumalha.
De filigrana e cinza as catedrais —
Sobre a cidade a luz — esquiva poalha
Tingindo-se através longos vitrais ...

Vitrais de sonho a debruá-la em volta,
A isolá-la em lenda marchetada:
Uma Veneza de capricho — solta,
Instável, dúbia, pressentida, alada...

Exílio branco — a sua atmosfera,
Murmúrio de aplausos — seu brou-u-ha...
E na praça mais larga, em frágil cera,
Eu — a estátua "que nunca tombará"...

7
Meu alvoroço de oiro e lua
Tinha por fim que transbordar...
— Caiu-me a Alma ao meio da rua,
E não a Posso ir apanhar!
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Nasceram neste dia

11
Camilo Pessanha

Camilo Pessanha foi um poeta e professor de português, notabilizado pela sua obra poética que marcou a transição do Simbolismo para o Modernismo em Portugal. A sua poesia, caracterizada pela melancolia, pelo exotismo e por uma musicalidade ímpar, explora temas como a efemeridade do tempo, a saudade, o amor e a morte, muitas vezes através de imagens vívidas e sensoriais. Embora a sua produção poética em volume seja reduzida, a sua influência no panorama literário português é profunda, sendo considerado um dos mais importantes poetas da língua portuguesa.

Na cadeia
Giuseppe Belli

Giuseppe Gioachino Belli foi um poeta italiano, amplamente reconhecido como um dos maiores expoentes da poesia dialetal romana. A sua obra, escrita predominantemente em dialeto romanesco, oferece um retrato vívido e muitas vezes satírico da vida popular de Roma no século XIX, abordando temas como o quotidiano, a religião, a política e a condição humana com uma linguagem crua e expressiva. Apesar de ter tido uma vida modesta e de ter publicado pouco durante a sua existência, a sua poesia ganhou reconhecimento póstumo, consolidando-se como um marco fundamental da literatura italiana e um testemunho invaluable da cultura e sociedade da Roma oitocentista.

A embocadura
Paulo Netho

Paulo Netho é um poeta e escritor angolano contemporâneo, cuja obra se distingue pela exploração da identidade africana, das complexidades da condição humana e das memórias de um continente em constante transformação. Sua poesia é marcada por uma linguagem visceral, que mergulha nas raízes culturais de Angola e reflete sobre as heranças coloniais e as aspirações pós-coloniais. A escrita de Netho, frequentemente enraizada na oralidade e na musicalidade das línguas africanas, aborda temas como a ancestralidade, a diáspora, a resistência e a busca por um lugar no mundo. Ele é uma voz importante na nova geração de escritores angolanos que procuram redefinir e afirmar a identidade cultural africana na literatura mundial, oferecendo uma perspetiva única e poderosa sobre a realidade angolana e africana.

Olhos nus
Edith Sitwell

Edith Sitwell foi uma influente poeta, crítica e dramaturga inglesa, conhecida pela sua poesia imaginativa e pelo seu estilo excêntrico. As suas obras exploram frequentemente temas de beleza, decadência e a condição humana, frequentemente com uma musicalidade distinta e imagens vívidas.

GREEN FLOWS THE RIVER OF LETHE - O
Carlos Magalhães de Azeredo

Carlos Magalhães de Azeredo foi um destacado jurista, escritor e diplomata brasileiro, cuja obra literária, embora não extensa, é marcada por uma prosa elegante e reflexiva. O autor explorou temas relacionados à cultura, à história e à sociedade brasileira, com um olhar crítico e, por vezes, irónico. Sua produção abrange artigos, crónicas e ensaios, nos quais demonstrava um profundo conhecimento da realidade nacional e um estilo literário apurado. Azeredo representa uma figura intelectual importante no Brasil, cujas contribuições, tanto na esfera pública quanto na literária, merecem reconhecimento.

Despedida
Édouard Pailleron

Édouard Pailleron foi um dramaturgo e jornalista francês, filho do poeta Émile Pailleron. Ele é mais conhecido por suas comédias de costumes que satirizavam a sociedade parisiense de sua época. Sua obra mais famosa, "Le Monde où l'on s'ennuie" (O Mundo Onde Se Entedia), foi um grande sucesso e uma crítica mordaz à superficialidade da alta sociedade e à intelectualidade da época.

Tristan Bernard

Tristan Bernard foi um renomado dramaturgo, romancista e jornalista francês. Ele é mais conhecido por suas comédias leves e espirituosas, que frequentemente satirizavam a sociedade parisiense de sua época. Bernard foi uma figura popular na vida intelectual e artística de Paris no final do século XIX e início do século XX.

Os homens são sempre sinceros. Apenas trocam de si
Renato Minore

Renato Minore é um poeta, escritor e jornalista italiano. Sua obra poética é marcada por uma profunda reflexão sobre a existência, a memória e a condição humana, muitas vezes explorando a relação entre o indivíduo e o tempo. Ele também se dedica à crítica literária e à tradução.

Baudelio Camarillo

Baudelio Camarillo é um escritor com uma obra voltada para a narrativa, explorando as complexidades da experiência humana. Seus contos e romances frequentemente mergulham em aspectos psicológicos e sociais, com personagens que enfrentam dilemas morais e existenciais.

Molly Holden

Molly Holden foi uma poeta sul-africana, conhecida por suas observações sensíveis e perspicazes sobre a vida na África do Sul, com um foco particular na paisagem e na experiência cotidiana. Sua poesia reflete uma conexão profunda com o ambiente natural e uma apreciação pelas pequenas coisas da vida.

Morreram neste dia

9
Afonso Félix de Sousa

Afonso Félix de Sousa foi um poeta cuja obra se distingue pela sua forte ligação à terra e às tradições. A sua poesia, enraizada na paisagem e na cultura do interior, celebra a vida simples, os ofícios ancestrais e a força das gentes que nela habitam. Através de uma linguagem que evoca o rural e o popular, Félix de Sousa constrói um universo poético onde a natureza é confidente e palco das mais profundas emoções humanas. O seu estilo, marcado por uma aparente simplicidade que esconde uma profunda sabedoria, reflete um olhar atento e terno sobre a existência. A sua obra é um convite a redescobrir as raízes e os valores essenciais da vida, num diálogo contínuo entre o homem e o seu ambiente. Afonso Félix de Sousa deixou um legado de poesia que honra a identidade e a memória coletiva.

Aves sem pouso
Mutimati

Mutimati, nome de origem africana que remete à figura de um líder ou sábio, é um autor cuja obra poética se insere em um contexto de valorização da identidade africana e afro-brasileira. A sua poesia, embora com pouca informação disponível sobre a sua vida pessoal, é reconhecida pela força expressiva, pelo uso de simbolismos e pela temática que celebra as raízes culturais e a ancestralidade. A sua escrita é um convite à reflexão sobre a história, a resistência e a afirmação de uma identidade cultural.

O Burro
Jacques-François Ancelot

Jacques-François Ancelot foi um dramaturgo e escritor francês, cujas obras teatrais alcançaram popularidade em seu tempo. Conhecido por suas comédias e dramas, Ancelot contribuiu para o cenário literário francês do século XIX com um corpo de trabalho que refletia os gostos e convenções da época. Sua escrita demonstra uma compreensão das convenções teatrais e uma habilidade em criar enredos envolventes para o público.

André Suarès

André Suarès foi um escritor, poeta e crítico francês, conhecido por seu estilo intenso e apaixonado e por sua exploração filosófica da arte e da vida. Nascido em Marselha em 1868, dedicou-se à literatura e à reflexão sobre a cultura europeia. Sua obra abrange ensaios, poesia e críticas, frequentemente focando em figuras históricas e artísticas. Suarès era um pensador original, cuja escrita é marcada por uma linguagem rica e um profundo questionamento existencial.

Miguel Leitão de Andrade

Miguel Leitão de Andrade foi um poeta português do século XVII, cuja obra se insere no período barroco. A sua poesia, marcada por um tom religioso e pela reflexão sobre a efemeridade da vida, reflete as preocupações espirituais e existenciais da sua época. Apesar de não ser tão proeminente como outros poetas barrocos, a sua obra possui méritos estéticos e temáticos que a tornam relevante para o estudo da literatura portuguesa desse período.

Louis Brauquier

Louis Brauquier foi um poeta e escritor francês conhecido por sua obra lírica e introspectiva. Sua poesia frequentemente explora temas de amor, natureza e a passagem do tempo, com uma linguagem rica e musical. Ele se destacou na cena literária por sua sensibilidade e pela profundidade de suas reflexões. Sua contribuição para a poesia francesa reside na capacidade de evocar emoções e paisagens com grande delicadeza. Brauquier deixou um legado de versos que continuam a ressoar com leitores que apreciam a beleza e a sinceridade na expressão poética.

Jan Heller Levi

Jan Heller Levi é uma poeta americana, conhecida por sua obra que frequentemente explora temas de fé, família, memória e a busca por significado em meio às complexidades da vida cotidiana. Sua poesia é marcada por uma voz lírica e introspectiva, com um forte senso de compaixão.

John Greenleaf Whittier

John Greenleaf Whittier foi um poeta e abolicionista americano, celebrado pelo seu verso lírico que frequentemente retratava a vida rural da Nova Inglaterra e defendia a reforma social. A sua poesia evocava fortes imagens da natureza, do lar e das estações em mudança, ressoando profundamente com os leitores. Um defensor convicto contra a escravatura, Whittier usou a sua plataforma literária para promover ideais abolicionistas, tornando a sua obra uma voz significativa no panorama moral e político da América do século XIX. O seu legado perdura através dos seus poemas evocativos e do seu compromisso com a justiça.

Aniversários da comunidade

6
José de Sottomayor

José António Peres de Sottomayor Poeta, Letrista e Compositor Autor da Letra da Música"Flor sem tempo"

O Silêncio ama o amor do Silêncio
José Cassais

Nascido em 1954, começou a escrever lá pelos 15 anos, depois de ler alguns livros que sua avó lhe emprestava.

AS SIRENES
wesleykibe

Um leve escritor...

Dilemas