Vinicius de Moraes
Autor do dia

Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, jornalista e compositor brasileiro, considerado um dos maiores expoentes da poesia lírica em língua portuguesa. Sua obra é marcada por um lirismo profundo, que explora temas como o amor, a beleza, a melancolia e o cotidiano, com uma linguagem acessível e musical. É também lembrado como um dos pais da Bossa Nova, tendo composto diversas canções que se tornaram clássicos da música popular brasileira.

Poema do dia

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Fernando Pessoa
Passei entre eles estrangeiro porém nenhum viu que eu o era. Vivi entre eles espião, e ninguém, nem eu, suspeitou que eu o fosse. Todos me tinham por parente: nenhum sabia que me haviam trocado à nascença. Assim fui igual aos outros sem semelhança, irmão de todos sem ser família.

Vinha de prodigiosas terras, de paisagens melhores que a vida, mas das terras nunca falei, senão comigo, e das paisagens, vistas se sonhava, nunca lhes dei notícia. Meus passos eram como os deles nos soalhos e nas lajes, mas o meu coração estava longe, ainda que batesse perto, senhor falso de um corpo desterrado e estranho.

Ninguém me conheceu sob a máscara da igualha, nem soube nunca que era máscara, porque ninguém sabia que neste mundo há mascarados. Ninguém supôs que ao pé de mim estivesse sempre outro, que afinal era eu. Julgaram-me sempre idêntico a mim.

Abrigaram-me as suas casas, as suas mãos apertaram a minha, viram-me passar na rua como se eu lá estivesse; mas quem sou não esteve nunca naquelas salas, quem vivo não tem mãos que os outros apertem, quem me conheço não tem ruas por onde passe, a não ser que sejam todas as ruas, nem que nelas o veja, a não ser que ele mesmo seja todos os outros.

Vivemos todos longínquos e anónimos; disfarçados, sofremos desconhecidos. A uns, porém, esta distância entre um ser e ele mesmo nunca se revela; para outros é de vez em quando iluminada, de horror ou de mágoa, por um relâmpago sem limites; mas outros ainda é essa a dolorosa constância e quotidianidade da vida.

Saber bem que quem somos não é connosco, que o que pensamos ou sentimos é sempre uma tradução, que o que queremos o não quisemos, nem porventura alguém o quis - saber tudo isto a cada minuto, sentir tudo isto em cada sentimento, não será isto ser estrangeiro na própria alma, exilado nas próprias sensações?

Mas a máscara, que estive fitando inerte, que falava à esquina com um homem sem máscara nesta noite de fim de Carnaval, por fim estendeu a mão e se despediu rindo. O homem natural seguiu à esquerda, pela travessa a cuja esquina estava. A máscara - dominó sem graça - caminhou em frente, afastando-se entre sombras e acasos de luzes, numa despedida definitiva e alheia ao que eu estava pensando. Só então reparei que havia mais na rua que os candeeiros acesos, e, a turvar onde eles não estavam, um lugar vago, oculto, mudo, cheio de nada como a vida.
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Nasceram neste dia

11
Mariana Ferreira

Mariana Ferreira é uma poeta contemporânea cuja obra se distingue pela sua capacidade de desconstruir narrativas estabelecidas e explorar a complexidade da identidade feminina e das relações humanas. A sua poesia, muitas vezes marcada por uma forte carga social e pela experimentação formal, convida à reflexão sobre o papel da mulher na sociedade e os desafios existenciais da contemporaneidade. A sua voz poética é simultaneamente íntima e interventiva.

Sonho e poesia
Rossini Corrêa

Rossini Corrêa é um poeta cuja obra se caracteriza pela exploração das paisagens interiores e exteriores, entrelaçando a memória, a identidade e a crítica social. A sua poesia, muitas vezes imersa num tom confessional e reflexivo, aborda temas como o tempo, a passagem da vida, as relações humanas e as complexidades do quotidiano. Com uma linguagem que conjuga a precisão vocabular com uma musicalidade intrínseca, Corrêa constrói versos que ressoam pela sua autenticidade e pela capacidade de evocar imagens vívidas. A sua obra é um convite à contemplação e à introspeção, desafiando o leitor a olhar para o mundo e para si mesmo com uma perspetiva renovada e sensível.

Movimento da Terra
João Moutinho

João Moutinho é um poeta cuja obra se insere no panorama da poesia portuguesa contemporânea, explorando a dimensão íntima e social da existência. A sua escrita revela uma atenção particular às pequenas coisas do quotidiano, transformando-as em matéria poética através de uma linguagem clara e direta. O poeta aborda temas como a memória, as relações humanas e a busca por sentido num mundo em constante mudança, convidando à reflexão sobre a vida e a sua complexidade.

Cais
Alfred Jarry

Alfred Jarry foi um escritor, dramaturgo, jornalista e poeta francês, mais conhecido por sua peça de 1896 "Ubu Roi". Ele é uma figura central do movimento simbolista e um precursor do surrealismo e do teatro do absurdo. Sua obra é caracterizada pelo humor negro, pela sátira social e por uma linguagem inovadora e provocadora. Jarry também é lembrado por sua vida excêntrica e por ter criado a figura de "Père Ubu", um personagem grotesco e tirânico que se tornou um ícone da literatura moderna.

Ludovico Ariosto

Ludovico Ariosto foi um poeta e dramaturgo italiano do Renascimento. Ele é mais famoso por sua epopeia "Orlando Furioso", um poema de cavalaria que se tornou uma das obras mais influentes da literatura italiana. Sua obra é conhecida por sua complexidade, humor e imaginação.

Frédéric Mistral

Frédéric Mistral foi um poeta e lexicógrafo francês, figura central do movimento Félibrige, que visava a revitalização e promoção da língua e cultura provençal. Sua obra poética, escrita em provençal, celebrou a terra, as tradições e o modo de vida do sul da França, ganhando reconhecimento internacional, inclusive o Prêmio Nobel de Literatura. Mistral dedicou sua vida à defesa do occitano, compilando um vocabulário monumental e incentivando o uso da língua em diversas esferas. Sua poesia é marcada por um forte sentimento de identidade regional, paisagens bucólicas e um amor profundo por sua terra natal, consolidando-o como um dos mais importantes defensores das culturas minoritárias e da diversidade linguística.

Cristóvão de Aguiar

Cristóvão de Aguiar é um nome associado à poesia portuguesa, com uma obra que explora a profundidade da experiência humana através de uma linguagem rica e evocativa. A sua poesia distingue-se pela reflexão sobre temas como a passagem do tempo, a natureza e a busca por um sentido mais profundo na existência. Com um estilo que conjuga a tradição com a modernidade, Aguiar constrói versos que ressoam com a sensibilidade do leitor, convidando a um mergulho introspectivo e à contemplação. A sua obra é um testemunho da força da palavra poética em expressar as complexidades da alma humana.

Isabel de Sá

Isabel de Sá é uma escritora e poeta portuguesa, conhecida pela sua prosa lírica e pela profundidade com que aborda as relações humanas e a condição feminina. A sua obra é frequentemente marcada por uma sensibilidade aguçada, explorando temas como a memória, a identidade e a passagem do tempo, com uma linguagem cuidada e imagética. Ao longo da sua carreira, tem vindo a consolidar um espaço singular na literatura contemporânea, com textos que convidam à reflexão e à introspeção sobre as complexidades da vida.

Jack Prelutsky

Jack Prelutsky foi um prolífico poeta infantil americano, conhecido pelos seus versos caprichosos e muitas vezes humorísticos que cativaram a imaginação dos jovens leitores. Os seus poemas exploraram frequentemente as absurdidades da infância, as alegrias dos animais e as maravilhas simples da vida quotidiana. Com um uso lúdico da linguagem e uma profunda compreensão das perspetivas das crianças, Prelutsky tornou-se um dos poetas para crianças mais amados e bem-sucedidos dos últimos tempos.

Siegfried Sassoon

Siegfried Sassoon foi um poeta e soldado inglês, aclamado pela sua poesia de guerra crua e muitas vezes brutal escrita durante a Primeira Guerra Mundial. A sua obra retratou vividamente os horrores da guerra de trincheiras, contrastando fortemente com o fervor patriótico da época. Os poemas de Sassoon caracterizam-se pela sua franqueza, raiva e profundo sentimento de desilusão, tornando-o uma voz proeminente contra a romantização do conflito. Mais tarde, explorou temas de perda, fé e as complexidades das relações humanas nos seus escritos pós-guerra.

Rafael Cadenas

Rafael Cadenas é um poeta, ensaísta e crítico venezuelano, considerado uma das vozes mais importantes da poesia contemporânea em língua espanhola. A sua obra caracteriza-se por uma profunda reflexão sobre a existência, o tempo, a memória e a condição humana, frequentemente tingida por uma melancolia serena e uma lucidez comovente. Através de uma linguagem depurada e uma aparente simplicidade, Cadenas consegue abordar as grandes questões da vida com uma agudeza intelectual e uma sensibilidade excecionais, consolidando-se como um referente indispensável para a compreensão da poesia atual.

Morreram neste dia

6
Eliane Stoducto

Eliane Stoducto é uma escritora cuja obra se destaca pela exploração de temas como a memória, a identidade e a relação do indivíduo com o espaço e o tempo. A sua escrita caracteriza-se por uma linguagem cuidada e por uma sensibilidade apurada na abordagem de paisagens interiores e exteriores. A sua poesia e prosa convidam à reflexão sobre a condição humana e a busca por sentido num mundo em constante mutação.

Pororocas
Bandeira Tribuzi

Bandeira Tribuzi foi um poeta, ensaísta e professor brasileiro, figura proeminente da poesia contemporânea. A sua obra caracteriza-se pela exploração de temas existenciais, a relação do homem com a cidade e a natureza, e a reflexão sobre a linguagem e a arte. Com uma poesia densa, que transita entre o lirismo e a reflexão filosófica, Tribuzi aborda a complexidade da experiência humana num mundo em constante transformação. Destacou-se também pela sua atividade académica e pela sua intervenção crítica.

1927 - 1977
Francisco de Quevedo

Francisco de Quevedo y Villegas (1580-1645) foi um dos maiores poetas e prosadores da literatura espanhola do Século de Ouro. Conhecido por seu estilo satírico, engenhoso e muitas vezes sombrio, Quevedo dominou uma vasta gama de gêneros literários, desde a poesia lírica e filosófica até a prosa satírica e política. Sua obra reflete uma visão cínica e realista da sociedade de seu tempo, marcada pela crítica social e pela exploração dos temas da morte, do tempo e da condição humana. Quevedo é celebrado por sua mestria com a língua espanhola, seu uso de neologismos e sua capacidade de criar imagens vívidas e impactantes.

Moreira das Neves

Moreira das Neves foi um poeta cuja obra se destaca pela sua introspeção e pela exploração de temas existenciais. A sua escrita caracteriza-se por uma linguagem cuidada e por uma sensibilidade apurada, captando as nuances da alma humana e a complexidade do mundo. Embora a sua produção poética possa não ter alcançado uma vasta popularidade, a sua obra representa um valioso testemunho da poesia portuguesa, marcada por uma profunda reflexão sobre a vida, o tempo e a condição humana. A sua contribuição literária, ainda que discreta em termos de notoriedade, é apreciada pela sua autenticidade e pela sua qualidade estética.

José María Millares

José María Millares foi um poeta e escritor espanhol, associado à geração de poetas do pós-guerra. Sua obra é marcada por um tom melancólico e reflexivo, explorando a solidão, o amor e a busca por sentido em um mundo muitas vezes hostil. Ele é reconhecido por sua contribuição à poesia espanhola do século XX.

Aniversários da comunidade

9
Carolina Caetano

Eu sou todas as coisas que podem existir. Tudo que pode haver em aí. Eu sou tudo que vejo, e tudo que toco parece alheio demais a mim. Eu sou alheia a mim: uma seta apontando meu rosto. Eu sou a seta, não o rosto.

Postal à pedra
lucaslopes

Um ser pequeno e que busca as auroras das manhãs, enquanto vive uma vida que apesar das dificuldades, é maravilhosa quanto a sua magnitude de possibilidades.

Cantares