Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Virgílio Martinho
A Luz Encarnada
A luz encarnada é o proibido
Na cidade povoada de fendas.
A luz encarnada é o pigmento
Dos rostos tintados de cólera.
A luz encarnada é a corrida Sade,
Explosão sem princípio nem fim.
A luz encarnada é o meu amor assim,
Visão que às vezes é peixe galo.
A luz encarnada é o sangue da cabra
Imolada no altar da capela papal.
A luz encarnada é o homem na cruz,
Sonho antigo para se morrer santo.
A luz encarnada é o devasso nu
Erecto no horizonte dos ventres.
A luz encarnada é a erva daninha
Que tudo envenena com seu hálito.
A luz encarnada é o gás letal
Na câmara escura da inocência.
A luz encarnada é a praga do sangue
Que bolça dos ouvidos da criança.
Veio ao mundo havia uma guerra grega,
Havia também um olho cor de âmbar,
Farol da máquina macho de Jarry.
Só não havia o meu amor assim.
Na cidade povoada de fendas.
A luz encarnada é o pigmento
Dos rostos tintados de cólera.
A luz encarnada é a corrida Sade,
Explosão sem princípio nem fim.
A luz encarnada é o meu amor assim,
Visão que às vezes é peixe galo.
A luz encarnada é o sangue da cabra
Imolada no altar da capela papal.
A luz encarnada é o homem na cruz,
Sonho antigo para se morrer santo.
A luz encarnada é o devasso nu
Erecto no horizonte dos ventres.
A luz encarnada é a erva daninha
Que tudo envenena com seu hálito.
A luz encarnada é o gás letal
Na câmara escura da inocência.
A luz encarnada é a praga do sangue
Que bolça dos ouvidos da criança.
Veio ao mundo havia uma guerra grega,
Havia também um olho cor de âmbar,
Farol da máquina macho de Jarry.
Só não havia o meu amor assim.
1 079
Virgílio Martinho
A Luz Encarnada
A luz encarnada é o proibido
Na cidade povoada de fendas.
A luz encarnada é o pigmento
Dos rostos tintados de cólera.
A luz encarnada é a corrida Sade,
Explosão sem princípio nem fim.
A luz encarnada é o meu amor assim,
Visão que às vezes é peixe galo.
A luz encarnada é o sangue da cabra
Imolada no altar da capela papal.
A luz encarnada é o homem na cruz,
Sonho antigo para se morrer santo.
A luz encarnada é o devasso nu
Erecto no horizonte dos ventres.
A luz encarnada é a erva daninha
Que tudo envenena com seu hálito.
A luz encarnada é o gás letal
Na câmara escura da inocência.
A luz encarnada é a praga do sangue
Que bolça dos ouvidos da criança.
Veio ao mundo havia uma guerra grega,
Havia também um olho cor de âmbar,
Farol da máquina macho de Jarry.
Só não havia o meu amor assim.
Na cidade povoada de fendas.
A luz encarnada é o pigmento
Dos rostos tintados de cólera.
A luz encarnada é a corrida Sade,
Explosão sem princípio nem fim.
A luz encarnada é o meu amor assim,
Visão que às vezes é peixe galo.
A luz encarnada é o sangue da cabra
Imolada no altar da capela papal.
A luz encarnada é o homem na cruz,
Sonho antigo para se morrer santo.
A luz encarnada é o devasso nu
Erecto no horizonte dos ventres.
A luz encarnada é a erva daninha
Que tudo envenena com seu hálito.
A luz encarnada é o gás letal
Na câmara escura da inocência.
A luz encarnada é a praga do sangue
Que bolça dos ouvidos da criança.
Veio ao mundo havia uma guerra grega,
Havia também um olho cor de âmbar,
Farol da máquina macho de Jarry.
Só não havia o meu amor assim.
1 079
Afonso Mendes de Besteiros
Oimais Quer'eu Punhar de Me Partir
Oimais quer'eu punhar de me partir
daqueste mund', e farei gram razom,
poilo leixou a mia senhor, e nom
pud'i viver e fui alhur guarir.
E por esto quer'eu, por seu amor,
leixá'lo mundo falso, traedor,
desemparado, que me foi falir.
E nom haverá pois quen'o servir
com'eu servi, nem tam longa sazom;
e ficará desemparad'entom,
pois m'end'eu for, que mia senhor fez ir.
E pois que já nom há prez nem valor
eno mundo d'u se foi mia senhor,
Deus me cofonda se eu i guarir!
E pois que eu i mia senhor nom vir,
e vir as outras que no mundo som,
nom me podia dar o coraçom
de ficar i. E por vos nom mentir,
quero-m'end'ir; e pois que m'end'eu for
daqueste mundo, que est a peor
cousa que sei, querrei-me del riir!
daqueste mund', e farei gram razom,
poilo leixou a mia senhor, e nom
pud'i viver e fui alhur guarir.
E por esto quer'eu, por seu amor,
leixá'lo mundo falso, traedor,
desemparado, que me foi falir.
E nom haverá pois quen'o servir
com'eu servi, nem tam longa sazom;
e ficará desemparad'entom,
pois m'end'eu for, que mia senhor fez ir.
E pois que já nom há prez nem valor
eno mundo d'u se foi mia senhor,
Deus me cofonda se eu i guarir!
E pois que eu i mia senhor nom vir,
e vir as outras que no mundo som,
nom me podia dar o coraçom
de ficar i. E por vos nom mentir,
quero-m'end'ir; e pois que m'end'eu for
daqueste mundo, que est a peor
cousa que sei, querrei-me del riir!
494
Afonso Mendes de Besteiros
Oimais Quer'eu Punhar de Me Partir
Oimais quer'eu punhar de me partir
daqueste mund', e farei gram razom,
poilo leixou a mia senhor, e nom
pud'i viver e fui alhur guarir.
E por esto quer'eu, por seu amor,
leixá'lo mundo falso, traedor,
desemparado, que me foi falir.
E nom haverá pois quen'o servir
com'eu servi, nem tam longa sazom;
e ficará desemparad'entom,
pois m'end'eu for, que mia senhor fez ir.
E pois que já nom há prez nem valor
eno mundo d'u se foi mia senhor,
Deus me cofonda se eu i guarir!
E pois que eu i mia senhor nom vir,
e vir as outras que no mundo som,
nom me podia dar o coraçom
de ficar i. E por vos nom mentir,
quero-m'end'ir; e pois que m'end'eu for
daqueste mundo, que est a peor
cousa que sei, querrei-me del riir!
daqueste mund', e farei gram razom,
poilo leixou a mia senhor, e nom
pud'i viver e fui alhur guarir.
E por esto quer'eu, por seu amor,
leixá'lo mundo falso, traedor,
desemparado, que me foi falir.
E nom haverá pois quen'o servir
com'eu servi, nem tam longa sazom;
e ficará desemparad'entom,
pois m'end'eu for, que mia senhor fez ir.
E pois que já nom há prez nem valor
eno mundo d'u se foi mia senhor,
Deus me cofonda se eu i guarir!
E pois que eu i mia senhor nom vir,
e vir as outras que no mundo som,
nom me podia dar o coraçom
de ficar i. E por vos nom mentir,
quero-m'end'ir; e pois que m'end'eu for
daqueste mundo, que est a peor
cousa que sei, querrei-me del riir!
494
Afonso Mendes de Besteiros
Cativ'! E Sempre Cuidarei?
Cativ'! E sempre cuidarei?
E cuido, se Deus mi perdom!
Ar cuido no meu coraçom
que já per cuidar morrerei;
e cuido muit'em mia senhor,
ar cuid'em haver seu amor.
[...]
E cuido, se Deus mi perdom!
Ar cuido no meu coraçom
que já per cuidar morrerei;
e cuido muit'em mia senhor,
ar cuid'em haver seu amor.
[...]
649
Afonso Mendes de Besteiros
Cativ'! E Sempre Cuidarei?
Cativ'! E sempre cuidarei?
E cuido, se Deus mi perdom!
Ar cuido no meu coraçom
que já per cuidar morrerei;
e cuido muit'em mia senhor,
ar cuid'em haver seu amor.
[...]
E cuido, se Deus mi perdom!
Ar cuido no meu coraçom
que já per cuidar morrerei;
e cuido muit'em mia senhor,
ar cuid'em haver seu amor.
[...]
649
Virgílio Martinho
A Cerveja Sabe
Preciso de cerveja para viver o poema,
da hora tardia para não ser o outro eu,
preciso de ouvir palavras dentro de mim
e de estar só como a estátua do jardim.
Comecei assim, pelo fim das coisas,
digo, no termo da vida, a cerveja sabe,
não há guerreiro, não há Virgílio,
há a morte como um espanto esperado.
Quando te bebo vejo o pero encarnado,
monto as cenas no palco inventado,
alinho-as uma a uma, são pedras erectas,
são soluços, silêncios, portas fechadas.
Escrever, disseram-me, é não ver quem vive,
é percorrer uma estrada com bicos,
apostar no cavalo alado, com chumbo na asa,
é ter nos lábios a guerra murmurada.
Preciso de cerveja, falo claro, sou eu,
apenas isto, num mundo de surpresas,
temporal inesperado, casa destruída,
flor escarlate, vegetal com cabeça.
Deslumbrado olho o corpo da esfinge,
suponho o arquitecto, deito-me na duna,
detesto a cadeira, odeio a cinza,
no dia em que bebo sento-me à espera.
da hora tardia para não ser o outro eu,
preciso de ouvir palavras dentro de mim
e de estar só como a estátua do jardim.
Comecei assim, pelo fim das coisas,
digo, no termo da vida, a cerveja sabe,
não há guerreiro, não há Virgílio,
há a morte como um espanto esperado.
Quando te bebo vejo o pero encarnado,
monto as cenas no palco inventado,
alinho-as uma a uma, são pedras erectas,
são soluços, silêncios, portas fechadas.
Escrever, disseram-me, é não ver quem vive,
é percorrer uma estrada com bicos,
apostar no cavalo alado, com chumbo na asa,
é ter nos lábios a guerra murmurada.
Preciso de cerveja, falo claro, sou eu,
apenas isto, num mundo de surpresas,
temporal inesperado, casa destruída,
flor escarlate, vegetal com cabeça.
Deslumbrado olho o corpo da esfinge,
suponho o arquitecto, deito-me na duna,
detesto a cadeira, odeio a cinza,
no dia em que bebo sento-me à espera.
1 096
Virgílio Martinho
A Cerveja Sabe
Preciso de cerveja para viver o poema,
da hora tardia para não ser o outro eu,
preciso de ouvir palavras dentro de mim
e de estar só como a estátua do jardim.
Comecei assim, pelo fim das coisas,
digo, no termo da vida, a cerveja sabe,
não há guerreiro, não há Virgílio,
há a morte como um espanto esperado.
Quando te bebo vejo o pero encarnado,
monto as cenas no palco inventado,
alinho-as uma a uma, são pedras erectas,
são soluços, silêncios, portas fechadas.
Escrever, disseram-me, é não ver quem vive,
é percorrer uma estrada com bicos,
apostar no cavalo alado, com chumbo na asa,
é ter nos lábios a guerra murmurada.
Preciso de cerveja, falo claro, sou eu,
apenas isto, num mundo de surpresas,
temporal inesperado, casa destruída,
flor escarlate, vegetal com cabeça.
Deslumbrado olho o corpo da esfinge,
suponho o arquitecto, deito-me na duna,
detesto a cadeira, odeio a cinza,
no dia em que bebo sento-me à espera.
da hora tardia para não ser o outro eu,
preciso de ouvir palavras dentro de mim
e de estar só como a estátua do jardim.
Comecei assim, pelo fim das coisas,
digo, no termo da vida, a cerveja sabe,
não há guerreiro, não há Virgílio,
há a morte como um espanto esperado.
Quando te bebo vejo o pero encarnado,
monto as cenas no palco inventado,
alinho-as uma a uma, são pedras erectas,
são soluços, silêncios, portas fechadas.
Escrever, disseram-me, é não ver quem vive,
é percorrer uma estrada com bicos,
apostar no cavalo alado, com chumbo na asa,
é ter nos lábios a guerra murmurada.
Preciso de cerveja, falo claro, sou eu,
apenas isto, num mundo de surpresas,
temporal inesperado, casa destruída,
flor escarlate, vegetal com cabeça.
Deslumbrado olho o corpo da esfinge,
suponho o arquitecto, deito-me na duna,
detesto a cadeira, odeio a cinza,
no dia em que bebo sento-me à espera.
1 096
Virgílio Martinho
Viver Amarelo
Um dia descobri uma cidade amarela
Com dois cubos no começo e no fim,
No primeiro havia uma estátua cega,
No segundo um tigre real alado.
Percorri as ruas havia tristeza,
Visitei os jardins não havia maçãs,
Só havia um animal livre hiante,
Tanto que era um lobo uivante.
Os prédios eram como almas alinhadas,
Respiravam arfantes como o fole respira,
Em vez de janelas tinham olhos cegos,
Em vez de portas tinham bocas cerradas.
No palácio da cidade o eco sussurrante
De livros esfarrapados a vogarem soltos,
Não mais que indícios, um nevoeiro,
Fumo que pairava num mundo amarelo.
Para não ser diferente pintei o rosto,
E tudo ficou igual, da cor do doce mel,
Comigo a estátua cega, o tigre alado,
Comigo o lobo uivante, o sono eternal.
Com dois cubos no começo e no fim,
No primeiro havia uma estátua cega,
No segundo um tigre real alado.
Percorri as ruas havia tristeza,
Visitei os jardins não havia maçãs,
Só havia um animal livre hiante,
Tanto que era um lobo uivante.
Os prédios eram como almas alinhadas,
Respiravam arfantes como o fole respira,
Em vez de janelas tinham olhos cegos,
Em vez de portas tinham bocas cerradas.
No palácio da cidade o eco sussurrante
De livros esfarrapados a vogarem soltos,
Não mais que indícios, um nevoeiro,
Fumo que pairava num mundo amarelo.
Para não ser diferente pintei o rosto,
E tudo ficou igual, da cor do doce mel,
Comigo a estátua cega, o tigre alado,
Comigo o lobo uivante, o sono eternal.
964
Virgílio Martinho
Viver Amarelo
Um dia descobri uma cidade amarela
Com dois cubos no começo e no fim,
No primeiro havia uma estátua cega,
No segundo um tigre real alado.
Percorri as ruas havia tristeza,
Visitei os jardins não havia maçãs,
Só havia um animal livre hiante,
Tanto que era um lobo uivante.
Os prédios eram como almas alinhadas,
Respiravam arfantes como o fole respira,
Em vez de janelas tinham olhos cegos,
Em vez de portas tinham bocas cerradas.
No palácio da cidade o eco sussurrante
De livros esfarrapados a vogarem soltos,
Não mais que indícios, um nevoeiro,
Fumo que pairava num mundo amarelo.
Para não ser diferente pintei o rosto,
E tudo ficou igual, da cor do doce mel,
Comigo a estátua cega, o tigre alado,
Comigo o lobo uivante, o sono eternal.
Com dois cubos no começo e no fim,
No primeiro havia uma estátua cega,
No segundo um tigre real alado.
Percorri as ruas havia tristeza,
Visitei os jardins não havia maçãs,
Só havia um animal livre hiante,
Tanto que era um lobo uivante.
Os prédios eram como almas alinhadas,
Respiravam arfantes como o fole respira,
Em vez de janelas tinham olhos cegos,
Em vez de portas tinham bocas cerradas.
No palácio da cidade o eco sussurrante
De livros esfarrapados a vogarem soltos,
Não mais que indícios, um nevoeiro,
Fumo que pairava num mundo amarelo.
Para não ser diferente pintei o rosto,
E tudo ficou igual, da cor do doce mel,
Comigo a estátua cega, o tigre alado,
Comigo o lobo uivante, o sono eternal.
964
Virgílio Martinho
Viver Amarelo
Um dia descobri uma cidade amarela
Com dois cubos no começo e no fim,
No primeiro havia uma estátua cega,
No segundo um tigre real alado.
Percorri as ruas havia tristeza,
Visitei os jardins não havia maçãs,
Só havia um animal livre hiante,
Tanto que era um lobo uivante.
Os prédios eram como almas alinhadas,
Respiravam arfantes como o fole respira,
Em vez de janelas tinham olhos cegos,
Em vez de portas tinham bocas cerradas.
No palácio da cidade o eco sussurrante
De livros esfarrapados a vogarem soltos,
Não mais que indícios, um nevoeiro,
Fumo que pairava num mundo amarelo.
Para não ser diferente pintei o rosto,
E tudo ficou igual, da cor do doce mel,
Comigo a estátua cega, o tigre alado,
Comigo o lobo uivante, o sono eternal.
Com dois cubos no começo e no fim,
No primeiro havia uma estátua cega,
No segundo um tigre real alado.
Percorri as ruas havia tristeza,
Visitei os jardins não havia maçãs,
Só havia um animal livre hiante,
Tanto que era um lobo uivante.
Os prédios eram como almas alinhadas,
Respiravam arfantes como o fole respira,
Em vez de janelas tinham olhos cegos,
Em vez de portas tinham bocas cerradas.
No palácio da cidade o eco sussurrante
De livros esfarrapados a vogarem soltos,
Não mais que indícios, um nevoeiro,
Fumo que pairava num mundo amarelo.
Para não ser diferente pintei o rosto,
E tudo ficou igual, da cor do doce mel,
Comigo a estátua cega, o tigre alado,
Comigo o lobo uivante, o sono eternal.
964
Afonso Mendes de Besteiros
Já Lhi Nunca Pediram
Já lhi nunca pediram
o castel'a Dom Foam;
ca nom tinha el de pam
senom quanto queria;
e foi-o vender, de pram,
com mínguas que havia.
Por que lh'ides [a]poer
culpa [por] non'[o] teer?
Ca nom tinha que comer
senom quanto queria;
e foi-o entom vender
com mínguas que havia.
Travam-lhi mui sem razom
a home de tal coraçom:
"Em fronteira de Leon",
diz, "com quen'o terria?"
E foi-o vender entom
com mínguas que havia.
Dizem que lh'a el mais val
esto que diz, ca nom al:
"Em cabo de Portugal",
diz, "com quen'o terria?"
E vende[u]-o entom mal
com mínguas que havia.
o castel'a Dom Foam;
ca nom tinha el de pam
senom quanto queria;
e foi-o vender, de pram,
com mínguas que havia.
Por que lh'ides [a]poer
culpa [por] non'[o] teer?
Ca nom tinha que comer
senom quanto queria;
e foi-o entom vender
com mínguas que havia.
Travam-lhi mui sem razom
a home de tal coraçom:
"Em fronteira de Leon",
diz, "com quen'o terria?"
E foi-o vender entom
com mínguas que havia.
Dizem que lh'a el mais val
esto que diz, ca nom al:
"Em cabo de Portugal",
diz, "com quen'o terria?"
E vende[u]-o entom mal
com mínguas que havia.
933
Virgílio Martinho
A Noite Sabe
Preciso da noite para ser poema,
da hora tardia para ser o outro eu,
da palavra emergir dentro de mim,
de estar só como a estátua do jardim.
Tarde comecei, pelo fim dos meus dias,
digo, no termo da viagem, a noite sabe,
o Virgílio branqueou, o guerreiro foi-se,
no túnel a morte é o sinal esperado.
Na noite vejo a maçã encarnada,
polposa na fruteira, cofre de memórias,
saindo uma a uma, visões, imagens
rostos diluídos, são antigas histórias.
Sei, recordar é não ver quem vive
é percorrer gastos empedrados
apostar errado, perder
da hora tardia para ser o outro eu,
da palavra emergir dentro de mim,
de estar só como a estátua do jardim.
Tarde comecei, pelo fim dos meus dias,
digo, no termo da viagem, a noite sabe,
o Virgílio branqueou, o guerreiro foi-se,
no túnel a morte é o sinal esperado.
Na noite vejo a maçã encarnada,
polposa na fruteira, cofre de memórias,
saindo uma a uma, visões, imagens
rostos diluídos, são antigas histórias.
Sei, recordar é não ver quem vive
é percorrer gastos empedrados
apostar errado, perder
949
Afonso Lopes de Baião
O Meu Senhor [Deus] Me Guisou
O meu Senhor [Deus] me guisou
de sempr'eu já coita sofrer,
enquanto no mundo viver,
u m'El atal dona mostrou
que me fez filhar por senhor,
e nom lh'ouso dizer "senhor".
E se Deus houve gram prazer
de me fazer coita levar,
que bem s'end'El soube guisar
u m'El fez tal dona veer,
que me fez filhar por senhor,
e nom lh'ouso dizer "senhor".
Se m'eu a Deus mal mereci,
nom vos quis El muito tardar
que se nom quisesse vingar
de mi, u eu tal dona vi
que me fez filhar por senhor,
e nom lh'ouso dizer "senhor".
de sempr'eu já coita sofrer,
enquanto no mundo viver,
u m'El atal dona mostrou
que me fez filhar por senhor,
e nom lh'ouso dizer "senhor".
E se Deus houve gram prazer
de me fazer coita levar,
que bem s'end'El soube guisar
u m'El fez tal dona veer,
que me fez filhar por senhor,
e nom lh'ouso dizer "senhor".
Se m'eu a Deus mal mereci,
nom vos quis El muito tardar
que se nom quisesse vingar
de mi, u eu tal dona vi
que me fez filhar por senhor,
e nom lh'ouso dizer "senhor".
816
Baltazar Dias
História da Imperatriz Porcina
Como a noite foi chegada
às horas que anoitecia,
manda que seja levada
por dois homens de valia;
com ela, duas mulheres,
para ir em companhia
para que fosse guardada
sua honra como devia.
Em um navio veleiro,
a Imperatriz se metia
com lágrimas de seus olhos
da terra se despedia.
Chegaram à dita ilha,
à noite do outro dia,
a princesa deixam em terra
com grão choro em demasia.
Tornaram-se com o navio
porque assim fazer cumpria.
Quando a nobre imperatriz
em tal lugar só se via
numa ilha tão deserta,
onde ninguém não vivia
senão bravos animais
de que ela manjar seria,
chorando lágrimas tristes
desta maneira dizia:
― Ó meu nobre Imperador
meu bem e minha alegria
não pouca é vossa lembrança
de quem tanto vos queria.
Quão pouco tempo durou
vossa doce companhia!
Sempre cuidei de vos ver,
algum tempo ou algum dia,
agora por meus pecados,
eu mais nunca vos veria.
Deus perdôe a vosso irmão,
a Virgem Sancta Maria,
que eu lhe perdôo aqui
todo o mal que me fazia.
Ó Senhor, e ó meu pai,
Príncipe e Rei da Ungria,
quão triste vida será
a vossa, sem alegria,
em ouvindo tão má fama
que em Roma de mim corria!
Mais sinto vosso pezar,
que minha grande agonia,
porque morrerei uma vez,
vós morrereis cada dia.
A vossa desonra sinto,
que a morte não a temia;
porque mais há-de temer
que tão sem culpa, morria.
Estas palavras dizendo
mui grande ruido ouvia,
tão terrível e espantoso
que sofrer-se não podia,
Ouvindo isto a Senhora
a força lhe falecia,
como era delicada,
Estes eram animais
em terra logo caía
de muitos que na terra havia,
que tanto que a sentiram
com gram pressa em demasia,
correram para a comerem
cada um qual mais podia.
Antes que a ela chegassem
um resplendor aparecia.
Ficaram todos quedos,
com o temor de uma Senhora
de quem o inferno tremia,
logo vinha com majestade
a Virgem Santa Maria,
para guardar a limpeza
de quem se a ela recorria.
às horas que anoitecia,
manda que seja levada
por dois homens de valia;
com ela, duas mulheres,
para ir em companhia
para que fosse guardada
sua honra como devia.
Em um navio veleiro,
a Imperatriz se metia
com lágrimas de seus olhos
da terra se despedia.
Chegaram à dita ilha,
à noite do outro dia,
a princesa deixam em terra
com grão choro em demasia.
Tornaram-se com o navio
porque assim fazer cumpria.
Quando a nobre imperatriz
em tal lugar só se via
numa ilha tão deserta,
onde ninguém não vivia
senão bravos animais
de que ela manjar seria,
chorando lágrimas tristes
desta maneira dizia:
― Ó meu nobre Imperador
meu bem e minha alegria
não pouca é vossa lembrança
de quem tanto vos queria.
Quão pouco tempo durou
vossa doce companhia!
Sempre cuidei de vos ver,
algum tempo ou algum dia,
agora por meus pecados,
eu mais nunca vos veria.
Deus perdôe a vosso irmão,
a Virgem Sancta Maria,
que eu lhe perdôo aqui
todo o mal que me fazia.
Ó Senhor, e ó meu pai,
Príncipe e Rei da Ungria,
quão triste vida será
a vossa, sem alegria,
em ouvindo tão má fama
que em Roma de mim corria!
Mais sinto vosso pezar,
que minha grande agonia,
porque morrerei uma vez,
vós morrereis cada dia.
A vossa desonra sinto,
que a morte não a temia;
porque mais há-de temer
que tão sem culpa, morria.
Estas palavras dizendo
mui grande ruido ouvia,
tão terrível e espantoso
que sofrer-se não podia,
Ouvindo isto a Senhora
a força lhe falecia,
como era delicada,
Estes eram animais
em terra logo caía
de muitos que na terra havia,
que tanto que a sentiram
com gram pressa em demasia,
correram para a comerem
cada um qual mais podia.
Antes que a ela chegassem
um resplendor aparecia.
Ficaram todos quedos,
com o temor de uma Senhora
de quem o inferno tremia,
logo vinha com majestade
a Virgem Santa Maria,
para guardar a limpeza
de quem se a ela recorria.
976
Virgílio Martinho
Estar Longe do Verde Prado
Estar longe do verde prado
onde as vacas ruminam ais.
Estar longe da égua ciosa
que corre veloz nos pinhais.
Estar longe, cada vez mais,
da laranja que verteu sumo.
Estar longe do por onde vais,
que tudo, mas tudo, acabou fumo.
onde as vacas ruminam ais.
Estar longe da égua ciosa
que corre veloz nos pinhais.
Estar longe, cada vez mais,
da laranja que verteu sumo.
Estar longe do por onde vais,
que tudo, mas tudo, acabou fumo.
941
Virgílio Martinho
Estar Longe do Verde Prado
Estar longe do verde prado
onde as vacas ruminam ais.
Estar longe da égua ciosa
que corre veloz nos pinhais.
Estar longe, cada vez mais,
da laranja que verteu sumo.
Estar longe do por onde vais,
que tudo, mas tudo, acabou fumo.
onde as vacas ruminam ais.
Estar longe da égua ciosa
que corre veloz nos pinhais.
Estar longe, cada vez mais,
da laranja que verteu sumo.
Estar longe do por onde vais,
que tudo, mas tudo, acabou fumo.
941
Baltazar Dias
Auto do Nascimento
VELHA:
Praza deos que má doença
e que má dor despinhela
mau quebranto de canela
má caganeira e corença
mau inchaço de guela;
má caidura de sela
mau couce de ferradura,
má febre e má quentura,
má dentada de cadela.
Má dor de gota coral
e de pedra e de virilha,
e mau vinho, com mau sal
e má sardinha de pilha
que te faça embebedar.
E má cor de ourinar
que te falte na bexiga
e mau frio na barriga
mau quebranto no padar,
mau trabalho, má fadiga.
Hua velha amargurada
que anda em vias de parir,
com a barriga pejada
diz que por força há-de ir
por tal neve e tal geada.
Má dor de praga raivada
venha pelo Imperador,
pois tal costume quis pôr
má corença abreviada
lhe entre no salvanor.
Que farei triste, coitada
com tal trabalho e marteiro,
má dor de gata escaldada
lhe atravesse o pousadeiro,
permeta da comiada.
Mau inchaco de queixada
má dor de dente queixal,
mal trabalho corporal
que lhe entre na buchada
que o môa como sal.
Quero me ora assentar
que já me não posso ter,
e a quem me assim faz cansar
inda o veja deitar
para nunca mais se erguer.
Que não abasta inscrever
senão pagar-lhe tributo
os que não têm que comer;
mau proveito e mau fruito,
lhe faça quanto tiver.
Hir-se-á a Velha e entra Nossa Senhora e Joseph e diz:
NOSSA SENHORA
Meu esposo mui amado
se a vós vos parece bem
pelo que está ordenado
eu tenho determinado
que vamos nós a Belém.
Bem sabeis que nos convém
de irmos a obedecer
a César e seu poder,
pois que não fica ninguém
que se não vá inscrever.
E, portanto, ordenemos
esposo, de caminhar,
e, também determinemos
do tributo lhe pagar
desta pobreza que temos.
JOSEPH
Senhora, mui bem faremos
mas de que se pagará?
NOSSA SENHORA
O nosso boi venderemos
que depois Deus nos dará
com que nos remediemos.
JOSEPH
Senhora, pois assim é,
vamos, não tardemos nada;
mas é comprida jornada,
não podereis ir a pé,
porque estais muito pejada.
Praza deos que má doença
e que má dor despinhela
mau quebranto de canela
má caganeira e corença
mau inchaço de guela;
má caidura de sela
mau couce de ferradura,
má febre e má quentura,
má dentada de cadela.
Má dor de gota coral
e de pedra e de virilha,
e mau vinho, com mau sal
e má sardinha de pilha
que te faça embebedar.
E má cor de ourinar
que te falte na bexiga
e mau frio na barriga
mau quebranto no padar,
mau trabalho, má fadiga.
Hua velha amargurada
que anda em vias de parir,
com a barriga pejada
diz que por força há-de ir
por tal neve e tal geada.
Má dor de praga raivada
venha pelo Imperador,
pois tal costume quis pôr
má corença abreviada
lhe entre no salvanor.
Que farei triste, coitada
com tal trabalho e marteiro,
má dor de gata escaldada
lhe atravesse o pousadeiro,
permeta da comiada.
Mau inchaco de queixada
má dor de dente queixal,
mal trabalho corporal
que lhe entre na buchada
que o môa como sal.
Quero me ora assentar
que já me não posso ter,
e a quem me assim faz cansar
inda o veja deitar
para nunca mais se erguer.
Que não abasta inscrever
senão pagar-lhe tributo
os que não têm que comer;
mau proveito e mau fruito,
lhe faça quanto tiver.
Hir-se-á a Velha e entra Nossa Senhora e Joseph e diz:
NOSSA SENHORA
Meu esposo mui amado
se a vós vos parece bem
pelo que está ordenado
eu tenho determinado
que vamos nós a Belém.
Bem sabeis que nos convém
de irmos a obedecer
a César e seu poder,
pois que não fica ninguém
que se não vá inscrever.
E, portanto, ordenemos
esposo, de caminhar,
e, também determinemos
do tributo lhe pagar
desta pobreza que temos.
JOSEPH
Senhora, mui bem faremos
mas de que se pagará?
NOSSA SENHORA
O nosso boi venderemos
que depois Deus nos dará
com que nos remediemos.
JOSEPH
Senhora, pois assim é,
vamos, não tardemos nada;
mas é comprida jornada,
não podereis ir a pé,
porque estais muito pejada.
655
Afonso X
Mester Havia Dom Gil
Mester havia Dom Gil
um falconcinho bornil
que nom voasse,
nemigalha nom filhasse;
[e] um galguilinho vil
que ũa lébor, de mil,
non'[a] filhasse,
mais rabejasse e ladrasse;
podengo de riba Sil
que en fiass'um nihil
que lhi mejasse,
a Dom Gil,
quando lébor i achasse;
e osas d'um javaril
que dessem per seu quadril
[e s'embargasse],
[i] Dom Gil,
quando lébor levantasse.
um falconcinho bornil
que nom voasse,
nemigalha nom filhasse;
[e] um galguilinho vil
que ũa lébor, de mil,
non'[a] filhasse,
mais rabejasse e ladrasse;
podengo de riba Sil
que en fiass'um nihil
que lhi mejasse,
a Dom Gil,
quando lébor i achasse;
e osas d'um javaril
que dessem per seu quadril
[e s'embargasse],
[i] Dom Gil,
quando lébor levantasse.
629
Afonso X
Penhoremos o Daiam
Penhoremos o daiam
na cadela, polo cam.
Pois que me foi el furtar
meu podeng'e mi o negar
- e quant'é, a meu cuidar,
destes penhos, pesar-lh'-am:
ca o quer'eu penhorar
na cadela, polo cam.
Penhoremos o daiam
na cadela, polo cam.
Mandou-m'el furtar alvor
o meu podengo melhor
que havia; e sabor
de penhorar lh'hei, de pram,
e filhar-lh'-ei a maior
sa cadela, polo cam.
Penhoremos o daiam
na cadela, polo cam.
Pero querrei-mi aviir
com el, se [mi o] consentir;
mais, se o el nom comprir,
os seus penhos ficar-mi-am;
e querrei-me bem servir
da cadela, polo cam.
Penhoremos o daiam
na cadela, polo cam.
na cadela, polo cam.
Pois que me foi el furtar
meu podeng'e mi o negar
- e quant'é, a meu cuidar,
destes penhos, pesar-lh'-am:
ca o quer'eu penhorar
na cadela, polo cam.
Penhoremos o daiam
na cadela, polo cam.
Mandou-m'el furtar alvor
o meu podengo melhor
que havia; e sabor
de penhorar lh'hei, de pram,
e filhar-lh'-ei a maior
sa cadela, polo cam.
Penhoremos o daiam
na cadela, polo cam.
Pero querrei-mi aviir
com el, se [mi o] consentir;
mais, se o el nom comprir,
os seus penhos ficar-mi-am;
e querrei-me bem servir
da cadela, polo cam.
Penhoremos o daiam
na cadela, polo cam.
646
Afonso Mendes de Besteiros
Per Boa Fé, Nom Sabem Nulha Rem
Per boa fé, nom sabem nulha rem
das mias coitas os que me vam poer
culpa de m'eu mui cativo fazer
em meus cantares, tanto sei eu bem;
nem sabem qual coita mi faz sofrer
esta senhor que me tem em poder.
[...]
das mias coitas os que me vam poer
culpa de m'eu mui cativo fazer
em meus cantares, tanto sei eu bem;
nem sabem qual coita mi faz sofrer
esta senhor que me tem em poder.
[...]
571
Afonso X
Med'hei do Pertigueiro Que Tem Deça
Med'hei do pertigueiro que tem Deça,
semelha Pero Gil na calvareça,
e nom vi mia senhor [há] mui gram peça,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueir'e ando soo,
que semelha Pero Gil no feijoo,
e nom vi mia senhor, ond'hei gram doo,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueiro tal que mejo,
que semelha Pero Gil no vedejo,
e nom vi mia senhor, ond'hei desejo:
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
semelha Pero Gil na calvareça,
e nom vi mia senhor [há] mui gram peça,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueir'e ando soo,
que semelha Pero Gil no feijoo,
e nom vi mia senhor, ond'hei gram doo,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueiro tal que mejo,
que semelha Pero Gil no vedejo,
e nom vi mia senhor, ond'hei desejo:
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
688
Afonso X
Med'hei do Pertigueiro Que Tem Deça
Med'hei do pertigueiro que tem Deça,
semelha Pero Gil na calvareça,
e nom vi mia senhor [há] mui gram peça,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueir'e ando soo,
que semelha Pero Gil no feijoo,
e nom vi mia senhor, ond'hei gram doo,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueiro tal que mejo,
que semelha Pero Gil no vedejo,
e nom vi mia senhor, ond'hei desejo:
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
semelha Pero Gil na calvareça,
e nom vi mia senhor [há] mui gram peça,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueir'e ando soo,
que semelha Pero Gil no feijoo,
e nom vi mia senhor, ond'hei gram doo,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueiro tal que mejo,
que semelha Pero Gil no vedejo,
e nom vi mia senhor, ond'hei desejo:
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
688
Afonso X
Med'hei do Pertigueiro Que Tem Deça
Med'hei do pertigueiro que tem Deça,
semelha Pero Gil na calvareça,
e nom vi mia senhor [há] mui gram peça,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueir'e ando soo,
que semelha Pero Gil no feijoo,
e nom vi mia senhor, ond'hei gram doo,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueiro tal que mejo,
que semelha Pero Gil no vedejo,
e nom vi mia senhor, ond'hei desejo:
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
semelha Pero Gil na calvareça,
e nom vi mia senhor [há] mui gram peça,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueir'e ando soo,
que semelha Pero Gil no feijoo,
e nom vi mia senhor, ond'hei gram doo,
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
Med'hei do pertigueiro tal que mejo,
que semelha Pero Gil no vedejo,
e nom vi mia senhor, ond'hei desejo:
Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.
- Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo
Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.
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