Poemas neste tema
Vida e Existência
Sophia de Mello Breyner Andresen
A Pura Face
Como encontrar-te depois de ter perdido
Uma por uma as tardes que encontrei
Ó ser de todo o ser de quem nem sei
Se podes ser ao menos pressentido?
Não te busquei no reino prometido
Da terra nem na paixão com que eu a amei
E porque não és tempo não te dei
Meu desejo pelas horas consumido
Apenas imagino que me espera
No infinito silêncio a pura face
Pr’além de vida morte ou Primavera
E que a verei de frente e sem disfarce
Uma por uma as tardes que encontrei
Ó ser de todo o ser de quem nem sei
Se podes ser ao menos pressentido?
Não te busquei no reino prometido
Da terra nem na paixão com que eu a amei
E porque não és tempo não te dei
Meu desejo pelas horas consumido
Apenas imagino que me espera
No infinito silêncio a pura face
Pr’além de vida morte ou Primavera
E que a verei de frente e sem disfarce
2 273
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
A Pura Face
Como encontrar-te depois de ter perdido
Uma por uma as tardes que encontrei
Ó ser de todo o ser de quem nem sei
Se podes ser ao menos pressentido?
Não te busquei no reino prometido
Da terra nem na paixão com que eu a amei
E porque não és tempo não te dei
Meu desejo pelas horas consumido
Apenas imagino que me espera
No infinito silêncio a pura face
Pr’além de vida morte ou Primavera
E que a verei de frente e sem disfarce
Uma por uma as tardes que encontrei
Ó ser de todo o ser de quem nem sei
Se podes ser ao menos pressentido?
Não te busquei no reino prometido
Da terra nem na paixão com que eu a amei
E porque não és tempo não te dei
Meu desejo pelas horas consumido
Apenas imagino que me espera
No infinito silêncio a pura face
Pr’além de vida morte ou Primavera
E que a verei de frente e sem disfarce
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Brisa
Que branca mão na brisa se despede?
Que palavra de amor
A noite de Maio em si recebe e perde?
Desenha-te o luar como uma estátua
Que no tempo não fica
Quem poderá deter
O instante que não pára de morrer?
Que palavra de amor
A noite de Maio em si recebe e perde?
Desenha-te o luar como uma estátua
Que no tempo não fica
Quem poderá deter
O instante que não pára de morrer?
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1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Inventei a Dança Para Me Disfarçar
Inventei a dança para me disfarçar.
Ébria de solidão eu quis viver.
E cobri de gestos a nudez da minha alma
Porque eu era semelhante às paisagens esperando
E ninguém me podia entender.
Ébria de solidão eu quis viver.
E cobri de gestos a nudez da minha alma
Porque eu era semelhante às paisagens esperando
E ninguém me podia entender.
2 938
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Maria Natália Teotónio Pereira
Aquela que tanto amou
O sol e o vento da canção
Agora jaz no silêncio terrestre
Oculta na ressurreição
Porque em seu viver nascia
Porque estando era procura
Sua imagem permanece
Não passada mas futura
Sempre que rio e confio
E passo além do meu pranto
A sua presença irrompe
Erguida em nós como canto
Aquela que agora jaz
Como semente no chão
Ergue no vento seu riso
Transpõe a destruição
O sol e o vento da canção
Agora jaz no silêncio terrestre
Oculta na ressurreição
Porque em seu viver nascia
Porque estando era procura
Sua imagem permanece
Não passada mas futura
Sempre que rio e confio
E passo além do meu pranto
A sua presença irrompe
Erguida em nós como canto
Aquela que agora jaz
Como semente no chão
Ergue no vento seu riso
Transpõe a destruição
2 236
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Maria Natália Teotónio Pereira
Aquela que tanto amou
O sol e o vento da canção
Agora jaz no silêncio terrestre
Oculta na ressurreição
Porque em seu viver nascia
Porque estando era procura
Sua imagem permanece
Não passada mas futura
Sempre que rio e confio
E passo além do meu pranto
A sua presença irrompe
Erguida em nós como canto
Aquela que agora jaz
Como semente no chão
Ergue no vento seu riso
Transpõe a destruição
O sol e o vento da canção
Agora jaz no silêncio terrestre
Oculta na ressurreição
Porque em seu viver nascia
Porque estando era procura
Sua imagem permanece
Não passada mas futura
Sempre que rio e confio
E passo além do meu pranto
A sua presença irrompe
Erguida em nós como canto
Aquela que agora jaz
Como semente no chão
Ergue no vento seu riso
Transpõe a destruição
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Maria Natália Teotónio Pereira
Aquela que tanto amou
O sol e o vento da canção
Agora jaz no silêncio terrestre
Oculta na ressurreição
Porque em seu viver nascia
Porque estando era procura
Sua imagem permanece
Não passada mas futura
Sempre que rio e confio
E passo além do meu pranto
A sua presença irrompe
Erguida em nós como canto
Aquela que agora jaz
Como semente no chão
Ergue no vento seu riso
Transpõe a destruição
O sol e o vento da canção
Agora jaz no silêncio terrestre
Oculta na ressurreição
Porque em seu viver nascia
Porque estando era procura
Sua imagem permanece
Não passada mas futura
Sempre que rio e confio
E passo além do meu pranto
A sua presença irrompe
Erguida em nós como canto
Aquela que agora jaz
Como semente no chão
Ergue no vento seu riso
Transpõe a destruição
2 236
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Carta(S) a Jorge de Sena
I
Não és navegador mas emigrante
Legítimo português de novecentos
Levaste contigo os teus e levaste
Sonhos fúrias trabalhos e saudade;
Moraste dia por dia a tua ausência
No mais profundo fundo das profundas
Cavernas altas onde o estar se esconde
II
E agora chega a notícia que morreste
E algo se desloca em nossa vida
III
Há muito estavas longe
Mas vinham cartas poemas e notícias
E pensávamos que sempre voltarias
Enquanto amigos teus aqui te esperassem —
E assim às vezes chegavas da terra estrangeira
Não como filho pródigo mas como irmão prudente
E ríamos e falávamos em redor da mesa
E tiniam talheres loiças e vidros
Como se tudo na chegada se alegrasse
Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades
— Grandioso vencedor e tão amargo vencido —
E havia avidez azáfama e pressa
No desejo de suprir anos de distância em horas de conversa
E havia uma veemente emoção em tua grave amizade
E em redor da mesa celebrávamos a festa
Do instante que brilhava entre frutos e rostos
IV
E agora chega a notícia que morreste
A morte vem como nenhuma carta
Não és navegador mas emigrante
Legítimo português de novecentos
Levaste contigo os teus e levaste
Sonhos fúrias trabalhos e saudade;
Moraste dia por dia a tua ausência
No mais profundo fundo das profundas
Cavernas altas onde o estar se esconde
II
E agora chega a notícia que morreste
E algo se desloca em nossa vida
III
Há muito estavas longe
Mas vinham cartas poemas e notícias
E pensávamos que sempre voltarias
Enquanto amigos teus aqui te esperassem —
E assim às vezes chegavas da terra estrangeira
Não como filho pródigo mas como irmão prudente
E ríamos e falávamos em redor da mesa
E tiniam talheres loiças e vidros
Como se tudo na chegada se alegrasse
Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades
— Grandioso vencedor e tão amargo vencido —
E havia avidez azáfama e pressa
No desejo de suprir anos de distância em horas de conversa
E havia uma veemente emoção em tua grave amizade
E em redor da mesa celebrávamos a festa
Do instante que brilhava entre frutos e rostos
IV
E agora chega a notícia que morreste
A morte vem como nenhuma carta
1 861
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Carta(S) a Jorge de Sena
I
Não és navegador mas emigrante
Legítimo português de novecentos
Levaste contigo os teus e levaste
Sonhos fúrias trabalhos e saudade;
Moraste dia por dia a tua ausência
No mais profundo fundo das profundas
Cavernas altas onde o estar se esconde
II
E agora chega a notícia que morreste
E algo se desloca em nossa vida
III
Há muito estavas longe
Mas vinham cartas poemas e notícias
E pensávamos que sempre voltarias
Enquanto amigos teus aqui te esperassem —
E assim às vezes chegavas da terra estrangeira
Não como filho pródigo mas como irmão prudente
E ríamos e falávamos em redor da mesa
E tiniam talheres loiças e vidros
Como se tudo na chegada se alegrasse
Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades
— Grandioso vencedor e tão amargo vencido —
E havia avidez azáfama e pressa
No desejo de suprir anos de distância em horas de conversa
E havia uma veemente emoção em tua grave amizade
E em redor da mesa celebrávamos a festa
Do instante que brilhava entre frutos e rostos
IV
E agora chega a notícia que morreste
A morte vem como nenhuma carta
Não és navegador mas emigrante
Legítimo português de novecentos
Levaste contigo os teus e levaste
Sonhos fúrias trabalhos e saudade;
Moraste dia por dia a tua ausência
No mais profundo fundo das profundas
Cavernas altas onde o estar se esconde
II
E agora chega a notícia que morreste
E algo se desloca em nossa vida
III
Há muito estavas longe
Mas vinham cartas poemas e notícias
E pensávamos que sempre voltarias
Enquanto amigos teus aqui te esperassem —
E assim às vezes chegavas da terra estrangeira
Não como filho pródigo mas como irmão prudente
E ríamos e falávamos em redor da mesa
E tiniam talheres loiças e vidros
Como se tudo na chegada se alegrasse
Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades
— Grandioso vencedor e tão amargo vencido —
E havia avidez azáfama e pressa
No desejo de suprir anos de distância em horas de conversa
E havia uma veemente emoção em tua grave amizade
E em redor da mesa celebrávamos a festa
Do instante que brilhava entre frutos e rostos
IV
E agora chega a notícia que morreste
A morte vem como nenhuma carta
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Nunca Mais Te Darei o Tempo Puro
Nunca mais te darei o tempo puro
Que em dias demorados eu teci
Pois o tempo já não regressa a ti
E assim eu não regresso e não procuro
O deus que sem esperança te pedi.
Que em dias demorados eu teci
Pois o tempo já não regressa a ti
E assim eu não regresso e não procuro
O deus que sem esperança te pedi.
2 247
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Ó Noite, Flor Acesa, Quem Te Colhe?
Ó noite, flor acesa, quem te colhe?
Sou eu que em ti me deixo anoitecer,
Ou o gesto preciso que te escolhe
Na flor dum outro ser?
Sou eu que em ti me deixo anoitecer,
Ou o gesto preciso que te escolhe
Na flor dum outro ser?
2 510
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Numa Disciplina Constante Procuro a Lei da Liberdade
Numa disciplina constante procuro a lei da liberdade medindo o equilíbrio dos meus passos.
Mas as coisas têm máscaras e véus com que me enganam, e, quando eu um momento espantada me esqueço, a força perversa das coisas ata-me os braços e atira-me, prisioneira de ninguém mas só de laços, para o vazio horror das voltas do caminho.
Mas as coisas têm máscaras e véus com que me enganam, e, quando eu um momento espantada me esqueço, a força perversa das coisas ata-me os braços e atira-me, prisioneira de ninguém mas só de laços, para o vazio horror das voltas do caminho.
1 963
1
Sophia de Mello Breyner Andresen
Aquele Que Partiu
Aquele que partiu
Precedendo os próprios passos como um jovem morto
Deixou-nos a esperança.
Ele não ficou para connosco
Destruir com amargas mãos seu próprio rosto.
Intacta é a sua ausência
Como a estátua de um deus
Poupada pelos invasores de uma cidade em ruínas.
Ele não ficou para assistir
À morte da verdade e à vitória do tempo.
Que ao longe
Na mais longínqua praia
Onde só haja espuma sal e vento
Ele se perca tendo-se cumprido
Segundo a lei do seu próprio pensamento.
E que ninguém repita o seu nome proibido.
Precedendo os próprios passos como um jovem morto
Deixou-nos a esperança.
Ele não ficou para connosco
Destruir com amargas mãos seu próprio rosto.
Intacta é a sua ausência
Como a estátua de um deus
Poupada pelos invasores de uma cidade em ruínas.
Ele não ficou para assistir
À morte da verdade e à vitória do tempo.
Que ao longe
Na mais longínqua praia
Onde só haja espuma sal e vento
Ele se perca tendo-se cumprido
Segundo a lei do seu próprio pensamento.
E que ninguém repita o seu nome proibido.
2 545
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Aquele Que Partiu
Aquele que partiu
Precedendo os próprios passos como um jovem morto
Deixou-nos a esperança.
Ele não ficou para connosco
Destruir com amargas mãos seu próprio rosto.
Intacta é a sua ausência
Como a estátua de um deus
Poupada pelos invasores de uma cidade em ruínas.
Ele não ficou para assistir
À morte da verdade e à vitória do tempo.
Que ao longe
Na mais longínqua praia
Onde só haja espuma sal e vento
Ele se perca tendo-se cumprido
Segundo a lei do seu próprio pensamento.
E que ninguém repita o seu nome proibido.
Precedendo os próprios passos como um jovem morto
Deixou-nos a esperança.
Ele não ficou para connosco
Destruir com amargas mãos seu próprio rosto.
Intacta é a sua ausência
Como a estátua de um deus
Poupada pelos invasores de uma cidade em ruínas.
Ele não ficou para assistir
À morte da verdade e à vitória do tempo.
Que ao longe
Na mais longínqua praia
Onde só haja espuma sal e vento
Ele se perca tendo-se cumprido
Segundo a lei do seu próprio pensamento.
E que ninguém repita o seu nome proibido.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Breve Encontro
Este é o amor das palavras demoradas
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Breve Encontro
Este é o amor das palavras demoradas
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Os Mortos de Hecate
Ao nosso lado os mortos em surdina
Bebem a exalação da nossa vida.
São a sombra seguindo os nossos gestos,
Sinto-os passar quando leves vêm
Alta noite buscar os nossos restos.
Passam nos quartos onde nos deixamos,
Envolvem-se nos gestos que traçamos,
Repetem as palavras que dissemos,
E debruçados sobre o nosso sono
Bebem como um leite o nosso sonho.
Intangíveis, sem peso e sem contorno
Ressurgem no sabor vivo do sangue.
Sorriem às imagens que vivemos
E choram por nós quando não as vemos,
Porque já sabem para aonde vamos.
Bebem a exalação da nossa vida.
São a sombra seguindo os nossos gestos,
Sinto-os passar quando leves vêm
Alta noite buscar os nossos restos.
Passam nos quartos onde nos deixamos,
Envolvem-se nos gestos que traçamos,
Repetem as palavras que dissemos,
E debruçados sobre o nosso sono
Bebem como um leite o nosso sonho.
Intangíveis, sem peso e sem contorno
Ressurgem no sabor vivo do sangue.
Sorriem às imagens que vivemos
E choram por nós quando não as vemos,
Porque já sabem para aonde vamos.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Os Mortos de Hecate
Ao nosso lado os mortos em surdina
Bebem a exalação da nossa vida.
São a sombra seguindo os nossos gestos,
Sinto-os passar quando leves vêm
Alta noite buscar os nossos restos.
Passam nos quartos onde nos deixamos,
Envolvem-se nos gestos que traçamos,
Repetem as palavras que dissemos,
E debruçados sobre o nosso sono
Bebem como um leite o nosso sonho.
Intangíveis, sem peso e sem contorno
Ressurgem no sabor vivo do sangue.
Sorriem às imagens que vivemos
E choram por nós quando não as vemos,
Porque já sabem para aonde vamos.
Bebem a exalação da nossa vida.
São a sombra seguindo os nossos gestos,
Sinto-os passar quando leves vêm
Alta noite buscar os nossos restos.
Passam nos quartos onde nos deixamos,
Envolvem-se nos gestos que traçamos,
Repetem as palavras que dissemos,
E debruçados sobre o nosso sono
Bebem como um leite o nosso sonho.
Intangíveis, sem peso e sem contorno
Ressurgem no sabor vivo do sangue.
Sorriem às imagens que vivemos
E choram por nós quando não as vemos,
Porque já sabem para aonde vamos.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Nunca Mais
Nunca mais
Caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa —
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.
Caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa —
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
As Imagens Transbordam Fugitivas
As imagens transbordam fugitivas
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
O impulso que há em nós, interminável,
De tudo ser e em cada flor florir?
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
O impulso que há em nós, interminável,
De tudo ser e em cada flor florir?
2 360
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Gesto
Eu em tudo Te vi amanhecer
Mas nenhuma presença Te cumpriu,
Só me ficou o gesto que subiu
Às mais longínquas fontes do meu ser.
Mas nenhuma presença Te cumpriu,
Só me ficou o gesto que subiu
Às mais longínquas fontes do meu ser.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Gesto
Eu em tudo Te vi amanhecer
Mas nenhuma presença Te cumpriu,
Só me ficou o gesto que subiu
Às mais longínquas fontes do meu ser.
Mas nenhuma presença Te cumpriu,
Só me ficou o gesto que subiu
Às mais longínquas fontes do meu ser.
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