Poemas neste tema
Vida e Existência
Juan Gelman
Semper
Teu corpo é alto como os pátios da infância
doce como a luz dos crepúsculos
e triste
teu corpo dura como o sol
doce como a luz dos crepúsculos
e triste
teu corpo dura como o sol
2 487
1
Juan Gelman
Semper
Teu corpo é alto como os pátios da infância
doce como a luz dos crepúsculos
e triste
teu corpo dura como o sol
doce como a luz dos crepúsculos
e triste
teu corpo dura como o sol
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1
Ruy Belo
Saudades de Melquisedeque
Esta manhã gostaria de ter dado ontem
um grande passeio àquela praia
onde ontem por sinal passei o dia
É difícil a vida dos homens senhor
Os anjos tinham outras possibilidades
e alguns deles foi o que tu sabes
Esta terra não está feita para nós
Mesmo que ela fosse diferente
nós quereríamos talvez outra terra
talvez esta de que agora dispomos
Não achas meu senhor que temos braços a mais
dias a mais complicações a mais?
Pra nascer e morrer seria necessário tanto?
Falhamos tantas vezes (Como os judeus que juraram
não comer nem beber até matar paulo
e apesar disso não o mataram)
É difícil a vida difícil a morte.
Por vezes os homens juntam-se todos
ou quase todos e organizam
grandes manifestações. Mas nada disso os dispensa
da grande solidão da morte
de termos de morrer cada um por nossa conta
Todos tivemos pai e mãe
nenhum de nós que eu saiba veio de salém
um grande passeio àquela praia
onde ontem por sinal passei o dia
É difícil a vida dos homens senhor
Os anjos tinham outras possibilidades
e alguns deles foi o que tu sabes
Esta terra não está feita para nós
Mesmo que ela fosse diferente
nós quereríamos talvez outra terra
talvez esta de que agora dispomos
Não achas meu senhor que temos braços a mais
dias a mais complicações a mais?
Pra nascer e morrer seria necessário tanto?
Falhamos tantas vezes (Como os judeus que juraram
não comer nem beber até matar paulo
e apesar disso não o mataram)
É difícil a vida difícil a morte.
Por vezes os homens juntam-se todos
ou quase todos e organizam
grandes manifestações. Mas nada disso os dispensa
da grande solidão da morte
de termos de morrer cada um por nossa conta
Todos tivemos pai e mãe
nenhum de nós que eu saiba veio de salém
3 875
1
Ruy Belo
Saudades de Melquisedeque
Esta manhã gostaria de ter dado ontem
um grande passeio àquela praia
onde ontem por sinal passei o dia
É difícil a vida dos homens senhor
Os anjos tinham outras possibilidades
e alguns deles foi o que tu sabes
Esta terra não está feita para nós
Mesmo que ela fosse diferente
nós quereríamos talvez outra terra
talvez esta de que agora dispomos
Não achas meu senhor que temos braços a mais
dias a mais complicações a mais?
Pra nascer e morrer seria necessário tanto?
Falhamos tantas vezes (Como os judeus que juraram
não comer nem beber até matar paulo
e apesar disso não o mataram)
É difícil a vida difícil a morte.
Por vezes os homens juntam-se todos
ou quase todos e organizam
grandes manifestações. Mas nada disso os dispensa
da grande solidão da morte
de termos de morrer cada um por nossa conta
Todos tivemos pai e mãe
nenhum de nós que eu saiba veio de salém
um grande passeio àquela praia
onde ontem por sinal passei o dia
É difícil a vida dos homens senhor
Os anjos tinham outras possibilidades
e alguns deles foi o que tu sabes
Esta terra não está feita para nós
Mesmo que ela fosse diferente
nós quereríamos talvez outra terra
talvez esta de que agora dispomos
Não achas meu senhor que temos braços a mais
dias a mais complicações a mais?
Pra nascer e morrer seria necessário tanto?
Falhamos tantas vezes (Como os judeus que juraram
não comer nem beber até matar paulo
e apesar disso não o mataram)
É difícil a vida difícil a morte.
Por vezes os homens juntam-se todos
ou quase todos e organizam
grandes manifestações. Mas nada disso os dispensa
da grande solidão da morte
de termos de morrer cada um por nossa conta
Todos tivemos pai e mãe
nenhum de nós que eu saiba veio de salém
3 875
1
Ruy Belo
Saudades de Melquisedeque
Esta manhã gostaria de ter dado ontem
um grande passeio àquela praia
onde ontem por sinal passei o dia
É difícil a vida dos homens senhor
Os anjos tinham outras possibilidades
e alguns deles foi o que tu sabes
Esta terra não está feita para nós
Mesmo que ela fosse diferente
nós quereríamos talvez outra terra
talvez esta de que agora dispomos
Não achas meu senhor que temos braços a mais
dias a mais complicações a mais?
Pra nascer e morrer seria necessário tanto?
Falhamos tantas vezes (Como os judeus que juraram
não comer nem beber até matar paulo
e apesar disso não o mataram)
É difícil a vida difícil a morte.
Por vezes os homens juntam-se todos
ou quase todos e organizam
grandes manifestações. Mas nada disso os dispensa
da grande solidão da morte
de termos de morrer cada um por nossa conta
Todos tivemos pai e mãe
nenhum de nós que eu saiba veio de salém
um grande passeio àquela praia
onde ontem por sinal passei o dia
É difícil a vida dos homens senhor
Os anjos tinham outras possibilidades
e alguns deles foi o que tu sabes
Esta terra não está feita para nós
Mesmo que ela fosse diferente
nós quereríamos talvez outra terra
talvez esta de que agora dispomos
Não achas meu senhor que temos braços a mais
dias a mais complicações a mais?
Pra nascer e morrer seria necessário tanto?
Falhamos tantas vezes (Como os judeus que juraram
não comer nem beber até matar paulo
e apesar disso não o mataram)
É difícil a vida difícil a morte.
Por vezes os homens juntam-se todos
ou quase todos e organizam
grandes manifestações. Mas nada disso os dispensa
da grande solidão da morte
de termos de morrer cada um por nossa conta
Todos tivemos pai e mãe
nenhum de nós que eu saiba veio de salém
3 875
1
Jerónimo Baía
A um pé pequeno
Pues os jusgan las ansias del sentido
Instante de jasmin, concepto breve,
Atomo de açucena presumido,
Sospecha de crystal, susto de nieve;
No pié, mentira sois, pues, como aleve,
Ni verdad en un punto haveis cumplido.
Antes digo que escrupulo haveis sido,
Pues de ser o no ser la duda os mueve.
Como, si idea sois de ojos tan claros,
Hazeis la vista fé para creeros,
Y hazeis los ojos fé para miraros?
Yo me persuado en fin, que hede perderos,
Porque si el veros es imaginaros,
Siendo imaginacion, como hede veros?
Instante de jasmin, concepto breve,
Atomo de açucena presumido,
Sospecha de crystal, susto de nieve;
No pié, mentira sois, pues, como aleve,
Ni verdad en un punto haveis cumplido.
Antes digo que escrupulo haveis sido,
Pues de ser o no ser la duda os mueve.
Como, si idea sois de ojos tan claros,
Hazeis la vista fé para creeros,
Y hazeis los ojos fé para miraros?
Yo me persuado en fin, que hede perderos,
Porque si el veros es imaginaros,
Siendo imaginacion, como hede veros?
1 312
1
Adalgisa Nery
A Espera
Amado... Por que tardas tanto?
As primeiras sombras se avizinham
E as estrelas iniciam a noite.
Vem...
Pois a esperança que se acolheu em meu coração
Vai deixá-lo como um ninho abandonado nos penhascos.
Vem...Amado..
Desce a tua boca sobre a minha boca.
Para a tua alma levar a minha alma
Pesada de sofrimento!
Vem...
Para que, beijando a minha boca
Eu receba a sensação de uma janela aberta.
Amado meu...
Por que tardas tanto?
Vem...
E serás como um ramo de rosas brancas
Pousando no túmulo da minha vida...
Vem amado meu...
Por que tardas tanto?
(Adalgisa Nery)
As primeiras sombras se avizinham
E as estrelas iniciam a noite.
Vem...
Pois a esperança que se acolheu em meu coração
Vai deixá-lo como um ninho abandonado nos penhascos.
Vem...Amado..
Desce a tua boca sobre a minha boca.
Para a tua alma levar a minha alma
Pesada de sofrimento!
Vem...
Para que, beijando a minha boca
Eu receba a sensação de uma janela aberta.
Amado meu...
Por que tardas tanto?
Vem...
E serás como um ramo de rosas brancas
Pousando no túmulo da minha vida...
Vem amado meu...
Por que tardas tanto?
(Adalgisa Nery)
2 116
1
Chico Doido de Caicó
Sou doido por mulher
Sou doido por mulher
Sou doido por cachaça
Sou doido pra gastar dinheiro
Sou doido por uma bunda
Sou doido por Caicó
Sou doido pelo mar
Sou doido por violão e lua cheia
Sou doido por uma conversa de bar
Sou doido por arribaçã
E sou doido propriamente dito
1 252
1
Teresa de Ávila
Formosura que excedeis!
Formosura que excedeis
mesmo as grandes formosuras!
Sem ferir, sofrer fazeis,
e sem sofrer desfazeis
o amor das criaturas.
Oh, laço que assim juntais
duas coisas tão díspares!
Não sei porquê vos soltais,
pois atado força dais
pra ter por bem os pesares.
Quem não tem ser vós juntais
com o Ser que não se acaba;
sem acabar acabais,
e sem ter que amar amais,
engradeceis vosso nada.
.
.
.
mesmo as grandes formosuras!
Sem ferir, sofrer fazeis,
e sem sofrer desfazeis
o amor das criaturas.
Oh, laço que assim juntais
duas coisas tão díspares!
Não sei porquê vos soltais,
pois atado força dais
pra ter por bem os pesares.
Quem não tem ser vós juntais
com o Ser que não se acaba;
sem acabar acabais,
e sem ter que amar amais,
engradeceis vosso nada.
.
.
.
3 074
1
Mário Dionísio
Branco de neve
Branco de neve
branco de leite
branco de cal
branco de lua
Contra branco outro branco
Um outro branco ainda sobre um novo branco
de espuma
com areia quase branca
Toda a ternura a fadiga a mágoa imensa
do branco contra branco sobre branco
na brancura mergulha branca flui
Branco entre limos
Branco entre mastros
Por túneis brancos ruas brancas sombras brancas
maciamente o branco longamente inventa branco
na crua branca amargura dos anos cegos Brancos
branco de leite
branco de cal
branco de lua
Contra branco outro branco
Um outro branco ainda sobre um novo branco
de espuma
com areia quase branca
Toda a ternura a fadiga a mágoa imensa
do branco contra branco sobre branco
na brancura mergulha branca flui
Branco entre limos
Branco entre mastros
Por túneis brancos ruas brancas sombras brancas
maciamente o branco longamente inventa branco
na crua branca amargura dos anos cegos Brancos
1 755
1
Vasco Graça Moura
Vita Brevis
a vida breve, revele-a
a pulsação que lateja
no efémero da camélia,
ou no lustro da cereja,
é a do coração que dita
a dor que lhe sobejou
a tentar deixá-la escrita
mas não conta o que escapou
pelo espelho, quando a máscara
vai perdendo o frenesim,
e agora tanto lhe faz: para
o caso é mesmo assim,
nem há lixa ou aguarrás
que apague as marcas que traz.
a pulsação que lateja
no efémero da camélia,
ou no lustro da cereja,
é a do coração que dita
a dor que lhe sobejou
a tentar deixá-la escrita
mas não conta o que escapou
pelo espelho, quando a máscara
vai perdendo o frenesim,
e agora tanto lhe faz: para
o caso é mesmo assim,
nem há lixa ou aguarrás
que apague as marcas que traz.
2 804
1
Vasco Graça Moura
Vita Brevis
a vida breve, revele-a
a pulsação que lateja
no efémero da camélia,
ou no lustro da cereja,
é a do coração que dita
a dor que lhe sobejou
a tentar deixá-la escrita
mas não conta o que escapou
pelo espelho, quando a máscara
vai perdendo o frenesim,
e agora tanto lhe faz: para
o caso é mesmo assim,
nem há lixa ou aguarrás
que apague as marcas que traz.
a pulsação que lateja
no efémero da camélia,
ou no lustro da cereja,
é a do coração que dita
a dor que lhe sobejou
a tentar deixá-la escrita
mas não conta o que escapou
pelo espelho, quando a máscara
vai perdendo o frenesim,
e agora tanto lhe faz: para
o caso é mesmo assim,
nem há lixa ou aguarrás
que apague as marcas que traz.
2 804
1
Adalgisa Nery
Escultura
Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!...
(Adalgisa Nery)
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!...
(Adalgisa Nery)
1 730
1
Adão Ventura
Poemas da morte de um pai
a José Ferreira dos Reis (1905 - 1988)
- Que cesse o barulho das enxadas,
das cantigas de eito
- que a madrinha da tropa
interrompa o curso
de seus passos
em territórios do Serro,
Santo Antônio do Itambé,
Baguari, Folha Larga,
Itapanhoacanga
e São Miguel & Almas de Guanhães.
E José,
novamente menino,
descalço, chapeuzinho de palha,
aguilhada na mão
a se encontrar
com seu Teodoro da Fazenda.
- Que cesse o barulho das enxadas,
das cantigas de eito
- que a madrinha da tropa
interrompa o curso
de seus passos
em territórios do Serro,
Santo Antônio do Itambé,
Baguari, Folha Larga,
Itapanhoacanga
e São Miguel & Almas de Guanhães.
E José,
novamente menino,
descalço, chapeuzinho de palha,
aguilhada na mão
a se encontrar
com seu Teodoro da Fazenda.
1 564
1
Adão Ventura
Poemas da morte de um pai
a José Ferreira dos Reis (1905 - 1988)
- Que cesse o barulho das enxadas,
das cantigas de eito
- que a madrinha da tropa
interrompa o curso
de seus passos
em territórios do Serro,
Santo Antônio do Itambé,
Baguari, Folha Larga,
Itapanhoacanga
e São Miguel & Almas de Guanhães.
E José,
novamente menino,
descalço, chapeuzinho de palha,
aguilhada na mão
a se encontrar
com seu Teodoro da Fazenda.
- Que cesse o barulho das enxadas,
das cantigas de eito
- que a madrinha da tropa
interrompa o curso
de seus passos
em territórios do Serro,
Santo Antônio do Itambé,
Baguari, Folha Larga,
Itapanhoacanga
e São Miguel & Almas de Guanhães.
E José,
novamente menino,
descalço, chapeuzinho de palha,
aguilhada na mão
a se encontrar
com seu Teodoro da Fazenda.
1 564
1
Adão Ventura
Poemas da morte de um pai
a José Ferreira dos Reis (1905 - 1988)
- Que cesse o barulho das enxadas,
das cantigas de eito
- que a madrinha da tropa
interrompa o curso
de seus passos
em territórios do Serro,
Santo Antônio do Itambé,
Baguari, Folha Larga,
Itapanhoacanga
e São Miguel & Almas de Guanhães.
E José,
novamente menino,
descalço, chapeuzinho de palha,
aguilhada na mão
a se encontrar
com seu Teodoro da Fazenda.
- Que cesse o barulho das enxadas,
das cantigas de eito
- que a madrinha da tropa
interrompa o curso
de seus passos
em territórios do Serro,
Santo Antônio do Itambé,
Baguari, Folha Larga,
Itapanhoacanga
e São Miguel & Almas de Guanhães.
E José,
novamente menino,
descalço, chapeuzinho de palha,
aguilhada na mão
a se encontrar
com seu Teodoro da Fazenda.
1 564
1
José Afonso
PELA QUIETUDE DAS TUAS MÃOS UNIDAS
Pela quietude das tuas mãos unidas.
Desce o eterno e a paz.
Nada perturba o silêncio posto nas tuas pálpebras.
É a morte o templo, a plenitude infinda.
Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,
a exactidão concreta.
Nenhuma dor descerrará nossas bocas profanas
para pronunciar o césamo que te abrirá os céus,
pobre silhueta humana, já pertença neutral,
informe barro
Inalterável mistério, subsistência.
Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunicação,
A distância absurda da intemporalidade.
O entrar na origem, menos existência
Que companhia apenas de todas as coisas que ali estão
Em frente além.
Só contemplar-te para penetrar teu mistério
E apressar a corrida para a petrificação.
Depois sim: vossa presença pura
Entre Impronunciáveis e Inconcebíveis-Nada..Que coisa o amor! Pobre balbucie
Gérmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.
Embrião latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim
Desce o eterno e a paz.
Nada perturba o silêncio posto nas tuas pálpebras.
É a morte o templo, a plenitude infinda.
Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,
a exactidão concreta.
Nenhuma dor descerrará nossas bocas profanas
para pronunciar o césamo que te abrirá os céus,
pobre silhueta humana, já pertença neutral,
informe barro
Inalterável mistério, subsistência.
Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunicação,
A distância absurda da intemporalidade.
O entrar na origem, menos existência
Que companhia apenas de todas as coisas que ali estão
Em frente além.
Só contemplar-te para penetrar teu mistério
E apressar a corrida para a petrificação.
Depois sim: vossa presença pura
Entre Impronunciáveis e Inconcebíveis-Nada..Que coisa o amor! Pobre balbucie
Gérmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.
Embrião latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim
1 363
1
José Afonso
PELA QUIETUDE DAS TUAS MÃOS UNIDAS
Pela quietude das tuas mãos unidas.
Desce o eterno e a paz.
Nada perturba o silêncio posto nas tuas pálpebras.
É a morte o templo, a plenitude infinda.
Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,
a exactidão concreta.
Nenhuma dor descerrará nossas bocas profanas
para pronunciar o césamo que te abrirá os céus,
pobre silhueta humana, já pertença neutral,
informe barro
Inalterável mistério, subsistência.
Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunicação,
A distância absurda da intemporalidade.
O entrar na origem, menos existência
Que companhia apenas de todas as coisas que ali estão
Em frente além.
Só contemplar-te para penetrar teu mistério
E apressar a corrida para a petrificação.
Depois sim: vossa presença pura
Entre Impronunciáveis e Inconcebíveis-Nada..Que coisa o amor! Pobre balbucie
Gérmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.
Embrião latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim
Desce o eterno e a paz.
Nada perturba o silêncio posto nas tuas pálpebras.
É a morte o templo, a plenitude infinda.
Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,
a exactidão concreta.
Nenhuma dor descerrará nossas bocas profanas
para pronunciar o césamo que te abrirá os céus,
pobre silhueta humana, já pertença neutral,
informe barro
Inalterável mistério, subsistência.
Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunicação,
A distância absurda da intemporalidade.
O entrar na origem, menos existência
Que companhia apenas de todas as coisas que ali estão
Em frente além.
Só contemplar-te para penetrar teu mistério
E apressar a corrida para a petrificação.
Depois sim: vossa presença pura
Entre Impronunciáveis e Inconcebíveis-Nada..Que coisa o amor! Pobre balbucie
Gérmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.
Embrião latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim
1 363
1
Adalgisa Nery
Instante
O espanto abriu meu pensamento
Com idioma vindo do delírio,
Dos receios indefesos, dos louvores sem raízes,
No perdão oferecido sem razão.
O espanto abriu meu pensamento
Na noite carregada de lamentos
Em linguagem universal
Fluindo do eco perdido
Com passos de presságio amanhecendo.
Corpos florindo na pele da terra
Acendendo vida nas rosas e nos vermes,
Aumentando a potência do limo,
Preparando a primavera nos campos,
Ventres irrigando secas raízes,
Cogumelos róseos crescendo
Na umidade das faces.
Coagulação de prantos na semente
Das constelações adivinhadas.
E no faminto inconsciente, o tempo
Sorvendo com fúria o seu sustento
No insondável silêncio de mim mesma.
(Adalgisa Nery)
Com idioma vindo do delírio,
Dos receios indefesos, dos louvores sem raízes,
No perdão oferecido sem razão.
O espanto abriu meu pensamento
Na noite carregada de lamentos
Em linguagem universal
Fluindo do eco perdido
Com passos de presságio amanhecendo.
Corpos florindo na pele da terra
Acendendo vida nas rosas e nos vermes,
Aumentando a potência do limo,
Preparando a primavera nos campos,
Ventres irrigando secas raízes,
Cogumelos róseos crescendo
Na umidade das faces.
Coagulação de prantos na semente
Das constelações adivinhadas.
E no faminto inconsciente, o tempo
Sorvendo com fúria o seu sustento
No insondável silêncio de mim mesma.
(Adalgisa Nery)
1 871
1
Adalgisa Nery
Instante
O espanto abriu meu pensamento
Com idioma vindo do delírio,
Dos receios indefesos, dos louvores sem raízes,
No perdão oferecido sem razão.
O espanto abriu meu pensamento
Na noite carregada de lamentos
Em linguagem universal
Fluindo do eco perdido
Com passos de presságio amanhecendo.
Corpos florindo na pele da terra
Acendendo vida nas rosas e nos vermes,
Aumentando a potência do limo,
Preparando a primavera nos campos,
Ventres irrigando secas raízes,
Cogumelos róseos crescendo
Na umidade das faces.
Coagulação de prantos na semente
Das constelações adivinhadas.
E no faminto inconsciente, o tempo
Sorvendo com fúria o seu sustento
No insondável silêncio de mim mesma.
(Adalgisa Nery)
Com idioma vindo do delírio,
Dos receios indefesos, dos louvores sem raízes,
No perdão oferecido sem razão.
O espanto abriu meu pensamento
Na noite carregada de lamentos
Em linguagem universal
Fluindo do eco perdido
Com passos de presságio amanhecendo.
Corpos florindo na pele da terra
Acendendo vida nas rosas e nos vermes,
Aumentando a potência do limo,
Preparando a primavera nos campos,
Ventres irrigando secas raízes,
Cogumelos róseos crescendo
Na umidade das faces.
Coagulação de prantos na semente
Das constelações adivinhadas.
E no faminto inconsciente, o tempo
Sorvendo com fúria o seu sustento
No insondável silêncio de mim mesma.
(Adalgisa Nery)
1 871
1
Adalgisa Nery
Instante
O espanto abriu meu pensamento
Com idioma vindo do delírio,
Dos receios indefesos, dos louvores sem raízes,
No perdão oferecido sem razão.
O espanto abriu meu pensamento
Na noite carregada de lamentos
Em linguagem universal
Fluindo do eco perdido
Com passos de presságio amanhecendo.
Corpos florindo na pele da terra
Acendendo vida nas rosas e nos vermes,
Aumentando a potência do limo,
Preparando a primavera nos campos,
Ventres irrigando secas raízes,
Cogumelos róseos crescendo
Na umidade das faces.
Coagulação de prantos na semente
Das constelações adivinhadas.
E no faminto inconsciente, o tempo
Sorvendo com fúria o seu sustento
No insondável silêncio de mim mesma.
(Adalgisa Nery)
Com idioma vindo do delírio,
Dos receios indefesos, dos louvores sem raízes,
No perdão oferecido sem razão.
O espanto abriu meu pensamento
Na noite carregada de lamentos
Em linguagem universal
Fluindo do eco perdido
Com passos de presságio amanhecendo.
Corpos florindo na pele da terra
Acendendo vida nas rosas e nos vermes,
Aumentando a potência do limo,
Preparando a primavera nos campos,
Ventres irrigando secas raízes,
Cogumelos róseos crescendo
Na umidade das faces.
Coagulação de prantos na semente
Das constelações adivinhadas.
E no faminto inconsciente, o tempo
Sorvendo com fúria o seu sustento
No insondável silêncio de mim mesma.
(Adalgisa Nery)
1 871
1
Adalgisa Nery
Mistério
Há vozes dentro da noite que clamam por mim,
Há vozes nas fontes que gritam meu nome.
Minha alma distende seus ouvidos
E minha memória desce aos abismos escuros
Procurando quem chama.
Há vozes que correm nos ventos clamando por mim.
Há vozes debaixo das pedras que gemem meu nome
E eu olho para as árvores tranqüilas
E para as montanhas impassíveis
Procurando quem chama.
Há vozes na boca das rosas cantando meu nome
E as ondas batem nas praias
Deixando exaustas um grito por mim
E meus olhos caem na lembrança do paraíso
Para saber quem chama.
Há vozes nos corpos sem vida,
Há vozes no meu caminhar,
Há vozes no sono de meus filhos
E meu pensamento como um relâmpago risca
O limite da minha existência...
na ânsia de saber quem grita.
(Adalgisa Nery)
Há vozes nas fontes que gritam meu nome.
Minha alma distende seus ouvidos
E minha memória desce aos abismos escuros
Procurando quem chama.
Há vozes que correm nos ventos clamando por mim.
Há vozes debaixo das pedras que gemem meu nome
E eu olho para as árvores tranqüilas
E para as montanhas impassíveis
Procurando quem chama.
Há vozes na boca das rosas cantando meu nome
E as ondas batem nas praias
Deixando exaustas um grito por mim
E meus olhos caem na lembrança do paraíso
Para saber quem chama.
Há vozes nos corpos sem vida,
Há vozes no meu caminhar,
Há vozes no sono de meus filhos
E meu pensamento como um relâmpago risca
O limite da minha existência...
na ânsia de saber quem grita.
(Adalgisa Nery)
1 797
1
Emily Dickinson
335
Não é que a Morte nos doa tanto –
A Vida – nos dói bem mais –
Mas Morrer – é coisa diferente –
É Algo por trás dos Umbrais –
O Hábito de ir ao Sul – dos Pássaros –
Que antes de vir a Geada –
Aspiram a melhor Latitude –
Somos nós – os Pássaros – que ficam.
Mendigos rondando a porta do Granjeiro –
Por cujas míseras Migalhas –
Nos batemos – até que a Neve piedosa
Empurre nossas Plumas para Casa.
1 987
1
Emily Dickinson
335
Não é que a Morte nos doa tanto –
A Vida – nos dói bem mais –
Mas Morrer – é coisa diferente –
É Algo por trás dos Umbrais –
O Hábito de ir ao Sul – dos Pássaros –
Que antes de vir a Geada –
Aspiram a melhor Latitude –
Somos nós – os Pássaros – que ficam.
Mendigos rondando a porta do Granjeiro –
Por cujas míseras Migalhas –
Nos batemos – até que a Neve piedosa
Empurre nossas Plumas para Casa.
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