Poemas neste tema
Vida e Existência
Rainer Maria Rilke
Solidão
Não:
uma torre se faça do meu peito
e eu próprio seja posto à sua beira:
onde nada mais há,haja inda uma vez dores
e inefabilidade,mais uma vez mundo.
Mais uma coisa
só no desmedido,
que se faz escura e de novo se ilumina,
mais uma última,ansiosa face,
repelida para o nunca-alcalmável,
mais uma extrema
face de pedra,
dócil aos seus pesos interiores,
que as amplidões,que serenamente a aniquilam,
obrigam a ser sempre mais feliz.
(tradução
de Paulo Quintela)
uma torre se faça do meu peito
e eu próprio seja posto à sua beira:
onde nada mais há,haja inda uma vez dores
e inefabilidade,mais uma vez mundo.
Mais uma coisa
só no desmedido,
que se faz escura e de novo se ilumina,
mais uma última,ansiosa face,
repelida para o nunca-alcalmável,
mais uma extrema
face de pedra,
dócil aos seus pesos interiores,
que as amplidões,que serenamente a aniquilam,
obrigam a ser sempre mais feliz.
(tradução
de Paulo Quintela)
1 782
Rainer Maria Rilke
Solidão
Não:
uma torre se faça do meu peito
e eu próprio seja posto à sua beira:
onde nada mais há,haja inda uma vez dores
e inefabilidade,mais uma vez mundo.
Mais uma coisa
só no desmedido,
que se faz escura e de novo se ilumina,
mais uma última,ansiosa face,
repelida para o nunca-alcalmável,
mais uma extrema
face de pedra,
dócil aos seus pesos interiores,
que as amplidões,que serenamente a aniquilam,
obrigam a ser sempre mais feliz.
(tradução
de Paulo Quintela)
uma torre se faça do meu peito
e eu próprio seja posto à sua beira:
onde nada mais há,haja inda uma vez dores
e inefabilidade,mais uma vez mundo.
Mais uma coisa
só no desmedido,
que se faz escura e de novo se ilumina,
mais uma última,ansiosa face,
repelida para o nunca-alcalmável,
mais uma extrema
face de pedra,
dócil aos seus pesos interiores,
que as amplidões,que serenamente a aniquilam,
obrigam a ser sempre mais feliz.
(tradução
de Paulo Quintela)
1 782
Ernesto de Melo e Castro
Orgassema
de semântica sêmea
se insinua o sêmen
na lacona lagoa lacunar
e da sádica sede se ressente
o sentido
no sentido cunar.
se sádica ou sábia
quem o saberá?
Se salubre salgado
o teu sabor a odre
é a onda do útero
é terra que remorde
a espera de esperma
nas ásperas paredes.
e o significado vem
da fricção rítmica e formal
entre as mucosas rubras
do pênis, da vulva, da boca
ou da anal.
se insinua o sêmen
na lacona lagoa lacunar
e da sádica sede se ressente
o sentido
no sentido cunar.
se sádica ou sábia
quem o saberá?
Se salubre salgado
o teu sabor a odre
é a onda do útero
é terra que remorde
a espera de esperma
nas ásperas paredes.
e o significado vem
da fricção rítmica e formal
entre as mucosas rubras
do pênis, da vulva, da boca
ou da anal.
1 350
Ernesto de Melo e Castro
Paga e repaga
A paga
eu gostaria muito sim talvez
dar uma enorme foda todo o mês
numa mulher que se chamasse Inês
e que tivesse um gato siamês
que não me chateasse cada vez
que nela me pusesse de viés
porque as mulheres pensam que talvez
no foder se paga tudo de uma vez
mas nunca se lembram que ao invés
o pagar nada tem com as fodas que dês
porque ainda ontem dei ai umas dez
e a paga que tive foi um chato burguês
A repaga
não penses tu proleta fodilhão
que lá por seres caralho
tens razão
nem que todas as fodas que me dês
são a fácil desforra
do tesão
porque a cona é que sabe
do vir ou do não vir
e só no seu sorrir
é que o caralho sobe
mas se és mal pago
não vais morrer de fomes
e se me pagas
não pagas o que comes.
(e o chato talvez
não seja mais
que o teu retrato
português)
eu gostaria muito sim talvez
dar uma enorme foda todo o mês
numa mulher que se chamasse Inês
e que tivesse um gato siamês
que não me chateasse cada vez
que nela me pusesse de viés
porque as mulheres pensam que talvez
no foder se paga tudo de uma vez
mas nunca se lembram que ao invés
o pagar nada tem com as fodas que dês
porque ainda ontem dei ai umas dez
e a paga que tive foi um chato burguês
A repaga
não penses tu proleta fodilhão
que lá por seres caralho
tens razão
nem que todas as fodas que me dês
são a fácil desforra
do tesão
porque a cona é que sabe
do vir ou do não vir
e só no seu sorrir
é que o caralho sobe
mas se és mal pago
não vais morrer de fomes
e se me pagas
não pagas o que comes.
(e o chato talvez
não seja mais
que o teu retrato
português)
1 138
Arnaldo Antunes
O tato
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
Depois de ejacular espera por outra ereção
O ânus precisa de mais lubrificação
Por mais que se reprima nunca seca a secreção
O corpo não é templo, casa nem prisão
Uns comem outros fodem uns cometem outros dão
Por graça por esporte ou tara por amor ou não
Velocidade se controla com respiração
O pau se aprofunda mais conforme a posição
O tato mais experiente é a palma da mão
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
Depois de ejacular espera por outra ereção
O ânus precisa de mais lubrificação
Por mais que se reprima nunca seca a secreção
O corpo não é templo, casa nem prisão
Uns comem outros fodem uns cometem outros dão
Por graça por esporte ou tara por amor ou não
Velocidade se controla com respiração
O pau se aprofunda mais conforme a posição
O tato mais experiente é a palma da mão
3 780
Arnaldo Antunes
O tato
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
Depois de ejacular espera por outra ereção
O ânus precisa de mais lubrificação
Por mais que se reprima nunca seca a secreção
O corpo não é templo, casa nem prisão
Uns comem outros fodem uns cometem outros dão
Por graça por esporte ou tara por amor ou não
Velocidade se controla com respiração
O pau se aprofunda mais conforme a posição
O tato mais experiente é a palma da mão
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
Depois de ejacular espera por outra ereção
O ânus precisa de mais lubrificação
Por mais que se reprima nunca seca a secreção
O corpo não é templo, casa nem prisão
Uns comem outros fodem uns cometem outros dão
Por graça por esporte ou tara por amor ou não
Velocidade se controla com respiração
O pau se aprofunda mais conforme a posição
O tato mais experiente é a palma da mão
3 780
Arnaldo Antunes
O tato
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
Depois de ejacular espera por outra ereção
O ânus precisa de mais lubrificação
Por mais que se reprima nunca seca a secreção
O corpo não é templo, casa nem prisão
Uns comem outros fodem uns cometem outros dão
Por graça por esporte ou tara por amor ou não
Velocidade se controla com respiração
O pau se aprofunda mais conforme a posição
O tato mais experiente é a palma da mão
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
Depois de ejacular espera por outra ereção
O ânus precisa de mais lubrificação
Por mais que se reprima nunca seca a secreção
O corpo não é templo, casa nem prisão
Uns comem outros fodem uns cometem outros dão
Por graça por esporte ou tara por amor ou não
Velocidade se controla com respiração
O pau se aprofunda mais conforme a posição
O tato mais experiente é a palma da mão
3 780
António Lobo de Carvalho
Soneto IX
A um figurão mui putanheiro, que em prémio de suas laboriosas proezas teve a pica decepada
De foder sujos conos já cansado
De Almeida apodreceu o membro enorme;
Parou enfim a máquina triforme,
Que tinha imensas cricas arrombado:
Soou por toda a parte o grosso brado
Do tremendo marzapo ingente, e informe;
Mas (desgraça cruel!) em cinzas dorme,
Por amolados ferros decotado:
A ver o triste funeral correram
Mais de mil putas, que ao fatal estrago
Cobrindo os olhos com as mãos gemeram:
Temei, casadas, o venal afago:
Olhai que vis michelas concorreram
Para ficar de Nise o cono vago
De foder sujos conos já cansado
De Almeida apodreceu o membro enorme;
Parou enfim a máquina triforme,
Que tinha imensas cricas arrombado:
Soou por toda a parte o grosso brado
Do tremendo marzapo ingente, e informe;
Mas (desgraça cruel!) em cinzas dorme,
Por amolados ferros decotado:
A ver o triste funeral correram
Mais de mil putas, que ao fatal estrago
Cobrindo os olhos com as mãos gemeram:
Temei, casadas, o venal afago:
Olhai que vis michelas concorreram
Para ficar de Nise o cono vago
1 205
António Lobo de Carvalho
Soneto IX
A um figurão mui putanheiro, que em prémio de suas laboriosas proezas teve a pica decepada
De foder sujos conos já cansado
De Almeida apodreceu o membro enorme;
Parou enfim a máquina triforme,
Que tinha imensas cricas arrombado:
Soou por toda a parte o grosso brado
Do tremendo marzapo ingente, e informe;
Mas (desgraça cruel!) em cinzas dorme,
Por amolados ferros decotado:
A ver o triste funeral correram
Mais de mil putas, que ao fatal estrago
Cobrindo os olhos com as mãos gemeram:
Temei, casadas, o venal afago:
Olhai que vis michelas concorreram
Para ficar de Nise o cono vago
De foder sujos conos já cansado
De Almeida apodreceu o membro enorme;
Parou enfim a máquina triforme,
Que tinha imensas cricas arrombado:
Soou por toda a parte o grosso brado
Do tremendo marzapo ingente, e informe;
Mas (desgraça cruel!) em cinzas dorme,
Por amolados ferros decotado:
A ver o triste funeral correram
Mais de mil putas, que ao fatal estrago
Cobrindo os olhos com as mãos gemeram:
Temei, casadas, o venal afago:
Olhai que vis michelas concorreram
Para ficar de Nise o cono vago
1 205
Arsenii Tarkovskii
Os Primeiros Encontros
Os Primeiros Encontros
Cada momento passado juntos Era uma celebração, uma Epifania, Nós os dois sozinhos no mundo. Tu, tão audaz, mais leve que uma asa, Descias numa vertigem a escada A dois e dois, arrastando-me Através de húmidos lilases, aos teus domínios Do outro lado, passando o espelho.
Pela noite
concedias-me o favor,
Abriam-se as portas do altar
E a nossa nudez iluminava o escuro
À medida que genufletia. E ao acordar
Eu diria “Abençoada sejas!”
Sabendo como pretenciosa era a benção:
Dormias, os lilases tombavam da mesa
Para tocar-te as pálpebras num universo de azul,
E tu recebias esse sinal sobre as pálpebras
Imóveis, e imóvel estava a tua mão quente.
Rios palpitantes
por dentro do cristal,
A montanha assomando na bruma, mar enfurecido,
E tu com a bola de cristal nas mãos,
Sentada num trono enquanto domes,
— Deus do céu! — tu pertences-me.
Acordas para transfigurar
As palavras de todos os dias,
E o teu discorrer transbordante
De poder revela na palavra “tu”
o seu novo sentido: significa “rei”.
Simples objectos transfigurados,
Tudo — a bacia, o jarro —, tudo
Uma vez de sentinela entre nós
Se torna límpido, laminar e firme.
Íamos,
sem saber para onde,
Perseguidos por miragens de cidades
Derrotadas construídas no milagre,
Hortelã pimenta aos nossos pés,
As aves acompanhando-nos o voo,
E no rio os peixes á procura da nascente;
O céu, a nós se abrindo.
Porque o destino
seguia-nos o rastro
Como um louco com uma navalha na mão.
Cada momento passado juntos Era uma celebração, uma Epifania, Nós os dois sozinhos no mundo. Tu, tão audaz, mais leve que uma asa, Descias numa vertigem a escada A dois e dois, arrastando-me Através de húmidos lilases, aos teus domínios Do outro lado, passando o espelho.
Pela noite
concedias-me o favor,
Abriam-se as portas do altar
E a nossa nudez iluminava o escuro
À medida que genufletia. E ao acordar
Eu diria “Abençoada sejas!”
Sabendo como pretenciosa era a benção:
Dormias, os lilases tombavam da mesa
Para tocar-te as pálpebras num universo de azul,
E tu recebias esse sinal sobre as pálpebras
Imóveis, e imóvel estava a tua mão quente.
Rios palpitantes
por dentro do cristal,
A montanha assomando na bruma, mar enfurecido,
E tu com a bola de cristal nas mãos,
Sentada num trono enquanto domes,
— Deus do céu! — tu pertences-me.
Acordas para transfigurar
As palavras de todos os dias,
E o teu discorrer transbordante
De poder revela na palavra “tu”
o seu novo sentido: significa “rei”.
Simples objectos transfigurados,
Tudo — a bacia, o jarro —, tudo
Uma vez de sentinela entre nós
Se torna límpido, laminar e firme.
Íamos,
sem saber para onde,
Perseguidos por miragens de cidades
Derrotadas construídas no milagre,
Hortelã pimenta aos nossos pés,
As aves acompanhando-nos o voo,
E no rio os peixes á procura da nascente;
O céu, a nós se abrindo.
Porque o destino
seguia-nos o rastro
Como um louco com uma navalha na mão.
1 224
Bocage
Se tu visses, Josino, a minha amada
Se tu visses, Josino, a minha amada,
Havias de louvar o meu bom gosto;
Pois seu nevado, rubicundo rosto,
Às mais formosas não inveja nada:
Na sua boca Vénus faz morada:
Nos olhos Cupido as setas posto;
Nas mamas faz Lascívia o seu encosto,
Nela enfim tudo encanta, tudo agrada:
Se a Ásia visse coisa tão bonita
Talvez lhe levantasse algum pagode
A gente, que na foda se exercita!
Beleza mais completa haver não pode:
Pois mesmo o cono seu, quando palpita,
Parece estar dizendo: "Fode, fode!"
Havias de louvar o meu bom gosto;
Pois seu nevado, rubicundo rosto,
Às mais formosas não inveja nada:
Na sua boca Vénus faz morada:
Nos olhos Cupido as setas posto;
Nas mamas faz Lascívia o seu encosto,
Nela enfim tudo encanta, tudo agrada:
Se a Ásia visse coisa tão bonita
Talvez lhe levantasse algum pagode
A gente, que na foda se exercita!
Beleza mais completa haver não pode:
Pois mesmo o cono seu, quando palpita,
Parece estar dizendo: "Fode, fode!"
1 357
Rainer Maria Rilke
A hora inclina-se
A hora inclina-se
e toca-me
com golpe claro,metálico:
Tremem-me os sentido.Sinto : eu posso-
e agarro o dia plástico.
Nenhuma coisa
era perfeita antes de eu a olhar,
todo o devir parara.
A cada um dos meus olhares,agora já maduros,
vem,como noiva,a coisa apetecida.
Nada é
pequeno para mim,e amo-o apesar de tudo
e pinto-o em fundo de ouro,e grande,
e ergo-o ao alto,e não sei a quem
libertará a alma...
e toca-me
com golpe claro,metálico:
Tremem-me os sentido.Sinto : eu posso-
e agarro o dia plástico.
Nenhuma coisa
era perfeita antes de eu a olhar,
todo o devir parara.
A cada um dos meus olhares,agora já maduros,
vem,como noiva,a coisa apetecida.
Nada é
pequeno para mim,e amo-o apesar de tudo
e pinto-o em fundo de ouro,e grande,
e ergo-o ao alto,e não sei a quem
libertará a alma...
1 351
Pierre de Ronsard
Je te salue…
Je te salue, ô vermeillette fente
Qui vivement entre ces flancs reluis;
Je te salue, ô bienheuré pertuis,
Qui rend ma vie heureusement contente!
Cest toi qui fais que plus ne me tourmente
Larcher volant qui causait mes ennuis;
Tayant tenu seulement quatre nuits,
Je sens ma force en moi déjà plus lente.
Ô petit trou, trou mignard, trou velu,
Dun poil follet mollement crêpelu,
Qui à ton gré domptes les plus rebelles:
Tous verts galants devraient, pour thonnorer,
À beaux genoux te venir adorer,
Tenant au poing leurs flambantes chandelles!
Qui vivement entre ces flancs reluis;
Je te salue, ô bienheuré pertuis,
Qui rend ma vie heureusement contente!
Cest toi qui fais que plus ne me tourmente
Larcher volant qui causait mes ennuis;
Tayant tenu seulement quatre nuits,
Je sens ma force en moi déjà plus lente.
Ô petit trou, trou mignard, trou velu,
Dun poil follet mollement crêpelu,
Qui à ton gré domptes les plus rebelles:
Tous verts galants devraient, pour thonnorer,
À beaux genoux te venir adorer,
Tenant au poing leurs flambantes chandelles!
1 791
António Lobo de Carvalho
Soneto VI
A certa Messalina dos nossos tempos, a quem se pode aplicar o que Juvenal dizia da romana
Essa altiva mulher, cara de borra,
Alta, magra, amarela, tola e feia,
Casada com um ourives que laureia,
Ténue dote comendo à tripa-forra:
Também ninguém duvida que Ihe escorra
Pelas pemas humor de gonorreia;
É tão puta, que diz à boca cheia
Que jamais se acolheu farta de porra:
Se a não fartou do Braga um caralhote
De vinte, nem do Arrobas um caralho
Nem outras porras mil, todas de lote;
Como há-de saciá-la o seu paspalho,
Qus tendo uma barriga como um pote,
Tem piça menor que um dente de alho?
Essa altiva mulher, cara de borra,
Alta, magra, amarela, tola e feia,
Casada com um ourives que laureia,
Ténue dote comendo à tripa-forra:
Também ninguém duvida que Ihe escorra
Pelas pemas humor de gonorreia;
É tão puta, que diz à boca cheia
Que jamais se acolheu farta de porra:
Se a não fartou do Braga um caralhote
De vinte, nem do Arrobas um caralho
Nem outras porras mil, todas de lote;
Como há-de saciá-la o seu paspalho,
Qus tendo uma barriga como um pote,
Tem piça menor que um dente de alho?
1 228
Vicente Franz Cecim
Àquele que dorme sem sono
Os teus corpos, Um de Carne e Outro de Sombra,
envolve em óleos
pois são dois, e o segundo é mais real
É preciso ver num sonho
a paisagem das verdades
onde insetos vêm pousar em nossas mãos
Há palavras que os homens não dizem
Há águas tão amargas,
filho,
que se recusam a devolver às fontes
as antigas possibilidades musicais da espécie
Mas as luas da febre
estão passando
sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar
Um longo caminho não é sinal de eternidade
Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas
E não ter colhido o mel,
a um murmúrio de distância dos teus lábios,
salgou ainda mais as colméias eternas
É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal
E há uns que temem a queda das unhas no inverno,
e há outros que pararam a vida
numa estação vazia
É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos
pousariam
em nossas mãos: Os ouvidos humanos
são cavernas escuras
Agora nascerão raízes,
quando esperavas asas
E quem sabe um dia virão frutos
para te dar ao leite coagulado,
suficiente é ter nascido
Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve
a dádiva
dos lagos e da gota de veneno
e um oceano de lágrimas
para encher os olhos de ternura
O que tu sabes de ti?
Somente que já vai começando a desaceleração do vento
em teus cabelos
A menos que desças no caminho, para colher as
imagens
que foram caindo da nossa memória,
estás perdido
A menos que subas, ao avistar uma montanha de
homens
que foram virados do avesso, os ossos por fora,
a carne por dentro,
e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?
Chama o vento com o ar dos teus pulmões
por amor às cinzas
Estas perdido
Entre a festa para receber,
com festa humana,
e uma esperança de ferrugens
Sob os sons das estrelas,
uma esperança de ferrugens
é o que te fere a sombra
e estás perdido
A melhor coisa que fazes
e a pior, será parar a circulação contínua da máquina
Prova uma gota do nosso sangue,
e aceita, sorrindo,
que isso aconteceu,
que foram caindo da nossa memória
a polpa e a seiva, tingidas de vermelho
Um futuro de rodas que já não rodarão
para as colheitas do destino
Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta
virgem a cada dia
E a voz que te diz isso:
ao menos uma vez
teremos o ferro do nosso dispensável coração
Então, por que não semear de mãos vazias?
envolve em óleos
pois são dois, e o segundo é mais real
É preciso ver num sonho
a paisagem das verdades
onde insetos vêm pousar em nossas mãos
Há palavras que os homens não dizem
Há águas tão amargas,
filho,
que se recusam a devolver às fontes
as antigas possibilidades musicais da espécie
Mas as luas da febre
estão passando
sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar
Um longo caminho não é sinal de eternidade
Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas
E não ter colhido o mel,
a um murmúrio de distância dos teus lábios,
salgou ainda mais as colméias eternas
É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal
E há uns que temem a queda das unhas no inverno,
e há outros que pararam a vida
numa estação vazia
É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos
pousariam
em nossas mãos: Os ouvidos humanos
são cavernas escuras
Agora nascerão raízes,
quando esperavas asas
E quem sabe um dia virão frutos
para te dar ao leite coagulado,
suficiente é ter nascido
Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve
a dádiva
dos lagos e da gota de veneno
e um oceano de lágrimas
para encher os olhos de ternura
O que tu sabes de ti?
Somente que já vai começando a desaceleração do vento
em teus cabelos
A menos que desças no caminho, para colher as
imagens
que foram caindo da nossa memória,
estás perdido
A menos que subas, ao avistar uma montanha de
homens
que foram virados do avesso, os ossos por fora,
a carne por dentro,
e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?
Chama o vento com o ar dos teus pulmões
por amor às cinzas
Estas perdido
Entre a festa para receber,
com festa humana,
e uma esperança de ferrugens
Sob os sons das estrelas,
uma esperança de ferrugens
é o que te fere a sombra
e estás perdido
A melhor coisa que fazes
e a pior, será parar a circulação contínua da máquina
Prova uma gota do nosso sangue,
e aceita, sorrindo,
que isso aconteceu,
que foram caindo da nossa memória
a polpa e a seiva, tingidas de vermelho
Um futuro de rodas que já não rodarão
para as colheitas do destino
Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta
virgem a cada dia
E a voz que te diz isso:
ao menos uma vez
teremos o ferro do nosso dispensável coração
Então, por que não semear de mãos vazias?
1 312
Vicente Franz Cecim
Àquele que dorme sem sono
Os teus corpos, Um de Carne e Outro de Sombra,
envolve em óleos
pois são dois, e o segundo é mais real
É preciso ver num sonho
a paisagem das verdades
onde insetos vêm pousar em nossas mãos
Há palavras que os homens não dizem
Há águas tão amargas,
filho,
que se recusam a devolver às fontes
as antigas possibilidades musicais da espécie
Mas as luas da febre
estão passando
sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar
Um longo caminho não é sinal de eternidade
Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas
E não ter colhido o mel,
a um murmúrio de distância dos teus lábios,
salgou ainda mais as colméias eternas
É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal
E há uns que temem a queda das unhas no inverno,
e há outros que pararam a vida
numa estação vazia
É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos
pousariam
em nossas mãos: Os ouvidos humanos
são cavernas escuras
Agora nascerão raízes,
quando esperavas asas
E quem sabe um dia virão frutos
para te dar ao leite coagulado,
suficiente é ter nascido
Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve
a dádiva
dos lagos e da gota de veneno
e um oceano de lágrimas
para encher os olhos de ternura
O que tu sabes de ti?
Somente que já vai começando a desaceleração do vento
em teus cabelos
A menos que desças no caminho, para colher as
imagens
que foram caindo da nossa memória,
estás perdido
A menos que subas, ao avistar uma montanha de
homens
que foram virados do avesso, os ossos por fora,
a carne por dentro,
e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?
Chama o vento com o ar dos teus pulmões
por amor às cinzas
Estas perdido
Entre a festa para receber,
com festa humana,
e uma esperança de ferrugens
Sob os sons das estrelas,
uma esperança de ferrugens
é o que te fere a sombra
e estás perdido
A melhor coisa que fazes
e a pior, será parar a circulação contínua da máquina
Prova uma gota do nosso sangue,
e aceita, sorrindo,
que isso aconteceu,
que foram caindo da nossa memória
a polpa e a seiva, tingidas de vermelho
Um futuro de rodas que já não rodarão
para as colheitas do destino
Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta
virgem a cada dia
E a voz que te diz isso:
ao menos uma vez
teremos o ferro do nosso dispensável coração
Então, por que não semear de mãos vazias?
envolve em óleos
pois são dois, e o segundo é mais real
É preciso ver num sonho
a paisagem das verdades
onde insetos vêm pousar em nossas mãos
Há palavras que os homens não dizem
Há águas tão amargas,
filho,
que se recusam a devolver às fontes
as antigas possibilidades musicais da espécie
Mas as luas da febre
estão passando
sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar
Um longo caminho não é sinal de eternidade
Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas
E não ter colhido o mel,
a um murmúrio de distância dos teus lábios,
salgou ainda mais as colméias eternas
É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal
E há uns que temem a queda das unhas no inverno,
e há outros que pararam a vida
numa estação vazia
É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos
pousariam
em nossas mãos: Os ouvidos humanos
são cavernas escuras
Agora nascerão raízes,
quando esperavas asas
E quem sabe um dia virão frutos
para te dar ao leite coagulado,
suficiente é ter nascido
Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve
a dádiva
dos lagos e da gota de veneno
e um oceano de lágrimas
para encher os olhos de ternura
O que tu sabes de ti?
Somente que já vai começando a desaceleração do vento
em teus cabelos
A menos que desças no caminho, para colher as
imagens
que foram caindo da nossa memória,
estás perdido
A menos que subas, ao avistar uma montanha de
homens
que foram virados do avesso, os ossos por fora,
a carne por dentro,
e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?
Chama o vento com o ar dos teus pulmões
por amor às cinzas
Estas perdido
Entre a festa para receber,
com festa humana,
e uma esperança de ferrugens
Sob os sons das estrelas,
uma esperança de ferrugens
é o que te fere a sombra
e estás perdido
A melhor coisa que fazes
e a pior, será parar a circulação contínua da máquina
Prova uma gota do nosso sangue,
e aceita, sorrindo,
que isso aconteceu,
que foram caindo da nossa memória
a polpa e a seiva, tingidas de vermelho
Um futuro de rodas que já não rodarão
para as colheitas do destino
Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta
virgem a cada dia
E a voz que te diz isso:
ao menos uma vez
teremos o ferro do nosso dispensável coração
Então, por que não semear de mãos vazias?
1 312
Vicente Franz Cecim
Àquele que dorme sem sono
Os teus corpos, Um de Carne e Outro de Sombra,
envolve em óleos
pois são dois, e o segundo é mais real
É preciso ver num sonho
a paisagem das verdades
onde insetos vêm pousar em nossas mãos
Há palavras que os homens não dizem
Há águas tão amargas,
filho,
que se recusam a devolver às fontes
as antigas possibilidades musicais da espécie
Mas as luas da febre
estão passando
sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar
Um longo caminho não é sinal de eternidade
Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas
E não ter colhido o mel,
a um murmúrio de distância dos teus lábios,
salgou ainda mais as colméias eternas
É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal
E há uns que temem a queda das unhas no inverno,
e há outros que pararam a vida
numa estação vazia
É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos
pousariam
em nossas mãos: Os ouvidos humanos
são cavernas escuras
Agora nascerão raízes,
quando esperavas asas
E quem sabe um dia virão frutos
para te dar ao leite coagulado,
suficiente é ter nascido
Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve
a dádiva
dos lagos e da gota de veneno
e um oceano de lágrimas
para encher os olhos de ternura
O que tu sabes de ti?
Somente que já vai começando a desaceleração do vento
em teus cabelos
A menos que desças no caminho, para colher as
imagens
que foram caindo da nossa memória,
estás perdido
A menos que subas, ao avistar uma montanha de
homens
que foram virados do avesso, os ossos por fora,
a carne por dentro,
e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?
Chama o vento com o ar dos teus pulmões
por amor às cinzas
Estas perdido
Entre a festa para receber,
com festa humana,
e uma esperança de ferrugens
Sob os sons das estrelas,
uma esperança de ferrugens
é o que te fere a sombra
e estás perdido
A melhor coisa que fazes
e a pior, será parar a circulação contínua da máquina
Prova uma gota do nosso sangue,
e aceita, sorrindo,
que isso aconteceu,
que foram caindo da nossa memória
a polpa e a seiva, tingidas de vermelho
Um futuro de rodas que já não rodarão
para as colheitas do destino
Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta
virgem a cada dia
E a voz que te diz isso:
ao menos uma vez
teremos o ferro do nosso dispensável coração
Então, por que não semear de mãos vazias?
envolve em óleos
pois são dois, e o segundo é mais real
É preciso ver num sonho
a paisagem das verdades
onde insetos vêm pousar em nossas mãos
Há palavras que os homens não dizem
Há águas tão amargas,
filho,
que se recusam a devolver às fontes
as antigas possibilidades musicais da espécie
Mas as luas da febre
estão passando
sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar
Um longo caminho não é sinal de eternidade
Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas
E não ter colhido o mel,
a um murmúrio de distância dos teus lábios,
salgou ainda mais as colméias eternas
É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal
E há uns que temem a queda das unhas no inverno,
e há outros que pararam a vida
numa estação vazia
É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos
pousariam
em nossas mãos: Os ouvidos humanos
são cavernas escuras
Agora nascerão raízes,
quando esperavas asas
E quem sabe um dia virão frutos
para te dar ao leite coagulado,
suficiente é ter nascido
Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve
a dádiva
dos lagos e da gota de veneno
e um oceano de lágrimas
para encher os olhos de ternura
O que tu sabes de ti?
Somente que já vai começando a desaceleração do vento
em teus cabelos
A menos que desças no caminho, para colher as
imagens
que foram caindo da nossa memória,
estás perdido
A menos que subas, ao avistar uma montanha de
homens
que foram virados do avesso, os ossos por fora,
a carne por dentro,
e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?
Chama o vento com o ar dos teus pulmões
por amor às cinzas
Estas perdido
Entre a festa para receber,
com festa humana,
e uma esperança de ferrugens
Sob os sons das estrelas,
uma esperança de ferrugens
é o que te fere a sombra
e estás perdido
A melhor coisa que fazes
e a pior, será parar a circulação contínua da máquina
Prova uma gota do nosso sangue,
e aceita, sorrindo,
que isso aconteceu,
que foram caindo da nossa memória
a polpa e a seiva, tingidas de vermelho
Um futuro de rodas que já não rodarão
para as colheitas do destino
Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta
virgem a cada dia
E a voz que te diz isso:
ao menos uma vez
teremos o ferro do nosso dispensável coração
Então, por que não semear de mãos vazias?
1 312
Vicente Franz Cecim
Àquele que dorme sem sono
Os teus corpos, Um de Carne e Outro de Sombra,
envolve em óleos
pois são dois, e o segundo é mais real
É preciso ver num sonho
a paisagem das verdades
onde insetos vêm pousar em nossas mãos
Há palavras que os homens não dizem
Há águas tão amargas,
filho,
que se recusam a devolver às fontes
as antigas possibilidades musicais da espécie
Mas as luas da febre
estão passando
sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar
Um longo caminho não é sinal de eternidade
Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas
E não ter colhido o mel,
a um murmúrio de distância dos teus lábios,
salgou ainda mais as colméias eternas
É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal
E há uns que temem a queda das unhas no inverno,
e há outros que pararam a vida
numa estação vazia
É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos
pousariam
em nossas mãos: Os ouvidos humanos
são cavernas escuras
Agora nascerão raízes,
quando esperavas asas
E quem sabe um dia virão frutos
para te dar ao leite coagulado,
suficiente é ter nascido
Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve
a dádiva
dos lagos e da gota de veneno
e um oceano de lágrimas
para encher os olhos de ternura
O que tu sabes de ti?
Somente que já vai começando a desaceleração do vento
em teus cabelos
A menos que desças no caminho, para colher as
imagens
que foram caindo da nossa memória,
estás perdido
A menos que subas, ao avistar uma montanha de
homens
que foram virados do avesso, os ossos por fora,
a carne por dentro,
e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?
Chama o vento com o ar dos teus pulmões
por amor às cinzas
Estas perdido
Entre a festa para receber,
com festa humana,
e uma esperança de ferrugens
Sob os sons das estrelas,
uma esperança de ferrugens
é o que te fere a sombra
e estás perdido
A melhor coisa que fazes
e a pior, será parar a circulação contínua da máquina
Prova uma gota do nosso sangue,
e aceita, sorrindo,
que isso aconteceu,
que foram caindo da nossa memória
a polpa e a seiva, tingidas de vermelho
Um futuro de rodas que já não rodarão
para as colheitas do destino
Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta
virgem a cada dia
E a voz que te diz isso:
ao menos uma vez
teremos o ferro do nosso dispensável coração
Então, por que não semear de mãos vazias?
envolve em óleos
pois são dois, e o segundo é mais real
É preciso ver num sonho
a paisagem das verdades
onde insetos vêm pousar em nossas mãos
Há palavras que os homens não dizem
Há águas tão amargas,
filho,
que se recusam a devolver às fontes
as antigas possibilidades musicais da espécie
Mas as luas da febre
estão passando
sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar
Um longo caminho não é sinal de eternidade
Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas
E não ter colhido o mel,
a um murmúrio de distância dos teus lábios,
salgou ainda mais as colméias eternas
É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal
E há uns que temem a queda das unhas no inverno,
e há outros que pararam a vida
numa estação vazia
É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos
pousariam
em nossas mãos: Os ouvidos humanos
são cavernas escuras
Agora nascerão raízes,
quando esperavas asas
E quem sabe um dia virão frutos
para te dar ao leite coagulado,
suficiente é ter nascido
Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve
a dádiva
dos lagos e da gota de veneno
e um oceano de lágrimas
para encher os olhos de ternura
O que tu sabes de ti?
Somente que já vai começando a desaceleração do vento
em teus cabelos
A menos que desças no caminho, para colher as
imagens
que foram caindo da nossa memória,
estás perdido
A menos que subas, ao avistar uma montanha de
homens
que foram virados do avesso, os ossos por fora,
a carne por dentro,
e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?
Chama o vento com o ar dos teus pulmões
por amor às cinzas
Estas perdido
Entre a festa para receber,
com festa humana,
e uma esperança de ferrugens
Sob os sons das estrelas,
uma esperança de ferrugens
é o que te fere a sombra
e estás perdido
A melhor coisa que fazes
e a pior, será parar a circulação contínua da máquina
Prova uma gota do nosso sangue,
e aceita, sorrindo,
que isso aconteceu,
que foram caindo da nossa memória
a polpa e a seiva, tingidas de vermelho
Um futuro de rodas que já não rodarão
para as colheitas do destino
Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta
virgem a cada dia
E a voz que te diz isso:
ao menos uma vez
teremos o ferro do nosso dispensável coração
Então, por que não semear de mãos vazias?
1 312
Augusto dos Anjos
Depois da orgia
O prazer que na orgia a hetaíra goza
Produz no meu sensorium de bacante
O efeito de uma túnica brilhante
Cobrindo ampla apostema escrofulosa!
Troveja! E anelo ter, sôfrega e ansiosa,
O sistema nervoso de um gigante
Para sofrer na minha carne estuante
A dor da força cósmica furiosa.
Apraz-me, enfim, despindo a última alfaia
Que ao comércio dos homens me traz presa,
Livre deste cadeado de peçonha,
Semelhante a um cachorro de atalaia
Às decomposições da Natureza,
Ficar latindo minha dor medonha!
Produz no meu sensorium de bacante
O efeito de uma túnica brilhante
Cobrindo ampla apostema escrofulosa!
Troveja! E anelo ter, sôfrega e ansiosa,
O sistema nervoso de um gigante
Para sofrer na minha carne estuante
A dor da força cósmica furiosa.
Apraz-me, enfim, despindo a última alfaia
Que ao comércio dos homens me traz presa,
Livre deste cadeado de peçonha,
Semelhante a um cachorro de atalaia
Às decomposições da Natureza,
Ficar latindo minha dor medonha!
2 699
Vitorino Nemésio
Casa do Ser
A língua é a casa do Ser.
Holderlin e Heidegger
Língua,Casa do Ser que lá não mora,
E,se chama,não está por morador,
Que só em nós o verbo se demora
Como sombra de sol e eco de amor.
Abrigo sim,porém sem tecto,fora
De torre ou porta,os muros no interior:
Assim a Casa essente rompe à aurora
Para se incendiar com o sol-pôr.
É a noite o seu rápido alicerce,
Enquanto Casa,que não Ser(aéreo
O que nem isso é,ia eu dizer
No hábito verbal que corta cerce
A hastilha do jardim da Casa,etéreo
Mensageiro de fogo.Pode ser).
de O Verbo E A Morte
Holderlin e Heidegger
Língua,Casa do Ser que lá não mora,
E,se chama,não está por morador,
Que só em nós o verbo se demora
Como sombra de sol e eco de amor.
Abrigo sim,porém sem tecto,fora
De torre ou porta,os muros no interior:
Assim a Casa essente rompe à aurora
Para se incendiar com o sol-pôr.
É a noite o seu rápido alicerce,
Enquanto Casa,que não Ser(aéreo
O que nem isso é,ia eu dizer
No hábito verbal que corta cerce
A hastilha do jardim da Casa,etéreo
Mensageiro de fogo.Pode ser).
de O Verbo E A Morte
2 427
António Lobo de Carvalho
Soneto VII
A boa e descansada vida que levam os nossos frades-pios, digna de inveja por todas as considerações
Desde que nasce o sol até que é posto
Governa o lavrador o curvo arado,
E do anos o soldado carregado
Peleja, quer por força, quer por gosto:
Cristalino suor alaga o rosto
Do barqueiro, do remo calejado;
Do cascável ao dente envenenado
Anda o rude algodista sempre exposto:
Trabalha o pobre desde a tenra idade;
O destro pescador lanços sacode
Para escapar da fome à atrocidade;
Todos trabalham, pois que ninguém pode
Comer sem trabalhar; somente o frade
Come, bebe, descansa e depois fode.
Desde que nasce o sol até que é posto
Governa o lavrador o curvo arado,
E do anos o soldado carregado
Peleja, quer por força, quer por gosto:
Cristalino suor alaga o rosto
Do barqueiro, do remo calejado;
Do cascável ao dente envenenado
Anda o rude algodista sempre exposto:
Trabalha o pobre desde a tenra idade;
O destro pescador lanços sacode
Para escapar da fome à atrocidade;
Todos trabalham, pois que ninguém pode
Comer sem trabalhar; somente o frade
Come, bebe, descansa e depois fode.
1 286
Hilda Hilst
E por que haverias de querer
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
1 991
Hilda Hilst
E por que haverias de querer
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
1 991
Hilda Hilst
E por que haverias de querer
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
1 991