Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Amadeu Amaral
Palavras, nem Sempre as Leva o Vento
Manda o costume devolver o insulto
com outro insulto igual, senão melhor.
Não procedais assim, que é baixo e estulto.
Temeis o mal? Pois evitai o pior.
Cada palavra que dizeis de vulto,
como o som de um violino anda em redor,
depois de vos revoar no ser oculto,
por onde a ressonância a fez maior.
O violino, porém, não se recorda
do som que um dia lhe vibrou na corda,
e o vosso coração fica a fremir;
e, às vezes, a palavra, além, se esquece,
enquanto em vosso peito permanece,
como pedra que a um lago foi cair.
Publicado no livro Lâmpada antiga: versos (1924). Poema integrante da série Carta de Guia de Meus Filhos.
In: Poesias completas. São Paulo: HUCITEC: Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado, 1977. p.230. (Obras de Amadeu Amaral
com outro insulto igual, senão melhor.
Não procedais assim, que é baixo e estulto.
Temeis o mal? Pois evitai o pior.
Cada palavra que dizeis de vulto,
como o som de um violino anda em redor,
depois de vos revoar no ser oculto,
por onde a ressonância a fez maior.
O violino, porém, não se recorda
do som que um dia lhe vibrou na corda,
e o vosso coração fica a fremir;
e, às vezes, a palavra, além, se esquece,
enquanto em vosso peito permanece,
como pedra que a um lago foi cair.
Publicado no livro Lâmpada antiga: versos (1924). Poema integrante da série Carta de Guia de Meus Filhos.
In: Poesias completas. São Paulo: HUCITEC: Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado, 1977. p.230. (Obras de Amadeu Amaral
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Amadeu Amaral
Palavras, nem Sempre as Leva o Vento
Manda o costume devolver o insulto
com outro insulto igual, senão melhor.
Não procedais assim, que é baixo e estulto.
Temeis o mal? Pois evitai o pior.
Cada palavra que dizeis de vulto,
como o som de um violino anda em redor,
depois de vos revoar no ser oculto,
por onde a ressonância a fez maior.
O violino, porém, não se recorda
do som que um dia lhe vibrou na corda,
e o vosso coração fica a fremir;
e, às vezes, a palavra, além, se esquece,
enquanto em vosso peito permanece,
como pedra que a um lago foi cair.
Publicado no livro Lâmpada antiga: versos (1924). Poema integrante da série Carta de Guia de Meus Filhos.
In: Poesias completas. São Paulo: HUCITEC: Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado, 1977. p.230. (Obras de Amadeu Amaral
com outro insulto igual, senão melhor.
Não procedais assim, que é baixo e estulto.
Temeis o mal? Pois evitai o pior.
Cada palavra que dizeis de vulto,
como o som de um violino anda em redor,
depois de vos revoar no ser oculto,
por onde a ressonância a fez maior.
O violino, porém, não se recorda
do som que um dia lhe vibrou na corda,
e o vosso coração fica a fremir;
e, às vezes, a palavra, além, se esquece,
enquanto em vosso peito permanece,
como pedra que a um lago foi cair.
Publicado no livro Lâmpada antiga: versos (1924). Poema integrante da série Carta de Guia de Meus Filhos.
In: Poesias completas. São Paulo: HUCITEC: Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado, 1977. p.230. (Obras de Amadeu Amaral
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Rubens Rodrigues Torres Filho
Trovas Populares
I
Botei lenha no borralho
comprei ovos no mercado
mexi tudo na panela
preparei uma omelete
II
Havia flores na estrada
havia tédio no pátio
Dêem-me quatro desenhos
de mulheres e de sóis
III
Onde foi visto (aqui mesmo)
o cosmo através das lentes
porém crianças latentes
e os poetas minerais
IV
Vou-me embora p'ra Brasília
estou cansado de estar
Me mudo para uma ilha
Tem alguma p'ra alugar?
V
Foi em vão que João fugiu
todo-o-mundo abriu a boca
Jogou seu corpo no rio
Dona Xica ficou louca
VI
Resta ainda nesta terra
um pouco de quase-amor
um resto de primavera
que ninguém sabe onde pôr
VII
Coloque o vaso num canto
Logo as flores vão murchar
Vou aprender esperanto
p'ra nunca mais conversar
(...)
In: TORRES FILHO, Rubens Rodrigues. Retrovar: poemas. São Paulo: Iluminuras, 1993.
NOTA: Poema composto de 11 trovas (quadras
Botei lenha no borralho
comprei ovos no mercado
mexi tudo na panela
preparei uma omelete
II
Havia flores na estrada
havia tédio no pátio
Dêem-me quatro desenhos
de mulheres e de sóis
III
Onde foi visto (aqui mesmo)
o cosmo através das lentes
porém crianças latentes
e os poetas minerais
IV
Vou-me embora p'ra Brasília
estou cansado de estar
Me mudo para uma ilha
Tem alguma p'ra alugar?
V
Foi em vão que João fugiu
todo-o-mundo abriu a boca
Jogou seu corpo no rio
Dona Xica ficou louca
VI
Resta ainda nesta terra
um pouco de quase-amor
um resto de primavera
que ninguém sabe onde pôr
VII
Coloque o vaso num canto
Logo as flores vão murchar
Vou aprender esperanto
p'ra nunca mais conversar
(...)
In: TORRES FILHO, Rubens Rodrigues. Retrovar: poemas. São Paulo: Iluminuras, 1993.
NOTA: Poema composto de 11 trovas (quadras
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1
Ulisses Tavares
Maravilhas da Flora
Pinheiros natalinos sintéticos,
flores cor-de-fuligem,
arbustos esqueléticos,
florestas de antenas de TV,
alfaces com DDD.
In: TAVARES, Ulisses. Caindo na real. Il. Angeli. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. p.59. (Jovens do mundo todo
flores cor-de-fuligem,
arbustos esqueléticos,
florestas de antenas de TV,
alfaces com DDD.
In: TAVARES, Ulisses. Caindo na real. Il. Angeli. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. p.59. (Jovens do mundo todo
1 835
1
Ulisses Tavares
Maravilhas da Flora
Pinheiros natalinos sintéticos,
flores cor-de-fuligem,
arbustos esqueléticos,
florestas de antenas de TV,
alfaces com DDD.
In: TAVARES, Ulisses. Caindo na real. Il. Angeli. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. p.59. (Jovens do mundo todo
flores cor-de-fuligem,
arbustos esqueléticos,
florestas de antenas de TV,
alfaces com DDD.
In: TAVARES, Ulisses. Caindo na real. Il. Angeli. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. p.59. (Jovens do mundo todo
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1
Augusto dos Anjos
o Fim das Coisas
Pode o homem bruto, adstrito à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A lâmpada aflogística de Davi!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho,
Como o desaguadouro atro de um rio...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
Publicado no livro Eu: poesias completas (1920). Poema integrante da série Outras Poesias.
In: REIS, Zenir Campos. Augusto dos Anjos: poesia e prosa. São Paulo: Ática, 1977. p.190. (Ensaios, 32
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A lâmpada aflogística de Davi!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho,
Como o desaguadouro atro de um rio...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
Publicado no livro Eu: poesias completas (1920). Poema integrante da série Outras Poesias.
In: REIS, Zenir Campos. Augusto dos Anjos: poesia e prosa. São Paulo: Ática, 1977. p.190. (Ensaios, 32
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Augusto dos Anjos
o Fim das Coisas
Pode o homem bruto, adstrito à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A lâmpada aflogística de Davi!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho,
Como o desaguadouro atro de um rio...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
Publicado no livro Eu: poesias completas (1920). Poema integrante da série Outras Poesias.
In: REIS, Zenir Campos. Augusto dos Anjos: poesia e prosa. São Paulo: Ática, 1977. p.190. (Ensaios, 32
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A lâmpada aflogística de Davi!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho,
Como o desaguadouro atro de um rio...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
Publicado no livro Eu: poesias completas (1920). Poema integrante da série Outras Poesias.
In: REIS, Zenir Campos. Augusto dos Anjos: poesia e prosa. São Paulo: Ática, 1977. p.190. (Ensaios, 32
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1
Sousa Caldas
Carta Dirigida a Meu Amigo João de Deus Pires Ferreira [1
Em que lhe descrevo a minha Viagem por mar até Gênova
Meu Pires,
Despontava o dia em que a meus olhos, não
sem saudade, havia por alguns meses desaparecer
Lisboa,
Que merece bem o nome
De Bisâncio ocidental;
Onde o saber pouco val,
Têm valor só prata e ouro,
Branco açúcar, rijo couro;
É melhor ter, que virtude:
Pelo menos assim pensa
Gente douta, e povo rude.
Dir-me-á que de Londres, Amsterdã, Berlim,
Viena, se pode dizer que sicut et nos manquejam
de um olho; não duvido: de Paris por ora nada
digo; espero as leis civis para ajuizar se fizeram
nelas o que devem.
É então que a minha Musa,
De cantar mais ansiosa,
Ferirá de novo as cordas
De sua lira saudosa.
Entretanto vamos ao ponto, que é a descrição
da minha viagem até Gênova. Por onde começarei?
Cansada a mimosa Aurora,
Para o leito se acolhia,
Enquanto Apolo açoitava
Os messageiros do dia.
Em vão Pirois retorcia
As orelhas fumegantes,
E com rinchos dissonantes
Etonte o ar aturdia;
Porque Apolo enfurecido
Mais e mais os fustigava,
Vibrando a torta manopla
Com horroroso estampido:
Vinte vezes foi ouvida,
Qual o vento, sibilar,
E nas ancas revoltosas
Dos ginetes estalar,
Por tal modo
que amanheceu enfim de todo. Confesse que é
uma das manhãs longas que se tem visto raiar
sobre o Horizonte: mas enfim amanheceu. Era de
esperar que, depois de tanto trabalho de Apolo,
a manhã fosse clara e brilhante: não sucedeu
assim;
Porque densa escura névoa,
Por entre o freio, escumavam
Os cavalos furiosos,
Dos açoites que aturavam.
Se lhe não agrada esta teoria, para explicar a
origem das névoas; saiba que em Poesia ainda se
não deu melhor; e se não é certa, ao menos é as-
sim inteligível para mostrar que a manhã foi ne-
bulosa. Irra! que manhã! eu mesmo já não sei
como hei de chegar ao meio-dia, a não ser de pulo.
Saltemos pois:
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
Meu Pires,
Despontava o dia em que a meus olhos, não
sem saudade, havia por alguns meses desaparecer
Lisboa,
Que merece bem o nome
De Bisâncio ocidental;
Onde o saber pouco val,
Têm valor só prata e ouro,
Branco açúcar, rijo couro;
É melhor ter, que virtude:
Pelo menos assim pensa
Gente douta, e povo rude.
Dir-me-á que de Londres, Amsterdã, Berlim,
Viena, se pode dizer que sicut et nos manquejam
de um olho; não duvido: de Paris por ora nada
digo; espero as leis civis para ajuizar se fizeram
nelas o que devem.
É então que a minha Musa,
De cantar mais ansiosa,
Ferirá de novo as cordas
De sua lira saudosa.
Entretanto vamos ao ponto, que é a descrição
da minha viagem até Gênova. Por onde começarei?
Cansada a mimosa Aurora,
Para o leito se acolhia,
Enquanto Apolo açoitava
Os messageiros do dia.
Em vão Pirois retorcia
As orelhas fumegantes,
E com rinchos dissonantes
Etonte o ar aturdia;
Porque Apolo enfurecido
Mais e mais os fustigava,
Vibrando a torta manopla
Com horroroso estampido:
Vinte vezes foi ouvida,
Qual o vento, sibilar,
E nas ancas revoltosas
Dos ginetes estalar,
Por tal modo
que amanheceu enfim de todo. Confesse que é
uma das manhãs longas que se tem visto raiar
sobre o Horizonte: mas enfim amanheceu. Era de
esperar que, depois de tanto trabalho de Apolo,
a manhã fosse clara e brilhante: não sucedeu
assim;
Porque densa escura névoa,
Por entre o freio, escumavam
Os cavalos furiosos,
Dos açoites que aturavam.
Se lhe não agrada esta teoria, para explicar a
origem das névoas; saiba que em Poesia ainda se
não deu melhor; e se não é certa, ao menos é as-
sim inteligível para mostrar que a manhã foi ne-
bulosa. Irra! que manhã! eu mesmo já não sei
como hei de chegar ao meio-dia, a não ser de pulo.
Saltemos pois:
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
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1
Sousa Caldas
Carta Dirigida a Meu Amigo João de Deus Pires Ferreira [1
Em que lhe descrevo a minha Viagem por mar até Gênova
Meu Pires,
Despontava o dia em que a meus olhos, não
sem saudade, havia por alguns meses desaparecer
Lisboa,
Que merece bem o nome
De Bisâncio ocidental;
Onde o saber pouco val,
Têm valor só prata e ouro,
Branco açúcar, rijo couro;
É melhor ter, que virtude:
Pelo menos assim pensa
Gente douta, e povo rude.
Dir-me-á que de Londres, Amsterdã, Berlim,
Viena, se pode dizer que sicut et nos manquejam
de um olho; não duvido: de Paris por ora nada
digo; espero as leis civis para ajuizar se fizeram
nelas o que devem.
É então que a minha Musa,
De cantar mais ansiosa,
Ferirá de novo as cordas
De sua lira saudosa.
Entretanto vamos ao ponto, que é a descrição
da minha viagem até Gênova. Por onde começarei?
Cansada a mimosa Aurora,
Para o leito se acolhia,
Enquanto Apolo açoitava
Os messageiros do dia.
Em vão Pirois retorcia
As orelhas fumegantes,
E com rinchos dissonantes
Etonte o ar aturdia;
Porque Apolo enfurecido
Mais e mais os fustigava,
Vibrando a torta manopla
Com horroroso estampido:
Vinte vezes foi ouvida,
Qual o vento, sibilar,
E nas ancas revoltosas
Dos ginetes estalar,
Por tal modo
que amanheceu enfim de todo. Confesse que é
uma das manhãs longas que se tem visto raiar
sobre o Horizonte: mas enfim amanheceu. Era de
esperar que, depois de tanto trabalho de Apolo,
a manhã fosse clara e brilhante: não sucedeu
assim;
Porque densa escura névoa,
Por entre o freio, escumavam
Os cavalos furiosos,
Dos açoites que aturavam.
Se lhe não agrada esta teoria, para explicar a
origem das névoas; saiba que em Poesia ainda se
não deu melhor; e se não é certa, ao menos é as-
sim inteligível para mostrar que a manhã foi ne-
bulosa. Irra! que manhã! eu mesmo já não sei
como hei de chegar ao meio-dia, a não ser de pulo.
Saltemos pois:
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
Meu Pires,
Despontava o dia em que a meus olhos, não
sem saudade, havia por alguns meses desaparecer
Lisboa,
Que merece bem o nome
De Bisâncio ocidental;
Onde o saber pouco val,
Têm valor só prata e ouro,
Branco açúcar, rijo couro;
É melhor ter, que virtude:
Pelo menos assim pensa
Gente douta, e povo rude.
Dir-me-á que de Londres, Amsterdã, Berlim,
Viena, se pode dizer que sicut et nos manquejam
de um olho; não duvido: de Paris por ora nada
digo; espero as leis civis para ajuizar se fizeram
nelas o que devem.
É então que a minha Musa,
De cantar mais ansiosa,
Ferirá de novo as cordas
De sua lira saudosa.
Entretanto vamos ao ponto, que é a descrição
da minha viagem até Gênova. Por onde começarei?
Cansada a mimosa Aurora,
Para o leito se acolhia,
Enquanto Apolo açoitava
Os messageiros do dia.
Em vão Pirois retorcia
As orelhas fumegantes,
E com rinchos dissonantes
Etonte o ar aturdia;
Porque Apolo enfurecido
Mais e mais os fustigava,
Vibrando a torta manopla
Com horroroso estampido:
Vinte vezes foi ouvida,
Qual o vento, sibilar,
E nas ancas revoltosas
Dos ginetes estalar,
Por tal modo
que amanheceu enfim de todo. Confesse que é
uma das manhãs longas que se tem visto raiar
sobre o Horizonte: mas enfim amanheceu. Era de
esperar que, depois de tanto trabalho de Apolo,
a manhã fosse clara e brilhante: não sucedeu
assim;
Porque densa escura névoa,
Por entre o freio, escumavam
Os cavalos furiosos,
Dos açoites que aturavam.
Se lhe não agrada esta teoria, para explicar a
origem das névoas; saiba que em Poesia ainda se
não deu melhor; e se não é certa, ao menos é as-
sim inteligível para mostrar que a manhã foi ne-
bulosa. Irra! que manhã! eu mesmo já não sei
como hei de chegar ao meio-dia, a não ser de pulo.
Saltemos pois:
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
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1
Moacyr Felix
O Poema
Ou se vive por inteiro
ou pela metade a gente
escreve a vida
que não viveu.
E o papel em branco então serve
como serve ao prisioneiro
a parede branca do cárcere.
O que não foi é o ser que é
no poema, esse ato mágico
de uma chama que não se vê
tanto mais quanto ela queima
no ar de uma cela vazia
o homem que é posto em pé
sobre os mortos do seu dia.
Publicado no livro Em Nome da Vida (1981).
In: FÉLIX, Moacyr. Antologia poética. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1993. p.2
ou pela metade a gente
escreve a vida
que não viveu.
E o papel em branco então serve
como serve ao prisioneiro
a parede branca do cárcere.
O que não foi é o ser que é
no poema, esse ato mágico
de uma chama que não se vê
tanto mais quanto ela queima
no ar de uma cela vazia
o homem que é posto em pé
sobre os mortos do seu dia.
Publicado no livro Em Nome da Vida (1981).
In: FÉLIX, Moacyr. Antologia poética. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1993. p.2
1 557
1
Sousândrade
Canto Décimo [I
(O GUESA, tendo atravessado as ANTILHAS, crê-se livre dos
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos
desertos:)
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
(Xeques surgindo risonhos e disfarçados em Railroad-
managers, Stockjobbers, Pimpbrokers, etc., etc.,
apregoando:)
— Harlem! Erie! Central! Pennsylvania!
— Milhão! cem milhões!! mil milhões!!!
— Young é Grant! Jackson.
Atkinson!
Vanderbilts, Jay Goulds, anões!
(A Voz mal ouvida dentre a trovoada:)
— Fulton's Folly, Codezo's Forgery...
Fraude é o clamor da nação!
Não entendem odes
Railroads;
Paralela Wall-Street à Chattám...
(Corretores continuando:)
— Pigmeus, Brown Brothers! Bennett! Stewart!
Rotschild e o ruivalho d'Astor!!
— Gigantes, escravos
Se os cravos
Jorram luz, se finda-se a dor!...
(Norris, Attorney; Codezo, inventor; Young; Esq.,
manager; Atkinson, agent; Armstrong, agent; Rodhes,
agent; P. Offman & Voldo, agents; algazarra, miragem; ao
meio, o GUESA:)
— Dois! três! cinco mil! se jogardes,
Senhor, tereis cinco milhões!
— Ganhou! ha! haa! haaa!
— Hurrah! ah!...
— Sumiram... seriam ladrões?...
(...)
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos
desertos:)
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
(Xeques surgindo risonhos e disfarçados em Railroad-
managers, Stockjobbers, Pimpbrokers, etc., etc.,
apregoando:)
— Harlem! Erie! Central! Pennsylvania!
— Milhão! cem milhões!! mil milhões!!!
— Young é Grant! Jackson.
Atkinson!
Vanderbilts, Jay Goulds, anões!
(A Voz mal ouvida dentre a trovoada:)
— Fulton's Folly, Codezo's Forgery...
Fraude é o clamor da nação!
Não entendem odes
Railroads;
Paralela Wall-Street à Chattám...
(Corretores continuando:)
— Pigmeus, Brown Brothers! Bennett! Stewart!
Rotschild e o ruivalho d'Astor!!
— Gigantes, escravos
Se os cravos
Jorram luz, se finda-se a dor!...
(Norris, Attorney; Codezo, inventor; Young; Esq.,
manager; Atkinson, agent; Armstrong, agent; Rodhes,
agent; P. Offman & Voldo, agents; algazarra, miragem; ao
meio, o GUESA:)
— Dois! três! cinco mil! se jogardes,
Senhor, tereis cinco milhões!
— Ganhou! ha! haa! haaa!
— Hurrah! ah!...
— Sumiram... seriam ladrões?...
(...)
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
3 217
1
Sousândrade
Canto Décimo [I
(O GUESA, tendo atravessado as ANTILHAS, crê-se livre dos
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos
desertos:)
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
(Xeques surgindo risonhos e disfarçados em Railroad-
managers, Stockjobbers, Pimpbrokers, etc., etc.,
apregoando:)
— Harlem! Erie! Central! Pennsylvania!
— Milhão! cem milhões!! mil milhões!!!
— Young é Grant! Jackson.
Atkinson!
Vanderbilts, Jay Goulds, anões!
(A Voz mal ouvida dentre a trovoada:)
— Fulton's Folly, Codezo's Forgery...
Fraude é o clamor da nação!
Não entendem odes
Railroads;
Paralela Wall-Street à Chattám...
(Corretores continuando:)
— Pigmeus, Brown Brothers! Bennett! Stewart!
Rotschild e o ruivalho d'Astor!!
— Gigantes, escravos
Se os cravos
Jorram luz, se finda-se a dor!...
(Norris, Attorney; Codezo, inventor; Young; Esq.,
manager; Atkinson, agent; Armstrong, agent; Rodhes,
agent; P. Offman & Voldo, agents; algazarra, miragem; ao
meio, o GUESA:)
— Dois! três! cinco mil! se jogardes,
Senhor, tereis cinco milhões!
— Ganhou! ha! haa! haaa!
— Hurrah! ah!...
— Sumiram... seriam ladrões?...
(...)
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos
desertos:)
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
(Xeques surgindo risonhos e disfarçados em Railroad-
managers, Stockjobbers, Pimpbrokers, etc., etc.,
apregoando:)
— Harlem! Erie! Central! Pennsylvania!
— Milhão! cem milhões!! mil milhões!!!
— Young é Grant! Jackson.
Atkinson!
Vanderbilts, Jay Goulds, anões!
(A Voz mal ouvida dentre a trovoada:)
— Fulton's Folly, Codezo's Forgery...
Fraude é o clamor da nação!
Não entendem odes
Railroads;
Paralela Wall-Street à Chattám...
(Corretores continuando:)
— Pigmeus, Brown Brothers! Bennett! Stewart!
Rotschild e o ruivalho d'Astor!!
— Gigantes, escravos
Se os cravos
Jorram luz, se finda-se a dor!...
(Norris, Attorney; Codezo, inventor; Young; Esq.,
manager; Atkinson, agent; Armstrong, agent; Rodhes,
agent; P. Offman & Voldo, agents; algazarra, miragem; ao
meio, o GUESA:)
— Dois! três! cinco mil! se jogardes,
Senhor, tereis cinco milhões!
— Ganhou! ha! haa! haaa!
— Hurrah! ah!...
— Sumiram... seriam ladrões?...
(...)
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
3 217
1
Sousândrade
Canto Décimo [I
(O GUESA, tendo atravessado as ANTILHAS, crê-se livre dos
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos
desertos:)
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
(Xeques surgindo risonhos e disfarçados em Railroad-
managers, Stockjobbers, Pimpbrokers, etc., etc.,
apregoando:)
— Harlem! Erie! Central! Pennsylvania!
— Milhão! cem milhões!! mil milhões!!!
— Young é Grant! Jackson.
Atkinson!
Vanderbilts, Jay Goulds, anões!
(A Voz mal ouvida dentre a trovoada:)
— Fulton's Folly, Codezo's Forgery...
Fraude é o clamor da nação!
Não entendem odes
Railroads;
Paralela Wall-Street à Chattám...
(Corretores continuando:)
— Pigmeus, Brown Brothers! Bennett! Stewart!
Rotschild e o ruivalho d'Astor!!
— Gigantes, escravos
Se os cravos
Jorram luz, se finda-se a dor!...
(Norris, Attorney; Codezo, inventor; Young; Esq.,
manager; Atkinson, agent; Armstrong, agent; Rodhes,
agent; P. Offman & Voldo, agents; algazarra, miragem; ao
meio, o GUESA:)
— Dois! três! cinco mil! se jogardes,
Senhor, tereis cinco milhões!
— Ganhou! ha! haa! haaa!
— Hurrah! ah!...
— Sumiram... seriam ladrões?...
(...)
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos
desertos:)
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
(Xeques surgindo risonhos e disfarçados em Railroad-
managers, Stockjobbers, Pimpbrokers, etc., etc.,
apregoando:)
— Harlem! Erie! Central! Pennsylvania!
— Milhão! cem milhões!! mil milhões!!!
— Young é Grant! Jackson.
Atkinson!
Vanderbilts, Jay Goulds, anões!
(A Voz mal ouvida dentre a trovoada:)
— Fulton's Folly, Codezo's Forgery...
Fraude é o clamor da nação!
Não entendem odes
Railroads;
Paralela Wall-Street à Chattám...
(Corretores continuando:)
— Pigmeus, Brown Brothers! Bennett! Stewart!
Rotschild e o ruivalho d'Astor!!
— Gigantes, escravos
Se os cravos
Jorram luz, se finda-se a dor!...
(Norris, Attorney; Codezo, inventor; Young; Esq.,
manager; Atkinson, agent; Armstrong, agent; Rodhes,
agent; P. Offman & Voldo, agents; algazarra, miragem; ao
meio, o GUESA:)
— Dois! três! cinco mil! se jogardes,
Senhor, tereis cinco milhões!
— Ganhou! ha! haa! haaa!
— Hurrah! ah!...
— Sumiram... seriam ladrões?...
(...)
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
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1
Sousândrade
Canto Décimo [I
(O GUESA, tendo atravessado as ANTILHAS, crê-se livre dos
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos
desertos:)
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
(Xeques surgindo risonhos e disfarçados em Railroad-
managers, Stockjobbers, Pimpbrokers, etc., etc.,
apregoando:)
— Harlem! Erie! Central! Pennsylvania!
— Milhão! cem milhões!! mil milhões!!!
— Young é Grant! Jackson.
Atkinson!
Vanderbilts, Jay Goulds, anões!
(A Voz mal ouvida dentre a trovoada:)
— Fulton's Folly, Codezo's Forgery...
Fraude é o clamor da nação!
Não entendem odes
Railroads;
Paralela Wall-Street à Chattám...
(Corretores continuando:)
— Pigmeus, Brown Brothers! Bennett! Stewart!
Rotschild e o ruivalho d'Astor!!
— Gigantes, escravos
Se os cravos
Jorram luz, se finda-se a dor!...
(Norris, Attorney; Codezo, inventor; Young; Esq.,
manager; Atkinson, agent; Armstrong, agent; Rodhes,
agent; P. Offman & Voldo, agents; algazarra, miragem; ao
meio, o GUESA:)
— Dois! três! cinco mil! se jogardes,
Senhor, tereis cinco milhões!
— Ganhou! ha! haa! haaa!
— Hurrah! ah!...
— Sumiram... seriam ladrões?...
(...)
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos
desertos:)
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
(Xeques surgindo risonhos e disfarçados em Railroad-
managers, Stockjobbers, Pimpbrokers, etc., etc.,
apregoando:)
— Harlem! Erie! Central! Pennsylvania!
— Milhão! cem milhões!! mil milhões!!!
— Young é Grant! Jackson.
Atkinson!
Vanderbilts, Jay Goulds, anões!
(A Voz mal ouvida dentre a trovoada:)
— Fulton's Folly, Codezo's Forgery...
Fraude é o clamor da nação!
Não entendem odes
Railroads;
Paralela Wall-Street à Chattám...
(Corretores continuando:)
— Pigmeus, Brown Brothers! Bennett! Stewart!
Rotschild e o ruivalho d'Astor!!
— Gigantes, escravos
Se os cravos
Jorram luz, se finda-se a dor!...
(Norris, Attorney; Codezo, inventor; Young; Esq.,
manager; Atkinson, agent; Armstrong, agent; Rodhes,
agent; P. Offman & Voldo, agents; algazarra, miragem; ao
meio, o GUESA:)
— Dois! três! cinco mil! se jogardes,
Senhor, tereis cinco milhões!
— Ganhou! ha! haa! haaa!
— Hurrah! ah!...
— Sumiram... seriam ladrões?...
(...)
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
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1
Eudoro Augusto
41 [um grito apenas não basta
um grito apenas não basta
para abolir todo o silêncio que cultivamos
In: AUGUSTO, Eudoro. Cabeças: 88 poemas. Rio de Janeiro: s.n., 1981 (Capricho).
NOTA: Referência ao poema "Tecendo a Manhã", do livro A EDUCAÇÃO PELA PEDRA (1966), de João Cabral de Melo Net
para abolir todo o silêncio que cultivamos
In: AUGUSTO, Eudoro. Cabeças: 88 poemas. Rio de Janeiro: s.n., 1981 (Capricho).
NOTA: Referência ao poema "Tecendo a Manhã", do livro A EDUCAÇÃO PELA PEDRA (1966), de João Cabral de Melo Net
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1
Max Martins
Cidade Outrora
Os seios de Angelita: eis a cidade
outrora curva sem princípio e bruma
onde a aurora nascia dos parapeitos lusos.
Nascimento, casamento e morte. O nome
e os musgos sobem pelo peito.
Salvo o jardim, somente a verdura
perdura nestes jarros como sombras
descendo dos ombros de Angelita
levemente inclinados no poente — agora.
Publicado no livro Anti-Retrato (1960).
In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. p.294. (Verso & reverso, 2
outrora curva sem princípio e bruma
onde a aurora nascia dos parapeitos lusos.
Nascimento, casamento e morte. O nome
e os musgos sobem pelo peito.
Salvo o jardim, somente a verdura
perdura nestes jarros como sombras
descendo dos ombros de Angelita
levemente inclinados no poente — agora.
Publicado no livro Anti-Retrato (1960).
In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. p.294. (Verso & reverso, 2
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1
Bruno de Menezes
Escola dos Sapos
Do charco à beira fica o colégio dos sapos.
As aulas são noturnas e o período letivo
é quando o inverno facilita aos alunos sair.
Ah! que alegria quando chove e a escola aquática funciona!
Aos grulhos que são ralhos as mães batráquias vendo a
[chuva
correm com a saparia infantil para a escola.
O método é à moda e ao tempo do "Estudante alsaciano":
— lições bem decoradas ditas em rasgos de regougos.
Um velho sapo idealista professor de matemática,
que vive amando a Lua entre as ninféias pelo charco,
pergunta em rouca sabatina
a tabuada aos estudantes.
E eles respondem como em coro:
"8 + 8 = 18
8 + 8 = 18"
...enquanto o mestre sonhador,
de olhos perdidos nas estrelas
ruge em meio ao silêncio
alheio à aula e aos seus discípulos:
"stá errado!
stá errado!"
E em torno a saparia adulta vaia os sapinhos madraços.
"Deu rata...
DEU RATA..."
Publicado no livro Batuque: poemas (1939).
In: MENEZES, Bruno de. Obras completas. Belém: Secretaria de Estado da Cultura, 1993. v.1, p.265-266. (Lendo o Pará, 14
As aulas são noturnas e o período letivo
é quando o inverno facilita aos alunos sair.
Ah! que alegria quando chove e a escola aquática funciona!
Aos grulhos que são ralhos as mães batráquias vendo a
[chuva
correm com a saparia infantil para a escola.
O método é à moda e ao tempo do "Estudante alsaciano":
— lições bem decoradas ditas em rasgos de regougos.
Um velho sapo idealista professor de matemática,
que vive amando a Lua entre as ninféias pelo charco,
pergunta em rouca sabatina
a tabuada aos estudantes.
E eles respondem como em coro:
"8 + 8 = 18
8 + 8 = 18"
...enquanto o mestre sonhador,
de olhos perdidos nas estrelas
ruge em meio ao silêncio
alheio à aula e aos seus discípulos:
"stá errado!
stá errado!"
E em torno a saparia adulta vaia os sapinhos madraços.
"Deu rata...
DEU RATA..."
Publicado no livro Batuque: poemas (1939).
In: MENEZES, Bruno de. Obras completas. Belém: Secretaria de Estado da Cultura, 1993. v.1, p.265-266. (Lendo o Pará, 14
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1
Sousa Caldas
Ode ao Homem Selvagem
(...)
Estrofe 4a.
Que Augusta imagem de esplendor subido
Ante mim se figura!
Nu; mas de graça e de valor vestido
O homem natural não teme a dura
Feia mão da Ventura:
No rosto a Liberdade traz pintada
De seus sérios prazeres rodeada.
(...)
Estrofe 5a.
Eu vejo o mole sono sussurrando
Dos olhos pendurar-se
Do frouxo Caraíba que, encostando
Os membros sobre a relva, sem turbar-se,
O Sol vê levantar-se,
E nas ondas, de Tétis entre os braços,
Entregar-se de Amor aos doces laços.
Antístrofe 5a.
Ó Razão, onde habitas?... na morada
Do crime furiosa,
Polida, mas cruel, paramentada
Com as roupas do Vício, ou na ditosa
Cabana virtuosa
Do selvagem grosseiro?... Dize... aonde?
Eu te chamo, ó filósofo! responde.
Epode 5a.
Qual o astro do dia,
Que nas altas montanhas se demora,
Depois que a luz brilhante e criadora,
Nos vales já sombria,
Apenas aparece; assim me prende
O Homem natural, e o Estro acende.
(...)
Publicado no livro Obras Poéticas: Poesias Sacras e Profanas (1821).
In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos poetas brasileiros da Fase Colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979. p.398-399. (Textos, 2)
NOTA: Texto corrigido conforme a 1.ed. das OBRAS POÉTICAS, 182
Estrofe 4a.
Que Augusta imagem de esplendor subido
Ante mim se figura!
Nu; mas de graça e de valor vestido
O homem natural não teme a dura
Feia mão da Ventura:
No rosto a Liberdade traz pintada
De seus sérios prazeres rodeada.
(...)
Estrofe 5a.
Eu vejo o mole sono sussurrando
Dos olhos pendurar-se
Do frouxo Caraíba que, encostando
Os membros sobre a relva, sem turbar-se,
O Sol vê levantar-se,
E nas ondas, de Tétis entre os braços,
Entregar-se de Amor aos doces laços.
Antístrofe 5a.
Ó Razão, onde habitas?... na morada
Do crime furiosa,
Polida, mas cruel, paramentada
Com as roupas do Vício, ou na ditosa
Cabana virtuosa
Do selvagem grosseiro?... Dize... aonde?
Eu te chamo, ó filósofo! responde.
Epode 5a.
Qual o astro do dia,
Que nas altas montanhas se demora,
Depois que a luz brilhante e criadora,
Nos vales já sombria,
Apenas aparece; assim me prende
O Homem natural, e o Estro acende.
(...)
Publicado no livro Obras Poéticas: Poesias Sacras e Profanas (1821).
In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos poetas brasileiros da Fase Colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979. p.398-399. (Textos, 2)
NOTA: Texto corrigido conforme a 1.ed. das OBRAS POÉTICAS, 182
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Sousa Caldas
Ode ao Homem Selvagem
(...)
Estrofe 4a.
Que Augusta imagem de esplendor subido
Ante mim se figura!
Nu; mas de graça e de valor vestido
O homem natural não teme a dura
Feia mão da Ventura:
No rosto a Liberdade traz pintada
De seus sérios prazeres rodeada.
(...)
Estrofe 5a.
Eu vejo o mole sono sussurrando
Dos olhos pendurar-se
Do frouxo Caraíba que, encostando
Os membros sobre a relva, sem turbar-se,
O Sol vê levantar-se,
E nas ondas, de Tétis entre os braços,
Entregar-se de Amor aos doces laços.
Antístrofe 5a.
Ó Razão, onde habitas?... na morada
Do crime furiosa,
Polida, mas cruel, paramentada
Com as roupas do Vício, ou na ditosa
Cabana virtuosa
Do selvagem grosseiro?... Dize... aonde?
Eu te chamo, ó filósofo! responde.
Epode 5a.
Qual o astro do dia,
Que nas altas montanhas se demora,
Depois que a luz brilhante e criadora,
Nos vales já sombria,
Apenas aparece; assim me prende
O Homem natural, e o Estro acende.
(...)
Publicado no livro Obras Poéticas: Poesias Sacras e Profanas (1821).
In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos poetas brasileiros da Fase Colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979. p.398-399. (Textos, 2)
NOTA: Texto corrigido conforme a 1.ed. das OBRAS POÉTICAS, 182
Estrofe 4a.
Que Augusta imagem de esplendor subido
Ante mim se figura!
Nu; mas de graça e de valor vestido
O homem natural não teme a dura
Feia mão da Ventura:
No rosto a Liberdade traz pintada
De seus sérios prazeres rodeada.
(...)
Estrofe 5a.
Eu vejo o mole sono sussurrando
Dos olhos pendurar-se
Do frouxo Caraíba que, encostando
Os membros sobre a relva, sem turbar-se,
O Sol vê levantar-se,
E nas ondas, de Tétis entre os braços,
Entregar-se de Amor aos doces laços.
Antístrofe 5a.
Ó Razão, onde habitas?... na morada
Do crime furiosa,
Polida, mas cruel, paramentada
Com as roupas do Vício, ou na ditosa
Cabana virtuosa
Do selvagem grosseiro?... Dize... aonde?
Eu te chamo, ó filósofo! responde.
Epode 5a.
Qual o astro do dia,
Que nas altas montanhas se demora,
Depois que a luz brilhante e criadora,
Nos vales já sombria,
Apenas aparece; assim me prende
O Homem natural, e o Estro acende.
(...)
Publicado no livro Obras Poéticas: Poesias Sacras e Profanas (1821).
In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos poetas brasileiros da Fase Colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979. p.398-399. (Textos, 2)
NOTA: Texto corrigido conforme a 1.ed. das OBRAS POÉTICAS, 182
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1
Régis Bonvicino
O Provérbio Latino, dez 1981
o provérbio latino
ferrum natare doces
(ensinar
ferro a nadar /
querer
o impossível)
tornou-se
com a máquina a vapor de watt
letra
morta
deixando
galeras e caravelas
mar e rio
a ver navios
In: BONVICINO, Régis. Sósia da cópia, 1978/1983. São Paulo: Max Limonad, 1983
ferrum natare doces
(ensinar
ferro a nadar /
querer
o impossível)
tornou-se
com a máquina a vapor de watt
letra
morta
deixando
galeras e caravelas
mar e rio
a ver navios
In: BONVICINO, Régis. Sósia da cópia, 1978/1983. São Paulo: Max Limonad, 1983
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1
Osório Duque-Estrada
Hino Nacional Brasileiro
I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).
In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13
NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).
In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13
NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
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Osório Duque-Estrada
Hino Nacional Brasileiro
I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).
In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13
NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).
In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13
NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
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Osório Duque-Estrada
Hino Nacional Brasileiro
I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).
In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13
NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).
In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13
NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
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Olavo Bilac
Os Votos
Vai-se a primeira votação passada...
Vai-se outra... mais outra... enfim dezenas
De votos vão-se da Assembléia, apenas
A sessão começou da bordoada!
Sopra sobre Ele a rígida mortada...
Que saudade das épocas serenas
Em que Ele e os outros, aparando as penas,
Tinham apurações de cambulhada!
O seu bom senso todos apregoam...
E Ele vê que aos pombais as pombas voltam,
Mas esses votos não lhe voltam mais!
In: BILAC, Olavo. Lira acaciana: colecionada por Angelo Bitu. Rio de Janeiro: s.n., 1900.
NOTA: Paródia do soneto "As Pombas", de Raimundo Correi
Vai-se outra... mais outra... enfim dezenas
De votos vão-se da Assembléia, apenas
A sessão começou da bordoada!
Sopra sobre Ele a rígida mortada...
Que saudade das épocas serenas
Em que Ele e os outros, aparando as penas,
Tinham apurações de cambulhada!
O seu bom senso todos apregoam...
E Ele vê que aos pombais as pombas voltam,
Mas esses votos não lhe voltam mais!
In: BILAC, Olavo. Lira acaciana: colecionada por Angelo Bitu. Rio de Janeiro: s.n., 1900.
NOTA: Paródia do soneto "As Pombas", de Raimundo Correi
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