Poemas neste tema
Outros
Viriato Gaspar
Índice
O homem é a matéria do meu canto
qualquer que seja a cor do que ele sente,
e não importa o motivo de seu pranto,
é um homem, meu irmão, e estou doente
de sua dor, e é meu o seu espanto
do mundo e desta hora incongruentes.
na trincheira do verbo me levanto
contra o que contra o homem se intente.
O homem é o objeto e o objetivo
de quanto sei cantar, e o canto é tudo
que pode me explicar porque estou vivo.
às vezes sou ateu, noutras sou crente,
em outras sou rebelde, em algumas mudo,
sou homem, e canto o homem no presente.
qualquer que seja a cor do que ele sente,
e não importa o motivo de seu pranto,
é um homem, meu irmão, e estou doente
de sua dor, e é meu o seu espanto
do mundo e desta hora incongruentes.
na trincheira do verbo me levanto
contra o que contra o homem se intente.
O homem é o objeto e o objetivo
de quanto sei cantar, e o canto é tudo
que pode me explicar porque estou vivo.
às vezes sou ateu, noutras sou crente,
em outras sou rebelde, em algumas mudo,
sou homem, e canto o homem no presente.
995
1
Castro Menezes
Calipso
Pela doce paciência de enfermeira
com que procuras encantar-me a vida,
renovando em minha alma a fé perdida
depois de morta a crença derradeira;
Pelo sorriso bom de companheira
que a novas esperanças me convida,
quando vejo, na estrada percorrida
dos meus sonhos a extinta sementeira;
Pela graça de irmã de Caridade
com que teu meigo afeto me persuade
de que lutar confiante é o meu dever;
Bendita sejas Flor de mansuetude,
em cujo seio, finalmente, pude
descansar a cabeça e adormecer...
com que procuras encantar-me a vida,
renovando em minha alma a fé perdida
depois de morta a crença derradeira;
Pelo sorriso bom de companheira
que a novas esperanças me convida,
quando vejo, na estrada percorrida
dos meus sonhos a extinta sementeira;
Pela graça de irmã de Caridade
com que teu meigo afeto me persuade
de que lutar confiante é o meu dever;
Bendita sejas Flor de mansuetude,
em cujo seio, finalmente, pude
descansar a cabeça e adormecer...
989
1
Silva Ramos
Nós
Eu e tu: a existência repartida
Por duas almas; duas almas numa
Só existência. Tu e eu: a vida
De duas vidas que uma só resuma.
Vida de dois, em cada um vivida,
Vida de um só vivida em dois; em suma:
A essência unida à essência, sem que alguma
Perca o ser una, sendo à outra unida.
Duplo egoísmo altruísta, a cujo enleio
No próprio coração cada qual sente
A chama que em si nutre o incêndio alheio.
Ó mistério do amor onipotente,
Que eternamente eu viva no teu seio,
E vivas no meu seio eternamente.
Por duas almas; duas almas numa
Só existência. Tu e eu: a vida
De duas vidas que uma só resuma.
Vida de dois, em cada um vivida,
Vida de um só vivida em dois; em suma:
A essência unida à essência, sem que alguma
Perca o ser una, sendo à outra unida.
Duplo egoísmo altruísta, a cujo enleio
No próprio coração cada qual sente
A chama que em si nutre o incêndio alheio.
Ó mistério do amor onipotente,
Que eternamente eu viva no teu seio,
E vivas no meu seio eternamente.
1 386
1
Sousândrade
Elogio do Alexandrino
Asclepiádeo verso: à evolução do poema
Das sestas, cadenciar daltas antigüidades,
já porque bipartido em fúlgidas metades
Reata em conjunção opostos de um dilema,
E já por ser de gala a forma do matiz
Heleno na escultura e lácio na linguagem
Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris:
Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem;
Que desperta aos tocsins, galo às estrelas dalva,
Que faz revoluções de Filadélfia às salvas
E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza,
o verso-formosura, adornos, lauta mesa
Ond tokay, champanh, flor, copos cristal-diamantes
Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding.
Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante:
Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante,
o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim,
Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste;
E para os que têm fome e sede de justiça,
O verso condor, chama, alárum, de carniça,
Dharpas dÉsquilus, de Hugo, a dor, a tempestade:
Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade
Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major,
Restruge alto acordando os cândidos espíritos
Às glórias do oceano e percutindo os gritos
Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador
Ouve-se afinação no mundo brasileiro,
Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro,
Flamívomo social, encantador. Fulgura
Luz de dia primeiro, a nota formosura,
Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.
Das sestas, cadenciar daltas antigüidades,
já porque bipartido em fúlgidas metades
Reata em conjunção opostos de um dilema,
E já por ser de gala a forma do matiz
Heleno na escultura e lácio na linguagem
Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris:
Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem;
Que desperta aos tocsins, galo às estrelas dalva,
Que faz revoluções de Filadélfia às salvas
E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza,
o verso-formosura, adornos, lauta mesa
Ond tokay, champanh, flor, copos cristal-diamantes
Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding.
Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante:
Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante,
o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim,
Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste;
E para os que têm fome e sede de justiça,
O verso condor, chama, alárum, de carniça,
Dharpas dÉsquilus, de Hugo, a dor, a tempestade:
Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade
Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major,
Restruge alto acordando os cândidos espíritos
Às glórias do oceano e percutindo os gritos
Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador
Ouve-se afinação no mundo brasileiro,
Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro,
Flamívomo social, encantador. Fulgura
Luz de dia primeiro, a nota formosura,
Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.
3 817
1
Sousândrade
Elogio do Alexandrino
Asclepiádeo verso: à evolução do poema
Das sestas, cadenciar daltas antigüidades,
já porque bipartido em fúlgidas metades
Reata em conjunção opostos de um dilema,
E já por ser de gala a forma do matiz
Heleno na escultura e lácio na linguagem
Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris:
Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem;
Que desperta aos tocsins, galo às estrelas dalva,
Que faz revoluções de Filadélfia às salvas
E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza,
o verso-formosura, adornos, lauta mesa
Ond tokay, champanh, flor, copos cristal-diamantes
Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding.
Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante:
Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante,
o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim,
Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste;
E para os que têm fome e sede de justiça,
O verso condor, chama, alárum, de carniça,
Dharpas dÉsquilus, de Hugo, a dor, a tempestade:
Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade
Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major,
Restruge alto acordando os cândidos espíritos
Às glórias do oceano e percutindo os gritos
Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador
Ouve-se afinação no mundo brasileiro,
Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro,
Flamívomo social, encantador. Fulgura
Luz de dia primeiro, a nota formosura,
Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.
Das sestas, cadenciar daltas antigüidades,
já porque bipartido em fúlgidas metades
Reata em conjunção opostos de um dilema,
E já por ser de gala a forma do matiz
Heleno na escultura e lácio na linguagem
Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris:
Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem;
Que desperta aos tocsins, galo às estrelas dalva,
Que faz revoluções de Filadélfia às salvas
E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza,
o verso-formosura, adornos, lauta mesa
Ond tokay, champanh, flor, copos cristal-diamantes
Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding.
Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante:
Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante,
o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim,
Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste;
E para os que têm fome e sede de justiça,
O verso condor, chama, alárum, de carniça,
Dharpas dÉsquilus, de Hugo, a dor, a tempestade:
Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade
Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major,
Restruge alto acordando os cândidos espíritos
Às glórias do oceano e percutindo os gritos
Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador
Ouve-se afinação no mundo brasileiro,
Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro,
Flamívomo social, encantador. Fulgura
Luz de dia primeiro, a nota formosura,
Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.
3 817
1
Sousândrade
Elogio do Alexandrino
Asclepiádeo verso: à evolução do poema
Das sestas, cadenciar daltas antigüidades,
já porque bipartido em fúlgidas metades
Reata em conjunção opostos de um dilema,
E já por ser de gala a forma do matiz
Heleno na escultura e lácio na linguagem
Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris:
Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem;
Que desperta aos tocsins, galo às estrelas dalva,
Que faz revoluções de Filadélfia às salvas
E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza,
o verso-formosura, adornos, lauta mesa
Ond tokay, champanh, flor, copos cristal-diamantes
Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding.
Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante:
Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante,
o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim,
Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste;
E para os que têm fome e sede de justiça,
O verso condor, chama, alárum, de carniça,
Dharpas dÉsquilus, de Hugo, a dor, a tempestade:
Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade
Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major,
Restruge alto acordando os cândidos espíritos
Às glórias do oceano e percutindo os gritos
Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador
Ouve-se afinação no mundo brasileiro,
Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro,
Flamívomo social, encantador. Fulgura
Luz de dia primeiro, a nota formosura,
Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.
Das sestas, cadenciar daltas antigüidades,
já porque bipartido em fúlgidas metades
Reata em conjunção opostos de um dilema,
E já por ser de gala a forma do matiz
Heleno na escultura e lácio na linguagem
Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris:
Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem;
Que desperta aos tocsins, galo às estrelas dalva,
Que faz revoluções de Filadélfia às salvas
E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza,
o verso-formosura, adornos, lauta mesa
Ond tokay, champanh, flor, copos cristal-diamantes
Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding.
Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante:
Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante,
o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim,
Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste;
E para os que têm fome e sede de justiça,
O verso condor, chama, alárum, de carniça,
Dharpas dÉsquilus, de Hugo, a dor, a tempestade:
Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade
Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major,
Restruge alto acordando os cândidos espíritos
Às glórias do oceano e percutindo os gritos
Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador
Ouve-se afinação no mundo brasileiro,
Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro,
Flamívomo social, encantador. Fulgura
Luz de dia primeiro, a nota formosura,
Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.
3 817
1
Bocage
Ó tranças de que Amor prisões me tece,
Ó tranças de que Amor prisões me tece,
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!
Ó ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse!
Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!
Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois? Sois de Vênus? — É mentira;
Sois de Marília, sois dos meus amores.
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!
Ó ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse!
Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!
Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois? Sois de Vênus? — É mentira;
Sois de Marília, sois dos meus amores.
3 234
1
Bocage
Ó tranças de que Amor prisões me tece,
Ó tranças de que Amor prisões me tece,
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!
Ó ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse!
Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!
Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois? Sois de Vênus? — É mentira;
Sois de Marília, sois dos meus amores.
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!
Ó ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse!
Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!
Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois? Sois de Vênus? — É mentira;
Sois de Marília, sois dos meus amores.
3 234
1
Silveira Neto
Pórtico
Versos — mendigos de mantos reais —,
Ide, que vos esperam sete espadas.
Fugi aos olhos de ouros senhoriais:
Antes a prece aldeã pelas estradas...
Ide arrastar o meu burel de monge;
(Quanta saudade esse burel traduz...
Se encontrardes o Mundo tende-o longe,
Porque os seus braços são braços de cruz.
Direis a uns Olhos — Olhos onde a sorte
Pôs meu Ser a rezar, como em altares —
Que me vou de caminho para a Morte.
E a Morte... essa verá, na triste hosana
Do poente roxo que orla os meus olhares,
Como anoitece uma existência humana.
Ide, que vos esperam sete espadas.
Fugi aos olhos de ouros senhoriais:
Antes a prece aldeã pelas estradas...
Ide arrastar o meu burel de monge;
(Quanta saudade esse burel traduz...
Se encontrardes o Mundo tende-o longe,
Porque os seus braços são braços de cruz.
Direis a uns Olhos — Olhos onde a sorte
Pôs meu Ser a rezar, como em altares —
Que me vou de caminho para a Morte.
E a Morte... essa verá, na triste hosana
Do poente roxo que orla os meus olhares,
Como anoitece uma existência humana.
1 099
1
Silveira Neto
Pórtico
Versos — mendigos de mantos reais —,
Ide, que vos esperam sete espadas.
Fugi aos olhos de ouros senhoriais:
Antes a prece aldeã pelas estradas...
Ide arrastar o meu burel de monge;
(Quanta saudade esse burel traduz...
Se encontrardes o Mundo tende-o longe,
Porque os seus braços são braços de cruz.
Direis a uns Olhos — Olhos onde a sorte
Pôs meu Ser a rezar, como em altares —
Que me vou de caminho para a Morte.
E a Morte... essa verá, na triste hosana
Do poente roxo que orla os meus olhares,
Como anoitece uma existência humana.
Ide, que vos esperam sete espadas.
Fugi aos olhos de ouros senhoriais:
Antes a prece aldeã pelas estradas...
Ide arrastar o meu burel de monge;
(Quanta saudade esse burel traduz...
Se encontrardes o Mundo tende-o longe,
Porque os seus braços são braços de cruz.
Direis a uns Olhos — Olhos onde a sorte
Pôs meu Ser a rezar, como em altares —
Que me vou de caminho para a Morte.
E a Morte... essa verá, na triste hosana
Do poente roxo que orla os meus olhares,
Como anoitece uma existência humana.
1 099
1
Tenreiro Aranha
Soneto II
Passarinho que logras docemente
Os prazeres da amável inocência,
Livre de que a culpada consciência
Te aflija, como aflige ao delinqüente;
Fácil sustento e sempre mui decente
Vestido te fornece a Providência;
Sem futuros prever, tua existência
É feliz limitando-se ao presente.
Não assim, ai de mim! Porque sofrendo
A fome, a sede, o frio, a enfermidade
Sinto também do crime o peso horrendo...
Dos homens me rodeia a iniqüidade
A calúnia me oprime, e, ao fim tremendo
Me assusta uma espantosa eternidade.
Os prazeres da amável inocência,
Livre de que a culpada consciência
Te aflija, como aflige ao delinqüente;
Fácil sustento e sempre mui decente
Vestido te fornece a Providência;
Sem futuros prever, tua existência
É feliz limitando-se ao presente.
Não assim, ai de mim! Porque sofrendo
A fome, a sede, o frio, a enfermidade
Sinto também do crime o peso horrendo...
Dos homens me rodeia a iniqüidade
A calúnia me oprime, e, ao fim tremendo
Me assusta uma espantosa eternidade.
1 275
1
Viriato Gaspar
Voluntários da Pátria
perdemos a tarde
o ônibus
a paciência
e a vida
perdemos a cor
a calma
a voz
o voto
a vergonha
e agora
voltamos pela rua lentamente
livres do peso da nossa dignidade
— sobrevivemos a mais um dia —
o ônibus
a paciência
e a vida
perdemos a cor
a calma
a voz
o voto
a vergonha
e agora
voltamos pela rua lentamente
livres do peso da nossa dignidade
— sobrevivemos a mais um dia —
1 098
1
Teresa Bartholomeu
Das Ruas
Boca grande, boca pequena
chuta meninos cóa ponta da bota, cóa raquete de tenis, cóa jaqueta
xó xó xó sai de banda moleque!
que educação cumpadi, que educação coroné-boné
quem vive de cuspe em cuspe nas esquinas de babel
tem a vontade de trabalho na mão, porque mais nada resta não!
limpo todos os parabrisas dos olhares e vidraças de telhado e casas
grande.
xó xó xó danação dos canteiros, sua cara mesquinha!
Mas, dexa entrar, num favor! dexa um cantinho?
fico de boca pequena, ando devagarinho e só de quando em quando
descalça corro pelos latifúndios da poesia a conhecer as únicas glebas
produtivas dessas terras de bois que puxam barcos a arar imaginações.
corro descalça por esses alqueires a modo do vento da meiguice dos
poetas acariciar meu rosto. deixo meu burro e minha burrice atrelada na
entrada e entro lisa.
xó xó xó urubu mal quisto!
Nem me visto de frases e issos e aquilos (se bem que vai ser difícil)
deixo a tolice na gaiola da parvoice.
Minha fala tem a confusão das esquinas
Entende-se tanto quanto a fórmula dos soros das clínicas
sei lá quantos mortos
Entende-se tanto quanto suas economias e vacas profanas e cabritos
juro que nem trocado peço e não tropeço nos trecos e fico de boca
pequena. se me der um prato até que como.
xô xô xô quem nu vi mais gordo!
tou descalça. sou uma peste. meu olhar ácido te queima em medo. mas tô
sangrando tanto! a dor de tantos enxotos e tantas penduras e tantos
pedidos. além da dor dos homicídios: a faca, a revolver, a frase, ou
a negação!
xô xô xô desgruda a bunda do carro, menina!
tá bom recolho o corpo: dou meia volta: e engano
corro entre verdes de cana paraibanos cortando meu rosto
como cajús: também tenho meus dias de banquete imaginário!
xô xô xô
todos tem, todos tem
coitados (diria a madame antes de ser assaltada)
chuta meninos cóa ponta da bota, cóa raquete de tenis, cóa jaqueta
xó xó xó sai de banda moleque!
que educação cumpadi, que educação coroné-boné
quem vive de cuspe em cuspe nas esquinas de babel
tem a vontade de trabalho na mão, porque mais nada resta não!
limpo todos os parabrisas dos olhares e vidraças de telhado e casas
grande.
xó xó xó danação dos canteiros, sua cara mesquinha!
Mas, dexa entrar, num favor! dexa um cantinho?
fico de boca pequena, ando devagarinho e só de quando em quando
descalça corro pelos latifúndios da poesia a conhecer as únicas glebas
produtivas dessas terras de bois que puxam barcos a arar imaginações.
corro descalça por esses alqueires a modo do vento da meiguice dos
poetas acariciar meu rosto. deixo meu burro e minha burrice atrelada na
entrada e entro lisa.
xó xó xó urubu mal quisto!
Nem me visto de frases e issos e aquilos (se bem que vai ser difícil)
deixo a tolice na gaiola da parvoice.
Minha fala tem a confusão das esquinas
Entende-se tanto quanto a fórmula dos soros das clínicas
sei lá quantos mortos
Entende-se tanto quanto suas economias e vacas profanas e cabritos
juro que nem trocado peço e não tropeço nos trecos e fico de boca
pequena. se me der um prato até que como.
xô xô xô quem nu vi mais gordo!
tou descalça. sou uma peste. meu olhar ácido te queima em medo. mas tô
sangrando tanto! a dor de tantos enxotos e tantas penduras e tantos
pedidos. além da dor dos homicídios: a faca, a revolver, a frase, ou
a negação!
xô xô xô desgruda a bunda do carro, menina!
tá bom recolho o corpo: dou meia volta: e engano
corro entre verdes de cana paraibanos cortando meu rosto
como cajús: também tenho meus dias de banquete imaginário!
xô xô xô
todos tem, todos tem
coitados (diria a madame antes de ser assaltada)
963
1
Vitor Casimiro
Por Que Se Faz Perguntas Sobre Poesia?
Me pergunto como deve ser a poesia
Deve ela ser doce ou deve ser fria?
Pergunto como quem não quer nada:
Que tal engajada?
Já sei, Já sei, curta e métrica
Objetiva expressão numérica.
Pensando bem, isso não interessa
A poesia não tem pressa.
Talvez revolucionária, concreta
Curva esférica em linha reta
Será que isso importa?
Acho que não. A poesia já nasceu torta.
Melhor: Deve ser sonora!
Espalhada mundo afora
Deve ela ser doce ou deve ser fria?
Pergunto como quem não quer nada:
Que tal engajada?
Já sei, Já sei, curta e métrica
Objetiva expressão numérica.
Pensando bem, isso não interessa
A poesia não tem pressa.
Talvez revolucionária, concreta
Curva esférica em linha reta
Será que isso importa?
Acho que não. A poesia já nasceu torta.
Melhor: Deve ser sonora!
Espalhada mundo afora
972
1
Vitor Casimiro
Por Que Se Faz Perguntas Sobre Poesia?
Me pergunto como deve ser a poesia
Deve ela ser doce ou deve ser fria?
Pergunto como quem não quer nada:
Que tal engajada?
Já sei, Já sei, curta e métrica
Objetiva expressão numérica.
Pensando bem, isso não interessa
A poesia não tem pressa.
Talvez revolucionária, concreta
Curva esférica em linha reta
Será que isso importa?
Acho que não. A poesia já nasceu torta.
Melhor: Deve ser sonora!
Espalhada mundo afora
Deve ela ser doce ou deve ser fria?
Pergunto como quem não quer nada:
Que tal engajada?
Já sei, Já sei, curta e métrica
Objetiva expressão numérica.
Pensando bem, isso não interessa
A poesia não tem pressa.
Talvez revolucionária, concreta
Curva esférica em linha reta
Será que isso importa?
Acho que não. A poesia já nasceu torta.
Melhor: Deve ser sonora!
Espalhada mundo afora
972
1
Tasso da Silveira
Sonho Vago
Ó branca e luminosa!
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
1 243
1
Tasso da Silveira
Sonho Vago
Ó branca e luminosa!
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
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Suzanna de Campos
Haicai
Flor emurchecida.
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
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Adail Coelho Maia
Interrogação
Ris, por que ris de mim? julgas por certo
Que eu seja indigno de qualquer carinho?
— Ave perdida procurando ninho
Na solidão profunda do deserto?...
Vivo longe de ti, e a passo incerto
Sigo em silêncio o teu feliz caminho,
Porque sem ti me sentirei sozinho,
Trazendo o peito em mágoas encoberto.
Não sou capaz de profanar-te o nome,
Sofrendo embora esse martírio ardente,
Na fogueira do amor que me consome!...
Não rias, pois, da dor que me rodeia!
Olha que Deus proíbe e não consente,
Que a ente ria da desgraça alheia!...
Que eu seja indigno de qualquer carinho?
— Ave perdida procurando ninho
Na solidão profunda do deserto?...
Vivo longe de ti, e a passo incerto
Sigo em silêncio o teu feliz caminho,
Porque sem ti me sentirei sozinho,
Trazendo o peito em mágoas encoberto.
Não sou capaz de profanar-te o nome,
Sofrendo embora esse martírio ardente,
Na fogueira do amor que me consome!...
Não rias, pois, da dor que me rodeia!
Olha que Deus proíbe e não consente,
Que a ente ria da desgraça alheia!...
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1
Venúsia Neiva
Flor Azul
era uma flor desmaiada
e, ao vento, tinha gesto de pássaro
que foge ao frio.
era azul e nasceu nos primeiros véus da noite.
ninguém a viu.
ninguém sentiu o seu estranho perfume.
só eu que amo as coisas misteriosas e fugaces.
e ela se evaporou nas brumas do meu sonho.
ó poesia!
ó musa!
ó inatingível!
e, ao vento, tinha gesto de pássaro
que foge ao frio.
era azul e nasceu nos primeiros véus da noite.
ninguém a viu.
ninguém sentiu o seu estranho perfume.
só eu que amo as coisas misteriosas e fugaces.
e ela se evaporou nas brumas do meu sonho.
ó poesia!
ó musa!
ó inatingível!
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Venúsia Neiva
Flor Azul
era uma flor desmaiada
e, ao vento, tinha gesto de pássaro
que foge ao frio.
era azul e nasceu nos primeiros véus da noite.
ninguém a viu.
ninguém sentiu o seu estranho perfume.
só eu que amo as coisas misteriosas e fugaces.
e ela se evaporou nas brumas do meu sonho.
ó poesia!
ó musa!
ó inatingível!
e, ao vento, tinha gesto de pássaro
que foge ao frio.
era azul e nasceu nos primeiros véus da noite.
ninguém a viu.
ninguém sentiu o seu estranho perfume.
só eu que amo as coisas misteriosas e fugaces.
e ela se evaporou nas brumas do meu sonho.
ó poesia!
ó musa!
ó inatingível!
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Venúsia Neiva
Flor Azul
era uma flor desmaiada
e, ao vento, tinha gesto de pássaro
que foge ao frio.
era azul e nasceu nos primeiros véus da noite.
ninguém a viu.
ninguém sentiu o seu estranho perfume.
só eu que amo as coisas misteriosas e fugaces.
e ela se evaporou nas brumas do meu sonho.
ó poesia!
ó musa!
ó inatingível!
e, ao vento, tinha gesto de pássaro
que foge ao frio.
era azul e nasceu nos primeiros véus da noite.
ninguém a viu.
ninguém sentiu o seu estranho perfume.
só eu que amo as coisas misteriosas e fugaces.
e ela se evaporou nas brumas do meu sonho.
ó poesia!
ó musa!
ó inatingível!
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Venúsia Neiva
Flor Azul
era uma flor desmaiada
e, ao vento, tinha gesto de pássaro
que foge ao frio.
era azul e nasceu nos primeiros véus da noite.
ninguém a viu.
ninguém sentiu o seu estranho perfume.
só eu que amo as coisas misteriosas e fugaces.
e ela se evaporou nas brumas do meu sonho.
ó poesia!
ó musa!
ó inatingível!
e, ao vento, tinha gesto de pássaro
que foge ao frio.
era azul e nasceu nos primeiros véus da noite.
ninguém a viu.
ninguém sentiu o seu estranho perfume.
só eu que amo as coisas misteriosas e fugaces.
e ela se evaporou nas brumas do meu sonho.
ó poesia!
ó musa!
ó inatingível!
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Walter Queiroz
Retalhos de Hoje
Na confluência das horas
germinarão as manhãs
no esquecimento das cores
gestando flores letais
as margaridas sangrando
no tombamento dos corpos
arribação dos canteiros
habitação nos fuzis
eu sei de loucas bandeiras
subindo o mastro dos sonhos
como notícias estampadas
informando os alumínios
quando as crianças passaram
louvando a festa do sol
eis que o olhar tão ferido
nem soube do feito azul
nem houve tato ao formato
da nave antiga em regresso
as impressões marinheiras
no baile branco das velas
pediu entrada na roda
para brincar de inventor
em silente artesanato
dos ritos para o encontro
porém a mão estendida
girou no ar (só... sobrou)
os gestos estão cravados
nos quinhões já repartidos
na confluência das horas
correm sonoras de fogo
no pavilhão indefeso
bandeiras de ocupação
com notícias estampadas
faca/navalha/cinzel
hábeis de corte fundando
trabalho de sangue novo
a cruz gravada no peito
tem raiz no coração
nos braços um gesto abraço
preparando a comunhão
junto os retalhos de hoje
e não direi da esperança
tornar bandeiras de fogo
em estandartes de paz
germinarão as manhãs
no esquecimento das cores
gestando flores letais
as margaridas sangrando
no tombamento dos corpos
arribação dos canteiros
habitação nos fuzis
eu sei de loucas bandeiras
subindo o mastro dos sonhos
como notícias estampadas
informando os alumínios
quando as crianças passaram
louvando a festa do sol
eis que o olhar tão ferido
nem soube do feito azul
nem houve tato ao formato
da nave antiga em regresso
as impressões marinheiras
no baile branco das velas
pediu entrada na roda
para brincar de inventor
em silente artesanato
dos ritos para o encontro
porém a mão estendida
girou no ar (só... sobrou)
os gestos estão cravados
nos quinhões já repartidos
na confluência das horas
correm sonoras de fogo
no pavilhão indefeso
bandeiras de ocupação
com notícias estampadas
faca/navalha/cinzel
hábeis de corte fundando
trabalho de sangue novo
a cruz gravada no peito
tem raiz no coração
nos braços um gesto abraço
preparando a comunhão
junto os retalhos de hoje
e não direi da esperança
tornar bandeiras de fogo
em estandartes de paz
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